Inventando uma maternidade
A creche é uma luta histórica das feministas. Pra mulher exercer outros papéis além do de mãe, aliviando a tripla jornada casa-trabalho-filhos é necessário dividir os cuidados das crianças. E apesar de ter isso muito claro no plano racional, pensar em deixar o Lucas num berçário tem me angustiado bastante.
Durante a última consulta com o Cacá, pediatra que cuida mais de mim que do bebê, falamos da dificuldade ocidental em conciliar filhos e trabalho. Asiáticas e africanas que trabalham no campo, por exemplo, penduram o bebê no corpo e seguem sua rotina. Mas como fazer com bebê e trabalho intelectual, que exige concentração?
Pra fugir da cesárea, caminho mais natural no Brasil que parto normal, infelizmente, trilhei o caminho desenhado pelas lindas mulheres que lutam pela humanização do parto. Pari de cócoras, respeitando meu corpo e minhas emoções. Mas que caminho trilhar agora? As feministas me perdoem, mas não quero o da creche…


Bianca
Esse sentimento de não querer deixar o filho é comum a maioria das mulheres. Passei por isso. Minhas amigas passaram por isso. Algumas até optaram por serem maes tempo integral.Uma delas queria até sair de um emprego bom e voltar quando a filha estivesse grande. E eu que deixei minha filha numa creche quando ela tinha 3 meses e o emprego era ruim, então….Mas eu e outras a aconselhamos a não fazer isso. Numa boa creche o bebê tem toda a atenção necessária e se desenvolve muito bem. E depois, lembre-se o filho não é só da mãe: é do pai e do mundo. Cortar o cortão umbilical é duro. É um momento delicado. Mas as mulheres precisam fazê-lo mais cedo ou mais tarde. Em países que há licença de 2 anos para mães ou licença alternada (só que os homens raríssimamente usam porque sabem que se deixarem o mercado de trabalho no melhor momento de suas vidas é quase suicídio), o que ocorre é que as mulheres depois dificilmente voltam ou voltam para empregos precários.
Por isso, as feministas defenderam a creche que é melhor que deixar com empregada ou avós(mesmo as melhores). E as pedagogas e psicólogas acham muito mais importante para os bebês brincarem com bebês do que ficarem com adultos o tempo todo ou com a baba eletrônica TV. Bem essa é uma longa história….Eu termino assim: O Cacá que me desculpe, criar vínculo afetivo não é estar o tempo todo grudada no bebê. Não estamos na África, onde as mulheres vivem em condições penosas. Nem vivemos na época de minha avó no começo do século XX quando as crianças eram deixadas com os irmãos mais velhos ou se iam pro campo ficavam imobilizadas, amarradas e outras tantas formas não muito saudáveis para as crianças pequeninas. Era uma vida dura, não vamos idealizar. Mães anafabetas que passavam a vida parindo e morriam cedo. Bem, espero que você tome sua decisão em paz mas sugiro ouvir outras profissionais mais abalizadas.
Maria Lucia, sempre bom ouvir suas experiências e reflexões. Não questiono que a creche seja a melhor opção entre babá, avó ou creche. E apesar de o filho ser também do pai e do mundo, acredito que no começo da vida estar com a mãe éseja uma coisa muito bacana para os pequenos. Isso pode ter sido uma construção histórica da nossa sociedade, mas quero amamentar até os dois anos, pelo menos. E como indivíduo, independentemente de ser mulher, quero poder acompanhar de perto o desenvolvimento do meu filho, preparar suas papinhas, acompanhar a vida escolar quando for maiorzinho. Acredito que a convivência com outras crianças seja essencial em uma certa fase. Até dois ou três anos, dependendo da criança, o ninho é uma opção bastante interessante. Admiro as questões e conquistas feministas e estou com vocês em muitas causas. Mas quis dizer que além da creche e da precariedade africana devem existir outros caminhos. Se não existirem, acho que vai ser muito bacana inventá-los.
Bem qdo tive minha filha também fiquei em dúvida qto a deixá-la em uma creche e posso dizer que é uma decisão dificil…enfim optei por deixar o emprego e me dedicar a minha filha q além de tudo nasceu antes do tempo e precisava de mais cuidado.Acredito que é importante pra criança o convívio com outros pequenos, aprender a ser independente mas penso que tudo tem seu momento e penso que assim como o convivio com outros pequenos é importante e a independência também mais importante que isso tudo é estar com a mãe o pai e pessoas da família nos primeiros anos penso q é importantíssimo…Minha filha Beatriz foi para escolinha com 4 anos e eu ja sabia bem qdo algo ñ tinha ido bem no seu dia, tinhamos muita cumplicidade e entendia a Bia só no olhar , hj é uma garota de 15anos e desde pequena ela compartilha tudo de maravilhoso que aconteceu com ela na escola, mas algumas pendengas q as vezes tem com amiguinhos ela prefere resolver só, raras vezes ela comenta aprendeu a se resolver sozinha algumas delas…
Por isso acredito que o convício com outras crianças ou estimular a independencia da criança é muito relativo, na realidade é um trabalho dos pais…então penso que mais importante são as atitudes e os exemplos dos pais, a vivência que ela tem em casa…Enfim essa é minha opinião, pq pra mim funcionou muito bem dessa forma…Bjs!