A Declaração de Independência do Ciberespaço
Em tempos de propostas e leis que redundam em um AI-5 Digital em países como o Brasil, a França e a Coréia do Sul, visões que privilegiam a liberdade e mesmo a soberania do ciberespaço precisam ser levadas ao centro do debate. Eis porque traduzo um trecho da Declaração de Independência do Ciberespaço, escrita por John Perry Barlow em 1996.
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Uma Declaração da Independência do Ciberespaço
de
John Perry Barlow
tradução de
César Schirmer dos Santos
Governos do Mundo Industrial, seus gigantes enfadonhos de carne e aço, eu venho do ciberespaço, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, peço a vocês do passado para nos deixarem em paz. Vocês não são bem-vindos entre nós. Vocês não têm soberania onde nos juntamos.
Nós não temos governo eleito, nem estamos a fim de ter um, de modo que me dirijo a vocês sem maior autoridade do que aquela com a qual a liberdade ela mesma sempre fala. Eu declaro o espaço social global que estamos criando como sendo naturalmente independente das tiranias que vocês procuram impor a nós. Vocês não têm direito moral de nos dominar nem possuem quaisquer métodos de coação que nós tenhamos motivo verdadeiro para temer.
Governos derivam seus poderes justos do consentimento dos governados. Vocês nem solicitara nem receberam o nosso. Nós não os convidamos. Vocês não nos conhecem, vocês não conhecem nosso mundo. O ciberespaço não repousa no interior das suas fronteiras. Não pensem que vocês podem construí-lo, como se fosse um projeto de construção pública. Vocês não podem. Ele é um ato da natureza e cresce sozinho com nossas ações coletivas.
Vocês não se comprometeram com nossa grande conversa coletiva, nem criaram a riqueza dos nossos mercados. Vocês não conhecem nossa cultura, nossa ética, ou nossos códigos não-escritos que já dão à nossa sociedade mais ordem do que poderia ser obtida por qualquer uma das suas imposições.
Vocês alegam que há problemas entre nós que vocês precisam resolver. Vocês usam essa alegação como uma desculpa para invadir nossas vizinhanças. Muitos desses problemas não existem. Onde há conflitos reais, onde há erros, nós os identificaremos e lidaremos com eles com nossos meios. Nós estamos formando nosso próprio Contrato Social. Esse governo surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. Nosso mundo é diferente.


bela lembrança, césar! só pra avisar que a declaração se encontra na íntegra (e traduzida!) aqui: http://www.rizoma.net/interna.php?id=134&secao=espaco