Trezentos

O início de uma multidão

Entrevista com Tuta Amaral da Jovem Pan

Olá, pessoal…
Depois de algm tempo ausente, consegui voltar a escrever por aqui.
Se bem que nem dá pra dizer que vou escrever. Resolvi reproduzir aqui uma entrevista no mínimo chocante, que Tuta Amaral, dono da Jovem Pan, entre outras empresas, deu para a revista Playboy.
Olha…é, no mínimo, chocante…
No mínimo, chocante…
No mínimo, chocante…chocante…chocante…
“A jornalista Adriana Negreiros da revista Playboy, fez uma super entrevista com o dono da Jovem Pan, Tuta Amaral e ele assumiu muita coisa que as pessoas até não saberiam em circunstâncias normais. Enfim, todo mundo sabe que o dono do Pânico é um homem de difícil trato e uma máquina de fazer dinheiro. Proprietário da rádio Jovem Pan, de um portal de internet, o Vírgula, de uma empresa de telefonia e de vários outros negócios (incluindo uma pequena gravadora, a Bacana Records, e a Rádio Daslu, que toca na loja de madames), Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, ou simplesmente Tutinha Amaral, é um sujeito durão, insone e hipocondríaco. Do tipo que vai à farmácia e pergunta quais as novidades do mercado. Ou que, ao deparar com uma funcionária que aparente estar tranqüila, solicita a ela que elabore, em meia hora, um relatório com todas as suas atividades e resultados obtidos. Veja alguns trechos da entrevista:”

- Você é um dos homens mais temidos da indústria fonográfica do Brasil. Por quê? Sou o mais temido, lógico. Sou assim mesmo. Se não tocar na minha rádio, a Jovem Pan, o artista não estoura. E não sou bonzinho. Se a música é ruim, digo para o artista: “Não vou tocar, seu disco é uma porcaria. Tchau e não me amola”.

- Muita gente diz que você é jabazeiro [que cobra jabá]. Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais.

- Que tipo de acordo? Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.
- Que vantagem? Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos.
Se você, que me lê, ainda estiver em condições, leia a entrevista na íntegra clicando aqui.
É chocante…no mínimo, chocante.

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5 comentários para “Entrevista com Tuta Amaral da Jovem Pan”

  1.   Gato de Botas disse:

    Chocante para quem acredita em fadas, duendes e que Rafael Hitlodeu conheceu uma ilha onde o comunismo funcionava de verdade. As coisas funcionam assim, é preciso dançar conforme a música e esta é pesada e necessita de movimentos enérgicos. Caso contrário, se você afrouxar, os outros dançam em cima de seu cadáver.

    Dito de outra forma, o que esse Cidadão Kane da mídia em extinção faz é obter lucros em seus empreendimentos e administrar a inconstância natural dos profissionais da arte que, ao verem que tem bastante sucesso, chutam a escada que subiram fazendo exigências atrás de exigências. As rádios estão perdendo espaço constantemente para os arquivos de músicas e só a associação com gravadoras garante a sobrevivência deste tipo de negócio.

  2.   Christian Garcia disse:

    Trato sim, como chocante, a partir do momento que a rádio é uma CONCESSÃO PÚBLICA, e o certo seria tocar o que o ouvinte pede.

  3.   Gato de Botas disse:

    A rádio funciona através de uma CONCESSÃO PÚBLICA que permite a transmissão numa dada frequência e seu alvo é o ouvinte genérico, a massa propriamente dita, e não o ouvinte em particular. Quem já colocou um CD preferido para tocar e ver que as pessoas ao redor estão incomodadas vai entender perfeitamente como funciona uma rádio como a Jovem Pan.

    A Jovem Pan, por exemplo, investe no Putz-Putz, por ser um som que se, para a maioria, não agrada ao menos não incomoda. A pessoa acaba ouvindo mesmo preferindo pagode, rap, rock, etc. Também vale ressaltar que é uma música imposta por assimilação, ou seja, as pessoas aprendem a “gostar” porque a indústria cultural de nossos dias a coloca como música para jovens. Levando em consideração que a criança quer ser jovem, o jovem gosta de ser jovem e o velho quer voltar a ser jovem, tem se aí um estilo que alcança facilmente o gosto tanto de gregos e troianos.

    Para não dizer que não fiquei chocado, me embasbaquei com o fato de um cara na posição dele não saber moldar a imagem ou ao menos não demonstrar certas coisas que podem ter um efeito negativo, ainda mais na época do Twitter e semelhantes. Boris Casoy que o diga…

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