Trezentos

O início de uma multidão

Micro$oft se alia ao mega-reacionário Ruppert Murdoch contra o livre compartilhamento de conteúdos na Web

Rupert-Murdoch-001Primeiro, a micro$oft andou dizendo que também era “open”. Afirmou várias vezes que iria abrir o código-fonte de seu windows. Isso nunca ocorreu, talvez por vergonha, talvez porque nunca quis fazer nada além de marketing. A megacorporação, grande responsável por dissseminar a idéia de hackers são criminosos, em seguida, chegou a participar de eventos como H2H e tentar patrocinar Fóruns de software livre, principalmente no Brasil.

Depois que Tim O’Reilly lançou o jargão Web 2.0 , a megacorporação de códigos começou a falar também que era uma empresa 2.0. Apostava tudo na colaboração e chegou a enviar seus representantes para participar de alguns barcamps, desconferências sobre o mundo das práticas recombinantes e do compartilhamento, a idéia do P2P aplicada às reuniões.

Como as práticas colaborativas avançaram muito no mundo das redes e as redes são cada vez mais importantes, a micro$oft desesperadamente buscou submeter o Yahoo! a seu ímpeto monopolista. Todavia, enquanto tentava comprar o Yahoo!, ainda se dizia uma empresa “moderninha”, nada a ver com o mundo industrial, uma empresa horizontalizada… das redes… totalmente 2.0…que até defende padrões abertos…

Como o eufemismo é a palavra-de-ordem dos discípulos de Gates, o ex-monopólio de desktop, lançou o OpenXML para evitar que a ISO tivesse apenas um formato de documentos que todos devessem seguir, em beneficio dos consumidores do mundo todo. A ISO tinha aprovado o o ODF (Open Document Format), mas a micro$oft percebeu que isso submeteria o seu pacote Office à concorrência. Ela preferiu manter seu padrão de aprisionamento dos usuários e criar um outro formato ISO (que praticamente só ela usa). Chamou esse trambolho de OpenXML. Repare que o XML sempre foi Open. Ao colocar o nome de OpenXML, a micro$oft quer dizer que eles fazem um XML aberto. Piada? Não, estratégia de marketing.

Mas a micro$oft percebeu que podia voltar ao seu normal de “empresa bate-pau do mundo proprietário”. Como a Internet está sob ataque de diversas forças conservadoras, ela resolveu se ligar à velha indústria da intermediação. Os seus executivos perceberam a grande oportunidade. Comemoram ainda baixinho: “Que Web 2.0! Que nada!” “Quero que Chris Anderson e seu Free vá pro Wikinferno…junto com a tal wikinomics, do Dan Tapscot!” “Open deve ser somente o bolso dos consumidores!”

A luz para Balmer veio do ultra-reacionário Ruppert Murdoch (o Sarney das Comunicações). Não faz muito tempo Murdoch declarou guerra ao RSS e aos agregadores de conteúdo. Diz que só a imprensa produz notícias e que todos deviam pagar para as empresas dele. Dono da Fox, MySpace e de centenas de empresas de comunicação do News Corp, Murdoch quer atacar as bases da Internet. Quer ressuscitar o poder da indústria cultural no ciberespaço. Afirmou que o Google e que a tal web 2.0 são piratas e subtraem seus conteúdos.

FELIZES E INGLÓRIOS

Microsoft CEO Summit 2009A micro$oft logo sentiu que poderia respirar novamente feliz. Atacar seu grande concorrente “Google” e, ao mesmo tempo, todo o movimento colaborativo parecia um sonho! A guerra recomeçou. A Declaração de Hamburgo, promovida por Murdoch, clama pelo fechamento de conteúdos dos portais e pela criminalização de seu compartilhamento. Agora, a micro$oft parece ter conseguido os conteúdos exclusivos das empresas de entretenimento e notícias de Murdoch .

Mas, e o tal mundo 2.0? O gates comeu? Cadê o gates? Subiu no teclado? Cadê o teclado? A Murdoch levou? Cadê o Murdoch? Se quebrou…

Sim, em diversos casos, mais de 50% da audiência dos sites noticiosos advém dos blogs e dos agregadores de conteúdo. Fechar o conteúdo significa perder leitores que seguem links. Pesquisas demonstram que boa parte dos jovens se informa pelas redes sociais. Comentários de blogueiros são vitais para alimentar as empresas de comunicação.

Interessante notar que as próximas batalhas unirão o Google e vários grupos que vivem de relacionamento na redes. O curso da guerra também deixará bem claro a volta dos que nunca foram! Micro$oft que domina os desktops e que vasculha as máquinas de seus usuários a partir do DRM em seu kernel, aliado ao poderoso Murdoch tentará impor o fim das práticas colaborativas na rede, tentará reconstruir a rede baseada na lógica da propriedade, dos royalties e da cultura da permissão.

Vá de retro, micro$oft! Que o Murdoch te carregue!

Vamos lutar para que a internet continue baseada na cultura da liberdade!
Como dizia o pessoal da Rádio Xilik: “piratas são eles, nós não estamos à procura do ouro!”

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20 comentários para “Micro$oft se alia ao mega-reacionário Ruppert Murdoch contra o livre compartilhamento de conteúdos na Web”

  1.   Marcelo Salgado disse:

    Web 2.0? O RLY? (desculpa, não resisti… HEHEHEHE)

  2.   Marcelo Salgado disse:

    Falando mais sério agora: excelente texto, realmente, Sérgio. Informativo e excepcionalmente divertido..!

    Assustador saber dessa aliança entre o Murdoch e a Microsoft. De fato, a guerra parece cada vez mais clara e batalhas decisivas por vir… Dá pra ver as armaduras brilhando e ouvir o tilintar do metal do outro lado do campo.

    Eles podem ter ferro, bronze ou aço, mas são muito menos dos que os tantos em armaduras de couro.

    Mais uma vez: é como tentar segurar a água. Impossível!

  3. Curioso como se comportam os dinossauros, eles vivenciam uma nobreza decadente, e agora Murdoch adotou a filosofia do esquimó idoso, que se isola do grupo para morrer devorado por um urso polar…

  4. OpenXML, é o que chamamos de ironia.

    “Nossa olha como o OpenXML é tão aberto!”

  5.   Rui Ogawa disse:

    Os gigantes da comunicação sempre vão tentar encontrar algum motivo (em vão) para desqualificar a descentralização da geração de conteúdo. Os blogs já fazem parte de nossa cultura, é um caminho irreversível. No Brasil ainda não atacam os blogs, mas cerceiam a divulgação do Software Livre. é só lembrar da entrevista do Sérgio Amadeu e Júlio Cezar Neves no Programa do Jô. Fizeram de tudo pra mudar o foco da entrevista, foi ridículo.

  6.   Silvia Bassi disse:

    Ah, give me a break!
    Conteúdo livre é conteúdo sustentável.
    Jornalismo livre é jornalismo sustentável, sem rabo preso.
    A mídia hoje é tudo menos sustentável.
    Fazer conteúdo de qualidade custa caro e não vejo por que o Murdoch deveria deixar que o google ganhe dinheiro com o conteúdo que custa a ele produzir. Se você não quer pagar, no problem, não leia o Wall Street Journal e vá se informar nos blogs e sites genéricos. Mas não exija que uma empresa que vive do seu conteúdo abra mão desse valor. Ela estaria abrindo mão da sua sobrevivência. Isso é muita ingenuidade. o Hulu, que pertence também ao Murdoch é aberto, gratuito, com a programação full da TV dos EUA de filmes e seriados e ninguém lembra. Memória seletiva, deve ser.
    Sergio, seu equívoco é achar que muito tráfego é igual a muita receita. Lenda urbana. Boa parte dos sites de conteúdo nos EUA e em outros lugares do mundo está com pelo menos 40% do inventário sem vender. Não adianta receber tráfego do Google se ele não se converte em receita.
    Sinceramente não sei se o deal do murdoch com o bing é bom (especialmente para a microsoft), mas eu sei que é engraçado ver gente demonizar a MS e achar santo o google ganhar dinheiro com o conteúdo alheio.

  7.   Avelar disse:

    A grande mídia não esta mais prospectando informação de acordo com o manual do século passado, até pq o custo de produção ficou muito alto e o discurso obsoleto. Jornais, rádios e tvs estão chupando tudo da internet, onde está o conteúdo relevante, dinâmico na forma e tamanho ao gosto do século XXI. Então eles querem fechar o quê? restringir o quê? Eles não tem nada pra dar, qt mais pra vender…

  8.   Antonio Arles disse:

    Não me importo que eles fechem o conteúdo e morram abraçados. Pra mim esses dinossauros já passaram do ponto da extinção. Vão minguar mais ainda enquanto quem produz informações, conhecimentos, ferramentas, softwares, etc. livres vão ocupando cada vez mais espaços. Eu me importo (e temo!) é o lobby desses setores junto aos governos em favor de práticas vigilantistas e criminalizantes. Eles não aceitam perder o controle e vão fazer de tudo para manter o poder da intermediação. Se dizem capitalistas, mas não sabem conviver num ambiente de competição, onde a fartura da produção inverte a lógica do processo. Querem manter os seus monopólios que, em ultima análise, é a base de seus poderes. A guerra está só começando e, sim, nós podemos derrotá-los!

  9.   Sérgio Amadeu disse:

    Silvia, obrigado pelo seu comentário. É muito procedente. Todavia, gostaria de sugerir uma hipótese. Se o Google acabasse, o compartilhamento não acabaria. Se não existisse somente dois poderosos mecanismos de busca, as replicações de conteúdos continuariam. A rede é uma malha de trocas em alta velocidade. Troca do que? De bens imateriais, intangíveis. Tentar exercer propriedade sobre informações é completamente artificial. Kenneth Arow, premio Nobel de Economia, já havia alertado que bens informacionais não se prestam facilmente a apropriação. Falou isto antes da Internet, imagine se a tivesse conhecido. Então, a rede mundial de computadores colocou em crise toda atividade de intermediação, da indústria fonográfica à imprensa. Também acirrou a crise das instituições de ensino e do papel do professor (conheço bem isto!). A sociedade muda e com ela mudam as suas instituições. Posturas como a de Murdoch são neoludistas. Engraçado que no início da revolução industrial eram os trabalhadores que queriam destruir as máquinas, que queriam bloquear o avanço tecnológico. Hoje, no início da revolução informacional, são empresários da velha indústria que querem barrar as novas tecnologias e as práticas sociais que reforçam e incentivam.
    O advento da energia elétrica fez com que as pessoas que viviam da venda de lampiões de gás mudasse o seu negócio. Certamente alguns pensaram em proibir a eletricidade…mas fracassaram.

  10.   Sérgio Amadeu disse:

    Outra coisa Silvia,
    Na Internet, não só o Google, mas também o Murdoch ganham dinheiro com conteúdo alheio. Ele vendeu o MySpace?
    Os jornalistas de Murdoch deveriam pagar as informações que pegam do slashdot e dos blogs.
    Qual a diferença do Google para o News Group? O google aposta no relacionamento e o News Group aposta na propriedade.
    Por fim, o perigo do Google está na sua capacidade de controlar as informações em uma rede distribuída. Sua importância para a Internet hoje exige sua total transparência (como escrevi na revista A Rede muito tempo atrás: http://www.arede.inf.br/inclusao/edicoes-anteriores/57-2009-06-15-06-06-51/365 )

  11.   João Sérgio disse:

    Todos esses ataques à internet me lembram a chamada “Lei da Bandeira Vermelha”, que vigorou na Inglaterra entre 1878 e 1896. Segundo essa lei, à frente de cada automóvel que trafegasse deveria ir um homem a pé, com uma bandeira vermelha na mão, avisando aos transeuntes que um carro iria passar, ou seja, um carro nunca podeira ir mais rápio que um ser humano a pé.
    Mais de 100 anos se passaram e a estupidez de quem quer controlar tudo continua a mesma.

  12.   Victor disse:

    Silvia, neste momento “break “, nesta pausa, acredito que Sérgio pôde lhe responder adequadamente. Mas, o que há de mais surpreendente no seu comentário é sua capacidade de análise. A primeira: nem sempre muito tráfego é muita receita. Justo, ponto para você. Também, muito bem colocado, que empresa de grandes dimensões seguiria impávida o desenrolar de um movimento que a ela prejudica? Ora, novamente adequada osbervação, poucas (ou nenhuma).
    Mas, Silvia, o que te leva a crer que conteúdo de qualidade custa caro, ou pagasse caro? Se entendi esta parte do comentário, já que estas empresas investem rios de dinheiro na produção de uma informação cara, seria justo que haja restrições no trafego de informação. Mas a grande mídia realmente produz informação de qualidade? ou seria o seu oposto?
    Enfim, não valorizo da mesma forma os produtos: prefiro entender que a mídia paga caro para que os caras tenham a coragem de publicar o que publicam. Da mesma forma que esta mesma mídia gasta os mesmos rios de dinheiro para fazer circular as informações que lhe são pertinentes. Afinal, diferente de um pequeno grupo de reposteres, ou estudantes, ou amadores, ela pode se dar a esse luxo…

  13.   Dalila disse:

    Vocês honestamente acham que posts assim contribuem em alguma coisa para o ativismo no Brasil? O texto parece ter sido escrito por um linux zealot de 14 anos. Cita-se tanto a EFF por aqui, que tal copiar o profissionalismo e atenção que eles dedicam a todos os assuntos, com linguagem direta, clara e na medida certa? O primeiro passo para ser levado a sério é se comportar como adulto.

  14.   Mauro Cognus disse:

    Todos aqueles que nunca aceitaram a internet estão vendo que ESTE é o momento do ataque em massa! Ataques ao mesmo tempo, por todos os lados da trincheira, CONTRA A SOCIEDADE MUNDIAL, o nome dessa tecnica é “guerra de saturação”.

    Quem iniciou o ataque, manteu e conseguiu níveis paranormais (Acta) foi a industria fonográfica. Hollywood (apesar de mais rica do que NUNCA em sua história), prevendo duplicar seus ganhos (prevendo, não são Nostradamus, apenas prevendo…) se aliou á decadente fonográfica.

    Conseguiram, no final do governo Bush e no submisíssimo Obama, o ACTA, a pressão máxima indédita contra a internet (além de arrigimentar forças entre as classes burguesas cruzadas de vários países tb – o apoio irrestrito da Fecomercio SP á Lei Azeredo mostra a que nível de extensão e disseminação chegou a força e apoio dos lobbys nacionais entrincheirados burgueses á favor da industria de itnermediação clássica yanque, já que os interesses são cruzados, apesar de aqui serem apenas mímicos do “patrão do norte”).

    Vendo que a internet sofrerá cada vez mais ataques e tentativas de restição mil (muito além do ACTA – aqui já começou com aquele MEGA TEATRO do Malta, contra “pedofilia” virtual, e alguns provedores JÁ, ILEGALMENTE, GUARDANDO LOG DE 3 ANOS DE SEUS CLIENTES por causa do TAC assinado com o MPFSP, NÃO SE ENGANEM, MALTA E A TÁTICA DA PEDOFILIA VIRTUAL JÁ FAZ PARTE DESSE PACOTE, APENAS ACORTINADO COM “PROTEÇÃO AOS MENORES”, mas bats seguir aos rastros do jabuti pra ver pra quem tb servirá na prática todo esse vigilantismo e denuncismo todo…), outros grupos (que NUNCA a aceitaram) ESTÃO SE JUNTANDO (ou ajuntando) como podem, para aproveitar e atacar tb (assim vc enfraquece um adversário – A SOCIEDADE, JÁ QUE ESSA É UMA GUERRA DE CLASSES, NUNCA DEIXOU DE SER – e o deixa desnorteado, sem tempo dele se defender, até pq serão muitos ataques simultaneos, a tal da “saturação”, ou seja, bombardear o território inimigo com todas as bombas possíveis, causando todas as baixas e depois invadindo por todos os flancos, dominando-o. O inimigo somos, a sociedade e o BEM ESTAR SOCIAL da humanidade. Capital e sociedade SEMPRE foram inimigos – por causa de objetos díspares de cada um).

    Então, aproveitando a deixa da indústria fonográfica, a de cinema se juntou. Aproveitando que este grupo está se fortalecendo cada vez mais no fascismo governamental mundial, e que a hora de atacar e dominar a internet está proxima, se juntaram as outras indústrias descontentes: dos livros, do comércio (Fecomercio que o diga…), das notícias (mídia), da mídia televisiva (que já vem há algum tempo “fazendo seu papel” de criminalizar a internet no inconsciente coletivo, inclusive de juristas e legisladores, etc), e de qq outra indústria que vc possa mais pensar (até a “Brasileiras”, empresa nacional de filmes pornôs, timidamente, já “deu das suas”, dizendo que “está falindo por causa da internet), não me surpreenderia se a Playboy (scans de fotos de mulheres nuas da revista) fosse a próxima.. Provavelmente depois será mais quiem ? O pipoqueiro (que está perdendo clientes que não vão mais aos cinemas por causa da mudançã de hábitos) ? Se os pipoqueiros tiverem uma associação (e dinheiro para influenciar a mídia e comprar governos) certamente podem se candidatar (afinal, nossa carne ainda é fresca, não custa nada nossa carniça dependurada para secar ao sol e servir de repastos aos mais ricos).

    Enfim, BEM VINDO á “humanidade”, e á velha GUERRA DE CLASSES (requentada na conexão de computadores)!

  15.   Marcelo Salgado disse:

    Dalila, não acho (mesmo) que seja sensato desmerecer o conteúdo (nítido, real) do post apenas por uma questão de ESTILO. Pois é isso que você está questionando: estilo.

    Gostei do comentário da Silvia por conta disso – ela discutiu conteúdo, ideias, não estilo.

    Aliás, também vi coisas lógicas, procedentes no que a Sílvia escreveu. Apenas acho que, da mesma forma que alguns podem “demonizar” a Microsoft, o Gates também demoniza, por meios mais ou menos diretos/discretos, certas fundações da rede. Essa “demonização mútua” deixa ainda mais claro esse “estado de guerra”.

  16.   Ronin disse:

    Parabéns Sérgio !!
    Quando será que eles pretendem usar o WGA para derrubar os piratas?
    Já aparecem sinais que eles estão a cair ,mas vai ser lentamente.

  17.   Dalila disse:

    Marcelo,

    O ponto é que, se queremos que algo mude, precisamos saber dialogar como adultos. Utilizar cifrão no S de Microsoft é ridicularizado em tudo quanto é web site como exemplo de radicalismo bocó. Estilo faz, sim, toda diferença para ser levado a sério, e é isso que a EFF faz, inclusive em assuntos muito mais relevantes do que esse.

    Estamos do mesmo lado. Só estou tentando mostrar que saber dialogar é metade do caminho. Poucos têm paciência de ouvir berros, mesmo quando quem grita tem razão.

  18.   Derushi disse:

    Equanto o mudo está crescendo para melhor devido o compartilhamento alguns tenta usar das coisas boas pra fazer o mal

  19.   Anônimo Pirata disse:

    . .\mANIFESTO

    DELETE SE

    ..
    >e, . . . .: .
    dos cúbiculos-compartimentados, lan houses e periferia globais ..
    a revolução moral dos princípios invisíveis saltam interfaces que perfuram lugares, são telas. . . .
    >>diluem-se fronteiras pós-geográficas. transnacionais. :
    o mundo de metal e concreto transa com não-objetos. noutras plataformas, intangíveis, .: . .
    criam projetos, idéias, serviços, artes e softwares \motores sociais
    a estética da sociedade da informação se estampa na paisagem. natureza já enraizada.
    pós-industrial. pós-midiademassa. faz um desenho infoestético de geometria três dê.
    tocamos a informação. tocamos de longe em imagens do cenário.
    imagem reais. imagens internas. fascínio. fissura. “viver sem fronteiras”.
    >a crise dos mediadores, os suportes, chora e se reinventa. novos sistemas. caóticos ainda.
    natureza metálica de essemble. natureza das formigas. dos cálculos naturais. sequenciados. .:. . . .
    traz a tona o individuo semi-deus do upload, da inteligência coletiva viva em rede, . ..
    das identidades fragmentárias.
    .a revolução acontece cúmplice das mudas teclas. datilo-mudanças.
    os botões dizem sim ou não. . . . . :.
    .as máquinas fazem zero ou hum. datilo-mu(n)danças.
    >as TV’s serão desligadas. trocadas, fundidas, convergidas. :
    pequenas telas móveis, imensas quase-holográficas. ..
    quadradas que cabem em retângulos ainda
    ?>irreal magia insurge como possibilidade real. ah deus é anarco, sim. fé no que?
    no que cremos. ainda acreditamos em serviços grátis!!
    a vida é dura mas tem mídia grátis. rá!!! ..
    \\ALUGUEM SUAS TELAS!
    elas já são indoors comerciais. invasivos. domésticos. e serão cyborgs. sujeitos!
    \\ALUGUEM SUAS TELAS!
    vive a crise sistêmica e ecológica, o homem metal-natural se perde e se encontra
    a rede atua. a rede dirige.
    o usuário deve receber para assistir. >é a troca pela invasão do monopólio na privacidade.
    querem seus logs, seu rastro. !sua vida. ::
    pois, querem suas imagens.
    \\ALUGUEM SUA TELAS!
    :peça o seu troco e muito obrigado.
    não se contente com as migalhas. com imagens e palavras. .:
    \\ALUGUEM SUAS TELAS! . . . . . :
    atenção é o poder dos monopólios.
    dispersão. pouca explicação.
    o consumo da imagem é fugaz efêmero. hipnotiza. imagens dentro.
    >o computador é o nó. a rede o rizoma.
    na matriz. o arquivo duplicado. o mundo multiplicado. .: . :. . . .
    :só se respira o fluxo. o processo.>
    os amores são líquidos, escorrem pelos dedos. as relações também.
    >o sujeito é o nó. a sociedade o rizoma. . . . . .
    emerge a estética low-fi amadora. !dos amantes.
    submergidos na estufa xingling de artefatos chineses. variados. koreanos.
    .enforcaram sadan hussein. um celular filmou. a CNN NÃO!!
    vivemos o descentro. os estado persistem. as megacorporações mais.
    as fronteiras se testam.
    >>some a cultura de massa.
    >sobe a cultura-em-massa. viral.
    privada social . . . :. . . . . .:
    :abaixo a cultura superior e elitizada. !cultura é pan.
    não é spam! spiced ham.
    email são mídias. mídias são intervenções. revoluções.
    cinco anos faz algo revolucionário um reacionário
    -o google quer a sua vida. algorítmo. mapeado. . . . . . :
    a microsoft quer você escravizado. produto casado. salta a sua janela. quadrado.
    .a tecnologia é fetiche. fascínio. windows.
    a tecnologia como suporte. aponta declínios. muitos. : : :
    explodam os backbones. se apropriem.
    criem nuvens de internet. cidades digitais.
    livres!!
    \LUTEM!! LUTEM !! pela liberdade dos códigos.
    #e pelo saque das infos. apropriações.
    conteúdos, palavras, sons, vídeos e softwares.
    cultura sem lei, cultura sem dono.
    >crise da tela pra frente. crise da tela pra trás.
    essas interfaces. quadradas. estão no meio.
    a mídia nunca pede desculpa. : . . . .
    está sempre de cara lavada no boa noite do jornal e nos beijos das novelas
    \SAQUEIEM!! DESMANCHEM!!
    os geógrafos serão os filósofos do nosso tempo. : . . : . . ..
    os programadores os construtores tecno-visionários. sabem premonições.
    um sopro das tradições dos hackers
    !!desapropriem o reino dos materiais intangíveis. compartilhe. roube e usufrua.
    as bulinações são dos crackers
    :proliferam-se as comunidades fugazes
    mesmas pessoas diferentes lugares. mesmas pessoas diferentes avatares.
    >>são sopros. são rodas. são terreiros. . . . .
    o usuário é um medium. !o pai-de-santo
    >desce os orixás nas poesia das máquinas, dos batuques. das rodas.
    orquestram as danças e mandingas do terreiro virtual.
    ;acedam suas velas. liguam-se as telas. . : . .
    o ritual é uma nau. no oceano sem dono.
    >o usuário é um médium. uma mídia.
    >>ser a mídia.
    dos profundos eus em superfície. . . .. . .. . .. .. .. .
    usem os mediadores e depois não agradeça.
    servidores não são de graça. querem algo valioso.
    >>você. desista.
    DELETE SE : ::
    os terreiros se calam e as discussões estão mortas ou viciadas.
    >sem as perguntas essenciais, as trocas e as falas. .
    DELETE SE : : : : :
    preferir subir o pomar de frutas. e banhar nos verdes mares revoltos.
    DELETE SE : : : : : : :
    ?tiver outros eus. anônimos. falseados. perfis simulacros. .. .
    DELETE SE : : : : : : : : : : :
    >!for de uma diluição do local global. entrefronteira espacial subjetiva.
    DELETE SE
    .:na vida digital morreu o real. e no virtual nasceu
    um pirata. . .

    a revolução não será televisionada
    mas (as)saltará em interfaces gráficas . .. . . . . .
    o movimento da massa é a desorg. apolitica não combinada.
    a revolução moral dos princípios invisíveis globalizados.
    somos todos piratas. saqueadores.
    micropolítica é no ato.
    uma obra em construção.

    DELETE SE : : : : : : : : : :
    a morte for uma honra. estilo oriental.
    e se na vida real não for em vão banal.
    DELETE SE
    for um mendigo altaneiro, cigano transeunte . .. . .. . . . . . .. . . .
    um flaneur virtual

    SALVAR COMO : : : : : : : : : :

    UNSUBSCRIBE : : : : : : : : : : . .. . .. . .. . . X

  20.   Jesulino Alves disse:

    Camaradas;
    O que pensaria eu, cá da periferia sem trincheira, sem espada diante de tudo isso. Em muitas coisas de tudo isso que falam eu concordo. A Guerra está apenas começando. As armas que estes reacionários estão usando são as dos poderes públicos, os formularoes e executores de leis. Depois de suarem muito na luta selvagem, descobriram usar estes meios, pois desta forma vão tentar vencer através da criminilização do compartilhamento livre de conteúdos.
    Acho que para nós que acreditamos neste instrumento revolucionário de integração de redes, comunicação e conhecimento chamado internet, a melhor defesa é o ataque. Mas ataque de cupins, de formigas, de abelhas. O melhor veneno é a criatividade do povo, das redes, dos jovens de espalhar o poder da informação e potencializar as massas de forma irreversível. Assim ninguém segura.
    Me preocupo em perceber que o tempo está passando, a guerra já começou, e não sabemos se vamos para o front ou se recrutamos soldados na nossa sociedade periférica estática e inconsciente da realidade politica do mundo.
    Esta “era” poderia ser a única oportunidade na história da humanidade, dos excluídos ter espaço de expressão e oportunidades de crescimento digno. Mas para terem isso, não precisam só de um equipamento conectado e saber usar. Precisam de conscientização politica, senso crítico, visão de mundo ou do mundo ao qual elas pertencem para se posicionar.
    Acho que a democratização da comunicação e o compartilhamento do saber e cultura dos povos e comunidades é a melhor resistência ou saída dos pobres frente as desigualdades expostas na globalização.
    Quando acredito em inclusão digital, eu estou pensando nesta revolução. A inclusão digital agora tem que ser diferente, se não se preocupar com a reorganização da sociedade estática e despolitizada e a produção de contúdo próprio, disseminação das diversidades culturais, será desperdicio de recursos, inteligências e energias.
    Por isso os soldados que encarem a guerra, mas não podemos esquecer da população civil que pode continuar refém da propaganda e da desinformação. Vamos incluir todos nesta luta senhores formadores de Opinião?
    Gestos como o do Sr. Jonh Maddog representa parte ou um pouco do que eu quero dizer.

    Jesulinux.

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