Trezentos

O início de uma multidão

Os Degraus da Academia

Estranho esse mundo acadêmico… O Sistema quer que você não tenha personalidade científica nenhuma, seja um zero assumido. Definido um tema para fazer a monagrafia, espera-se que você não saiba onde quer chegar e simplesmente leia. Leia feito um condenado o trabalho de outros que, supostamente bem mais sábios que você, já trataram do tema. Então, você conclui o seu trabalho, que é feito no fim das contas de 5% de palavras suas, 95% de citações, afinal sua palavra não tem qualquer valor.
Na prática a gente sabe que nunca funciona assim. Como se diz, “Na prática a teoria é outra” (e lá vou eu com citações também…). Na prática a gente sabe exatamente onde quer chegar. Frequentemente sabemos sim. Mas impedidos de dizer o que queremos, somos obrigados a vasculhar bibliografias. Não em busca de gente que tratou do tema, mas em busca de gente que disse exatamente o que queremos dizer. Não importam quem são esses sábios desconhecidos para nós. O que importa é que a Academia os reconhece como sábios. Assim como seremos conhecidos como sábios com o passar do tempo e à medida em que tenhamos trabalhos científicos publicados.
Não sei vocês, mas acho tudo isso muito estranho…

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4 comentários para “Os Degraus da Academia”

  1.   robson disse:

    Concordo 100% com SUAS palavras. E quando a gente não abusa no parafraseamento, os “dotô” vem com cara de sádico dizer que noso trabalho merece a lata do lixo. Como escapar de plágio, trabalhando com 95% de citações alheias?

  2.   João Carlos disse:

    pô mas é isso que Bourdieu fala. Você tem que de certa forma se submeter a essas coisas. Mas nós mesmo acadêmicos colocamos essa posição quando queremos apenas concluir “essa droga” e fazemos apenas o basicão pra conseguir a nota. Falta na nossa cabeça uma pesquisa mais a fundo, mais intensa. Falta pra gente um senso crítico de perguntar para nossos orientadores porque de usar certos livros. O problema é que muitos vão usar um discurso legitimado pra dizer um “porque sim” numa linguagem acadêmica. A verdade é que a gente ainda é um monte de criancinhas tendo que tomar benção pros professores que muitas vezes só tem inteligência no Curriculo Lattes. E temos que acabar com essa diferença entre teoria e prática. A prática TEM que ser a teoria em ação e não uma forma de adequar uma teoria.

    http://viagemaleatoria.wordpress.com/2009/06/03/naturalidade-porque-sim-nao-e-resposta/

  3.   Jomar Silva disse:

    +1

    Concordo com o que foi escrito e lhe confesso que fugi do Mestrado por causa disso… o periscópio de umbigo desse pessoal é absurdo no Brasil !!!

  4.   lamps disse:

    LoL
    Boa, Carlisson!

    Mas segundo Tapscott (2006)…
    aehehehehhehehaehaeh

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