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O início de uma multidão

Lixo eletrônico em excesso

Lixo eletrônico em excesso

Lixo eletrônico em excesso
30/10/2009

Agência FAPESP – Há mais de dez anos tem crescido enormemente o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, como computadores, telefones celulares e tocadores de música (primeiramente CD e, depois, arquivos digitais). Um dos resultados, que a princípio não parecia preocupante, é o acúmulo de lixo.

Em artigo na Science, pesquisadores destacam falta de políticas eficazes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados, que têm componentes danosos à saúde humana e ao ambiente (divulgação)

Eletrônicos hoje representam o tipo de resíduo sólido que mais cresce na maioria dos países, mesmo nos em desenvolvimento. Um dos grandes problemas de tal lixo está nas baterias, que contêm substâncias tóxicas e com grande potencial de agredir o ambiente.

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (30/10) da revista Science, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, comentam o problema e a ausência de políticas adequadas de reciclagem.

“O pequeno tamanho, a curta vida útil e os altos custos de reciclagem de tais produtos implicam que eles sejam comumente descartados sem muita preocupação com os impactos adversos disso para o ambiente e para a saúde pública”, apontam os autores.

Eles destacam que tais impactos ocorrem não apenas na hora de descartar os equipamentos eletrônicos, mas durante todo o ciclo de vida dos produtos, desde a fabricação ou mesmo antes, com a mineração dos metais pesados usados nas baterias.

“Isso cria riscos de toxicidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a concentração média de chumbo no sangue de crianças que vivem em Guiyu, na China, destino conhecido de lixo eletrônico, é de 15,2 microgramas por decilitro”, contam.

Segundo eles, não há nível seguro estabelecido para exposição ao chumbo, mas recomenda-se ação imediata para níveis acima de 15,2 microgramas por decilitro de sangue.

Os pesquisadores estimam que cada residência nos Estados Unidos guarde, em média, pelo menos quatro itens de lixo eletrônico pequenos (com 4,5 quilos ou menos) e entre dois e três itens grandes (com mais de 4,5 quilos). Isso representaria 747 milhões de itens, com peso superior a 1,36 milhão de toneladas.

O artigo aponta que, apesar do tamanho do problema, 67% da população no país não conhece as restrições e políticas voltadas para o descarte de lixo eletrônico. Além disso, segundo os autores, os Estados Unidos não contam com políticas públicas e fiscalização adequadas para a reciclagem e eliminação de substâncias danosas dos produtos eletrônicos.

Os pesquisadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países coloquem em prática medidas urgentes para lidar com os equipamentos eletrônicos descartados. Também destacam a necessidade de se buscar alternativas para os componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.

O artigo The electronics revolution: from e-wonderland to e-wasteland, de Oladele Ogunseitan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

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3 comentários para “Lixo eletrônico em excesso”

  1.   Antonio Nelson disse:

    Parabéns. Nós apoiamos o Trezentos e publicamos este informe em nosso site. Linkamos também ao Trezentos. Confira.

    http://www.sentinelasdaliberdade.com.br

  2.   sigarofalo disse:

    Parabéns pelo artigo! Muito informativo! Faço questão de divulgá-lo, com o devido crédito, é claro!

  3.   Willian Vieira disse:

    Olá Edilson Cazeloto.
    Sou repórter do Canal da Imprensa, uma revista eletrônica de crítica de mídia. Estou fechando uma matéria para quarta feira, sobre políticas públicas de inclusão digital e gostaria de marcar uma breve entrevista por telefone para saber sua opinião sobre o assunto. A abordagem tem se concentrado no que são essas políticas públicas, quem são os beneficiados (ambos os lados..empresas), quais os tipos, enfim…fazer o leitor entender esses processos, no entanto, de forma mais crítica, nessa época de democratização da informação. Se for mais viável, posso mandar as questões por e-mail.

    Aguardo retorno

    willianvieira@canaldaimprensa.com.br
    http://www.canaldaimprensa.com.br

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