Trezentos

O início de uma multidão

OS AMIGOS DE ANA DE HOLLANDA

Por Carlos Henrique Machado Freitas

Nós brasileiros estamos assistindo a uma demonstração de fidelidade patética à ministra Ana de Hollanda, mais risível que as próprias políticas da atual gestão do MinC. Relendo cada artigo em sua defesa de figurões do medalhonismo cultural, não encontro uma linha minimamente racional de defesa de um projeto. Tudo é sistematicamente jogado na conta pessoal da ministra. Ninguém coloca em questão a gestora. Lógico que ela própria se diz, desde o princípio, com a faca na nuca, ora colocada por “petistas”, ora pelos “simpáticos” ao ex-ministro Juca Ferreira, ora pelos que “perderam a boquinha”.

Observando os termos usados pela ministra em defesa própria, vê-se com nitidez o quanto ela usa o caminho de fazer com que todas as críticas mirem na pessoa, no sobrenome de família, jamais em sua gestão. É esta a vida intensa da Ministra da Cultura do Brasil, convocar meia-dúzia de amigos para replicar seus bordões de autocomiseração. Bastaria que a ministra apresentasse os resultados de sua principal agenda, a “economia criativa” que geraria empregos e renda ao criador brasileiro, segundo ela, sua maior preocupação, calaria todos os críticos à sua gestão em uma única tacada. Mas cadê?

Estamos já com um quarto de seu mandato e os fatos concretos da vida cotidiana prolongam uma crise que se instalou de forma intensa logo nos primeiros devaneios da ministra, erguendo contra si uma legião de revoltados, não contra Ana de Hollanda, a pessoa, a cantora, a parente de ilustres personalidades da nossa cultura que continuam sendo reconhecidas como tal, por mais que ela insista em colocá-los como escudos humanos de sua gestão, dando pistas claras aos amigos que a defendem na mídia, normalmente partidários de José Serra, derrotado nas urnas para que eles usem as impressões digitais de Ana e não da ministra para que ninguém esqueça da pessoa, mas esqueça da gestora.

Tudo isso cria um grande marasmo no ambiente cultural. É um estímulo sistemático à imbecilização nacional no sentido de arrastar o povo para uma novela em que os heróis do MinC oscilam em defesa dos patrimonialistas da Lei Rouanet, do castelo de cartas do Ecad e da própria face pessoal da ministra. Tudo sem demonstrar um único e rasoável sentido em defesa de sua gestão.

Ana de Hollanda usa seus amigos para que eles gravitem como satélite contra milhões de brasileiros na mais engenhosa das engenhocas para se criar lendas virginais em torno de si e fugir das realidades hoje apresentadas pelo ministério.

O Ministério da Cultura está à beira de um barranco sem qualquer projeto, sem sentido. Ela mesmo convoca seus amigos para criar picuínhas brejeiras e enfiar inultilmente na toca do tatu os fracassos de uma gestão que não apresentou um passo sequer de evolução.

É como se diz por aí, a senhorinha busca na “goma alta” os prodigiosos carvões para trajar um figurino chique e de sobrenome para tentar limpar as maravilhas que ela tem feito dentro do MinC e lustrar suas botas. Alguém tem que dizer à ministra que nem os melhores padrinhos a bordo do MinC serão capazes de honrar uma mentira, uma formosa concepção de mercado que simplesmente não tem como se organizar.

Vamos aguardar o próximo fidalgo com o apito na boca exclamar que a ministra augusta já nasceu uma obra prima por conta do seu brasão. Quem sabe assim não plasmam em pedra e bronze uma estátua que está lá tecnicamente desafiando a própria anatomia da realidade.

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13 comentários para “OS AMIGOS DE ANA DE HOLLANDA”

  1.   Luciana Silva disse:

    Carlos Henrique,

    Não sou contra nem a favor a Ministra, o que me assusta e o que sou contra, é a burrice. Por favor, escreva textos mais lógicos, use menos emoção e seja mais racional, pense um dia ou dois, faça pesquisa, não ofenda os vendedores de rapaduras. E outra coisa… é nesse manifesto contra a Ministra que tem mais gente a favor do Serra, é loucura ou é cinismo, o nome mor a favor de Serra, Cansei está no manifesto, Regina Duarte. E outra coisa, a democracia diz que o voto é secreto, nesse meio aí tem gente que votou na Marina Silva = ou pior que Serra, por favor, menos!!! Agora, uma provocação, 300 e nada de bom saí daí, ao menos um bom texto? Por favor, galera, não adianta ser 300 se vcs não sabem escrever, esse ensinamento é milenar! Façam jus as suas faculdades públicas ou particulares! E ou colégios tb!

  2.   carlos henrique disse:

    Não sou contra nem a favor a Ministra “Luciana Silva”

    Blog do Nassif
    sab, 07/04/2012 – 03:38
    Luciana Silva

    Olá Pedro,

    Gostaria apenas de fazer um comunicado importante, participei de duas reuniões com o pessoal do Juca onde a pauta era discussão da lei rouanet. Porém, fiquei sabendo por uma amgia que por sua vez ficou sabendo por outra que fazia parte de uma lista de produtores, sendo que produzo cultura no grito há mais de 10 anos na zona norte do rio de janeiro. na reunião notei que tinham muitos produtores, grandes até e pessoas que vivem de colocar projetos na lei rouanet, quero dizer que cobram para colocar um projeto na lei, ainda que seja muito fácil fazer isso, existe essa função. O que quero dizer é que muita gente não foi convidada mesmo pois não pertence a essa lista, acredito que sejam várias. mas tem muito, muito produtor independente por aí, o Brasil é grande e o isolamento é quase inevitável, infelizmente. Algumas reuniões foram comunicadas pelo site do MINC, mas aí tá um outro x da questão, assim como o Miguel que é escritor , ele não depende do MINC para existir, assim como eu e vários amigos que agitam de Cordovil a Bangu. Essa é a questão e por isso vem chamando tanta atenção para o opositores da Ana, parece mais briga por cargo político do que pela cultura brasileira.

    Sobre a Lei Rouanet, nunca captei nada com ela, é bem difícil, a principio qualquer um pode usar a lei, pode ser o seu tio ou o padeiro mas daí a fazer as pessoas entenderem, acreditarem, é outra coisa.

    Acho que por conta dessa dificuldade em captar com lei muita gente ficou com medo de sem ela não conseguir nada mesmo.

    Outra coisa importante é que como o discurso é agressivo demais, muita gente nem se posiciona com medo de ser atacado. E triste tb é ver uma porção de gente que sequer ler os textos se posicionando. Vi as propostas da Ana apresentadas por ela na Camara. Existe proposta, diferente das do Juca mas existe. Sou do suburbio e acredito que é importante sim cuidar do patrimônio dos Museus, bibliotecas. O que vi na era Juca foi total descaso com esse patrimônio, vide o MNBA que está acabado, levei muito aluno de escola para ver exposições lá, tive aluno que foi estudar arte por causa das grandes exposições e hoje o Museu tá largado as moscas, começou com o Gil, greves + greve + obra e hoje ele não é nada, nem abrigando grandes exposições o número de visitação cresce. Uma pena. Acredito que a cultura brasileira se tornará cada vez mais forte se todos tiverem como se expressar e que a nossa memória e universal seja preservada. Para mim que tb atuo como educadora sei o valor que tem um museu e uma biblioteca, eu mesma fui transformada por eles!

  3.   Luciana Silva disse:

    Bom, se vc quer que eu fique num grupo, fico no a favor da Ministra, assinado com firma reconhecida, Luciana Silva! Li no informativo do site Trezentos que uma das características é a diversidade de opinião.. posso participar, ou preciso concordar com tudo, é uma seita ou um blog?

  4.   carlos henrique disse:

    Só para lembrar sua primeira fala (Não sou contra nem a favor a Ministra “Luciana Silva”)

  5.   martino flavio disse:

    é patético ver a casa de ruy barbosa criando perfis fakes (como essa luciana silva) para tentar fazer o contraponto. Ruy barbosa deve estar se revolvendo no tumulo. os amigos de ana operam na surdina….porque sabem que pega mal pra ela se aparecerem….

  6.   Felipe Radicetti disse:

    Aqui no Blog Trezentos, além de encontrar excelentes articulistas, além de encontrar alto nível de reflexão, não encontrei nenhum traço de mentira ou difamações. Devido a que fatos são vistos de frente e que são nomeados com precisão, o sofismo dos que consideram cada reflexão um “ataque” se iconiza no próprio ato em si. Mas assim são as manifestações, é preciso dar tempo para que aprendam a se expressar. É preciso contudo, apontar a impropriedades das afirmações e nisso não consiste censura de forma alguma. Parabéns ao Trezentos pelo importante papel de divulgar o pensamento daqueles que não contam com acesso a jornalistas orgânicos de grandes veículos da mídia, que publicam as pouco precisas informações enviadas pela gestão desastrosa do MinC. Esperamos impacientes por uma política compatível com o Brasil de hoje, de sua importância e expressão internacional.

  7.   Dudu Falcão disse:

    Me impressiona bastante o curto alcance dos que defendem esta gestão desastrosa, incompetente e irresponsável do MinC hoje. Basta, apenas, uma leitura imparcial dos fatos, evitando a comparação entre este ou aquele ministro, entre esta ou aquela gestão. Basta, com muito pouco esforço, pesquisar e encontrar os motivos de tanta insatisfação com esta gestão do MinC. Me impressiona a fúria que tenta sustentar o contra-senso, o insustentável. Não sou leitor assíduo deste, ou de qualquer outro blog, sou leitor casual. A resposta da leitora Luciana Silva é nitidamente marcada por uma ira invisível, oculta. Fiquei curioso em saber os motivos que levam a leitora a fazer uma defesa tão forte desta gestão do MinC, pois além da “provocação” que faz referência a um erro no texto; onde se lê “rasoável” no lugar de “Razoável”, não li nada que criasse, pelo menos em mim, um estímulo para um debate construtivo, se é que, neste nível, este debate pudesse sequer alcançar uma qualidade raZoável.

    Os defensores desta gestão do MinC estão, cada vez mais, sem argumentos?

    Quer criticar? Se informe. Se desarme, use o bom senso… Nada resiste a uma boa pesquisa!

  8.   Carlos Henrique Machado disse:

    “Luciana Silva”, dá uma pista simples. É só observarmos os mesmos trolls, que veremos que a sustentação de Ana de Hollanda é feita por um grupelho político mix que, estando de posse dos recursos públicos do MinC, podem negociar diretamente no balcão com alguns medalhões que se prestam ao papel de ser pombos da ministra. E esses poucos, como “Luciana”, que dependem da sustentação da ministra para a garantia de seus próprios pescoços. O Pavão tem o pé menor e mais feio do que imaginamos.

  9.   Márcia Fernandes disse:

    A tentativa do sobrenome fake “Silva” foi interessante. Ao menos demonstra algum senso de humor. Mas eu, que sou Santos, além de Fernandes, sobrenome mais do que corriqueiro neste Brasil, sei muito bem que o “Machado” de Carlos Henrique clama pela justiça. Salve Xangô!

  10.   Carlos Henrique Machado disse:

    Salve Xangô!

  11.   Patricia Ferraz disse:

    Caro/Valioso Carlos Henrique,

    Parabéns pelo excelente artigo, como sempre, bem realista e pertinente com o que estamos acompanhando no Ministério da Cultura. Uma lástima o retrocesso e a falta de um projeto coerente que mude nossa percepção da gestão desastrosa dessa tal de Hollanda.

    Agradecemos a toda equipe de colaboradores do 300 que constantemente nos apresentam leituras e reflexões de qualidade sobre os acontecimentos culturais desse nosso Brasil, ainda tão desigual.

    Continuem assim, orgulhando o povo brasileiro que clama por mais justiça. Nós somos 99%

    E viva a Cultura Viva!!
    Axé!!

  12.   Carlos Henrique Machado disse:

    Pois é Patricia, somos 99%, e, não podemos admitir que meia duzia dos de sempre neste ajuntamento funesto com seus palvrorios venham dar rasteira na CULTURA VIVA do Brasil. Venceremos!

  13.   Ricardo disse:

    sÓ DISCORDO DE uma colocação aqui!

    Dizer que o “ministrado” da gestão Ana de Hollanda “não tem um PROJETO COERENTE”!

    claro que tem!!!!!!! O das grandes corporações, multinacionais, e dos medalhoes da cultural que vivem do direito autoral recebendo dividendo enquanto saboreia um refresco embaixco do guarda numa praia qq enquanto o trabalhador mesmo, de qq classe, soa a labuta para ganhar o seu sustento, não tem privilégios providos pelo sistema estatal-juridico, auxiliado por pressões norte-americanas, atuais e de tempos preteritos.

    O projeto político não é que não é coerente. Ele é coerente SIM! Com O PROPOSITO A QUE SE DITOU ter!

    Do Juca/Gil o projeto era da cultura popular, do acesso á cultura, e do debate das leis e aplicações da cultura em base das relações sociais e necessidades sociais.

    Da Ana o projeto (é coerente tb, mas para PROPOSITOS TOTALMENTE DIFERENTES) que é manuntenção e o aumento de privilegiados para um micro grupo privilegiado de medalhões da area cultural brasileira, dos produtores locais, dos associados locais de multinacionais da cultura e do entretenimento e da grande industria de entretenimento norte-americana.

    A gestão de Ana é coerente com o “olhar” de Dilma como gestão de estado pensando UNICAMENTE nos grupos economicos e na economica (e claro, agradar ao patrão EUA). A gestão de Gil/Juca era coerente com o “olhar” do governo social de Lula pensando no estado como um agente plural de interesses plurais e por vezes inconciliáveis, como consumidor e produtor, tentando manter o status quo dos privilegiados e produtores, dos associados dos norte-americanos e dos mesmos mas abrindo espaço para discutir a entrada da sociedade e seus interesses sociais no compartilhamento da cultura e do conhecimento, no acesso ao produto autoral, diminuindo um pouco os privilégios dos mamutes que o seculo 20 formou e se inclaurou nos estados apodrecidos pelo capitalismo canibal.

    Dizer que o projeto da Ana é incoerente é uma incoerencia. Ele é coerente com o capital, logo com um governo tucano (daí as críicas “tucanos infiltrados”, ou melhor… “Dilma é de direita, é tucana, e enganou a todos”).

    Só que Ana parece se envergonhar ou melhor, acabar tendo que se re-explicar, dizendo que ela defendo o capital e os interesses de grupos hegemonicos já conhecidos (produtores, capital, EUA, ECAD, os privilegios que o direito autoral virou – em especial os medalhões, etc). A “economia criativa”, tão decantada por ela, é coerente com essa visão antropologica de mercado, ligada ao passado, ao imperialismo, e á refenlização da sociedade em prol dos interesses dos 0,1% mais ricos.

    Isso não deveria ser discussão para agora. Mas para a epoca eleitoral. Já que votamos na “esquerda” (continuismo) e isso não tivemos. Mas a culpa não é da Ana. A culpa disso é da Dilma Roussef, e todos parecem querere se cegar quanto ao fato.

    Votamos na Dilma, não na Ana. no pt E NÃO No PSDB. Mas a trairagem foi total. E que nos traiu ? Ana ? COITADA… quero mais saúde pra la! FOI DILMA!!! DILMA que deve ser cobrada. Ana SÓ RI quando le essas criticas, pois não a atingem. Pessoal perde tempo mirando no lugar errado.

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