Trezentos

O início de uma multidão

1o. de abril

Cena 1 – Ato violento contra o G20 em Londres

Milhares de pessoas saem às ruas em Londres para protestar contra o G20, que se reuniria na cidade no dia seguinte. Alguns mais exaltados promovem quebra-quebra, enfrentam a polícia e impedem que a população da cidade circule livremente pelo bairro de Banks. A população procura alternativas, anda quilômetros para chegar a outras estações de metrô ou de ônibus, e desviam de suas rotas rotineiras de carro. Os comentários giram em torno do descaso dos líderes mundiais em relação às pessoas e ao meio ambiente, que banqueiros e especuladores de Wall Street têm tido mais atenção do que o resto. A mídia passa o dia dando notícias sobre o conflito, com ênfase no teor principal dos protestos, não os problemas causados no trânsito.

Cena 2 – Ato pacífico contra o G20 no Rio de Janeiro

Cerca de 40 ativistas do Greenpeace promovem um protesto na Ponte Rio-Niterói, na parte da manhã. Escaladores descem pela murada da ponte para estender uma faixa de 30 metros por 50 com os dizeres: ‘Líderes do mundo, clima e pessoas primeiro’. O recado era para que o G20 não discutisse em Londres apenas a crise financeira, mas também a climática, que pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo nos próximos anos. A ação, que bloqueou uma das pistas da ponte por 15 minutos, acabou causando um engarrafamento grande em Niterói. As pessoas que passavam de carro, ônibus ou van pelo local xingavam os ativistas e também aproveitavam para diminuir a velocidade do seu veiculo para tirar fotos – o que contribuiu bastante para piorar o tráfego. A mídia passou o dia falando praticamente apenas sobre o trânsito, ignorando a mensagem que o Greenpeace queria passar.

O que essas duas cenas, comparadas, querem dizer? Numa rápida reflexão, eu diria que a população londrina é mais consciente e menos imediatista que a carioca e niteroense, e que a mídia lá é menos provinciana. Estamos numa baita encruzilhada e poucos brasileiros, mesmo os mais instruídos, parecem se dar conta. Escrevi sobre o assunto no blog do Greenpeace, confira aqui.

Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada: o ontem e o amanhã.

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