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O início de uma multidão

Polícia espanhola despeja ocupação cultural em Madrid

desalojoSediado num colégio antigo abandonado há quase dez anos, o espaço auto gestionado “Patio de Maravillas” foi desativado na manhã desta terça-feira, desalojando uma série de atividades culturais, sociais, políticas. A ordem judicial já havia chegado aos membros do coletivo há alguns meses e considerava a ocupação ilegal já que o prédio tem dono.

Vale notar que o proprietário do edifício é o Grupo 2 Solutions, empresa espanhola presidida por Leopoldo Arnáiz, arquiteto e consultor urbanístico envolvido em diversos casos de corrupção no país.

A intenção do grupo que articulava as ações no Patio é, desde o seu início em meados de 2007, promover a revitalização do bairro madrilenho Malasaña por meio da troca de experiência entre pessoas que por ali circulam. “Queremos que o Patio se converta em um centro sócio-comunitário do bairro, um espaço aberto para socializar livremente, promover encontros e ser capazes de construir entre todos uma visão crítica da cidade”, dizem seus criadores no comunicado de apresentação disponível no site do Patio.

okupaOficinas de direitos sociais, assessoria jurídica gratuita para população de baixa renda, apoio a imigrantes, teatro, música, coral, serigrafia, projeção de filmes, shows, troca de produtos usados eram as algumas das atividades que aconteciam no espaço. O Patio estava aberto ainda para qualquer outro tipo de iniciativa que precisasse de um local para acontecer. Na programação de janeiro, estavam previstos debates integrantes à agenda global do Fórum Social Mundial.

Agora a pouco, os ativistas do Patio presentes no local divulgaram um comunicado no qual lamentam o acontecido nesta manhã e afirmam que o Patio não está morto e resistirá. Vejo tradução de trechos do comunicado:

“Comunicado da Assembléia do Patio Maravillas sobre o despejo da rua Acuerdo 8

O que a polícia despejou hoje em Madrid não é só um centro social ocupado. É muito mais que isso: desalojaram uma oficina de bicicletas, uma assessoria jurídica, um espaço para crianças, uma sala de ensaios. Um curso de idiomas, de arte, de contos, de vídeo. Um laboratório tecnológico. Um refeitório, uma cafeteria.

Desalojaram um espaço em que se realizaram mais de mil atividades pontuais, rodas de conversas, shows, projeções e debates. Um espaço pelo qual circulou milhares de pessoas. Despejaram um espaço que foi sede durante anos consecutivos das ações locais do Fórum Social Mundial. Desalojaram um espaço que conta com o apoio de centenas de entidades sociais, políticas e culturais.

[...]E para desalojar isso acharam necessário dezenas de agentes da polícia que bloquearam o acesso a todas as ruas ao redor da rua Acuerdo e do Patio. Como se tratasse de uma cena de guerra, avassalando os vizinhos e vizinhas (avassalar: sujeitar, render ou submeter a obediência). Tentaram impor essa obediência mediante um estado de sítio no bairro. Mas nem assim vão conseguir.

[...] Todos os esforços legais e ilegais, todo o aparato policial, não detém as iniciativas sociais nesta cidade. E não porque no Patio sabemos de algo que as pessoas ignorem. Não porque somos mais inteligentes que alguém; Ao contrário, porque sabemos o que toda a cidade sabe. Que não há forma de viver com dignidade se não é coletivamente. Se não é conquistando e defendendo nossos direitos.

[...] Não vão nos deter. Porque sabemos que a solução a esta crise econômica, social e política está em outro lugar. Está nas pessoas, na cidade que respira. Está na defesa apaixonada de qualquer espaço criado para que a vida comum possa acontecer. Por isso o Patio não está morto. Nem vai a estar. Permanece em sintonia. Ainda que muito partido.”

Em protesto ao despejo haverá uma manifestação às 20h desta terça-feira na Plaza 2 Mayo, em Madrid. Para acompanhar o cobertura no Twitter, siga a hashtag #patiomaravillas.

Vídeo sobre o desalojamento do Patio Maravilla
Veja fotos da ação da polícia nesta terça

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4 comentários para “Polícia espanhola despeja ocupação cultural em Madrid”

  1.   Lirabellaqua disse:

    Sei que muitos adoram a Espanha, mas tenho uma péssima impressão de lá.
    Quado estive em Madri em 2008, não consegui ir a NENHUM MUSEU, pois estavam todos fechados por conta da justíssima greve dos funcionários, que estavam recebendo uma miséria para cuidar de um acervo tão importante quanto o que sabemos lá existir. A greve se estendeu po semanas.
    Deus me livre! Pra mim, a Espanha é o Paraguai da Europa…

  2.   monica disse:

    Espaços como este deveriam ser ampliados não desativados,acredito que através destas ações podemos transformar nossa sociedade numa sociedade mais humana,e que os governos e sua policia deveriam participar ativamente apoiando estas ações,incluindo as pessoas e não destruindo suas esperanças!

  3.   disse:

    Muitas ocupações, em muitos lugares, vem sendo tomadas pelo poder do capital e do Estado ultimanete, justamente porque são estes lugares que hoje se encontram resistindo, e são justamente esses lugares autonomos, fora da esfera institucional, que se criam possibilidades para aqueles que estão invisiveis aos nossos olhos. Não são museus ou outras instituições que preservam as riquezas humanas, mas são as pessoas, nelas, coletivamente, se encontram a força criativa, por isso que governos e sua policia nunca vão apoiar tais ações, porque se todos, juntos, fazemos e acreditamos em algo melhor, para que eles são necessários?

  4.   Jesulino Alves disse:

    Lá Como Cá, o imperialismo do poder do capital está disposto sempre a massacrar mesmo quem rompe o comodismo e colabora com o mundo, fazendo sua parte para aliviar o peso da pobreza e da exclusão social.
    Muitas veses estes donos de patrimônios, adquiridos com recursos duvidosos servem em outra via para moeda de troca a alguns do judiciário para se manter longe de qualquer condenação.
    Nem a febre espanhola conseguiu sinalizar para este país que a maldição das montanhas de Potosi existiu e existirá, pois os pratos e talheres de prata dos jantares da corte jamais voltarão para as montanhas ou pobreza dos bolivianos.

    Jesulino Alves.

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