Trezentos

O início de uma multidão

Para melhorar o futuro, por onde eu começo?

Li uma frase que dizia que a melhor forma de começar a mudar o mundo é por nós mesmos.

Eu, muitas vezes, na época em que comecei a me fazer esses questionamentos quanto à violência, ao marasmo da nossa aceitação, à questão ambiental, me perguntei: por onde eu começo?

E, meio que instintivamente, foi isso que me propus a fazer: mudei de casa, me afastei de pessoas que nada tinham a ver com a forma que penso e ajo, me uni a amigos que comungam das minhas ideias, dentre eles, os visitantes e parceiros do meu blog, comecei a fazer coleta seletiva do lixo da minha casa, plantei mais árvores, me dediquei a dar mais tempo e atenção descompromissada para meus filhos, tiro-os da frente da TV sempre que possível, compro menos coisas para eles, para nós e para a casa, e tento me ater àquilo que realmente preciso. Tento gastar menos, tento poupar recursos, uso sacolas retornáveis em vez das plásticas que tanto poluem, tento diminuir meu lixo e aproveitar mais os alimentos, uso menos remédios, dou mais amor, saio menos de carro, caminho mais, me planejo para andar de bicicleta e cuido mais de mim mesma.

E depois que não me preocupei mais em pensar por onde começar e fiz a minha parte pessoal, diferente naquilo que tenho poder para fazer, outros caminhos foram se abrindo porque a gente acaba se aproximando dos nossos semelhantes (ao contrário do que se prega, os semelhantes é que se atraem). E aí, mais e mais informação e possibilidades vão aparecendo e mais pessoas à nossa volta nos contaminam e são contaminadas por esses ventos de mudança.

E a frase é perfeita: devemos começar por nós mesmos.

Então, sempre que você se perguntar o que você pode fazer para mudar alguma coisa no mundo em que você vive, faça isso: mude a si mesmo em primeiro lugar.

Claro que nem tudo o que me propus a fazer é feito em plenitude, porque são coisas que vou aprendendo como lidar, mudo de tática no meio do caminho, vou aprendendo a melhor forma de fazer, erro, acerto, desisto. Mas o importante é fazer com dedicação e vontade genuína de acertar.

Então, se quiser começar a mudar o trânsito comece por você e não feche os cruzamentos, não estacione em local proibido ou sobre a faixa de pedestres, não suborne o guarda. Se quiser mudar a limpeza de sua cidade, não jogue lixo na rua, mesmo que seja um papel de bala ou uma pequena guimba de cigarro. Se quiser ser ecológico, diminua o desperdício, compre menos coisas desnecessárias e descartáveis. Talvez seja esse o caminho, mudemos a nós mesmos em primeiro lugar. Dessa forma, estamos dando o nosso recado, inspirando as pessoas e mostrando que é possível e como fazer.

Se você ainda tem essa pergunta consigo, taí a resposta, aproveite o início do dia, desta semana, do mês, para começar.

2011 vem aí…

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10 comentários para “Para melhorar o futuro, por onde eu começo?”

  1.   Demetrius disse:

    Oi Ana, muito bom !
    Para mim o primeiro passo, e que parece obvio, é que as pessoas intendam e assumam que não estão sozinhas no mundo e não são o centro dele.
    O segundo é assumir que faz parte da natureza e que não existe uma hierarquia.

    Sem esses postulados, continuaremos no caminho que estamos!

  2.   Gato de Botas disse:

    Desde quando fazer o bem é inspirador? Por mais que nos esforçamos, o mal será sempre mais atraente aos olhos alheios por trazer em sí vantagens imediatas e particulares que o bem não traz. Portanto, melhor do que acreditar que o mundo pode mudar por nossas ações individuais, devemos entender como a banda toca e dançar conforme a música.

    Tolstói inspirou Gandhi, que fora o apreço da esquerda utópica, nada conquistou além de alguns hematomas e uma morte através das mãos de um radical.

    Este mundo condena os pacifistas para fora da cadeia evolutiva.Por que deveríamos nos condenar em nome de um bem que visa o longo prazo, sendo que a longo prazo estaremos mortos?

  3.   Ana Cláudia Bessa disse:

    Demetrius, sim, o planeta é nossa casa, coletiva, um organismo do qual somos células. A atitude de um, influencia a de muitos e precisamos pensar coletivamente.
    Se não conseguirmos mudar nosso universos particular, nao é possível conseguir mais nada.
    E começar por si mesmo é a melhor forma e, paradoxalmente, a mais desafiante.
    Obrigada pelo comentário!

  4.   Ana Cláudia Bessa disse:

    Gato de Botas,

    “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos ou dos sem ética.
    O que mais preocupa é o silêncio dos bons.”
    Martin Luther King

    :)

  5.   Tobias disse:

    Ana, gostei do teu post. Porem estou estancado na parte:

    “… , me afastei de pessoas que nada tinham a ver com a forma que penso e ajo, me uni a amigos que comungam das minhas ideias…”

    tá complicado fazer isso =\

    E concordo plenamente com o comentario do Gato de Botas. No fim, fazer o bem é ser pouco, ou quase nada, recompensado; é fazer simplesmente porque é ético, é certo.

  6.   Ana Cláudia Bessa disse:

    Tobias, não é fácil. Eu mudei mesmo, até de endereço. Não digo para você que não convivo com gente que não gosto, mas intimamente é mais dífícil essas pessoas estarem por perto.
    O mal é instigante, não é à toa que o sucesso está com os vilões.
    Eu fiz escolhas e acredite, elas tem um preço. remar contra a maré não é fácil mas realiza que é uma beleza. :)

  7.   Luiz Freitas disse:

    “… , me afastei de pessoas que nada tinham a ver com a forma que penso e ajo, me uni a amigos que comungam das minhas ideias…”

    O ideal não seria aprender a ser mais tolerante?

    P.S.: Eu, particularmente, não consigo e também opto por me afastar.

  8.   Eduardo Marinho disse:

    O pensamento do “gato de botas” é o arquétipo da mentalidade induzida. Os benefícios a que ele se refere são, certamente, materiais – custo a crer que alguém não perceba importâncias maiores no bem estar moral. Pratico o que penso em minha vida e isso me custa um alto preço material, embora a gratificação interna compense com lambujas. Vantagens imediatas e particulares me parecem muito pouco como objetivo de vida. Se o objetivo da vida fosse esse, quem o conseguisse não morreria. A morte é a prova mais cabal de que isso aqui é uma passagem e que o que se leva não é material. É preciso ser um ateu bem materialista, pra não perceber os mundos invisíveis, de onde viemos e para onde voltaremos, levando as experiências vividas, seus proveitos e suas conseqüências. O prazer em fazer o bem, sem esperar retorno material, é um estágio a ser alcançado. Há quem não perceba – e dá-lhe anti-depressivos pra esconder a ausência de sentido na vida. Se qualquer benefício significar o prejuízo de outro(s), ele não me interessa, nem é benefício – apenas tem o aspecto, incensado por uma mídia safada que nos convence de que as relações humanas são fundamentadas em competição. Essa é a base da estrutura social dominada pela minoria ínfima que controla o “mercado” industrial-financeiro, que se infiltrou nas instituições públicas e transformou o Estado em instrumento de opressão e criação de desigualdades a favor dessa elitezinha dominante e seu subalternos (de luxo ou não), lavando e enxaguando as mentes da população, através da mídia. O saber acadêmico está posto a esse serviço desumano – por isso despreza a sabedoria, até por não conseguir alcançá-la. A sensação de superioridade bloqueia a inteligência e não permite perceber que privilégios consomem direitos e são, na verdade, uma demonstração de insensibilidade, de grosseria, de sub-humanidade. Usufruir de vantagens e acessos negados à maioria impõe responsabilidades com a maioria sem acesso – mas isso é desumanamente transformado em uma “superioridade” falsa, esnobe e ingênua.

  9.   Ana Cláudia Bessa disse:

    Isso não é feito ao pé da letra, Luiz. ainda convivo com muita gente que não gostaria, mas os mais próximos a gente anda selecionando cada dia mais.

  10.   Ana Cláudia Bessa disse:

    Eduardo, concordo com você, precisamos humanizar o mundo de novo. #fato

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