Jean Charles de Menezes lembrando em protesto por justiça para Ian Tomlinson
Nada de esconder a verdade. Justiça para Ian Tomlinson, Jean Charles de Menezes, Cherry Grose, Blair Peach e todos os outros mortos pela polícia.
Centenas de pessoas voltaram hoje às ruas da City Londrina, em uma vigília contra a brutalidade policial que acarretou a morte do jornaleiro Ian Tomlinson no último primeiro de abril, durante os protestos que coincidiram com a reunião do G20 em Londres. Vestidos de preto e marchando em silêncio, a procissão foi assistida de perto pela polícia, que dessa vez não encurralou nem intimidou os manifestantes (só fizeram algumas anotações), apesar dessa ter sido mais uma manifestação “ilegal” em Londres.
“Esse é apenas o primeiro de uma série de protestos pedindo justiça para Ian. E pedindo de volta o nosso direito de protestar sem sermos tratados como criminosos”. A nova campanha pede um inquérito independente e punição para os policiais envolvidos diretamente na violência contra Ian Tomlinson. O fim da brutalidade policial e também da ordem de prisão para manifestantes estão também entre as reivindicações. O antropólogo Chris Knight, um dos organizadores do protesto do G20 Meltdown, diz que agora “não é a polícia quem está investigando, somos nós”, e faz um chamamento:
“Don’t hate the media,
Be the media.Don’t hate the police,
Be the police.Don’t hate the government,
Be the government.”
Não odeie a mídia,
Seja a mídia.Não odeie a polícia
Seja a polícia.Não odeie o Governo
Seja o governo.
(update, meio dia de 12/04 – o trecho acima foi editado depois que vi o vídeo da manifestação, percebi que tinha confundido a palavra hate com wait. Ah, essa língua ainda me mata. Aproveitado a deixa desse update, recomendo esse artigo de hoje no The Guardian: The networker The police should take note: little brother’s watching you)
Chris Knight é professor da Universidade de East London, mas desde os protestos de primeiro de abril está afastado do cargo. Ele tinha organizado uma Cúpula Alternativa do G20 no campus da UEL. A próxima ação do grupo será o encontro de lançamento oficial da campanha “Justice for Ian Tomlinson”. A reunião acontece na quarta-feira, 15 de abril, às 20h. Ponto de encontro: Exmouth Arms, 1 Starcross Street, London, NW1 2HR (Euston). Enquanto isso, agora que não pode trabalhar, Chris Knight disse que ficará na vigília do local onde o jornaleiro morreu até que justiça seja feita, “vou passar a Páscoa aqui, e quem sabe não testemunho a ressurreição da verdade”, brincou.
Justiça para Jean – Ou justiça para o Reino Unido?
Daniel Obachike, sobrevivente do “ataque terrorista” de 7 de Julho de 2005 em Londres, veste a camiseta do movimento Jutiça para Jean.
O nome do brasileiro morto pela polícia britânica na estação de metrô de Stockwell em 22 de julho de 2005 se destacou entre placas e cartazes. Ele também foi lembrado na camiseta de Daniel Obachike, um dos sobreviventes dos ataques terroristas de 7 de julho de 2005, cuja versão dos fatos diverge um pouco da oficial: “eu estava no andar inferior do ônibus que explodiu e garanto que não subiu nenhum asiático com uma bomba dentro da mochila entre Euston e Tavistock Square. Foi o M15 (serviço secreto britânico) quem colocou a bomba lá, eu os vi subindo e descendo do ônibus, vi seus carros”, diz o desenvolvedor de Internet Daniel, que também conta a história completa em seu blog, The 4th Bomb e do recentemente lançado livro de mesmo nome.

Daniel conta que foi mantido sob vigilância cerrada por agentes do M15 (24h por dia, por 7 meses) desde que, ingenuamente, ligou no dia seguinte para a “hotline” contra terrorismo e contou a sua própria versão dos fatos. Falou dos dois carros que viu cercar e desviar o ônibus para Tavistock Square, do homem que viu subir e descer do ônibus segundos antes da explosão. Desde que seu testemunho vazou para a internet, o relato alcançou uma audiência global de cerca de 97 mil acessos por semana. Segundo ele, a única fonte da polícia de que havia um asiático no ônibus é um homem chamado Richard Jones, segundo Daniel “um personagem inventado para que a polícia tivesse uma tese, mas que nunca mais foi visto ou encontrado”.
Daniel não é o único tentando mostrar um outro ângulo dos acontecimentos de 7/07/05. Em fevereiro, Anthony John Hill foi preso e corre risco de deportação da Irlanda para a Inglaterra por enviar ao juíz e aos jurados encarregados do julgamento de quatro homens em conexão com os atentados um filme em DVD que contesta a versão oficial do atentado, o que foi considerado pervesão do curso da justiça. 7/7 Ripple Effect, o filme em questão abre assim: “Em relação aos ataques terroristas de 7/7/2005 em Londres, vamos ver os fatos, ver o que nos dizem e comparar (as versões) no final”. O documentário traz argumentos inacreditáveis e muito bem documentados contestando a versão oficial e alegando a colaboração da imprensa, notadamente a BBC (segundo o vídeo, “máquina de propaganda do governo que está sendo e sempre foi controlada e usada pelo governo”), no papel de fazer os cidadãos acreditarem na “verdade oficial”. Segundo uma das teorias apresentadas no sétimo episódio, o assassinato de Jean Charles de Menezes teria sido queima de arquivo:
A couple of weeks later, a Brazilian contract electrician is brutally and publicly murdered, on a tube-train, and again we are told lies by the police and media, about him.
He was a contract electrician. For whom had he been working, and what had he been working on, in the days leading up to the 7th of July 2005? Remember that the first reports from the media about 7/7/2005 were of an electrical power-surge, and Jean Charles de Menezes was a contract electrician.
Was he hired, as part of the terrorist exercise’s 1000 people, to wire up devices for mock-explosions, to be set off by a power-surge? Did he see the explosive-devices being fastened under the tube-train carriage floors, and later realise what had really happened, and was starting to talk about it?
Did THEY (The Hierarchy Enslaving You) publicly execute him, to shut him up, and as a warning to others to keep their mouths shut?
We have been unable to find out where he worked. We know about his cousins who live in London, and his family coming over from Brazil, but we do not know where he worked.
Why?
“Algumas semanas mais tarde, um eletricista brasileiro assalariado é assassinado brutalmente e em público, em um metrô, e novamente a polícia e os meios de comunicação nos contam mentiras sobre ele.
Ele era um eletricista assalariado. Para quem ele trabalhava e no que estava trabalhando nos dias que antecedem a 7 de julho de 2005? Lembre-se que as primeiras notícias na imprensa sobre 7/7/2005 eram de houve um blecaute, e de Jean Charles de Menezes era um eletricista assalariado.
Teria ele sido contratado, como parte grupo de mil pessoas que participaram da simulação de ataque terrorista, para instalar dispositivos para a explosão simulada, que seriam ativados por uma queda de energia? Teria ele visto os dispositivos explosivos serem afixados no chão dos compartimentos dos metrôs, e mais tarde se deu conta do que realmente aconteceu, e estava começando a dar com a língua nos dentes?
Será que ELES (a hierarquia escravizando VOCÊ) o executaram publicamente, para o calá-lo, e como uma advertência aos outros para manter suas bocas fechados?
Nós não conseguimos descobrir onde ele trabalhava. Conhecemos o seu primos que vivem em Londres, e sua família que veio do Brasil, mas não sabemos onde ele trabalhava.
Por quê?”
Pode ser tudo muito fantasioso, mas uma pergunta paira no ar: por que as versões de outras pessoas que testemunharam o atentado não foram levadas a sério, nem pela polícia nem pela imprensa? “O que vi confirma o que todos nós sabemos, nossas liberdades estão sendo atacadas por facistas cujas leis se travestem de legislação anti-terrorista”, diz Daniel. Ele conta que estava num pub quando recebeu a ligação de um amigo falando que tinham matado um homem em conexão com os ataques terroristas. Ele diz que entrou em choque, e temeu própria vida ao saber, pouco depois, que se tratava de um inocente. Ele decidiu então entrar para o grupo Justice for Jean, a campanha organizada pela família de Jean Charles de Menezes, e sempre que há um protesto, faz questão de vestir a camiseta.
Há muitas entrevistas com Daniel Obachike no YouTube, e ele também tem uma página pessoal onde coleta vídeos relacionados. Ele também está no MySpace. Minhas fotos do protesto de hoje estão aqui.
3 comentários para “Jean Charles de Menezes lembrando em protesto por justiça para Ian Tomlinson”
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“Não odeie a polícia. Seja a polícia”: protestos em Londres continuam « NeoIluminismo:
[...] em Londres tem sido a jornalista Paula Goés (brasileira radicada em Londres), através do blog Trezentos. Em comentário ao post do último dia 10, Paula sugeriu acompanhar o Twitter dos ativistas: [...]
--13 de abril de 2009 @ 18:34





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