Trezentos

O início de uma multidão

A Europa abandona o “direito a Internet”

Tradução do artigo publicado EUobserver em http://www.businessweek.com/globalbiz/content/nov2009/gb2009116_710422.htm

O pacote de reforma das telecomunicações finalmente foi aceito pelo Parlamento Europeu, mas os seus membros abandonaram o pedido de reconhecer o acesso a internet um direito fundamental.

Quinta feira de manhã, o Parlamento Europeu e os estados membros da EU chegaram finalmente a um acordo sobre a reforma das telecomunicações, quando os deputados deixaram a sua oposição ao tipo francês de lei “três golpes” contra as pessoas que baixam ilegalmente material da internet, acabando assim o debate em Bruxelas sobre o “direito” fundamental de acesso a internet.

Em uma troca radical de posição em relação a maior parte do ano passado, os deputados negociaram em local fechado com o Conselho dos Ministros, que representa os estados membros, e abraçaram uma nova linguagem com um texto de compromisso que não requer mais que apenas autoridades judiciais possam cortar o acesso a internet.

Ao contrário, o texto diz que apenas um “procedimento justo e imparcial” será necessário – termos que estão bastante ambíguos para permitir que ambos os lados se congratulem da vitória.

Os Verdes, que lideraram a batalha contra os cortes no Parlamento, chamaram o resultado de vitória clara.

“A mensagem desta lei da EU é clara: o acesso a internet é um direito fundamental e procedimentos próprios devem ser seguidos ao acusar utilizadores de infrações aos direitos de propriedade,” disse a Deputada Verde inglesa Caroline Lucas. “Agora os governos nacionais devem respeitar isso.”

O Deputado Christian Engstroem, do Partido Pirata sueco, que é aliado dos Verdes na Câmara, disse que agora, a lei “permite uma boa linha de defesa contra a lei Hadopi de “três golpes” na França e medidas similares que estão avançadas por Lord Mandelson no Reino Unido.”

Mas os advogados dos direitos digitais estão sépticos.

“O texto dá munições legais para continuar a luta contra as restrições do acesso internet,” disse Jérémie Zimmermanm do site francês La Quadrature du Net, que acrescentou: “O texto não vai até proteger um direito fundamental de acesso a internet.”

Jovens eleitores

No início, o pacote original tinha pouco a ver com pirataria informática, concentrado-se em promover a competição no setor. De fato, os deputados europeus não brigavam com o Conselho sobre a base da lei.

Mas por duas vezes no ano passado, deputados com fortes maiorias adicionaram emendas no pacote das telecomunicações, impedindo estados membros de restringir o acesso a internet sem autorização judicial, e somente em casos excepcionais.

A mudança foi uma reação à lei Hadopi dos “três golpes” na França, do nome da nova agência governamental encarregada de caçar os piratas, com o apoio de uma serie de juizes especiais, para cortar o acesso internet e até prender os recidivistas após a terceira ofensa.

O Reino Unido anunciou na semana passada que também introduziria uma lei similar de três golpes, e o Parlamento holandês pediu ao governo de fazer a sua própria versão da lei.

Deputados argumentaram, antes das eleições européias em junho, que a legislação de três golpes era draconiana e, de olhos nos jovens eleitores, que era preciso continuar a opor-se a tais leis, sustentando que o acesso a internet já tinha se tornado um direito fundamental, tão vital quanto a eletricidade ou a água.

Os deputados afirmaram que tantos aspectos da participação do cidadão na sociedade – pagar contas, tratar com o governo local ou ler as noticias – necessitavam o acesso a internet que cortar a acesso ao mundo digital seria como privar alguém de outros direitos.

O argumento desencadeou um debate global sobre a questão, alguns alegando que a atitude do Parlamento era prematura, e outros saudando a câmara por ser o ferro da lança da democracia digital.

A resistência secou

Dia 6 de outubro, os ministros das telecomunicações rejeitaram formalmente a emenda chave do Parlamento – a hoje marginalizada Emenda 138 – pedindo um processo de “conciliação” entre as partes.

Na quinta, este processo acabou, o Parlamento fugindo das barricadas.

A pressão dos estados membros diminuiu a resistência da câmara eleita, nem tanto por causa do desejo de vários paises em introduzir leis anti-pirataria duras, mas também porque as capitais da EU sentiram que o Parlamento Europeu estava indo longe de mais, invadindo uma área judicial cuja responsabilidade é cuidadosamente guardada pelos governos nacionais europeus.

No final, os deputados capitularam com este argumento, concedendo que não têm competência para decidir neste área.

Post to Twitter Post to Delicious Post to Digg Post to Facebook Post to MySpace Post to Ping.fm Post to StumbleUpon

4 comentários para “A Europa abandona o “direito a Internet””

  1.   Quã disse:

    Ni!

    É lamentável que o caminho da fantasia para a realidade talvez precise passar pelo horror dessas leis hadopinas…

    ale
    ~~

  2.   Nighto disse:

    s/sépticas/cé[p]ticas

    []s

  3.   romério rômulo disse:

    amigos:
    chego aqui pelo link do luis nassif. e deixo um abraço.
    romério

  4.   Mauro Cognus disse:

    ” os deputados negociaram em local fechado com o Conselho dos Ministros, que representa os estados membros, e abraçaram uma nova linguagem com um texto de compromisso que não requer mais que apenas autoridades judiciais possam cortar o acesso a internet.”

    Negociaram e local fechado, hein ? Será que os lobbi$tas$$$$$$$$ da Máfiaa tavam lá tb ? :P

    “Ao contrário, o texto diz que apenas um “procedimento justo e imparcial” será necessário – termos que estão bastante ambíguos para permitir que ambos os lados se congratulem da vitória.”

    Quando o cacete curra o lombo, ele diz tb que foi “justo e imparcial”, pois passou xilocaína.

    “Os Verdes, que lideraram a batalha contra os cortes no Parlamento, chamaram o resultado de vitória clara.”

    Cinismo demagógico. Esses Verde$ NUNCA me enganaram (mais um leque do capital para confundir mentes jovens inocentes)

    “O Deputado Christian Engstroem, do Partido Pirata sueco, que é aliado dos Verdes na Câmara, disse que agora, a lei “permite uma boa linha de defesa contra a lei Hadopi de “três golpes” na França e medidas similares que estão avançadas por Lord Mandelson no Reino Unido”

    hmmmm… Até tu, Judas ? Será que nestas “conversas a portas fechadas” passou-se uma proposição pra ele “ficar na dele” e deixar de ser mais legalmente perseguido pela RIAA e pela MPAA ? hmmm…

    “A pressão dos estados membros diminuiu a resistência da câmara eleita, nem tanto por causa do desejo de vários paises em introduzir leis anti-pirataria duras, mas também porque as capitais da EU sentiram que o Parlamento Europeu estava indo longe de mais, invadindo uma área judicial cuja responsabilidade é cuidadosamente guardada pelos governos nacionais europeus.”

    Realmente estavam indo “longe demais”, passando por cima da corrupção dos governos locais a se venderem para o lobbie da máfia autoral… Isso não é bom para o sistema, capitalista mundial, mega corrupto á ultima instancia da ultima gota de sangue.

    “No final, os deputados capitularam com este argumento, concedendo que não têm competência para decidir neste área.”

    Resumindo: no final sempre vence o capítal, o anti-povo e a corrupção.

Deixe um comentário

Spam protection by WP Captcha-Free

URL para trackbackRSS para comentários deste artigo