Trezentos

O início de uma multidão

Aborto é usado como máquina de guerra eleitoral na eleição no Brasil

Le Monde

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  • 08/10/2010 Marina Silva, ela mesma convertida ao protestantismo evangélico, colheu os frutos amargos de uma campanha violenta e sorrateira, lançada nos templos e transmitida com fervor pela internet, feita pelos meios cristãos conservadores contra Dilma Rousseff, que eles acusam de querer legalizar o aborto, proibido no Brasil, assim como na maior parte dos países da América LatinaMarina Silva, ela mesma convertida ao protestantismo evangélico, colheu os frutos amargos de uma campanha violenta e sorrateira, lançada nos templos e transmitida com fervor pela internet, feita pelos meios cristãos conservadores contra Dilma Rousseff, que eles acusam de querer legalizar o aborto, proibido no Brasil, assim como na maior parte dos países da América Latina

O chefe do Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tem boas chances de ganhar sua aposta: transmitir grande parte de sua imensa popularidade à herdeira que ele escolheu para si, Dilma Rousseff, para que ela vença, no dia 31 de outubro, o segundo turno das eleições presidenciais, antes de sucedê-lo, no dia 1º de janeiro de 2011. Até lá, mais quatro semanas de campanha colocarão Dilma contra seu adversário social-democrata, José Serra.

A favorita foi levada à disputa do segundo turno por obra de uma outra mulher, a ambientalista Marina Silva, agora eliminada da corrida presidencial. Mas a amplitude de sua pontuação – quase 20% dos votos – recompensou a musa do Partido Verde com uma derrota cheia de promessas.

Marina Silva deve esse desempenho inesperado primeiramente a suas qualidades pessoais. Sua calma, seu respeito aos adversários, sua integridade, sua postura moral e a coerência de seu discurso exaltando o desenvolvimento sustentável lhe permitiram marcar sua diferença em relação a seus dois rivais, apoiados por poderosos aparelhos partidários.

Assim como Lula em outros tempos, nessa competição ela apareceu como o azarão, que com coragem e tenacidade conseguiu superar a desvantagem de uma origem modesta e de uma infância analfabeta, antes de se tornar senadora e ministra do Meio Ambiente de Lula, pedindo demissão em 2008 para expressar seu desacordo com seu ex-protetor.

Seu desempenho também resulta, a contragosto, de um fenômeno mais nebuloso: o afluxo em seu favor de milhões de votos provenientes dos fiéis das Igrejas evangélicas, que representam cerca de 20% do eleitorado.

Marina Silva, ela mesma convertida ao protestantismo evangélico, colheu os frutos amargos de uma campanha violenta e sorrateira, lançada nos templos e transmitida com fervor pela internet, feita pelos meios cristãos conservadores contra Dilma Rousseff, que eles acusam de querer legalizar o aborto, proibido no Brasil, assim como na maior parte dos países da América Latina.

Dilma Rousseff teve o azar de no passado defender uma descriminalização da interrupção da gestação em nome da saúde pública. Segundo uma pesquisa oficial, 15% das brasileiras com idade entre 18 e 39 anos – ou seja, 5,3 milhões de mulheres – abortaram pelo menos uma vez. Elas pertencem a todos os meios sociais. Mais de uma em cada duas delas teve de ser hospitalizada na sequência. O aborto mal feito e suas sequelas são uma importante causa de mortalidade no Brasil.

Próximo dos cristãos de esquerda influenciados pela teologia da libertação, Lula nunca conseguiu, em oito anos de governo, legalizar o aborto, uma medida que faz parte do programa de seu partido, mas que a Igreja repudia.

O Brasil, maior nação católica do mundo, tem seus arcaísmos e seus tabus, que podem ser aceitos ou criticados, dependendo do ponto de vista. O aborto faz parte deles. É uma pena que esse grave problema social, em vez de incentivar um verdadeiro debate, esteja sendo usado com máquina de guerra eleitoral.

Só lendo a midia conservadora estrangeira….

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4 comentários para “Aborto é usado como máquina de guerra eleitoral na eleição no Brasil”

  1.   Gato de Botas disse:

    Hummmm… que pena que Marina seja mulher! Se fosse homem poderíamos dizer que a culpa é da”sociedade patriarcal e machista” que oprime as mulheres. Mas a questão, antes de pertencer a esfera da saúde pública, é dominada pelos vários segmentos religiosos do país.

    Dilma anda disdizendo o que disse antes. E agora, de que lado ficarão as feministas? Ou, quando conveniente, as feministas podem se dar ao luxo de falarem que Dilma teve o “azar” de tocar na questão?

    Será que este tempo todo que comento em seus artigos dizendo que a bandeira feminista é usada por partidos de esquerda apenas para arrebanhar mais seguidores ferrenhos as suas hostes, enfim encontrou um exemplo marcante na vida cotidiana? Dilma mudou de lado ou é mentirosa. Que candidatura vocês, feministas, defendem: a da vira-casaca ou a da mentirosa?

    Será que agora serei levado a sério? http://www.trezentos.blog.br/?p=4691

  2.   Vanja Brito disse:

    Como é dificil ser candidata nesse país. Um país que mulheres evangélicas e não fazem aborto às escondidas, em péssimas condições e sujeitas à morte – mas não se pode tocar no assunto. Que um doas nossos maiores problemas de segurança, de transito e saúde está relacionado à bebida alcoolica – todos abem disso mas continuam bebendo muito. Um país que todos querem sustentabilidade mas poucos querem mudar seu padrão de consumo. Que se fala em liberdade de uma imprensa que mente, calunia, manipula e não sofre nenhuma penalização. Liberdade para uma mídia concentrada na mão da classe dominante que tem uma facilidade absurda em receber concessão, contrária a mídia de origem popular. Cujos evangélicos, que vivem falando no diabo, não conseguem discernir quando está em frente de um. Cuja população votante acha absurdo os custos de uma campanha mas não participa de processos de debate, de embate, de decisão política, nem mesmos nos seus condomínio, ruas, bairros, ocupações, espaços onde pessoas se expõe, constroem, destroem, manipulam, enfim, fazem política, que aliás, trata-se de uma ação coletiva, de processos coletivos em prol de interesses de grupos, de coletividade. Em prol da coisa pública e dos direitos, particularmente, daqueles que menos usufruiram dos tais direitos humanos – historicamente garantido para alguns.

  3.   Tobias disse:

    Parada do #OrgulhoLaico. Dia 31 de outubro de 2010. Em uma urna perto de você.

    http://twitpic.com/2xkxr7

  4.   Anônimo disse:

    Pior q abortar é usar o tema em favor próprio, como fez o serra, cuja esposa cometeu aborto no Chile.

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