Liberdade: agora, já e sempre

Estamos cercados. Cercados pelas ameaças do Congresso Nacional, das empresas, das gravadoras, das grandes empresas de mídia, até mesmo dos Tribunais, que tantas vezes julgam nosso conteúdo com um desconhecimento de causa que beira o absurdo.
Aprendi, em casa e na escola, enquanto outros lutavam para que o Brasil tivesse uma democracia de verdade, que a minha liberdade termina onde começa a do outro. Que respeito e boa educação ajudam a viver melhor. Que cada um é responsável por suas ações e pelo ambiente que cria à sua volta – e viverá as consequências de seus atos…
Infelizmente, nem tudo se provou na prática. E estas continuam a ser algumas das regras de relacionamento que, acredito, fazem do mundo um lugar melhor.
Nos anos 90, quando entrei na rede, reinava uma suave anarquia, absolutamente deliciosa. Não havia a sensação que descrevi no primeiro parágrafo deste texto. Também ainda não existia Creative Commons, licenças GPL ou coisa que o valha – e a rede era quase terra de ninguém. Quem entrava, por sua conta e risco, numa conexão discada tinha mais noções sobre o que encontraria e aprendia rapidamente as regras de etiqueta do “mundo virtual” (odeio esta expressão, nós produzimos conhecimento digital).
Quando comecei a blogar – o que acabou “sugando” a minha vida para o ambiente digital, seu estudo e suas questões – o meu grande motor era, confesso, um lugar livre onde pudesse publicar as minhas descobertas. Jamais imaginei que isso pudesse fazer diferença. Fez alguma e hoje sei que cada internauta que publica, republica, replica ou remixa qualquer conteúdo na rede – e somos milhões fazendo isso diariamente – faz absoluta diferença no planeta humanidade.
Infelizmente a onde de ataques à neutralidade, à liberdade e as muitas tentativas de vigilância chegaram à rede brasileira. Eu não me preocupo muito com leis – porque no Brasil elas costumam ser inócuas. Me preocupa, isso sim, a leitura destas leis por juízes desajuizados Brasil afora. Me preocupa não acontecer atualização na nossa lei de direitos autorais – que está pra lá de vencida. Me preocupa, sim, que muitos se preocupem mais com visitas e ganhos do que com a movimentação vigilantista e coibitiva que já desmantelou até comunidade no orkut.
Está na hora de prestar atenção aos que se movem pelo subterrâneo, à sombra, escondidos. Nossa sociedade é, teoricamente, democrática e quem faz a política somos nós. Cada um, em cada ação, todos os dias. Eu voto, sempre pela liberdade. E você?


A todos aqueles que contribuíram ou ajudaram de alguma forma informo com felicidade: Novela encerrada – TRE/CE e Twitter Brasil migre.me/3rIY