Exigindo diploma para tanto chororô
No meio de um alvoroço, desconfiar da turba lamuriosa – portanto, confusa – e evitar seguir o mesmo caminho. Aprendi isso com um jornalista diplomado, velho de guerra, que nunca vi defendendo a exigência de diploma para exercer a profissão – e talvez esse seja o único ponto em que concordávamos. Lembrei dele assim que vários jornalistas e estudantes de Jornalismo de todo o país apressaram-se a repetir um discurso loser style a respeito da desregulamentação da profissão com a queda da exigência do diploma para exercê-la, causada pelo Supremo Tribunal Federal. De pronto tomei o rumo contrário, até porque não compartilho do mesmo ponto de vista de quem se desesperou com a decisão do STF, preferindo observar com maior atenção todas as peças deste tabuleiro de xadrez político sendo movidas.
Enquanto entidades classistas, vários jornalistas e estudantes universitários insistiam em imputar à queda da exigência do diploma todos os males de uma profissão duramente criticada não de hoje, havia quem entendesse que este é apenas um elemento a mais no cenário de transformação – necessária – do Jornalismo. Não que o STF esteja preocupado com alguma transformação no Jornalismo, mas considero insensato não analisar sua decisão sem integrá-la a outros pontos. Chamam isso de visão política, não ? Talvez Miro Teixeira tenha algo a falar sobre as nuances da esperteza política, uma vez que já anunciou sua disposição para propor um projeto de lei que regulamente a profissão.
Mas se esta manobra, digo, visão política deve ser entendida como mais um componente do jogo sobre as mudanças na profissão de jornalista, juntamente com o fim da exigência do diploma, que “nova regulamentação da profissão” seria essa? O deputado – e outros políticos que logo deverão dar as caras na grande mídia – acena com conversações com entidades classistas para compor o quadro teórico-funcional desta regulamentação. Do outro lado do tabuleiro, Fenaj, ABI e outras entidades sindicais poderiam – independentemente e antes mesmo dos chamados dos parlamentares – muito bem parar com o chororô, que nada mais faz do que incitar pânico entre estudantes esbaforidos e suscita artigos inflamados que “atacam” quem tem posição contrária ao “posicionamento oficial da classe” – ja vi os termos “inocentes úteis” e “capachos” em alguns destes artigos. Acredito que a melhor estratégia seria avaliar o cenário completo, não este ponto apenas, como … deixe-me ver … como jornalistas – que, em teoria, deveriam estar acostumados a lidar com questões políticas e entender quais são as opções e articulações possíveis nesse caso.
Não deveria ser um passo tão difícil a ser dado. Os fatos – jornalísticos? – estão encadeados em uma estrutura bastante perceptível para quem lida com a Comunicação. Aos pontos já elencados aqui, junte-se a queda da Lei de Imprensa e a redefinição das Diretrizes Curriculares para o ensino de Jornalismo: temos um cenário bastante propício para entender que há espaço para reavaliar não só a profissão, como o ensino do Jornalismo.
E como fala o jornalista, professor e caro amigo, Rogério Christofoletti – um dos desesperados, infelizmente -, em seu livro Ética no Jornalismo: “o jornalismo já não é mais o que pensávamos. Terá que se reinventar. Exatamente como fez outras vezes”.
Eu, que sou descrente quando se fala no Jornalismo atual, penso que este pode ser um momento de reconsideração.


olá, Jorge. Por defender essa visão que vc compartilha, recebi até “gelo” de amigos defensores do diploma. Fiquei impressionada com o tanto de paixão colocada nos discursos.
E eu consigo enxergar uma luz de esperança nesses olhos fúnebres de “Rorrer Rocha”.
Concordo plenamente. Não estou dando pulos de alegria, mas também consigo entender o que há de positivo em toda essa novela. Não tenho achado necessário rebeliões sem causas definidas… Mas também já encontrei jornalistas que acham possível e justo reaver todo dinheiro investido na faculdade.
Nunca o interesse por informação foi tão voraz como é atualmente e nunca tivemos tanta informação como agora. E para controlar isto, vamos precisar cada vez mais de bons profissionais. E diploma, neste caso, não tem dado garantia nenhuma de qualificação. Talvez assim, chegue a dar…
Abraços
Limão
meu pitaco, nobre:
http://www.verbeat.org/blogs/biajoni/2009/06/o_fim_do_diplom.html
:>)
Exu, meu caro. Não sou um desesperado. Apenas lamentei a decisão do STF. Mas é bom te ler e te sentir mais crente, discretamente esperançoso…
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