Trezentos

O início de uma multidão

Avatar e o colonialismo

nas linhas do livro “Armamento das massas revolucionárias, edificação do exército do povo”, do General Vo Nguen Giap, se aprende que mesmo que o inimigo invasor esteja com o poder bélico superior ao da população nativa, a unidade do povo pode trazer algo bom a seu favor.

O filme Avatar caminhou por aí, também. O colonialismo fazendo seus planos, a ciência na sua neutralidade canalha, o neocolonialismo se enraizando… enfim a resistência nativa, “ao mesmo tempo que descobre a sua humanidade, ele começa a afiar suas armas para fazê-la triunfar. (…) o grande confronto não poderá ser indefinidamente adiado (…) O colonizado viu no seu solo é que se podia impunemente prendê-lo, espancá-lo, esfomeá-lo; e nunca nenhum professor de moral, nunca nenhum padre veio receber as pancadas em seu lugar nem dividir seu pão com ele. Para o colonizado, ser moralista é, muito concretamente, calar a arrogância do colono, quebrar a sua violência ostensiva, em uma palavra, expulsá-lo simplesmente da paisagem. (…) O intelectual que seguiu o colonialista no plano do universal abstrato vai lutar para que o colono e colonizado possam viver em paz num mundo novo. Mas o que ele não vê, porque precisamente o colonialismo se infiltrou nele com todos os seus modos de pensamento, é que o colono, logo que o contexto colonial desaparece, não tem mais interesse em ficar, em coexistir.”,  Frantz Fanon, no livro “Os Condenados da Terra”.

A representação política não rima com amadurecimento político do povo. A convivência diária faz que as idéias pesem muito mais, pois a realidade tem abraça.

“Esses comícios, essas manifestações espetaculares se aparentam à velha tática de antes da independência, quando se exibiam as forças para provar a si mesmo e aos outros que se tinha o povo ao seu lado. A politização das massas se propôe não a infantilizar as massas, mas a torná-las adultas.”, Frantz Fanon, no livro “Os Condenados da Terra”.

“A democracia no seio do Partido é uma condição indispensável para que todos e cada um se sintam engajados e responsáveis da situação, pois que a criação e desenvolvimento da situação sempre foram associados. (…) Pode acontecer por vezes que no curso da discussão um companheiro ou se exprima mal, ou mesmo exponha uma idéia errada. A nossa tendência pode ser então a de o mandar calar, na base da nossa autoridade. O resultado é negativo: primeiro porque esse orador sentir-se-á incompreendido e persistirá na sua idéia errada indo até murmurar fora da reunião. Segundo, e mais importante ainda, para se combater uma idéia errada é necessário que todos, ou a larga maioria, compreendam como e porque a idéia é errada.(…) Os erris cometidos, individuais ou colectivos, as violações da nossa linha e da nossa disciplina devem servir-nos para nos educar. As lições tiradas dos erros devem ser discutidas pelas massas que elas adquiram a nova experiência. As violações da linha e as agressões contra a nossa disciplina devem ser objecto de discussão e crítica pública das massas. Fazendo assim, por um lado utilizamos os erros para aprofundar a nossa consciência política, e por outro lado entregamos às massas a defesa da linha e da disciplina, que é a sua propriedade.” Samora Machel, no livro “Estabelecer o poder popular para servir às massas”.

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6 comentários para “Avatar e o colonialismo”

  1.   João disse:

    Também nunca ví uma pessoa que se diz ativista servir de bucha de canhão em um confronto ao sistema. O que vejo são pessoas que incitam os outros a se rebelar enquanto rascunham o próximo livro de protesto.Talvez se sintam muito superiores para pegar em armas ou se sintam frustrados em não ter coragem em empunhá-las. Vai saber…

  2.   Banto disse:

    nenhum ativista que ser bucha de canhão: faz o que tem que ser feito. a escrita, a poesia, tem dessas… de alguma forma incentivar a rebelião, seja ela qual for (um beijo, um tiro, um abraço sem cerimonia, a las barricadas). uma vez que a contradição fica nitida, uma vez que a indignação, é necessário atitudes… há situações de confortos, de quem se privilegiam do modelo atual que a sociedade se organizar, não quer revoltas ou qualquer tipo de alteração que pode lhe tirar tal posição.. é “soy contra” qualquer tipo de violência… mas há aquelas pessoas que não sentem vergonha em ser hegemonico e o seu silêncio mantem o status quo, stablisment, então não tem pressa para mudanças, que venha lenta e sem violência, enquanto o colonizado quer que resolva o quanto antes… por isso as discriminações positivas, ações afirmativas, para que seja menor a violência… mas nem isso aceitam, e ameaçam recalçar as botas em defesa da paz e da ordem.

  3.   Cabrálio disse:

    João, nehum pensador ou ativista tem necessidade, se não quiser, por qq motivo q for (pessoal ou estratégico) se envolver em confrontos, sejam quais confrontos forem (discursisvos, intelectuais, legais, políticos, físicos). O papel do pensador ativista não é esse. O papel do pensador é intelectualizar as massas, as fazê-las pensar e se decidir. Seu papel bãsico é de fósforo, não de lenha. E esse papel é tão ou mais importante quanto outro que leve isso adiante e (se arrisque ou não) se confronte com o “estado de ordem”. Podem os papéis se misturarem, ou não, dependendo da situação e da decisão do pensador orador ativista. Mas isso não invalida o ativista que iniciou o ciclo, afinal, vc não via Max com um fuzil na mão atrás de barricadas nas ruas… Neste contexto, depois que a idéia libertadora maturou e virou uma borboleta, ela tem vida prórpria, a idéia (borboleta) não depende mais do pensador, do ativista (casulo). As idéias valem mais que as pessoas, pq as pessoas perecem, desaparecem, podem perder até moral pública; mas suas ideias, se verdadeiras, continuarão e independentes.

  4.   zhang disse:

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