O blog da Petrobras e o desespero da mídia
Não há dúvidas: o blog da Petrobras é a grande novidade da semana. A ideia em si é bastante banal. Uma empresa faz uso de uma plataforma gratuita de publicação online – o Wordpress – para abrir um blog e se comunicar diretamente com o público. Não há nessa ideia, tomada isoladamente, nada que justifique maior festa ou grandes reações de repúdio. Mas chegou a tal ponto a revolta com a manipulação da mídia brasileira e sua visível campanha de ataques à Petrobras que a inauguração do blog tem sido tratada, pela grande maioria, como uma verdadeira revolução e, por uma minoria ligada à mídia, como uma espécie de trapaça, de alteração das regras do jogo. Se a Petrobras agora publica a íntegra das perguntas que recebe, junto com suas respostas, os jornalões vão fazer o quê? Como vão esconder a fábrica de linguiças? Neste contexto, o Animot está corretíssimo: o blog da Petrobras é um marco.
O desespero da organização criminosa do jornal Folha de São Paulo levou à invenção de uma sensacional jabuticaba, a fonte que deve sigilo ao entrevistador, a pergunta jornalística em off. É a cara-de-pau e a cretinice dos oligopólios de mídia elevadas à última potência. As instituições enxovalhadas pela sua manipulação lhes devem, além do mais, sigilo sobre quais foram as perguntas feitas. Já não basta acusá-las de “censoras” quando elas se insurgem contra a mentirada. Elas devem, agora, aceitar falar só pelas paráfrases criminosamente mentirosas dos jornalões. Ou pelo menos silenciar até que estas tenham aparecido. Os jornalões querem ter o monopólio das perguntas e das respostas.
Com uma “matéria” intitulada Petrobras vaza em blog informações obtidas por jornalistas, a Folha afirma que a Petrobras criou um blog para vazar informações obtidas por jornalistas que investigam indícios de irregularidades nos negócios da estatal. Evidentemente, o uso do verbo “vazar” é incorreto e manipulador. “Vazamento” pressupõe informação protegida e sigilosa, além de sugerir ilegalidade. É óbvio que não há nada ilegal no que fez a Petrobras. Ela simplesmente revelou quais eram as perguntas feitas e apresentou as suas respostas. Isso, no Brasil de hoje, é motivo de compreensível júbilo para a maioria e desespero agônico para os últimos defensores que montam guarda às portas da moribunda fábrica de linguiças.
Em menos de 48 horas no Twitter, o @blogpetrobras já se aproximava da terceira centena de seguidores e acumulava milhares de citações. O blog já recebeu mais de 65.000 visitas desde que o contador foi instalado. O desmascaramento dos jornalões vai acontecendo com notável rapidez: a barrigada da Folha, as mentiras d’O Globo sobre a mamona, a sequência de mentiras da Folha sobre a “contratação” do MBC.
Apesar de que há vários comentários críticos e questionadores publicados no blog da Petrobras, é verdade que a maioria saúda o blog e lhe oferece apoio. Esse fato foi suficiente para que Reinaldinho Azevedo acusasse a estatal de estar “censurando comentários”. É a cara-de-pau elevada à enésima potência. A acusação vem do autor de um blog em que comentários críticos a seu autor, ainda que polidos e respeitosos, só são aprovados por descuido (sendo depois imediatamente limados). Não lhe ocorre a hipótese óbvia: nós estamos em esmagadora maioria.
Indícios?
O valente Sergio Leo defendeu a jabuticaba da fonte que deve sigilo ao entrevistador. Segundo ele, isso se deve a um “pacto” que garantiria ao jornalista o seu furo. O engraçado é que o post do Sergio foi publicado justo no dia em que o próprio ombudsman da Folha reconheceu que não há nada mais velho que o jornal de hoje. Depois de 50 comentários, Sergio só havia recebido o apoio de um único leitor. O blog A Nova Corja nos proporcionou a piada da semana, ao caracterizar o blog da Petrobras como um “acosso a jornalistas”. Os jornalismo brasileiro anda tão combalido que a mera criação de um blog é suficiente para acossá-lo. Depois de 30 comentários, a tese defendida pelo autor não havia recebido o apoio de ninguém. É o samba do vazamento doido.
PS: A iniciativa da Petrobras tem um precedente. Não sei se ele foi fonte de inspiração para a estatal, mas vale lembrar que, durante o recente achicalhe promovido pela organização criminosa pelo jornal O Estado de Minas contra a Universidade Federal de Minas Gerais, a instituição pediu direito de resposta várias vezes, inclusive enviando o seu Procurador pessoalmente ao jornal. Esse direito foi sempre negado. A UFMG passou a responder pela própria internet até que, num acesso de extraordinária cara-de-pau, o Estado de Minas foi pedir direito de resposta no site da universidade!
PS 2: Devo continuar acompanhando de perto o blog da Petrobras. Para atualizações mais instantâneas, siga-me lá no Twitter.
PS 3: Este texto também está publicado n’ O Biscoito Fino e a Massa.


Jogada genial! Por mais engraçado que pareça, quando o assunto é informação, a melhor forma de se proteger é se expondo (inclusive em questões de copyright)
Se todo mundo fizer isso, essas grandes empresas manipuladoras de informação vão perder suas pernas…
Há pouco no twitter brinquei com uma formulação do César Altamira quando comenta as concepções do Negri sobre características da comunicação e das novas práticas comunicativas: “…enquanto a informação é centralizada, vertical e hierárquica, a comunicação é distribuída, transversal e dialógica”. Tirando as consequências disso: máquinas de expressão e cooperação sem mando! Chega da intermediação hierárquica na comunicação!
A apropriação da comunicação (mediada ou não por computador!), a reinvenção permanente dos usos das ferramentas comunicativas, a proliferação das práticas comunicativas e a recusa da intermediação corporativa das companhias de comunicação, e mais ainda o combate ao privilégio que estas querem assegurar, são fundamentais, cada vez mais fundamentais. As estratégias intimidatórias que elas utilizam, ou melhor, a desesperada tentativa de colocar isso em curso, como essa que o Avelar comenta: “invenção de uma sensacional jabuticaba, a fonte que deve sigilo ao entrevistador, a pergunta jornalística em off.” Isso demonstra mesmo é o desespero, o mais completo desespero… e a importância cada vez maior da inteligência distribuída e cada vez mais incontrolável, capaz de se expressar diretamente, sem intermediação hierárquica, sem representação. Inclusive as organizações institucionais quando compreendem a importância da porosidade à inteligência e à vitalidade das redes sociais, só se beneficiam ao se expressarem diretamente e colherem diretamente a proliferação das expressões irredutíveis da sociedade. Só quem quer parasitar a comunicação tem medo das práticas comunicativas livres e comuns…
Abraços!!
Eu acho que é justamente o contrário. O desespero está na Petrobras, que vive um momento delicado, porque “nunca na história desse país” a entidade foi sequer questionada. Se eles querem transparência, como o blog apregoa aos 4 ventos, então que abram DE VERDADE as contas da empresa e aceitam tranquilamente a CPI.
De fato, ilegalidade não há, mas eticamente há um furo aí. E até porque quem criou o blog e tá na frente do caso é jornalista e sabe muito bem como funciona os meandros da mídia.
Chamar a Folha de SP de “organização criminosa” é voltar ao primeiro semestre da faculdade, quando éramos bombardeados com propagandazinha de DCE comandado pelo PCdoB e afins. Qual outra instituição da mídia não é uma “organização criminosa”? Esse conceito é vago – e falho.
Acometido desse mesmo problema, certa vez Rodrigo Amarante, componente na época do grupo Los Hermanos, passou a gravar ele mesmo as entrevistas. O que ele fazia com elas? Nada. Guardava. Se, no caso da Petrobras, ela se sentiu ameaçada ou tratada de maneira equivocada, que procure os meios legais para consertar isso ou então, aí sim, publique o conteúdo das entrevistas como forma de proteção.
Porém, se a Petrobras é dessa transparência toda e se sente violada pela Folha, que pare de dar entrevista para ela. É simples e é um direito de qualquer cidadão/empresa.
P.S.: sou apartidário.
“Porém, se a Petrobras é dessa transparência toda e se sente violada pela Folha, que pare de dar entrevista para ela. É simples e é um direito de qualquer cidadão/empresa.”
Rodrigo, isso que não pode ser feito de maneira alguma. É melhor que uma empresa divulgue a sua relação com a imprensa que corte relações com a imprensa. Isso é uma conseqüecia da tecnologia. Agora, as empresas de comunicação precisarão apurar tudo com mais cautela e trabalhar melhor a informação que produzem. acho ótimo que isso aconteça. Não acho o pior mal da imprensa a editoração, mas a relação apressada e mal-feita com que o trabalho é mostrado.
Rodrigo, não esqueça que o http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/ surge em um contexto, em uma bem robusta situação e condições mais que conhecidas: o abuso de empresas comerciais de comunicação social que acham que não precisam prestar contas a ninguém sobre o que fazem (abririam efetivamente suas contas e carteira de operações para que aqueles que as sustentam saibam mesmo o que estão financiando?!). Empresas que agem como efetivos partidos ilegais (nunca eleitos, logo sem delegação para tanto, para cumprirem função de partido que acabam cumprindo!) escolhendo alvos e atacando sistematicamente quem e o que bem entendem.
E concordo com o Pedro Doria em um ponto: “Antes de tudo: não, não existe sigilo de pergunta. A Petrobras, ou qualquer empresa, tem o direito de tornar públicas todas as perguntas que recebe de repórteres. Não é nem ilegal, nem antiético.”
Para se falar em ética, em qualquer dimensão, há que se ter em mente que não há ética sem comunidade, não há ética sem algo em comum: ética faz sempre referência a uma relação.
O comportamento não-confiável das empresas que exploram comercialmente a comunicação social sugere e trabalha para a criação/produção de uma comunidade “ética” duvidosa e indesejável, que a acusação que ela faz à Petrobras de não respeitar a ética que é própria da prática das empresas jornalísticas em questão, passa a ser um grande elogio à Petrobras, por vias tortas, mas um elogio.
Mas há mais, o recurso ao blog, é algo a ser festejado por quem luta por uma comunicação livre e não mais refém da intermediação das demenciais hierarquias e monopólios anti-democráticos. No mais…
“Rodrigo, não esqueça que o http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/ surge em um contexto, em uma bem robusta situação e condições mais que conhecidas: o abuso de empresas comerciais de comunicação social que acham que não precisam prestar contas a ninguém sobre o que fazem”
Leonardo, isso não é um deja vú constante? Não seria uma “prática” desde os primórdios dos grandes conglomerados midiáticos? Portanto, o tal contexto é outro, e não esse. O contexto é que “nunca na história desse país” a Petrobras foi questionada. A atual oposição conseguiu pegar no calcanhar de aquiles do governo federal, que é a Petrobras. Agora o desespero é tão grande que eles lançaram o blog como forma de tentar jogar a opinião pública contra a imprensa. E vão se dar muito mal, porque isso nunca deu certo.
A prática do blog é um absurdo em pelo menos um ponto: a divulgação de pauta de um jornal para que os concorrentes vejam. Só isso já é sacanagem pura, mesmo sendo legal judicialmente.
Ni!
Considerar a pauta de um jornal como exclusividade dele é reafirmar o modelo vigente de jornalismo onde o fato é secundário à manchete. O uso de meios universais de comunicação pela petrobrás incentiva a competição dos jornais pela honestidade e processamento da informação e não pelo sensacionalismo sem escrúpulos.
O valor social de um jornal sempre esteve em saber articular os fatos com seu contexto, destacar os mais relevantes para o público, e apresentá-los de forma integrada. Uma empresa disponibilizar esses fatos publicamente não compete com os jornais. Pelo contrário, os desencoraja à tentação de fugir aos fatos para chamar atenção do leitor.
Sobre a Petrobrás, ela já foi questionada, já foi atacada, e já houve campanha para sua privatização em diversas ocasiões. Faça uma busca nos arquivos de qualquer desses mesmos jornais.
Enfim, a distorção dos fatos não é apenas prática dos primórdios dos grandes conglomerados midiáticos. Ela é a origem desses conglomerados e de todo o desequilíbrio democrático que trazem consigo.
Criticar a atitude da petrobrás é ignorar a dinâmica subjacente à imprensa. Não há nada mais saudável ao jornalismo que essa atitude, que trará a imprensa mais próxima da sua missão social, como discutida no meu segundo parágrafo.
Abs,
ale
~~
Idelber,
não vou comentar sobre o texto, mas sobre tua presença aqui.
Tem muito mais tua cara do que o Pandorama. Nem reparei se você comentou sobre isso aqui no Biscoito, porque cheguei via Sérgio Amadeu.
De qualquer forma, parabéns por participar desta que parece ser uma grande iniciativa na internet brasileira.
Rodrigo,
vc deve ser um neófito em matéria de imprensa ou ter no máximo 10 anos, o que não acredito.
Dizer que “nunca na história desse país” a Petrobras foi questionada revela a paráfrase habitual da grande mídia jornalistica e portanto a sua origem que vc tanto tenta esconder, realmente o seu apartidarismo é abissal.
Você já ouviu falar de Petrobrax, de Unidades de Negócio, de que o “estado” é um mal gestor, da cadeia de impostos acumulados dentro dos preços dos derivados de petróleo, dos cortes de investimentos na Petrobrás determinados pelo Governo Federal, vc já ouviu falar daquela diretoria que fura poço, da proibição de participar dos leilões de privatização e alienação de áreas de prospecção de petróleo.
Acredito que nunca tenha ouvido falar de qualquer desses assuntos pq se ouviu você é uma farsa.
Eu quero é que a petrobrás se foda.
Não consegui emprego naquela merda. Que se privatize aquele lixo.
Recebido por email. Vale a pena ler…
Vamos nos unir!
O que irá mudar?
Combustível e outros derivados do petróleo mais barato. Sim, remédios e cosméticos, produtos de limpeza e muitos outros derivados do petróleo até 55% mais baratos (principalmente combustível); incluindo alimentos. Leia, publique e divulgue a todos e junte-se a nós. É um ato simples que promove mudanças…
http://www.docstoc.com/docs/38985054/Petrobras
http://www.scribd.com/doc/31463714/Petrobras
http://cjoint.com/data/frhaXNbRFJ.htm
Este último é mais fácil pra baixar.
Abraço,