Trezentos

O início de uma multidão

Software livre não nasce em árvores: Do colonialismo ao extrativismo digital

Sei que muita gente que conheço e admiro vai ficar irritada com este artigo, mas acredito que já atingimos um nível de maturidade suficiente na comunidade de software livre brasileira para que possamos encarar de frente nossos próprios fantasmas. Sei também que o artigo é longo, mas acho que vale a pena a leitura. Cedo ou tarde vamos precisar fazer a reflexão aqui proposta.

Optei por escrever este artigo junto com um grupo de amigos experientes dentro da comunidade para evitar que ele seja classificado como sendo a opinião de uma única pessoa. Todos os amigos convidados já estão há bastante tempo na comunidade de software livre e todos eles já sentiram na pele os efeitos dos problemas aqui relatados. Optei por não listar seus nomes neste artigo, para que eles mesmo possam fazê-lo nos comentários.

Depois de tantos anos militando e trabalhando com software livre, fico impressionado em ver como as pessoas comumente usam o termo “a comunidade” como se ela fosse uma empresa ou coisa parecida. Muitas vezes vejo as pessoas falando da comunidade como se não fossem parte dela, como se não tivessem nenhuma obrigação em relação à manutenção dos projetos desenvolvidos de forma comunitária. Muita gente entende que ser usuário de redes sociais organizadas em torno de projetos de software livre seja o mesmo que ser membro de fato da comunidade do projeto em questão, além de acreditar piamente que todos naquela comunidade estão mesmo interessados em trollagens e críticas despropositadas.

Fazendo uma breve revisão do que aconteceu nos últimos anos na área de tecnologia no Brasil, vemos que nossa indústria de informática foi praticamente destruída no início dos anos 90, e passamos quase duas décadas sendo meros consumidores de tecnologia da informação, do hardware ao software. É a isso que chamo de colonialismo digital, pois tal como na época do Brasil colônia, acabamos consumindo tudo aquilo que os colonizadores nos empurravam. Vale lembrar aqui, que durante o início do século XIX, o Brasil chegou a “importar” um navio de patins para patinação no gelo da Inglaterra, uma vez que estes produtos estavam entupindo os estoques ingleses e precisavam ser desovados em algum lugar. Os historiadores contam que nesta época, as lâminas dos patins acabaram sendo utilizadas como facas e facões e assim fomos levando a vida: dando o jeitinho brasileiro para cumprir com nosso papel de colônia.

Durante quase vinte anos, fizemos a mesma coisa com produtos de tecnologia da informação e me lembro de ter presenciado algumas aberrações nesta época. De computadores que não suportavam o calor tropical brasileiro a softwares que invertiam completamente nossa lógica organizacional, vivemos décadas “dando um jeitinho” para as coisas funcionarem e não foram raros os casos em que tivemos que nos re-organizar para que pudéssemos utilizar as tecnologias “ofertadas”. Quem aí nunca encontrou um banco de dados armazenado dentro de uma planilha com milhares de linhas ou não viu uma reengenharia quase irracional acontecer na marra por conta do ERP da moda que atire a primeira pedra.

Tamanha foi nossa aceitação do papel de colonizados, que no final da década de 90 não era raro encontrar universidades que ao invés de lecionar “Sistemas Operacionais”, lecionavam “Windows NT”, ou trocavam “Banco de Dados Relacionais” por “Oracle” ou “DB2” e por aí seguia a carruagem. Fui aluno em uma dessas (que aliás é uma universidade de renome e destaque em São Paulo). Me lembro que fui voto vencido quando fui debater este assunto com a coordenação do curso, pois para eles importava ensinar “o que o mercado cobrava”. Pior do que ser voto vencido entre os coordenadores e mestres do curso, foi ter sido voto vencido entre meus colegas de turma, pois a imensa maioria deles estava tão acostumada com o fato de ter tudo mastigado nas mãos, que não se importava em não dominar de fato a tecnologia ou entender o que acontecia debaixo do capô. Estavam mais preocupados em “colocar no curriculum” o que aprenderam na faculdade. Amém !

Foi assim que formamos no Brasil centenas de milhares de profissionais de TI que não passavam de usuários avançados de ferramentas de software desenvolvidas fora do Brasil. Hoje, uma parte considerável destes profissionais são gestores de TI em diversas empresas públicas e privadas, e isso explica o principal motivo da resistência que encontramos no nosso dia a dia ao Software Livre dentro das organizações: a zona de conforto é grande e a inércia gerada por ela é muito difícil de ser quebrada.

É evidente que este modelo interessa às grandes empresas multinacionais de software, e confesso que hoje chego a achar graça das explicações dadas a eles sobre “o modelo”. Sempre que questionadas publicamente sobre este tema, vemos as empresas se defendendo com o argumento de que geram milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil, e que fazem “transferência de tecnologia” à indústria local, principalmente através de seus parceiros e de projetos junto à universidades.

O que vemos na prática é que a imensa maioria dos empregos diretos criados por estas empresas estão focados na área comercial e nas metas de curto prazo, e que os empregos “técnicos” costumam se concentrar em seus parceiros e solution providers, que evidentemente não têm acesso às informações detalhadas, e muito menos ao código fonte, dos produtos que “suportam” no mercado. A segurança e confiança por obscuridade é o que impera nesta seara.

Quando olhamos o trabalho feito por elas junto às universidades, vemos novamente que o foco é sim formar cada vez mais usuários avançados de seus produtos, e conseguir com isso firmar a dependência tecnológica desde na base da cadeia alimentar na indústria de TI. É muito fácil comprovar isso quando vemos “versões educacionais” dos softwares comercializados por estas empresas serem distribuídos com água dentro das universidades. Encerrou o curso e tem um software completo desenvolvido: ótimo… vamos lhe enviar a fatura em 3, 2, 1…

É importante lembrar que este modus operandi não é exclusividade de uma única empresa, mas é de fato a prática de mercado de todas as multinacionais de TI (das mais fechadas e perseguidas por todos até a “mais aberta” e idolatrada pela maioria).

Foi num cenário de total colonização tecnológica como o ilustrado acima que o Software Livre cresceu no Brasil, principalmente durante os últimos 10 anos. Eu atribuo este crescimento à vontade gigantesca de conhecer tecnologia de verdade que alguns profissionais de TI no Brasil tinham, mas conforme o movimento foi crescendo, tenho a impressão de que estes profissionais cada vez mais são raros de se encontrar e o que vemos de fato hoje, é a busca pela substituição pura e simples de um software proprietário por um equivalente livre (e não quero entrar aqui na discussão filosófica por trás disso).

Considero que seja fundamental termos no Brasil uma comunidade tão militante e ativa na publicidade e no suporte às soluções de software livre, mas infelizmente isso não é suficiente, pois deixamos de ser colonizados digitais e somos hoje extrativistas digitais.

Não exagero em dizer que hoje o Brasil tem em números absolutos a maior comunidade de usuários de Software Livre do mundo, e olha que a TI ainda não chegou a tantos lares assim no Brasil, portanto temos ainda muito a crescer. O que me deixa muito chateado é constatar que ao mesmo tempo, temos uma comunidade de desenvolvedores de software livre quase inexistente (eu mesmo conto nos dedos das mãos os desenvolvedores de “código fonte” em projetos de software livre que conheço). A dita “comunidade” é a primeira a se manifestar e apontar defeitos nos muitos projetos que “participam”, mas na hora de enviar contribuições realmente significativas quase ninguém aparece.

É por isso que afirmo que vivemos hoje o extrativismo digital: encontramos uma fonte aparentemente inesgotável de recursos e estamos usando e abusando dela, sem nos preocupar com a sua manutenção. Isso pode até nos dar uma sensação de liberdade e controle do próprio nariz bem confortável, mas não nos levará a lugar algum e pior do que isso, quando a fonte se esgotar (e sim, ela pode se esgotar um dia), voltaremos à nossa vidinha de colonizados, e seremos novamente saudosistas de uma “era de ouro”, tal como nossos amigos mais velhos hoje se lembram da reserva de mercado.

O que quero com este artigo é forçar uma reflexão dentro da nossa comunidade, pois é evidente que software livre não nasce em árvores, e existem pessoas trabalhando muito escrevendo código fonte por trás dos softwares livres que utilizamos no dia a dia.

Devo reconhecer porém, que somos muito ágeis e experientes em traduzir estes softwares para nosso idioma, mas todos devem concordar comigo que isso é o mínimo do mínimo que podemos fazer. Lembre-se de que teremos alcançado o sucesso pleno quando a tradução for problema dos outros !

Não consigo me contentar com isso e por isso peço a todos que façam uma séria reflexão: Quando foi a última vez que você contribuiu de verdade com um projeto de Software Livre ?

Rodando o mundo palestrando em eventos de software livre, esta é a diferença primordial que vejo entre outros países e o Brasil. Na maioria dos países, a meritocracia funciona de verdade e o reconhecimento vem na base de muito, mas muito código fonte contribuído para os projetos. Como já contei a diversos amigos, em muitos países fora do Brasil, para que você possa “tomar uma cerveja” com os líderes dos projetos de software livre, você provavelmente já trabalhou bastante construindo e depurando código com eles.

Acho que é parte da cultura latina ser expansivo, mas não podemos deixar que nossa ânsia por fazer amigos acabe os deixando desviar tanto assim do nosso objetivo comum: Desenvolver de fato softwares livres que supram as necessidades de nosso mercado, que nos permitam dominar a tecnologia e que paguem nossas contas no final do mês.

Quando analisamos a cadeia de valor na indústria de software livre no Brasil hoje, vemos que diversos nós da cadeia são remunerados, mas que ainda não encontramos uma forma concreta de remunerar de verdade o principal nó: O desenvolvedor.

É muito fácil cair no discurso de que “quem implementa, treina e suporta também desenvolve”, mas na prática vemos o oposto disso.

O que me consola é que este problema não é exclusividade nossa, e nos últimos meses tenho visto diversos projetos de software livre desenvolvidos internacionalmente passar por sérias dificuldades por conta do mesmo problema.

Voltando ao Brasil, conheço ao menos um software livre desenvolvido aqui no Brasil e que é utilizado no país todo, além de ser suportado por centenas de empresas, mas que tem como desenvolvedores ativos apenas duas pessoas, sendo que uma delas (e talvez o desenvolvedor chave), não seja de forma alguma remunerado. Não vou dizer o nome do software aqui para não ser deselegante com as pessoas envolvidas em seu ecossistema, mas garanto que pela descrição acima você já deve ter identificado alguns softwares como potenciais candidatos.

Em uma recente discussão que tive com um dos pioneiros do Open Source mundial, ele me dizia que o modelo de subscrição nunca foi de fato compreendido pelo mercado, e concordo com ele que este modelo é o mínimo que podemos ter para garantir a manutenção dos projetos e de seus desenvolvedores. É mesmo uma pena ver que muita gente afirmar sem vergonha alguma que “subscrição é licença disfarçada”, e aqui incluo inúmeros colegas do movimento do software livre. Sinto lhes informar que não, não é, mas concordo que é muito fácil pensar assim quando seu contracheque chega no final de todo mês.

Indo mais a fundo no problema, fico extremamente chateado em ver a falta de consciência de inúmeros gestores de empresas públicas e privadas que economizam centenas de milhões de reais por ano em licenças de software, mas que não investem sequer um centavo no desenvolvimento e manutenção de projetos de software livre que utilizam no seu dia a dia.

Um exemplo gritante do que afirmo acima é o Libre Office (antigo OpenOffice ou BrOffice no Brasil), que possui atualmente centenas de milhares de cópias sendo utilizadas no país todo, economizando rios de dinheiro, e que têm no Brasil uma comunidade de “desenvolvedores de verdade” quase irrisória. O que me deixa muito mais chateado com isso, é que estes poucos heróis nacionais quase sempre levam uma vida de privações em prol da coletividade e tudo o que recebem de volta são tapinhas nas costas e nos últimos tempos ainda tem que aceitar calados, críticas injustas vindas de todas as partes. Não vou nem comentar aqui sobre a vida que levam os que decidem trabalhar com o desenvolvimento de padrões, mas posso afirmar que invejamos a vida dos desenvolvedores de software livre no Brasil.

Não quero que este seja um artigo de lamentações, e por isso eu gostaria de deixar algumas sugestões para que possamos de fato aproveitar esta oportunidade que temos nas mãos e mudar de uma vez por toda a história da TI no nosso Brasil. Muitas das sugestões vão parecer óbvias e genéricas, mas acredite, nunca foram de fato implementadas:

  • Empresas que utilizam softwares livres deveriam ter desenvolvedores trabalhando no desenvolvimento destas soluções ou se não puderem ter estes desenvolvedores, que exijam que as empresas que lhes prestam serviços de suporte e treinamento em software livre tenham desenvolvedores ativos nos projetos, e que comprovem suas contribuições periodicamente. Esta prestação de contas aliás deveria ser pública.
  • Universidades poderiam deixar de usar exemplos genéricos e trabalhos “inventados pelos professores” nas disciplinas de desenvolvimento de software e ter como meta a cada semestre otimizar um trecho de código fonte existente ou implementar uma melhoria ou nova funcionalidade em um software livre existente. O mesmo vale para outras disciplinas como marketing e design. Uma simples mudança da atitude como esta daria aos envolvidos uma experiência prática no mundo real com projetos concretos, ao mesmo tempo que lhes permitiria alcançar os mesmos objetivos didáticos (já imaginou onde chegaríamos com isso ?).
  • Já temos diversas leis, decretos e instruções normativas no Brasil recomendando ou determinando a utilização de Software Livre e de Padrões Abertos em diversas esferas governamentais, mas infelizmente os órgãos de controle e fiscalização parecem desconhecê-las. Não consigo avaliar quem é o culpado por isso, mas sei que nós como sociedade temos o dever de cobrá-los, e talvez esteja aí a grande missão de todos os membros da comunidade que não podem contribuir de forma técnica com os projetos de software livre.
  • Muita gente não tem conhecimento técnico para escrever código fonte e contribuir com os projetos, mas lembre-se que um software livre de sucesso não vive só de código fonte e por isso mesmo sempre existe algo não relacionado a código fonte que precisa ser feito. Se envolva de verdade com a comunidade de desenvolvedores dos softwares que você usa e por favor, contribua de forma concreta com seu desenvolvimento. Ajudar de verdade é atender a necessidade do outro e não a sua própria necessidade. A diferença entre o voluntariado e o voluntarismo é gigantesca, mas muito difícil de ser compreendida.

Não acredito em contos de fadas e também não acredito que um dia uma empresa estrangeira vai decidir do dia para a noite que o Brasil é a bola da vez para concentrar aqui o seu desenvolvimento de software. Temos que conquistar isso, temos que fazê-lo do nosso jeito e temos sim potencial para reconstruir de verdade nossa indústria nacional de software e Tecnologia da Informação. O que não podemos fazer é ficar aqui sentados esperando o milagre acontecer, imaginando que estamos no caminho certo. Pequenas correções de rota podem sim nos levar a algum lugar completamente diferente e melhor do que o nosso destino atual.

Caso você ou sua empresa queira contribuir com um projeto de software livre e não saiba como, me coloco à disposição para ajudar e orientar.

Peço que reflitam sobre o seu papel na solução do problema aqui apresentado. Temos um elefante na sala e só não ver quem não quer.

Aguardo ansiosamente os comentários e espero que possamos abrir este debate tão necessário nos dias de hoje.

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70 comentários para “Software livre não nasce em árvores: Do colonialismo ao extrativismo digital”

  1.   Jose Pissin (pizza) disse:

    Meu amigo Jomar, parabéns pelo texto. Suas palavras refletem a mesma visão que tenho sobre o assunto.

    É fácil “apanhar” uma ferramenta e utilizar, mas quando se pede algum tipo de retorno a justificativa da burocracia aparece, falta de recursos, falta de documentação, etc. O que tem mesmo é falta de vontade, e até mesmo de ética.

    Escrevi sobre um dos aspectos englobados nesse seu texto ainda em 2009 http://pizza.blog.br/wp-admin/post.php?post=211&action=edit

  2.   Emerson Rocha Luiz disse:

    Definitivamente eu compreendo tudo que você escreveu. Há uma extrema rejeição por desenvolver algo. Mas vou focar o que vou dizer aqui por algo que você não comentou muito, e vou focar: a relação entre funcionarios, em especial chefes, que trabalham para o Estado.

    No início 2011, cheguei a ofertar um curso focado em querer ajudar justamente instituições governamentais e e setores de TI [vide http://www.fititnt.org/curso-de-framework-e-programacao-de-extensoes-joomla-16.html, e estava muito mais pela ideia e pelo amor a camisa do que por ganhar dinheiro em cima disso. E sabe o que eu descobri?

    O exemplo que cito aqui envolve a empresa de TI por tras de Porto Alegre, a PROCEMPA (www.procempa.com.br), e a por tras do Rio Grande do Sul, a PROCERGS (www.procergs.rs.gov.br)

    -> A forma de organização do Estado, e a tendência a não querer fazer mais do que o suficiente para pelo menos ganhar o salário no final do mês, torna o sistema quase inviável. Você vai encontrar pessoas dentro das organizações que querem ajudar, mas não raro chefes não querem: preferem que o funcionario coçe o saco e faça nada a ter qualquer chance de desenvolver algo.
    -> Entidades governamentais de TI tendem a querer terceirizar qualquer desenvolvimento de software. O máximo que você encontra por ai, não vai além de usar um MS Access da vida, ou planilhas de excell, e isso se você tiver sorte.
    -> Não há qualquer incentivo dentro de instituições publicas para aqueles que querem fazer algo além do básico. Com muita sorte, e as vezes com chefes que e em áreas que não tem nada haver diretamente com TI é que saem boas coisas. Exemplo é um amigo meu que, também por cursar Eng. Elétrica na UFRGS e trabalhar como concursado em contabilidade em uma empresa de economia mista (meio estado, meio particular, provedora de Energia Elétrica da região). No caso dele pelo menos não há uma rejeição por ele querer organizar algo, e creio que só acontece isso por ser muito proximo de do setor que vai usar.
    -> Algumas vezes, setores que precisam de um aplicativo mais específico, não pedem ajuda pra algo dentro da “empresa” a qual pertence porque o setor de TI já deixa claro que não faz esse tipo de serviço. O Brasil perde certamente alguns bilhões só por deixar de usar tecnologia local pra otimizar ações, e quando muito, paga caro por uma terceirizada que ainda vai deixar o código fechado.
    -> Questões politicas. Pode parecer idiota, mas quando se lida com o estado o simples fato de não ter sido ideia de algum político, ou não ter apoio de alguem meio grande, as coisas não vão sair.

    Não vou me alongar mais, mas… é triste. Qualquer cara aqui que tente ir contra a maré e queira, em especial dentro do Estado, precisa de muito mais de força de vontade do que experiência no que quer que programe. É desanimador.

  3.   Carlisson Galdino disse:

    Parabéns! O artigo é muito bom e retrata o que vem acontecendo. Me lembro das críticas passadas ao Governo por esse tipo de comportamento. E, como em muitos outros casos, encontrar esse comportamento no Governo não limita ao Governo, mas mostra um reflexo da sociedade. Infelizmente. Espero que muitos por aí leiam e reflitam sobre essa pertinente discussão.

    De minha parte, faz tempo que não programo, minha contribuição sempre foi outra, desde o Mozilla Brasil. Ultimamente está mais em divulgação, embora eu sinta saudade da codificação de antigamente.

    Aqui onde vivo, infelizmente, parece que nem chegamos nesse estágio de sugar. Nem sugar o pessoal quer ainda… É muito difícil…

    []s

  4.   Paulo Morais disse:

    Muito bom texto. O Brasil ainda vive o colonialismo em muita coisa e o software é uma delas. Me lembro de quando ainda estudava no segundo grau e aprendi que Getúlio criou a estatal CSN para transformar no Brasil o minério de ferro que era exportado bruto e depois recomprado em forma de aço. Era uma tentativa de qualificar mão de obra nacional, substituir importações etc. Naquela época a ideia já era descolonizar o Brasil.

    Às vezes me pergunto se não estamos numa situação parecida. Hoje, a economia mundial é outra. Minério de ferro e aço são secundários se comparados à inteligência, à tecnologia, à criatividade. O computador é uma ferramenta do cotidiano. O brasileiro digitalmente incluído passa dias, horas à frente da tela de um PC que usa software estrangeiro, do Windows ao Google, Facebook e Twitter. Estamos perdendo divisas.

    Então, às vezes, penso se não é interessante que se criasse uma estatal de desenvolvimento de software livre no Brasil. Uma grande empresa que tivesse foco tanto em clientes das várias esferas de governo quanto da indústria da informática local. Creio que uma instituição dessas poderia receber financiamento privado das indústrias locais, que se beneficiariam com a produção de software no País. Tal empresa poderia ainda ser multinacional, envolvendo países da América do Sul. Afinal de contas, o Mercosul já não é mais um bloco meramente econômico, mas sim político e cultural.

    Hoje, existe uma indústria cultural do software. Podemos dizer que os monopólios exercidos pela indústria cultural tradicional, definida por Adorno (cinema, música, televisão), são muito semelhantes aos produzidos pela indústria do software. Ou seja, Apple e Microsoft e cia dominam o mercado da distribuição (se aliando a fabricantes de hardware para distribuirem seus produtos), criam comportamentos, moldam opiniões, uniformizam a massa. Pagam jabá à grande mídia e ganham capas de revista e manchetes de jornais. Lançam um produto atrás do outro, como um filme que mal entra em cartaz e já sai de cena para dar lugar ao próximo blockbuster.

    Enfim, ideias a serem debatidas. Parabéns, mais uma vez, pelo texto.

  5.   wille disse:

    Muito importante seu artigo. Assino embaixo do que você disse e também sinto muita necessidade de debates internos sobre o rumo do Software Livre no Brasil, seria interessante promover essas discussões em eventos de software livre.

    Gostaria de destacar que existem também os softwares livres que são sempre relegados, como os softwares da área de multimídia. Softwares como GIMP, Kdenlive e Audacity evoluem pouco e lentamente por conta do pequeno número de desenvolvedores. Trabalho numa universidade que tem cursos de Comunicação e Cinema e volta e meia tenho que ouvir “é que os softwares livres pra edição de vídeo são ruins…”, como se a solução um dia vai cair do céu e enquanto isso não há problema algum em entregar rios de dinheiro para Adobe e Apple. Se o Brasil quase não colabora com softwares que são largamente utilizados, o que esperar para aqueles softwares que ainda não estão num nível ideal para serem sugados?

  6.   Kraucer disse:

    Gostei, ótimo texto, parabéns!

  7.   Bruno disse:

    Grande artigo. Tô compartilhando!!
    abraços e parabéns pela lucidez do texto

  8.   Quã disse:

    Importantes reflexões, Jomar!

    Contudo, há três buracos aí que, longe de capotar seus argumentos, apenas requerem algumas manobras e acabam por fortalecê-lo .

    Primeiro, a falta de tempo individual da mão de obra qualificada no Brasil, que paga um custo pessoal maior que a média da metrópole.

    Segundo e terceiro, nosso sistema educacional que, além de promover a subserviência colonial pelas desigualdades cristalizadas no dueto educação de qualidade paga no básico e gratuita no superior, ainda é particularmente ruim em promover o desenvolvimento do raciocínio lógico.

    Portanto há um triplo desestímulo – falta de tempo, falta de cultura, falta de preparo – para alguém tornar-se e manter-se desenvolvedor de software livre no Brasil.

    Agora, essas observações apontam não para uma desculpa, mas para um imperativo ainda maior às empresas e Estado brasileiro investir em desenvolvedores de software livre, seja através das suas escolas e universidades, ou da alocação de recursos, funcionários e mesmo o financiamento através de doações.

    Imperativo, pois essa é a única maneira que se apresenta de assumirmos nossa autonomia, das empresas de tecnologia brasileiras estabelecerem sua posição no mercado e do estado garantir uma sociedade livre e soberana.

    De outra forma, ambos permanecerão colonizados por tecnologias e interesses exteriores, suas possibilidades de crescimento cercados pelo interesse privado estrangeiro num terreno de tecnologias proprietárias, socialmente e economicamente injustas, onde não há livre mercado e portanto nenhum espaço para competição fora das grandes potências.

    Abraço,

    Ni!

  9.   Fa disse:

    Oi Jomar
    É estranho pensar que o brasileiro é tido como “criativo”, não é?
    Nunca entendi direito essa tal criatividade que não cria. Quase que só apresenta, maquia, “carnavaliza”.
    E é triste notar que, mesmo como colonizados, desempenhamos um papel ruim, pois há pouco estudo.
    Um exemplo que gosto muito é o uso de estilos, que tanto facilitam a utilização de editores de texto, e que costumam ter acesso no primeiro campo da barra de formatação, em instalações típicas. Mesmo assim, pouquíssimas pessoas os conhecem e usam, apesar de softwares editores possuírem tal recurso há muitos anos.
    Tudo muito chato e triste.
    Mas, sabe que eu gostaria de ter dados sobre quem está fazendo plugins, add-ons, extensões? E quais? Com qual objetivo? A maioria é só “skins” ou contribui, mesmo, com o desenvolvimento?
    Digo isso, por que acho que é um campo excelente pra alguém começar a contribuir, já que se preocupa com apenas parte das funções necessárias.
    Beijns
    Fa

  10.   bruno disse:

    Jomar, ótimo texto. O que você critica é profundo, e infelizmente não vai mudar com facilidade. Falta maturidade política ao brasileiro, e isso se reflete em tudo que fazemos. A opção tradicional de comprar tecnologia fora do país vai ser sempre mais barata – pelo menos em um primeiro momento. E nisso permanecemos empacados, desde sempre, exportando minério, soja e café.
    Quero crer que a saída seja a educação. Mas terá que ser educação com conteúdo político e social. Capacitar pra uso de ferramentas, somente, chega a ser imoral. O gargalo ao desenvolvimento que nós temos no país atualmente (de mão de obra qualificada) pode ser a chave para a saída dessa condição. Mas precisamos nos politizar.

  11.   Patricia Cornils disse:

    Jomar, deixei recado também lá no Void Life. Estou fazendo uma matéria sobre sites de governo para ARede e gostaria muito de falar com você. Vc pode me mandar seu endereço de e-mail? um abraço!

  12.   Eduardo Santos disse:

    Curioso notar que quase todas as pessoas que comentaram estão a favor do texto. Isso pode significar duas coisas:

    1 – Os que se identificaram na tal “comunidade” ficaram com vergonha de se manifestar;
    2 – Realmente todos já tínhamos percebido o óbvio, e o que o Jomar escreveu representou um desabafo para todos nós.

  13.   Eriksen Costa disse:

    Eduardo, com certeza o povo arroz de festa vai ficar caladinho. O status quo é legal, garante dinheiro para os eventos e aparições na mídia com direito a legendas como Fulano ou Beltrano de Tal. É muito pouco!

  14.   Anônimo Covarde disse:

    Apesar de eu concordar com o fato que deveria ser incentivado o desenvolvimento no Brasil, por meio de workshops, cursos e etc. Concordo inteiramente que o uso de “Padrões da industria” acaba limitando a maioria dos desenvolvedores à uma ferramenta.

    Mas eu acho que, na tentativa de provar o seu ponto, você acaba contribuindo para a noção de que só o desenvolvedor é importante.

    Quando você cita que “É muito fácil cair no discurso de que “quem implementa, treina e suporta também desenvolve”, mas na prática vemos o oposto disso.”, você está diminuindo a importância do trabalho dos outros, para viabilizar o uso de vários softwares, ao invés de exaltar a necessidade (real) por desenvolvedores.

    Oras, se você desenvolver o seu software da melhor forma possível, mas não implementa, ele vai ser usado? Se você não treina os seus usuários, eles vão saber utilizar o seu trabalho? Se ninguém der suporte, o desenvolvedor vai interagir com os seus usuários e fazer as vezes de analista de suporte? Acho que sabemos bem a resposta para todas essas perguntas.

    Por favor, reflita sobre isto e, se julgar satisfatório, reavalie este ponto no seu texto. Não há necessidade de promover um conflito, ou inferiorizar outras partes importantes deste processo.

  15.   Jomar Silva disse:

    @Anônimo Covarde:

    Pode se identificar, pois a ideia aqui é abrir o debate mesmo !

    Eu não diminui o trabalho de ninguém, mas existe algo que é gritante aqui: Se você não tiver o que implementar, capacitar e suportar, vai viver do que ?

    O que quero alertar é que todos precisam assumir seus papéis para que o ecosistema seja sustentável e ajudar no desenvolvimento é parte fundamental deste sistema.

    Conheço empresas e profissionais que há alguns anos trabalhavam treinando, implementando e suportando soluções proprietárias. Viram no software livre uma excelente oportunidade de expandir seus negócios e de aumetar até sua lucratividade e embarcaram nessa. Eventos de software livre são lotados de pessoas com este perfil e acho isso extremamente positivo, pois além de colocarmos o software livre de verdade no mercado, muita gente ainda paga (e bem) as contas do mês utilizando… Agora se os projetos utilizados por eles deixar de existir ou morrer de inanição, eles voltam rapidinho para os produtos proprietários e a vida continua… É assim que a maioria infelizmente pensa, por mais que não tenha coragem de dizer isso publicamente !

    Por isso que digo que a imensa maioria dos prestadores de serviço hoje é extrativista digital, e isso não é ofensa, é a realidade ! Se isso te ofende, significa que algo aí na sua consciência está bem pesado !

  16.   Tales A. Mendonça disse:

    Interessante o texto, parabéns. Gostei da parte em que diz sobre a utilização dos mesmos em faculdades, onde o que importa é ver o que o mercado está demandando e não o conhecimento de aprender coisas livres a a fundo. Creio que muitos desses problemas seja mais cultural. É uma minoria dominante que manda qual é a bola da vez e o milhões de seguidores atrofiando num paradigma ínfimo de pensar.

  17.   Anônimo Covarde disse:

    Então Jomar, eu entendo todo o argumento do “extrativismo digital” e, como disse, concordo com ele.

    O que eu discordo é da sua avaliação da grande importância de um desenvolvedor, para os outros elos da cadeia. Oras, todos eles vão se importantes para garantir um uso correto de um software. Por meio de processos de gestão do ambiente de TI você consegue perceber bem isto.

    Toda empresa quer ficar só “extraindo”? Não. Varias empresas e profissionais querem contribuir com projetos de software livre, mas não conseguem ver a forma de fazer isso, pois a metodologia deles era diferente da aplicada pelos outros desenvolvedores. Isto é, baseando-se que existia alguma metodologia.

    Empresas usam metodologias (Como CMMI, ITIL e etc.) para desenvolver, pois o alvo delas é manter a qualidade pelo processo. Isso é conseguido tirando o foco dos talentos individuais, e passando ao uso de metodologias definidas, com uso de algumas ferramentas (diagramas, documentação e etc.), para que mesmo uma equipe de desenvolvedores não precise depender de um super-profissional.

    Os projetos não fornecem este tipo de documento, e contratar profissionais para fazer isto em um projeto que elas não tem o controle, do meu ponto de vista, é um luxo que muitas empresas não podem pagar. Isso também é uma barreira para profissionais comerciais que queiram colaborar: Eles não sabem por onde começar, além de não ter tempo livre pra ler todo o código disponibilizado.

    Isso, apesar de não negar a sua hipótese, dá uma nova dimensão ao seu problema, e indica novas possíveis soluções também.

    Sobre a parte da ofensa, não estou ofendido pois contribuo sempre que posso. Só estou mostrando que o problema não é só como vc imagina, nem é um esquema dos outros profissionais para lucrar em cima do trabalho dos pobres desenvolvedores. Aí você pode escolher o que vc prefere: resmungar contra o mundo, ou dialogar com ele.

  18.   Jomar Silva disse:

    @Anonimo Covarde:

    Prefiro dialogar sempre, e por isso publiquei este artigo. Estava cansado de resmungar pelos cantos sobre estes problemas.

    Queria te agradecer ainda por abrir o debate. É isso que me fez escrever o texto.

    Eu acho complicado generalizar a gestão dos projetos de software livre, pois conheço centenas de empresas no Brasil que possuem menos controle sobre seus códigos fontes do que a grande maioria dos projetos de sucesso no software livre, estes que são usados em larga escala no mundo todo.

    Falar que o Brasil é exemplo em adoção de metodologias de desenvolvimento de software como CMMI também me parece um exagero de sua parte, pois o GoHorse ainda impera em muitas empresas por aqui.

    O modelo que você propõe de contribuição, me parece ser o de contribuição esporádica e eventual, e o que quero fomentar aqui é o envolvimento real com os projetos, mas concordo que temos que começar por alguma parte.

    Eu digo isso, pois para que se possa de fato contribuir com código para um projeto de software livre, o desenvolvedor precisa conhecer bem a aplicação, seus casos de uso e seus problemas no dia a dia. Precisa dominar as tecnologias envolvidas e conhecer bem a arquitetura da aplicação e ter uma certa intimidade com seu código fonte… não tem jeito… é assim que se desenvolve software de qualidade de forma colaborativa.

    O desenvolvimento de pequenos patches para corrigir bugs pontuais, extensões ou mesmo implementação de novas funcionalidades periféricas são três bons pontos de partida, e algo que não tem uma curva de aprendizado assim tão grande.

    O que não dá para fazer é tratar o desenvolvimento de software como se fosse pastelaria: Agora quero dois de carne e um de queijo e taca botar alguém prá fazer isso prá ontem. Esta é a realidade de inúmeras empresas no Brasil e sabemos que isso não funciona nem no software livre nem no proprietário.

    Em resumo, sei que o desafio é grande e sei que a produtividade só vai vir com o tempo, mas se nunca encararmos este desafio e começarmos por alguma parte, nunca sairemos de onde estamos…

  19.   Luis Felipe Costa disse:

    O momento é adequado para a efectiva mudança de hábitos.

    Ficamos na esperança de que “Ajudar de verdade é atender a necessidade do outro e não a sua própria necessidade.”, seja “um tapa na nuca” que faça o cérebro processar de maneira mais justa a relação entre o crescimento sustentável da Ti nos próximos anos e o extrativismo digital.

  20.   André Gondim disse:

    É muito interessante o seu ponto de vista. Ainda que tenha minimizado a parte de tradução.

  21.   Edmilson Pajé disse:

    Primeiramente parabénizar o Jomar pelo belissimo texto… disse tudo meu velho.

    Anônimo Covarde.
    Concordo que todos são importântes no processo, inclusive os gestores, mas dizer “avaliação da grande importância de um desenvolvedor”… pense que se vc não tiver um gestor mas tiver programadores, o sistema sai do forno, agora se tiver só gestores vc não tera sistema. O problema no Brasil é temos muitos gestores e “poucos” desenvolvedores.
    Durante minhas aulas na pós, disciplina de metodologias Agéis, notei semenhanças com a utilizada dentro das comunidades de SW Livre e será que não foram inspiradas nas comunidades de Software Livre. Certamente essas e muitas outras “metodologias” vieram de estudos dessas comunidades organizadas.
    Todo software livre que uso e conheço tem manuais bem trabalhados e completos. Não estou falando dos projetos pequenos como o do cara que fez um sw para gerenciar o tempo que ele escuta música, mas dos projetos como Zabbix, OTRS, MySQL, Postgres e por ai vai.

    Abraços,

  22.   Jomar Silva disse:

    @André Gondim:

    A questão é simples: Traduzir (e localizar) é adaptação e não criação… se não tivemos “o que” traduzir e localizar, nosso grande skill (e sim, considero isso extremamente importante) não vale de quase nada.

  23.   Anônimo Covarde disse:

    Edmilson, confesso que não sou da área de desenvolvimento (como já devem ter notado), mas os meu conhecimentos na área dizem que manual de software não é documentação de desenvolvimento, bem como código com comentários, por mais que os desenvolvedores de código livre gostem de colocar assim.

    Um monte de programador faz um software? Faz. Mas dá suporte ao grande público? Faz documentação? Treina? Cuida do marketing? Organiza palestras? Faz o deployment (no estilo ITIL)? Acho que sabemos qual é a resposta pra isso. Afinal, se o desenvolvedor fizer isso tudo, programa quando?

    A questão não é subestimar ou outros elos. Mas tornar mais fácil o processo de se tornar um desenvolvedor.

  24.   Edmilson Pajé disse:

    Anônimo Covarde
    Não fui claro mas quando escrevi “manuais”, não me referi aos manuais de usuário e sim a todos os manuais e documentações… vide projetos supra-citados.
    É se o desenvolvedor não escrever o software? De que serve o documento, treinamento, marketing etc.
    Acredito que se alguém é de fato é importante no processo, esse é o programador.
    Abraços,

  25.   Anônimo Covarde disse:

    Edmilson, você precisa realmente amadurecer essa idéia, principalmente se o interesse é colaborar com uma comunidade. Um projeto comunitário aonde os contribuidores são separados em classes, não vai dar muito certo.

  26.   Jomar Silva disse:

    @Anônimo Covarde:

    Amigo, o Edmilson já está a tanto tempo nessa vida do Software Livre que você nem imagina…

    A separação “por classes” que você comenta existe desde o tempo em que o mundo é mundo, e o nome correto não é classes mas especializações…

    O problema que temos é que sim, o trabalho é dividido de acordo com as especializações das pessoas, e cada vez mais vemos pessoas especializadas em uma coisa (marketing) dando pitaco e trollando o trabalho de pessoas que são especialistas em outra coisa (como desenvolvimento).

    Concordo em gênero, número e grau com o que o Edmilson escreveu, pois sem o desenvolvedor, não adianta nada traduzir, vender, suportar e etc… é uma questão física / econômica (sem produto não há comércio) e não filosófica (quem é melhor do que quem na cadeia de valor).

  27.   Edmilson Pajé disse:

    Caro @Anônimo Covarde

    Sou favorável ao trabalho dividido ou em grupo como é mais utilizado e as várias atribuições e funções dentro de uma equipe ou comunidade. O amadurecimento é para esses que consomem o que os desenvolvedores criam, dizem que participaram como colaboradores mas no final não colaboraram com nada. O grande problema é: Falta colaboração. Empresas poderiam sim, como o Jomar disse, contratar um colaborador e alocar no projeto em questão que está sendo utilizado em sua empresa.
    Agora minimizar o desenvolvedor é complicado.
    Lembro que todos são indispensáveis para um bom projeto… mas ter só gente que fala e manda… não vai sair nada.
    Abraços,

  28. Em primeiro lugar, parabéns pelo texto, é bem escrito e apresenta bons argumentos.

    Gostaria de contribuir em dois pontos:

    Existem vários projetos em software livre desenvolvidos por brasileiros, porém eles não são tão grandes e/ou tão famosos. Estamos muito longe do ideal (e o texto é muito válido), mas mesmo que metaforicamente dizer que é possível contar os desenvolvedores nos dedos não é muito justo.

    Sobre o ponto que diz que sugere botar Software Livre na faculdade, acho muito aplicável a trabalhos de conclusão ou projetos mais longos, porém para os trabalhos dentro das disciplinas acho inviável, pelo tempo, e pela complexidade dos softwares reais, que pode atrapalhar no momento de explicar conceitos. Tanto que em várias áreas da computação existem “toy problems” que servem só para exercitar e ensinar.

    Mas me fez repensar a minha atuação (e da minha empresa). Não é de hoje que eu quero contribuir (desenvolvendo) com SL. Quem sabe agora não é uma boa hora?

    Abraços

  29. A princípio, fiquei encucado com o caminho mais “desenvolvimentista” do texto, e achei que tendia a minimizar o trabalho dos outros contribuidores (tradutores, suporte, treinamentos, etc.). Mas, no final, comecei a entender uma coisa: O que o Jomar quer dizer é que não estamos *produzindo* nada. Estamos apenas adaptando o que já existe para a nossa realidade. Traduzir, treinar, prestar suporte, são atividades acessórias, não o núcleo dos projetos. Isso não quer dizer que sejam menores, ou menos significantes, mas quer dizer que não estamos *produzindo*. Estamos parados, “mamando” nas tetas do trabalho de outros. Mesmo que não seja código, produz-se pouca documentação, pouca inovação, pouco marketing, pouco tudo. Usamos por que é de graça, não porque é livre. Isso nos é conveniente. Precisamos sair dessa zona de conforto. Precisamos ousar e *produzir* algo. Um exemplo marcate de produção que me recordo agora, é o CoGrOo, o corretor ortográfico do BrOffice. O Willian Colen pena pra manter o código. Quase desistiu por falta de apoio. No entanto, ele foi o único a implementar o novo acordo ortográfico do idioma Português. Muitos meses antes do que qualquer software proprietário. Por iniciativa de uma ou duas pessoas, talvez um pouco mais. Milhões de usuários se beneficiam disso, e só meia dúzia contribuem. Isso é uma imensa falta de consideração, e um comportamento totalmente egoísta e contra qualquer senso comunitário. Só pra citar um exemplo.

    Jomar, meus parabéns pela síntese tão objetiva do problema. Acho que talvez, devêssemos reunir as comunidades em torno de um projeto comum, que possibilitasse, talvez, a nossa organização em algumas frentes para tentar solucionar esse problema. Sei lá, é só uma divagação até digerir essa história toda ;-)

  30.   MaRZ disse:

    Li outro dia num livro do Hugh Macleod um card dizendo: alguns clientes nos trazem algumas sementes de maçã para plantarmos e nos ligam em duas semanas perguntando: e aí, cadê as p.. das maçãs.
    Sinto que o desabafo apresentado vela a ansiedade e urgência em resultados no FLOSS ainda para esta geração. Penso que não..
    Ainda temos que eliminar uma grossa camada de imediatismos e “jeitinhos brasileiros” (na minha opinião a razão máxima da total falência da honestidade de TODOS os brasileiros, inclusive eu).
    Lembremos que antes de software, devemos aprender a viver em sociedade, para em seguida termos sermos parte uma comunidade. No meu modo de ver, o individualismo impera e aí está a profunda raiz do problema.
    Evangelizo este tema – FLOSS – há vários anos e sinceramente se fiz um ou dois resultados neste tempo todo, não me sinto incompetente por isto.
    Sinto que evoluímos, mas o crescimento de rochas, e o FLOSS é uma rocha, não pode ser observado num período curto de tempo. Séculos serão necessários.
    Paciência.

  31.   Abinoam Jr. disse:

    Jomar, gostei muito de seu artigo, parabéns! Ele pode ser o início de um despertar!

    1) Já há muito tempo eu me perguntava porque os trabalhos da faculdade não eram contribuições REAIS à softwares livres. Parabéns por ter apontado isso.

    2) Oficinas presenciais orientadas por pessoas experientes no desenvolvimento de softwares livres usando como exemplos “bugs” ou “feature requests” reais ajudariam em muito as pessoas de boa vontade (mas pouca experiência) a vencer algumas barreiras e começarem a colaborar com o software livre. Quem é experiente em desenvolvimento nem percebe a gama imensa e diversa de ferramentas e técnicas necessárias para se chegar a um resultado simples que seria por exemplo mandar um patch de uma linha. Temos um exército de alunos de computação que dominam apenas parte da cadeia (exemplo, programam em C, mas não sabem usar Linux, ou não estão familiarizado com ferramentas como diff/patch, cvs/svn/git; ou seja, pequenas dificuldades que seriam mais rapidamente resolvidas com alguém incentivando, estimulando e apontando os caminhos mais rápidos para as coisas). Eu tenho visto esse tipo de coisa bem forte na comunidade Ruby na figura dos “coding dojos”, participei de um na LinuxCon (SP) e achei muito bom o jeitão “Eu faço assim, e você?” da reunião.

    3) O Software Livre é de interesse de todos. Tudo que é de interesse de todos é de interesse do Estado. O Estado tem que financiar mais o SL. Os representantes do Estado (os governantes) só fazem isso sob pressão. Ou seja, se estamos inertes em pressionar o governo à adoção e financiamento do Software Livre, a culpa é de todos também (todos = quem só usa, não desenvolve e nem sequer pressiona o governo para ajudar).

  32.   Kallyne disse:

    Texto bem elaborado e de linguagem clara, tornando acessível a reflexão para pessoas que como eu, não fazem Computação.

  33.   Anônimo Covarde disse:

    Enquanto aqui os desenvolvedores estão se congratulando, em outro site as coisas começam a mudar:
    http://br-linux.org/2011/software-livre-nao-nasce-em-arvores-do-colonialismo-ao-extrativismo-digital/#comments

    O Sr. Mauro se posiciona corretamente: Não existe essa hierarquia de importância que vocês atribuem, mas uma relação de interdependência que envolve todas as áreas com 1 objetivo: entregar o melhor produto. Talvez seja por isso que vocês encontrem problemas de ter uma empresa patrocinando os seus projetos.

    Talvez falte essa maturidade: Perceber que não são o último biscoito do pacote, mas uma parte de um esforço maior. Isso se aplica *ainda mais* no caso de desenvolvimento comunitário: ninguém quer ter chefe nas horas vagas.

  34.   Samuel disse:

    Os “não desenvolvedores” estão levando o rumo do texto para outro totalmente fora do objetivo.

    Entendam que o que está exposto aqui é:

    “Temos muito de outras áreas, mas faltam desenvolvedores para contribuir aqui no Brasil”

    Acredito que um ponto importante para a falta de desenvolvedores, é o difícil acesso ao código para enviar possíveis correções. Alguns vão questionar, difícil? Sim, porque não fica claro, na maioria das comunidades, qual é o processo para se começar a codificar. Não fica claro “por onde começar”.

    Lembro que quando entrei na área, achava interessante a proposta de desenvolver software em uma grande comunidade que se ajudaria quando necessário. Aprender com desenvolvedores mais experientes e contribuir para um projeto significativo. Ao procurar o “por onde começar”, tudo parecia muito complicado, porque não dizer “inviável”.

    A primeira impressão é a que fica. Sempre que entro em um projeto SL, vejo o foco mais no download do produto, na apresentação do produto, no objetivo do produto e quase nada da parte de codificação.

    Quer mais desenvolvedores? Torne o acesso mais fácil! Não basta colocar “o svn é esse, o código está aqui. good luck!”. É preciso de mais. Torne o processo de submissão disponível e divulgado.

    Entrei na página do libreoffice, e encontrei um link “Developers”. Lá encontro algumas informações úteis pra quem quer iniciar, pelo menos baixando o código

    http://wiki.documentfoundation.org/Development/pt-br

    Todo resto me parece estar em inglês

    http://www.libreoffice.org/get-involved/developers/

    Quantos iniciam a graduação sabendo inglês?
    Cadê o trabalho de marketing pra divulgar “Precisamos de desenvolvedores!” ou “Venha desenvolver com a gente!”?

    Outra coisa que pude observar é que não tem documentação para quem usa windows. Quantos estudantes de computação utilizam Linux como único SO?

    Uso Windows como principal SO, apesar de administrar servidores com linux. Pra mim, o Windows é mais produtivo que o Linux e ponto. Não vou entrar na discussão filosófica de que “tudo que o Windows faz, o Linux também faz”.

    Preciso lembrar que a falta de desenvolvedores hoje é fruto da não “catequização” quando ainda estavam iniciando no mundo do software.

    Mais fácil ensinar uma criança a falar Russo do que um adulto, não acha?

  35.   Guilherme disse:

    Jomar,

    excelente texto. “Tragédia dos comuns” à parte – até porque a ‘propriedade’ imaterial é não-rival -, concordo contigo na visão de um desenvolvimentismo como oposição ao colonialismo e ao extrativismo de códigos.

    É matéria para muita reflexão – e, também, muita ação.

    Abraço,

    Guilherme

  36.   Anônimo Covarde disse:

    @Samuel

    “Não desenvolvedores” você quer dizer as outras pessoas que, apesar de contribuirem com tempo e trabalho como qualquer um, estão sendo colocadas numa classe inferior de contribuidor? Eu acho que essas pessoas merceram o direito de questionar esta posição.

    No mais eu acho que você, especificamente, acerta no ponto: Os projetos querem desenvolvedores, mas não tentam *formar* os desenvolvedores. A parte de desenvolvimento é sempre o oferecimento dos fontes e ponto. Ninguém se preocupa em orientar os programadores que queiram se unir ao time de desenvolvimento.

  37.   Eduardo Santos disse:

    @Samuel

    Concordo quando você diz que há realmente um problema de documentação para contribuir. Contudo, fazendo parte de uma comunidade que tem esse problema (dentre outras), eu entendo porque isso acontece. A maior parte da documentação é escrita por voluntários, e ela normalmente só surge quando há uma real necessidade. Quer dizer: pra que eu vou escrever documentação se ninguém vai contribuir?

    Aí você vai lá, perde um tempão escrevendo documentação por achar que esse é realmente o problema, e quantas contribuições chegam?

    Da próxima vez (ou na próxima versão) você vai pensar duas vezes antes de escrever documentação de novo.

    @Anônimo Covarde

    Só uma coisa que eu acho que precisa ser esclarecida. O que o post quer dizer (e que eu e muitos outros desenvolvedores de Projetos de Software Livre também) é que há um sério problema na cadeia de valor do Software Livre.

    Muitas vezes recebemos um “feedback” em que o usuário diz: “precisa melhorar isso no software”. E você olha pra quantidade de coisas que tem pra fazer e pensa que realmente precisa melhorar isso, mas que o esforço vai ser enorme. Aí vem a pergunta que todo desenvolvedor de Software Livre deve estar acostumado: e quem vai fazer?

    O Jomar ressalta várias vezes no post que a maior parte dos desenvolvedores é VOLUNTÁRIA. Isso mesmo, pode parecer um absurdo, mas tem muita gente por aí que não ganha NADA com isso, e tem a responsabilidade de atender o tal feedback do usuário. Ou melhorar o produto. Ou divulgar…
    Dois exemplos para ilustrar:

    1 – Mantenho um dos únicos portais do Governo que é totalmente desenvolvido em Software Livre e tem o código-fonte disponível na Internet. Sim, o código em PRODUÇÃO do Portal é aberto. Uma vez recebi o comentário de um famoso designer da comundiade me dizendo que o Portal era feio. E acho até que ele tinha razão, mas o único desenvolvedor era eu e não entendo nada de design. Aliás, nossa comunidade carece desse problema. Disse ao famoso designer que fizesse uma nova proposta de layout que eu implementaria. Afinal o código está na Internet. Será que eu recebi a tal proposta?

    2 – Estava uma vez no FISL numa apresentação de um software para reconstrução de imagens 3D chamado InVesalius. Conhecia os desenvolvedores à época, e fomos procurados por um gerente de hospital que estava assistindo à palestra. Ele disse: “poxa, pra eu usar só falta o software buscar a imagem direto no tomógrafo. Era o que eu precisava e o software X proprietário faz”. Perguntamos se era importante e ele disse que sim. Então eu disse a ele que com US$ 10.000,00 faríamos isso. Ele se sentiu ofendido e saiu. Detalhe: a alternativa proprietária custa US$ 30.000,00 a licença…
    Esse problema na cadeia de valor que é difícil de as pessoas enxergarem e que o Jomar (e Eu, e outros) queríamos apontar com o post.

    P.S.: Sabe o que recebemos quando desenvolvemos algo que os usuários realmente queriam? Um tapinha nas costas. E as contas continuam vencendo no final do mês…

  38.   Fernando Mercês disse:

    Jomar,

    Concordo em gênero, número e grau com todo o texto. Inclusive venho fazendo um trabalho na universidade com este apelo e pretendo atingir outras instituições. Sabemos que existem várias maneiras de contribuir com projetos de SL, no entanto, compartilho da opinião que desenvolvedor deve contribuir desenvolvendo. No caso de empresas, contratando desenvolvedores. É óbvio que o ‘core team’ é que move o projeto, portanto é particularmente importante uma atenção maior para esta equipe. Divulgar, usar, traduzir, suportar são importantes sim, mas o esforço exigido para tal é menor que desenvolver – não pela complexidade da tarefa, mas pelo conhecimento prévio do projeto exigido, afinal, para expandir uma linha de código geralmente é preciso ler e entender dezenas de outras linhas.

    Noto um grande fator impeditivo que é a pobreza do ensino universitário, o que renderia várias linhas de texto aqui, mas acho que posso resumir dizendo que num cuso de programação não se faz software e sim exercícios. Entender (para contribuir com) um projeto de SL fica muito difícil.

    O mal está na raíz e acho que é lá que devemos atacar.

    Um abraço.

  39.   José Murilo disse:

    Alô Jomar,

    Muito bom e oportuno o seu texto. Te convido a dar uma olhada no post lá no EcoDigital:
    “Em busca de um modelo de desenvolvimento aberto e distribuído em software livre para o governo”
    http://ecodigital.blogspot.com/2011/05/em-busca-de-um-modelo-de.html
    Seria muito bom poder trocar idéias contigo sobre este projeto.

    Abraço!

  40.   Anônimo Covarde disse:

    @eduardo eu acho que vale a pena responder o seu comentário ao Samuel, dizendo que aí você entra num círculo vicioso: Não faz a documentação que podia gerar contribuição, porque não recebeu nenhuma, mas também não recebe contribuição porque não fez a documentação. Que tal fazer direito porque é o correto?

    Na sua resposta pra mim, vamos por parte:

    1- Se você achou um absurdo quando o seu pedido de US$ 10000 pelo trabalho de melhorar um software livre foi recusado, por quê você não gostou quando o designer nunca te mandou um layout novo para o seu site? Designers, como programadores, são profissionais especializados que também tem contas para pagar, por um acaso o trabalho deles é inferior ao seu, para que possa ser enviado gratuitamente?

    2- Sobre este evento, o problema é que você não botou o seu dinheiro atrás das suas palavras. Procure se informar sobre startups. Funde uma. Daí venda por US$ 15000 para vários hospitais. Ninguém vai te bancar para fazer isso: Você precisa desenvolver pra depois vender uma solução. No mercado ninguém compra idéias, ainda mais as mirabolantes vendidas no FISL.

  41.   Eduardo Santos disse:

    @Anônimo Covarde

    Primeiro eu acho que você deveria se identificar. Não entendo porque o medo de se mostrar numa discussão, até porque não existe essa de Anônimo na Internet. Mas enfim, cada mente uma sentença.

    Pelas suas respostas acho que você não entendeu o que eu falei. Lembre-se: estamos falando de trabalho voluntário. Vou repetir porque muita gente parece não acreditar, mas a maior parte das pessoas não ganha NADA, absolutamente NADA, para desenvolver um Software Livre. Se você tem que fazer uma coisa de graça é sempre mais complicado, e normalmente falta tempo pra escrever documentação. E o que eu disse é que muitas vezes ESCREVEMOS uma documentação (como eu disse, a documentação existia), mas ninguém lê. Aí quando sai a próxima versão desanima fazer de novo pra ninguém ler de novo.

    1 – O problema não é o designer não ter enviado. A questão, como o Jomar colocou no Post, é que a comunidade é cheio de gente que adora reclamar que uma coisa não funciona direito, mesmo quando você NÃO ESTÁ SENDO PAGO pra fazer aquilo. Contudo, na hora de AS PESSOAS GASTAREM SEU TEMPO ajudando ao invés se só eu gastar o meu fazendo o que ele quer, a quantidade de pessoas é sempre menor, pra não dizer inexistente. O tal designer famoso devia achar que o tempo dele era valioso demais pra me ajudar, mas não tão escasso assim pra reclamar. Curioso não?

    2 – Acho que você não entendeu novamente: o software existe e funciona. Já conheço bem a questão de vender a solução, mas o ponto não é esse. Já não é mais necessário vender BrOffice no Brasil: as pessoas já conhecem. Mas quanto as pessoas estão dispostas a investir no software que elas usam? A questão que eu quis colocar é que o cara não se importa em gastar US$ 30.000,00 numa licença, mas acha um absurdo gastar 1/3 disso pra melhorar um software para que possa atender 100% suas necessidades. No caso, a imagem de que livre = grátis só atrapalha.

    Voltando à questão inicial: estamos falando da cadeia de valor do software. Empresas que vendem software livre estão ganhando o seu dinheiro (como o Jomar falou no post), mas os desenvolvedores, que são a base da cadeia de valor, quantos são? E quanto ganham?

    Por isso o termo extrativismo digital.

  42.   Anônimo Covarde disse:

    @Eduardo, e quem mais se encaixar, desculpa se estou te ofendendo por não estar me identificando apropriadamente. Não é essa a intenção, nem estou discutindo pelo prazer de ser contrário.

    Sei bem como é não ganhar nada com Software Livre. Se bem que normalmente ganhamos é aborrecimentos. Por isso que eu tenho uma regra: Se você não paga a pessoa, não enche o saco com a performance dela. Nisso, eu acho que estamos completamente de acordo! ;)

    Eu não acho que no caso 2 o problema seja o do “Free as in free beer”. O que eu vou dizer aqui eu não quero que vc leve ao pessoal, mas você levaria a sério uma pessoa te pedindo 10k em um congresso de software livre? Você abriria a carteira dos outros, na sua responsabilidade, pra sacar 10K e dar pra um desconhecido? Você há de convir que é complicado. A intenção não é te ofender, mas passar a perspectiva do diretor.

    Isso, eu acho que também diz respeito ao extrativismo digital: Nós não temos empresas que trabalham desenvolvendo SL. Sim, temos muita consultorias fazendo um trabalho excelente de criar soluções com partes diferentes do “ecossistema”, e devemos ser gratos por isto, mas não temos nenhuma grande desde a conectiva.

    Talvez o que é necessário é um pouco de empreendedorismo: Fundar as nossas próprias startups de tecnologia, baseadas em software livre. Tem um documentário de software livre (aquele que começa com o Eric Raymond, mas me foge à memória qual), e uma boa parte dos entrevistados eram donos de statups, na época.

    Será que o empreendedorismo poderia resolver este problema?

  43.   Eduardo Santos disse:

    @Anônimo Covarde

    Estou cada vez mais convencido que se alguma mudança acontecer será das novas empresas. O modelo mental que existe na “indústria” brasileira de TIC é vender a mesma caixinha mágica pra sempre ou terceirizar mão-de-obra para o governo. Isso não é tecnologia, e não ajuda o desenvolvimento dos tais Softwares Livres que estamos falando.

    Algumas empresas (lá fora) já entenderam claramente o modelo. O Google não é uma empresa boazinha empregando suas dezenas de desenvolvedores Debian e contribuindo muito com o kernel do Linux: é uma solução simplesmente comercial, pois eles entendem a cadeia de valor e precisam dos softwares. No Brasil, conheço muito poucas empresas dispostas a trabalhar realmente com desenvolvimento de Software Livre. Algumas delas até atrapalham ao contratar algum desenvolvedor de um projeto importante e botá-lo para fazer outras coisas que não relacionadas ao desenvolvimento do software.

    Enfim, estou desanimado nesse ponto. Não acho que teremos uma mudança a curto prazo na mentalidade das empresas, e continuaremos precisando pagar as contas. Só quem perde com isso é o Software Livre…

  44.   Diego Viegas disse:

    Recentemente, numa comunidade (lista brasileira) com 997 participantes, chorei minhas mágoas depois umas reclamações de gente que nunca ajudou e não parece nem um pouco disposta a ajudar – a resposta vai sempre na linha do “ahhh, vou falar com meu chefe, mas acho difícil podermos colaborar”.

    Meu lamento, entre outros motivos, foi em função de um convite feito algum tempo antes para a mesma comunidade se mobilizar, minimamente, apontando quais ações seriam interessantes neste 2011. Não pedi para ninguém colocar a mão na massa, apenas dar umas ideias, dizer o que achava importante, umas duas linhas de não-código bastavam. Eu sabia que a participação era baixa, mas o retorno zero absoluto me deixou abismado. Claro, há inúmeros .gov.br entre a maioria que prefere não se identificar e, confirmando o dito, o software em questão apresenta o Brasil como seu maior extrativista no SF.net.

    Então, por aí, concordo tristemente com o disposto pela maioria, ficando ainda mais desanimado vendo que o problema é padrão. Vou continuar e insistir mais um pouco, dentro de uma ignorância e teimosia que ainda confortam de alguma maneira, até quando o conforto durar, ou até que os software na nuvem (a la Google Apps) nos atropelem.

  45.   Carlos Rosalba disse:

    Jomar,

    Parabens pelo texto muito elucidativo e politizado. Colegas, parabens pelos comentários e pelas sadias discussões, acho honestamente que é disso que a sociedade brasileira precisa como um todo.

    Não vou comentar nada referente a questões técnicas ou de software e sim em um ponto que não foi mencionado e que na verdade talvez seja um dos objetivos alvo do Jomar, a busca pela MOBILIZAÇÃO.

    Essa palavrinha mágica, sempre mencionada nos meios políticos, que deve ser praticada no dia-a-dia e nesse pontos nós Brasileiros somos falhos, saber porque ?

    Porque o brasileiro em sua maioria é negligente com a política. Chega das desculpas e vamos assumir, cada um de nós o nosso papel. Não é o Jomar sozinho que vai resolver o problema da projeção e visibilidade do Software Livre, mas ele aqui faz um trabalho de plantio maravilhoso que tende a ecoar e replicar isso a comunidade. Se cada um fizer o seu papel com foco na mobilização o resultado é questão de tempo.

    Parabens e um abraço a todos.

  46.   Rômulo Cabral disse:

    Bastante grande, aliás imenso, porém esclarecedor e desafiador…

  47.   Rômulo Cabral disse:

    Esclarecedor e desafiador…

  48.   Pedro disse:

    Olá,

    Excelente texto!

    Não tenho muito conhecimento técnico ainda, mas gostaria de ajudar. Pode me indicar algum projeto com php, e como eu posso ajudar?

    Obrigado.

  49.   Phrix disse:

    Parabéns pelo texto, gostaria de saber quais são os primeiros passos a quem gostaria começar ajudar a programar, qual a principal linguagem utilizada, qual o projeto que mais esteja carente de desenvolvedores.

    Abraço.

  50.   Laercio disse:

    Texto fantástico e por isso resolvi deixar de vadiar e voltar a programar para colaborar com algum projeto.

  51.   nerd disse:

    Be the change you want to see in the world! (Gandhi)

    Não podemos fazer nada além de ser e mudar nós mesmos. Somente nosso exemplo e atitudes podem contagiar e motivar outras pessoas (ou não)…e tudo mudará ao nosso redor, ao seu tempo.

  52.   Jomar Silva disse:

    @Pedro:
    Um bom ponto de partida pode ser o portal do software publico brasileiro, pois lá em geral o desenvolvimento é feito por brasileiros e tudo está em português (e muita coisa em PHP também). O site do portal é http://www.softwarepublico.gov.br.
    O algoritmo em geral é: use software livre, encontre problema / limitação no software livre que você usa, faça uma correção ou um complemento a ele, devolva o código para a comunidade… simples assim :)

    @Phrix:
    Conhecer as linguagens existentes e saber onde cada uma delas se aplica é sem dúvida o primeiro passo. O Google é seu amigo… sempre ! (as que eu gosto: C/C++, Python e PHP… mas isso é como time de futebol)

    @Laercio:
    Parabéns… era isso mesmo que eu queria ver quando escrevi o texto !

    @nerd:
    Há alguns anos encerro minhas palestras com esta frase do Gandhi que você citou. Também me digo isso cada dia de manhã quando me olho no espelho, e te confesso que muitas vezes isso ajuda muito a superar as barreiras que o destino coloca no nosso caminho !

  53.   Christian Peixoto disse:

    Srs., em relação ao LibreOffice, vários governos estaduais e municipais já adotaram o padrão ODF para documentos. Não seria a hora destes governos cederem profissionais para ajudar na melhoria do software ou do padrão?

  54.   Wilkens Lenon disse:

    A maior dificuldade do Software Livre não técnica, mas cultural. Precisamos de uma mudança de mentalidade antes da migração técnica. Isso significa que antes de migrar do software proprietário para o Software Livre é preciso pensar de forma autônoma, renunciando a mentalidade de colonizados digitais. Portanto, se queremos indenpendência tecnológica, desenvolvimento de uma tecnologia brasileira que se imponha dentro e fora do nosso país, precisamos pagar o preço do aprendizado, da colaboração, do compartilhamento do conhecimento, de “quebrar a cabeça” usando software livre e ensinando os outros a usar, de convencer os nossos clientes de que essas tecnologias, em função das quais economizam muito dinheiro, não nascem em árvore, ajudando nossas universidades ao retorno da vanguarda da criatividade e da inovação, como nos tempos dos unix likes…enfim, estamos num bom momento para aceitarmos o desafio da reflexão proposta pelo nosso companheiro Jomar Silva e, efetivamente, falarmos bem mais alto a partir de comprometimento enagajado na causa GNU.

    Obrigado Jomar!

    Aproveito para convidara todos para estarem conosco durante o FISL12 no Painel Universidade e Software Livre: a Academia e o compartilhamento do conhecimento, para um debate sobre vários assuntos discutidos no texto acima. O Painel terá como convidados o professor Sérgio Amadeu – UFABC (idealizador do Trezentos), o professor Nelson Preto (UFBA) e o professor Alex Gomes – UFPE (fundador do Projeto Amadeus). Até lá!

    Abraços.

  55.   Clóvis Tristao disse:

    Parabéns Jomar pelo excelente texto, precisamos estimular a área de devel, temos que atuar mais nessa área ao invés de ficar “sugando” o que bem de fora. Realmente, em 1990, paramos no tempo e ficamos a mercê de outros países nesse quesito. Temos potencial e público competente para produzir projetos aqui.

  56.   Júlio Hoffimann disse:

    Parabéns pelo artigo, concordo plenamente com o que foi exposto, 100%.

    É triste ver o Brasil com todas as suas dimensões e potencial intelectual contribuir minimamente para os projetos open source. As idéias que você mencionou a respeito das universidades e das empresas que adotam o software são, sem dúvida alguma, o que falta para o “boom” no nosso país.

    Abraço!

  57.   Marcus Eniack Ilipra disse:

    Prezado Autor do texto e demais leitores,

    Meu nome é Marcus e sou profissional da área de TI há quase 30 anos. Já vi de tudo durante esse tempo, já fiz muita coisa também, como fornecedor, como usuário. Fui funcionário em uma estatal de TI, fui empresário, passando por consultorias de grande porte, de transnacional, etc.

    Quero primeiramente parabenizar o autor do artigo pela escrita serena, aberta e sincera, porém, gostaria de me “intrometer” na “comunidade” pontuando alguns aspectos deprendidos do texto, se me permitem, sem ofensas, começando pelo parágrafo de conclusão do mesmo :

    1 – O autor é muito feliz quando conclama o setor de TI brasileiro a “conquistar o seu espaço e reconstruir nossa indústria nacional de TI”; entretanto, me parece meio “quixotiano” se basear na filosofia do sw livre para fazer isso. Desculpe, não quero ofender ninguém, mas se o próprio autor diz “não acreditar em contos de fada”, eu não acredito nessa filosofia como pilar de desenvolvimento sustentável. Pode ser bonito para a academia, pode ser periférico para o mercado, mas ninguém investe ou acredita no que é de graça, sejamos honestos conosco mesmo. As pessoas preferem ter uma cópia pirata de MS Office a ter um LibreOffice em suas casas. E por que será ? Simples. Ninguém acredita naquilo que é gratuito. E aqui existe um grande erro da comunidade de sw livre “BRASILEIRA”, que é dar ao sw livre o atributo de gratuito. Nem no site da FSF.ORG isso é uma verdade. E aqui vai um primeiro pedido: DESMISTIFIQUEM ISSO !!!

    O verdadeiro desenvolvimento da indústria nacional de TI só se dará com investimentos sustentáveis e contínuos na área de formação do pensamento “abstrato”, formação técnica intensiva (iniciada no Ensino Médio), e no incentivo ao empreendedorismo. Vivemos em uma lógica capitalista e é assim que as grandes transformações são feitas. Vejamos a CHINA, que só “aflorou” como potência respeitável pelo mundo, após a sua fase de abertura e flexibilização com o mercado.

    2 – Outro comentário que quero fazer é sobre o trecho “Empresas que utilizam softwares livres deveriam ter desenvolvedores trabalhando no desenvolvimento destas soluções …”.

    Esse é outro equívoco na lógica de vocês. A empresa que utiliza sw livre, o faz porque consegue perceber reduções de custo (volto a frizar o equívoco brasileiro de atribuir “gratuidade” ao sw “livre”). Lembre que essa empresa é usuária de TI e não desenvolvedora, e assim, não irá prever na sua planilha, orçamento de desenvolvimento.

    3 – Um último comentário, para não ser muito chato, diz respeito a algo que vivi como funcionário público e refere-se ao trecho “Já temos diversas leis, decretos e instruções normativas no Brasil recomendando ou determinando a utilização de Software Livre e de Padrões Abertos em diversas esferas governamentais…”

    Os meus cabelos brancos já me ensinaram que “tecnologia” não se impõe por legislação, se impõe por fatos, por adoção de mercado. Você não imagina o passivo que existem em todas as esferas de governo com relação a licenciamento irregular (pirataria). E por que isso ocorre? Falta de fiscalização? Não acredito. Primeiro, se as soluções livres x proprietárias tivessem a mesma funcionalidade, suporte, interoperabilidade, etc, não necessitaria de legislação específica e coercitiva. A adoção aconteceria de modo espontâneo, podendo o órgão redirecionar este orçamento para outras áreas. Porém, as estruturas de governo preferem transgredir leis e decretos, utilizando tecnologia padrão de mercado (aquela de fato e não de direito), e assim, ser mais eficiente e eficaz no cumprimento de sua atividade fim (não esqueça que TI é atividade meio) dentro do governo.

    Obrigado pelo espaço e felicidades a todos !
    Meilipra

  58.   Helinton Veiverberg disse:

    Já li vários artigos bons sobre o software livre, mas o seu retratou a alma do nosso estado.
    Gostaria de ressaltar um fato de que quando se vai em um evento de software livre… fils por exemplo,
    se vê um monte de jovens estudantes inspirados… parece que todos sabem realmente o que é o movimento,
    más após o termino a ideologia acaba… isso é uma pena!!
    Espero sinceramente que um dia possamos dizer que nós amamos a liberdade
    em todos os sentidos.

  59.   Adelmo Souza disse:

    Olá Jomar, parabéns pela reflexão, contudo se ela não produzir resultados práticos serão só palavras. Quero dizer com isso que suas palavras não ficarão perdidas no tempo. Por exemplo eu mesmo estou terminando o curso de análise e desenvolvimento de sistemas no IFBA e fiz esse curso somente para me tornar um colaborador efetivo do SL, visto que minha área é a mecânica, sou técnico em mecânica. Já, inclusive iniciei contato com meu professor Sandro Andrade para participar juntamente com ele no projeto IFBA Linux. Espero que seu protesto, pode-se dizer assim, consiga mover outras mais pessoas para engajarem-se nisso que não é meramente um projeto, mas, acredito, é uma ação libertadora para o nosso país em particular. Mais uma vez, parabéns.

  60.   Marcio Campos disse:

    Parabéns,
    pela primeira vez vejo um artigo sobre o software livre sensato. A grande maioria dos artigos são totalmente ideologicos e são escritos por pessoas que nunca escreveram uma linha de codigo na vida e que vivem as custas dos poucos talentos brasileiros que realmente poderiam fazer alguma diferença.
    Sou da epoca da Cobra e da reserva de mercado. Me orgulho de ter participado do esforço brasileiro para se tornar auto-suficiente na area de TI Naquela epoca como agora o problema não esta na capacitação tecnica mas na politica.. Leia o livro “Embedded Autonomy” de Peter Evans e vc verá que a historia se repete.

  61.   Gabriel disse:

    Achei interessante o texto, e concordo bastante, só faço a pequena defesa, que não deixa de ser um mea culpa também, usando meu caso como exemplo: comecei a usar o Ubuntu na metade do ano passado, e me interessei bastante pela questão dos softwares livres (li relativamente bastante, acompanho alguns sites e revistas, como a Espírito Livre), mas apesar do interesse em ajudar no que fosse possível (não entendo muito de programação), sempre fiquei muito perdido e sem entender como poderia ajudar, não fazendo mais do que divulgação, me encaixando nesses últimos que citaste com interesse mas que não sabem o que fazer.

  62.   Rafael Louback Ferraz disse:

    Acredito que o maior problema do uso de softwares livres no desenvolvimento de trabalhos na Universidade, é que até boa parte do curso, talves maioria, o estudante não tem conhecimento suficiente para mecher com ele. Talves no final do curso ou TCC mesmo seja possível. Mas para talves a maioria do curso ainda não seja aconselhavel.

    Já vi um palestrante, que não recordo o nome, dizer que talvez seja interessante criar uma disciplina que se arraste por mais de 2 ou 3 periodos da faculdade (talvez mais), para que o aluno possa aprender como é que se organiza e desenvolve um projeto. De modo a funcionar como uma empresa junior de alguns cursos, mas de modo organizado pelo departamento e não por estudantes.

    Com isso teriamos uma especie de empresa, onde a Universidade teria tempo suficiente para ensinar a eles como trabalhar com projetos grandes. E talves fazer contribuições para o Software Livre.

  63. Jomar você está de parabéns….

    Senti que tomei uma dura em muitas coisas que você disse… após esta leitura me sinto mais obrigado a contribuir com os projetos, ando meio largado.

    Obrigado por nos fazer acordar!

  64.   Leocadio A. de Melo disse:

    olá, p4z & b3m!

    parabenizo os autores pelo excelente artigo.

    creio que haja realmente falta de ATITUDE das pessoas que usam SL!

    complemento enfatizando a falta de EDUCAÇÃO básica e CULTURA propiciadores de um verdadeiro desenvolvimento sustentável.

    conclamo as Instituições de Ensino Superior, principalmente as públicas a adotarem a bandeira do SL como ferramenta educacional e estratégica, incubando e gerando soluções; aí sim CRIATIVAS de verdade.

    quanto aos governos… aí entra e MERITOCRACIA e capacitação real para uso do SL… não somente decretos e resoluções. eu, p. ex., sou servidor público, entusiasta e usuário tímido de SL por não contar com nenhum tipo de incentivo seja para desmistificar ou combater as propaladas vantagens de softwares proprietários.

    é por aí.

    []s livres,

    @leoc4dio

  65.   Aurium disse:

    Uma coisa que brasileiro não conhece é “coerência”. Só isso explica a origem de quase tudo o que Jomar chamou a atenção.

    Brasileiro é capaz de concordar com o mal que o McDonalds faz a saúde do consumidor, a economia exo-EUA e moral do trabalhador, mas ainda assim vai comer feliz seu McBurguer.

    Fico impressionado de conhecer quase tanta gente de fora da área de TI fazendo contribuições sérias quanto gente da área, isso só pode significar que gente da área está fazendo quase nada! O mais absurdo é conhecer gente que sabe programar, usa SL e não contribui. E infelizmente tenho que ser respeitoso com esses parasitas.

    “Coerência”, no dia que o brasileiro souber o que é isso ou nos tornaremos um povo mudo ou aqui será o melhor lugar do mundo.

  66.   Rodrigo Vieira disse:

    Quando um texto é bom e embasado, sempre parece mais curto do que realmente é, parabéns e meus tapinhas nas costas. Falando sério, seu texto é o começo do fim dos tapinhas nas costas de quem se mata de trabalhar pra adubar e reciclar das entranhas os frutos que o extrativismo só quer colher. Conheço bem os “ativistas” meramente digitais que querem dar ótimas ideias pra ativista executar. E ainda se dispõem a dar pitaco, sem darem com um prego numa barra de sabão! Só se esquecem que pra cobrar é preciso pagar, em todos os modelos, de algum modo, e, sabemos: livre não é grátis. Saudações livres altamente internacionais daqui da Paraíba!

  67.   Carlos disse:

    Jomar, vc tem 1 email pessoal p eu entrar em contato??? Por favor, me passa…Obrigado

  68.   Antonio Jose disse:

    Olá, gostei do seu artigo e vejo a mais pura verdade, sou usuário de software livre, sou estudante de curso na área da informática e gostaria sim de atuar como membro de comunidades mas eu não sei ainda como fazer isso, então se alguem puder me esclarecer isso e me indicar um caminho, farei parte com muito gosto de projetos de software livre.

  69.   Anônimo disse:

    WordPress 3.3 XSS PoC

    <form name="XSS" id="XSS" action="http://192.168.1.102/wordpress/wp-comments-post.php?document.write(Date())” method=”POST”>

  70.   Fábio disse:

    Prezado Jomar: Como posso fazer para colaborar com projetos de software livre se não sei escrever código? Sou usuário do Ubuntu.

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