Os verdadeiros urubus
Aconteceu mais de uma vez, durante o ano de 2007, quando eu fui repórter de geral em um jornal local. Acontecia geralmente quando me mandavam cobrir algo para as páginas que levavam a palavrinha “polícia” no cabeçalho. Mas sempre acontecia quando os envolvidos eram da classe média para cima.
Foram mais de 150 reportagens, mas um dos casos mais marcantes foi a morte de um pai e dois filhos (três policiais) quando um grupo de homens tentou assaltar a chácara deles, no interior de São Paulo. Foram feitos reféns, sabiam que seriam mortos se os criminosos descobrissem sua profissão e acabaram reagindo e morrendo. A cena era das mais tristes que já vi com meus próprios olhos, ainda que, infelizmente, não tenha sido a mais triste de todas: uma grande sala de velório com três caixões, um ao lado do outro, separados por um metro e meio. O pai no meio, os filhos nas pontas.
Eu não queria estar ali. Eu queria estar seguindo as várias pautas que, no fim, acabaram na gaveta depois que eu me demiti. Histórias sobre urbanismo, mobilidade urbana, os estudos que estava fazendo com os dados da Comissão Municipal de Direitos Humanos para debater o acesso da população aos direitos básicos, uma compilação sobre as ONGs que recebiam dinheiro do município, a investigação do possível envolvimento de fiscais da prefeitura no suborno de camelôs. Eu queria ajudar às velhinhas que ligavam no jornal pedindo ajuda para conseguir que a CDHU lhes pagasse finalmente o dinheiro do terreno que havia expropriado. Ou o senhor que fiscalizava o posto de saúde perto da sua casa e denunciava que os medicamentos ficavam expostos ao sol.
Mas me mandaram cobrir o triplo assassinato com requintes de crueldade, heroísmo e drama familiar.
Cheguei ao cemitério antes de qualquer outro jornalista. Éramos eu, o motorista do jornal, que precisou ficar no carro, e uma multidão de “parentes e amigos” entre aspas, composta em sua maioria por curiosos que estavam à tôa, moravam ali perto e queriam ver com os próprios olhos a tragédia. Carpideiras e carpideiros em igual porcentagem.
Não entrei na sala do velório nem só porque não era necessário, mas também porque ela estava abarrotada. Eu, com meu metro e cinqüenta e cinco, subi na ponta dos pés para observar o comportamento das pessoas e descobrir quem eram os parentes ou amigos próximos o suficiente para fornecer informações precisas, mas distantes o suficiente para estar emocionalmente apto para a tarefa de contar brevemente alguns detalhes sobre as três vítimas (a parte mais importante do crime). E sair de lá o mais rápido possível, rumo à delegacia para conseguir o resto dos detalhes da investigação.
Atrás de mim, me pergunta um homem:
- Você é jornalista?
- Sim. (Não preciso fingir que sou carpideira nem “parente ou amiga”, nao estava ali investigando ninguém.)
- De que jornal?
- Jornal Tal.
- Conheci um repórter policial que trabalhou lá. O nome dele é Fulano. Você o conhece?
- Já ouvi falar. Ele era de antes da minha época.
- Pois ele era repórter policial. Mas, ao contrário de você, ele era ético.
Eu era novata, mas esperta o suficiente para saber que a única resposta era “o senhor tem o direito de ter sua opinião, eu só estou fazendo o meu trabalho”. Poderia ter perguntado onde está escrito que todas aquelas pessoas estavam ali unicamente porque conheciam os mortos e vieram velar por eles. Ou tê-lo processado por difamação e o obrigado a provar onde, no código deontológico do jornalismo, está escrito que é proibido entrar no cemitério ou até na sala do velório ou qualquer outra norma que eu, ali longe e quieta, estivesse transgredindo. Ou perguntado o número exato de histórias de velórios que este amigo dele contou nas muitas mesas de bar.
Mas o que eu queria mesmo é dizer que eu estava ali contra a minha vontade simplesmente porque amanhã, as pessoas que, como ele, compram o meu jornal, vao querer ler sobre esse caso. E que, se ele não conhecesse esse pai e esses filhos, ou se estivesse longe do cemitério para ver o caso com os próprios olhos, era por culpa dele que eu estaria ali, contra a minha vontade, tendo que escrever sobre o triste fim desse pai e de seus filhos. No fim, chegou outro repórter e, como fazemos nessas situações, nos juntamos, esperamos até encontrar quem poderia falar conosco, e saímos de lá o mais rápido possível para continuar nosso trabalho.
Quem me mandava para esses lugares era o pauteiro. A tarefa do pauteiro é passar a pauta para o repórter no começo do dia, para que a matéria, no fim do dia, estivesse na página e o jornal fosse comprado. Se o jornal não é comprado, os anunciantes não anunciam, e o jornal perde receita, e o jornal fecha. E o jornal é comprado principalmente porque tem fotos insinuantes de mulheres, páginas e páginas de esportes, insultos ao partido político que você nao gosta e elogios ao que você tem seu voto… E casos chocantes como o dos três policiais, um pai e dois filhos, assassinados ao tentarem reagir a um assalto. Como o empresário que havia perdido a mulher num acidente de avião e morreu em outro acidente de avião, um jatinho particular. Ou o fato de o quarto sucessor ao extinto trono brasileiro estar no vôo que caiu na costa brasileira.
Talvez eu deva ter mais tolerância com o senhor que tentou me humilhar no cemitério que as pessoas que agora tentam humilhar quem está cobrindo o acidente aéreo da vez. Afinal, ele pode muito bem ter sido amigo do pai ou de um dos filhos, estava revoltado com a tragédia e descontou em mim sem querer. Mas aposto que você leu sobre esse caso. Ou pelo menos se lembra do acidente bizarro em que caiu o pneu do ônibus e matou um homem que estava no ponto esperando a condução. Pois é, também me mandaram cobrir essa pauta.
Um acidente aéreo tem mais destaque que o acidente de ônibus da equipe do Sertaãozinho por dois motivos, um válido e outro inválido: os acidentes ganham importância de acordo com o número de mortos, e de acordo com o envolvimento de pessoas da classe dominante. O motivo válido quem provoca são as circunstâncias. A culpa do motivo inválido é toda sua, classe dominante. Porque é você que compra o jornal, e é para você que os jornalistas escrevem.
Você, que está pouco se lixando para assuntos muito sérios, mas depois tenta mobilizar a blogosfera com uma campanha contra a operadora de telefonia que te tratou mal.
Você, que sabe o nome do único tripulante do avião que tinha nacionalidade brasileira. Que criticou a futura notícia que fariam com os passageiros que iam pegar esse vôo, mas por vários motivos se salvaram. E que depois leu essa notícia do começo ao fim. Sinto dizer, mas os jornalistas, nesse caso, não são os urubus. Você é o urubu que terceiriza o trabalho da busca pelos detalhes sórdidos que tanto te atraem. Está na hora de todo mundo começar a assumir sua responsabilidade.
Quer solucionar esse problema? A palavra-chave é uma só: boicote. Não compre o jornal. Leia pela internet só as notícias sobre política, cultura e, vá lá, pode ler sobre o seu time de futebol. Mas não clique na manchete do jornal. Faça com que o quadro com as notícias mais lidas do seu portal preferido esteja limpo do nome “Air France”. Durante a rodinha no bebedouro, se alguém mencionar o acidente, mude de assunto, em vez de repetir o que acabou de ler, muitas vezes com algum dado errado (porque rigor jornalístico só se aplica a jornalistas, os fofoqueiros estão isentos, certo?).
Faça com que os jornais tenham que se redesenhar e repensar seu conteúdo. Para que a próxima novata que chegue ao jornal e proponha uma pauta que investigue para onde foram todas as pessoas despejadas de terrenos privados, mas abandonados, pela Prefeitura, no último ano, nao tenha que escutar dos chefes a seguinte resposta: “fizemos um extenso focus group com assinantes do jornal e eles disseram que nao se interessam pelos problemas habitacionais da classe baixa”.
Eu me demiti para salvar a minha alma. Para poder dormir à noite. Por culpa das 90% de pautas que o leitor me forçava a cobrir, abandonei os 10% de pessoas que eu realmente ajudei. Como a esposa de um pintor que foi assassinado em uma chacina supostamente praticada por policiais, porque estava fora de casa na hora errada. Pai de sete filhos, o mais velho tinha 12 anos e por pouco não morreu junto.
Também me enviaram ao velório do pintor (chacina é coisa de pobre, mas rico adora ler sobre elas). Uma sala minúscula, abarrotada de gente, com muito menos “parentes e amigos” entre aspas, porque todos naquele bairro já tiveram um parente ou amigo morto dessa forma e já não necessitam de detalhes sórdidos. Quando eu me preparava para ir embora, a esposa do pintor me pegou pelo braço e disse: “muito obrigada por vir até aqui, vocês são as únicas armas que nós temos”.
A sorte das esposas dos pintores é que nem todos os jornalistas são tão fracos como eu.
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Atualização: escrevi esse texto após um impulso, e só depois descobri que meu amigo Yassuda (blogueiro e publicitário) havia publicado um com a sua perspectiva sobre os urubus. Acho que, no fim, eu e ele pensamos de maneira igual, e muita gente que comentou aqui também: todos, produtores e consumidores de informação, temos responsabilidade pela lama em que vivemos hoje. Como não posso responder sozinha se vamos todos dar as mãos para sairmos juntos da pocilga, antes de descobrir que se trata de areia movediça, vou simplesmente mudar a categoria desse texto de “jornalismo” para “utopias”.


pois é, bem bizarro esse negócio de tragédias. até agora nem sei direito o que era esse tal de air france, só sei coisas da E3 no momento hehehe. tava me sentindo meio culpado por isso, meio desumano por nem ligar pro que ocorreu… agora me sinto melhor. heh xD
Brilhante texto! O mundo que temos é o mundo que queremos. E enquanto continuarmos a só querer sangue e bundas nos jornais, será isso que teremos, infelizmente. É preciso uma reflexão profunda sobre isso. Senão continuaremos fazendo passeatas e protestos pedindo a redução da idade penal (clichê).
Entendo e concordo com tudo que está escrito… Também saí de um jornal, pois não surportei a idéia de cobrir mortes pelos detalhes da morte e não pelos problemas entranhados ali. Fiquei algum tempo insensível pra conseguir aguentar o tranco de ver, diariamente, crianças e adultos jogados no chão, com o local onde trabalhava interessado mais pela quantidade de tiros que pelas questões de injustiça e segurança jogadas na nossa cara. Quem compra jornal por causa de uma morte não pensa que é preciso alguém encarar aquele morto pro texto estar ali. Como jornalista, acho um preço muito alto pra algo de tão pouca relevância.
Parabéns pelo texto. Já havia lido sobre um jornalista (não sei se do Washington Post ou do New York Times) que entrou em profunda depressão pq em todo o seu tempo de jornalismo online, a notícia mais acessada havia sido “morre homem sodomizado por cavalo” ou algo desse tipo. Me lembro também de crucificarem William Bonner quando ele chamou o público médio do jornalismo da Globo de Homer. Há realmente alguma mentira nisso? Ninguém estranha que entre os assuntos mais acessados do Globo.com, esteja o termo “Nana Gouvêa”? Também já trabalhei com jornalismo online e me entristecia muito que ninguém tivesse visto a cobertura que fiz da FLIP, mas toda hora me falassem “Vi seu nome na matéria sobre o rompimendo da Siri com o Alemão.
Parabéns pela coragem. Como já disse o poeta, “Quanto mais miséria tem, mais o urubu ameaça”.
creio q vc tem um ponto. eu non me considero uma pessoa mt informada, nem das causas nobres e nem das fofocas, mas fico cá eu pensando com meus botões. um acidente como o da air france. será q non procurar por esse tipo de notícia non é, de certa forma, minimizar a importância q um acidente desses pode ter? afinal, nenhum avião deveria cair. enton simplesmente ignorar isso pode dar margem às empresas de negligenciarem mais ainda a segurança dos passageiros e a qualidade dos pilotos que contrata. é uma analogia à esposa do pintor. vcs são as únicas armas q temos para saber do mundo lá fora e do está acontecendo de verdade.
certo, non estamos falando aqui de exageros, de fotos dos cadáveres, de micro-detalhes, de notícia saturada na programação. mas, ao msm tempo, no mundo inteiro e non só no brasil, as pessoas se intressam pela fofoca e pelo sórdido. fato. e non eh hj, é sempre. a inquisição taí pra mostrar o quão pequenos podemos ser. a guerra fria e o perigo dos vermelhos. enfim. afinal de contas o ruim non eh saber sobre acidentes, mas SÓ sobre acidentes, sobre todos os pequenos acidentes e tragédias q acontecem diariamente, ignorando todo o resto.
o q me impressiona é uma jornalista profissional ainda se “absurdar” com essa constatação. não q vc deva abandonar seus sonhos utópicos de ajudar a população, independente de q parcela ela seja. só non acho q vc seja a heroína da história…. nobre talvez tivesse sido continuar lutando por uma midia de qualidade dentro da própria mídia. bom, mas eu tb non conheço seus planos e seu trabalho, enton posso estar jugaldo errado tb.
o q eu quero dizer é: non vai mudar o fato de as pessoas serem assim, de a revista contigo ser mais vendida q a national geographic ou a scientific american. é: apenas entenda os fatos q vc tem e lide com eles. produza jornalismo de qualidade apesar deles. espero q seja bem sucedida em suas empreitadas bem intencionadas. de verdade. afinal, todos precisamos disso.
Você, Ana Carolina, me deixou arrepiado.
Tenho uma amiga que estuda jornalismo, e ela precisava de algo, ao menos uma atitude, que a fizesse acreditar no ofício.
Entre pauteiros e pintores, muito obrigado.
saravá…
Ana Carolina,
Parabéns. Sua atitude é um lampejo neste mar imundo, escuro, de lama que se tornou o jornalismo mundial. Mostrou muito conhecimento do meio antecipando as inevitáveis matérias como o fulano-que-se-salvou-porque-perdeu-o-vôo e outros clichês da imprensa marrom.
Eu, como leitor e consumidor, também fiz minha opção.
Acredito que a gota d’água para mim foi o caso da menina da janela, de quem não consigo me levar nem a escrever o nome. O massacre da mídia sobre aquele caso, cada detalhezinho irrelevante e ínfimo, a overdose de notícias para manter as pessoas que não têm assunto com algo de que falar, me fizeram mudar um hábito de anos: Deixei de ouvir notícias no rádio pela manhã.
Depois deste episódio, deixei vencer minha assinatura de jornal, e não a renovei. Durante as manhãs, os assuntos repetitivos e sórdidos no rádio me fazem mudar de estação. Deixei de assistir aos noticiários.
Não quer dizer que me isolei; Trabalho diretamente com a Internet, e estou conectado o dia inteiro. Sei do que se passa no mundo. Mas atualmente estou me informando, me antenando, através de blogs de assuntos específicos, escritos em sua maioria por indivíduos independentes. São pessoas que dependem também de receitas de publicidade para terem o que comer, mas que estão em um ambiente em que os milhões de leitores, críticos e inteligentes, não perdoam um post infeliz ou um “Astroturf”. Locais onde se pode ler notícias, comentários, críticas de verdade.
Ainda acompanho notícias sim, mas sou muito mais seletivo. Como você o foi com seu empregador.
Meus sinceros parabéns pela coragem e pela atitude.
Anônimo, eu sempre pensei que tive certa sorte em ter entrado no jornal depois do caso Joao Hélio e saído antes do caso Isabella…
O meu empregador ñ é tanto o problema, porque sao todos assim: para sobreviver, PRECISAM desse conteúdo. Eu nunca quis trabalhar em cultura cobrindo shows e essas coisas, mas entendo quem curte. Só que nunca conheci alguém que adora sangue e mal pode esperar pra cair outro aviao. Podem curtir a adrenalina de tudo isso e ter estômago para aguentar a tarefa que acham necessaria.
os jornais cedem ao pedido do povo porque é fácil … o humano tem essa sede visceral, e daí? sempre tem alguém pra ler, assim como sempre terá alguém pra escrever, ganhar dinheiro com isso.
a sede de sangue desse ‘povo’ veio bem antes do jornal. se é o jornal que alimenta essa necessidade, porque o povo é o culpado por continuar lendo?
ninguém é culpado, alguns são oportunistas.
parabéns!
Puta texto, dona ana.
arrepiei.
Quero saber sobre o acidente. Quero saber as causas, o que houve, o numero de mortos, se as buscas encontraram alguém. Mas não quero saber sobre o cara que estava indo assinar o contrato de gravação do album que ia mudar a vida dele; tampouco quero saber sobre a moça que não embarcou porque o salto dela quebrou na rampa do aeroporto.
Informação é o suficiente, obrigada.
É isso mesmo, Aninha. A nossa profissão é feita, muitas vezes, deste quase canibalismo. Homem que come a carcaça de outros homens em cima de um monte de letras publicadas nos jornais. Ainda bem que a nossa profissão também é feita de escolhas.
Beijos
Jonz, eu estava dizendo a um amigo agora que a culpa é de todos. Alguém falou bem antes nos comentários: temos o mundo que queremos. Quem faz o mundo somos nós, juntos, agora. Ñ adianta fingir que ñ é com você.
Porra, que texto foda. Parabéns.
De fato, precisamos de uma reformulação não somente por parte dos geradores/organizadores de conteúdo, mas também, por parte dos receptores do conteúdo gerado. E acredite: Não é uma fraqueza ter pedido demissão de um jornal por um motivo tão plausível.
Os teus textos tem uma qualidade indescritível. Tua assinatura é bastante singular e a tua vontade (leia-se revolta), talvez seja tão comum com as minhas que talvez possa se associar ao não menos extraordinário fato de, de repente, numa pesquisa boba, dois geminianos se encontrarem. O emissor e o receptor.
P.S. Preciso falar com você. Assim que puder, entre em contato.
P.S. [2] Não, não sou nenhum psicopata, nem mais um pervertido na massa. =P
Skellington
Sugiro ver o belo filme “O Pagador de Promessas“. Entre outros temas, aborda a “urubuzisse” dos jornalistas.
ótimo texto. é uma pena isso mesmo. graças a deus eu sou jornalista que escreve sobre música, cinema e moda apenas. tomara que eu continue assim.
É por isso que seus textos na “La Voz de Galicia” são meu favoritos. E por isso que imprimo alguns. É pelos anônimos, Ana, que tem que valer a pena. As medidas são diferentes: o que é bom espero que entendam e o que vira SPAM, deleto sem ler.
Sim, me emocionou seu texto.
O seu texto me fez reagir no Twitter, divulgando o tema. Concordo com a conclusão sem ter precisado amargar as mesmas situações.
Não existe jornalismo isento: nós sempre escolhemos causas para defender, ou mais amiúde, somos forçados a defender coisas em que não cremos.
Parece que para sermos jornalistas honestos inexoravelmente deveremos, em algum ponto, a abandonar o que institucionalmente é chamado de jornalismo – aquilo que os empregadores e clientes jornalísticos esperam de nós, em lugar do que julgamos pessoalmente ser relevante e justo.
Não acho que isso seja fraqueza. É escolher um campo de batalha onde não soframos apenas derrotas.
A tragédia, o horror, é que os empregadores e clientes buscam promover exatamente o que o público quer.
E o público, tomado coletivamente, é um animal sem educação, sem cérebro e sem compaixão.
Mega bom pra fazer a gente pensar!
clap! clap! clap!
Carol, uma historinha: quando eu estava no velório da minha mãe, fui comer qualquer coisa e uma moça me parou e falou “Oiiiiii, tudo bem? Vamos fazer amizade no cemitério, quem morreu?” – Quando eu soltei o “Minha mãe. Não quero amizade, valeu” – é que ela se tocou da merda que tinha falado. Só quem tem idéia do que é a morte, sabe como tudo que você não quer é gente urubuzando, perguntando, se metendo.
Não desmereço o trabalho dos jornalistas – a informação precisa ser levada a sério – inclusive seu texto conflita com um que li esses dias, sobre o Senna. O problema é que as pessoas gostam mesmo é de ver tragédia, como a Lalai disse, pelas mensagens parecia que as pessoas QUERIAM que ela tivesse morrido – tem noção de como isso é sádico?
Por isso, eu apoio seu boicote. Aliás, eu já apoio faz tempo e sem saber…
E, parabéns, é um dos melhores desabafos que li nos últimos tempos.
Concordo completamente com o texto. Penso em ser jornalista, mas temo essas mesmas situações. Assim como as outras profissões que eu viso…
Se essa situação não mudar, creio que vou ser só blogueiro e não “jornalista de jornal”
Ótimo texto.
entao ana, eu acho que jornalista tem que aguentar umas barras mesmo. mas é aquele lance: “nao vou trabalhar na globo porque nao gosto da globo…!”. isso é muito utopico de quando a gente eh sonhador e esta na faculdade. voce tem potencial para mudar as coisas de dentro… afinal, se estamos tao preocupados com a situaçao da midia atual e queremos que mude, nao adianta querer que ela mude se voce resolve trabalhar em uma floricultura onde tudo é lindo e maravilhoso. as vezes a gente acha que nao aguenta, mas aguenta sim, com essa paixao e vontade de mudar o mundo dá pra fazer alguma coisa. bj
O seu texto foi um dos mais belos e inteligentes que li nos últimos tempos. Eu, que sempre critico o papel nefasto da grande mídia, e acabo por vezes generalizando a classe jornalística, faço aqui mea culpa, pedindo desculpas por colocar uma profissional como você no mesmo balaio de gente que não vale o que come. Ao mesmo tempo, digo com a alma lavada que fico aliviada por saber que nem tudo está perdido. Acabo de ler o seu perfil e vi que você está na Espanha. Espero que volte logo ao Brasil, pois o seu país precisa DESESPERADAMENTE de jornalistas como você.
Parabéns e obrigada pelo excelente texto!
Ó, concordo em gênero, número e grau. Nem precisa ir muito longe para mostrar como o conteúdo é reflexo das mesmas pessoas que reclamam dele. Metade da minha lista de contatos matou a @lalai. As pessoas desejam (mesmo que não admitam) estar de alguma forma ligadas à tragédia. Somos nós, a classe dominante que compra o jornal e que paga pay-per-view no Big Brother, mas seria apenas uma questão de classes? O conteúdo não é replicado nos veículos dito “populares”? Não vejo pautas destinadas a melhorar a vida da classe C,D,E ou a discutir assuntos que realmente as afetam nesses veículos. Vejo novas formas de se vender para a classe C/D/E (e como profissional do outro lado do balcão…é só o que eu vejo no movimento corporativo). Eu também sei que indústria cultural e whatever é fruto da classe dominante, mas será que o problema não está muito além das classes? Se a esposa do pintor tiver a oportunidade ela não vai se comportar exatamente igual a nós? Eu ando desanimada com a humanidade. No fundo, como o @robgordon_sp diz: a humanidade não deu certo.
Apesar de tudo isso eu ainda tenho um pouco de esperança. Tava em Algodoal no Pará conversando coma Dona Margarida que viveu praticamente toda a vida na ilha. E ela me falava de como era bom o tempo que lá não tinha luz. As pessoas se reuniam ao final do dia para conversar e fazer serenatas. Hoje todo mundo vai consumir novela e Big Brother em vez de conversar.
Talvez no twitter, nos blogs, na webesfera de uma maneira geral a gente consiga recuperar um pouco dessa humanidade perdida. Ler pessoas como vc, a @cristalk, a @acessibilidade e saber que tem gente aí fora que pensa no que realmente importa. E, mesmo que os deslumbrados ainda sejam a maioria, um dia a gente vai conseguir mudar esse mundo para melhor.
O texto está muito bom, com exceção do seu conselho para que não se leia sobre o acidente da Air France.
A cobertura da imprensa nesses casos de acidente aéreo é uma porcaria mesmo, mas pelo exagero, não pelo simples fato de existir! Um acidente aéreo é um fato relevante, e segurança de voo é um assunto que tem que estar na pauta.
Eu não clico em reportagens sobre a vida dos fulanos que morreram. Esse assunto não me interessa, e agradeço à Air France por ter erguido uma barreira que impediu a imprensa de documentar o desespero dos parentes — coisa que a Gol e a TAM não fizeram.
Mas clico, sim, em reportagens sobre as buscas dos destroços do avião, e sobre as possíveis causas do acidente. Apurar tudo o que for possível sobre isso é assunto de indubitável interesse público.
Não jogue fora o bebê junto com a água do banho.
Carol, parebens pela coragem e pela escolha de vida. Nao eh qualquer jornalista que coloca a etica e o juramento aa informacao acima do salario no final do mes obedecendo a pauta dirigida pelo departamento de marketing. Gostei do grito de guerra ao boicote! Qual aviao?
Ana Carolina Moreno, eu não finjo. Eu, assim como você e outros que querem mundanças, fujo.
Tem que ser gênio pra conseguir mudar as coisas hoje.
Não é tomando uma atitude brusca, como a sua, que as pessoas vão parar de ler sobre tragédias.
A sua atitude no máximo vai fazer com que pessoas que simpatizem com sua linha de escrita te sigam por onde você vá, e que consiga alguns novos simpatizantes com o passar do tempo.
Se todos que escrevem sobre isso decidam fazer o que vc fez, tomar uma atitude e sair de onde estão, os responsáveis pelo jornal continuarão a contratar estagiários despreparados que apenas querem um emprego bom no currículo. Um grande F para a integridade jornalística.
Se você queria mudar as coisas, o que te faltava para mudar o lugar onde estava?
A genialidade que falo é essa, como trazer algo bom e útil a população e ainda ganhar dinheiro com isso? Sanar os leões da ganância?
Entende o que quero dizer? Não estou te criticando, quem sou eu, mas só quero entender esse tipo de atitude, pessoas descontentes e revoltadas com o trabalho em nome dessa integridade que abandonam o barco pra nadar na direção oposta.
Você atingirá mais pessoas de hoje em diante com suas novas pretensões do que no antigo trabalho?
Resumo assim, você pode ser a melhor engrenagem do mundo, mas sem uma máquina, você não é nada.
Concordo com cada uma de suas palavras. Basta apenas adaptar elas ao litoral paranaense.
Bem, jonz, eu não disse que você finge, disse “você” no sentido geral da coisa.
Não saí em nome de integridade nenhuma. Eu entendo perfeitamente o motivo pelo qual o jornal é como é e também os obstáculos para mudar o que precisa ser mudado. Não disse “cansei de brincar de mudar o mundo, nhé pra vocês, que eu vou pra casa”.
Quando digo que eu saí para salvar a minha alma, não é porque eu sentia que o diabo tava ali com alguma oferta. É porque a minha alma estava murchando. De tristeza, entende? Desolação, descrença. Amava aquele lugar, as pessoas com as quais eu trabalhava, falo com elas até hoje, passo pautas, ajudo com personagens.
Mas aproveitei uma oportunidade para dar alguns passos para trás e ver esse mundo no qual estava imersa à distância, para ver se poderia compreendê-lo melhor e descobrir se é ali que eu quero tentar mudar as coisas. Ainda não descobri.
Kakah querida, é um pouco isso mesmo… Quando é com a gente, queremos privacidade. Quando é com os outros, é difícil segurar o instinto de descobrir um pouco mais.
No jornalismo, a gente apura um monte de coisas que não é publicada. Mas temos que apurar, até porque essa informação extra pode desmentir outras informações importantes. Em muitos casos, quando a morte é do tal “interesse público” (e um acidente de avião é sim interesse público), é difícil agüentar tanta imprensa em cima, mas com o tempo os próprios parentes se organizam para transmitir informação. Inclusive porque, depois que o assunto é esquecido e eles querem pressionar a empresa aérea pra conseguir a indenização, aí não falta gente ligando pra jornalista tentando emplacar uma notícia nova no jornal.
O jornalismo é uma ferramenta muito poderosa. Não pode ser tão suscetível a interesses mesquinhos como lucro e curiosidade.
Eu sei.
E por favor, não me entenda mal.
Minhas indagações são mais pra me entender do que pra entender a sua atitude ( a qual ficou bem clara e é perfeitamente normal ).
Sei bem o que é um trabalho que traz tudo isso que você sente.
Desejo de verdade que você encontre esse caminho que te trará felicidade e acrescentará algo a esse mundo no qual vivemos. Torço por isso, por você, por mim, e por aqueles que querem um mundo melhor.
Bem feliz de ler um texto critico, muito bem e muito além do que aparece na T e até mesmo na internet sobre o caso.
Jornais de Cuba, dos Emirados, da Venezuela, a direita ou a esquerda não tem a liberdade que os nossos têm. E não podemos esquecer que o jornal diário, a noticia, não é só feita de histórias lindas e edificantes. Justamente a busca por todo e qualquer fato em uma notícia acaba por encontrar sua história emocionante nos escombros de um prédio caído.
E essa liberdade que o jornal tem é grande parte por conta do público plural que nós temos. Mostrar os fatos – com erros que são discutidos pelos próprios jornais ou pelos concorrentes – vai além do caderno de cultura. Não adianta a gente apontar o dedo para o senhor que compra o jornal e corre para a página de cotidiano. Ele lê o que lhe apetece, aquilo que lhe trará assunto para a roda do dominó mais tarde. A vida é muito mais complexa do que as páginas de internet que deveriam acabar com o jornal impresso. Em negrito.
E para quem diz que o jornal é só sangue e bunda, pergunta para um ex-funcionário do NP se ele não tem saudades da liberdade de expressão – essa mesma solicitada com razão neste texto – que ele tinha no jornal e que cativou públicos distintos.
Acho que foi por isso que abandonei o curso de jornalismo.
Perfeito texto. Irretocável
Melhor texto que já li nos últimos tempos, mesmo.
Ganhou um leitor
Abs
Se eu pudesse, elogiaria muito, mas muito mesmo, seu texto. Diria que foi escrito com a alma sem intermediários. Envolvente. Arrasador. Escreveria aqui que sua franqueza soa muito mais alto que sua fraqueza. Vira força.
Mas, infelizmente, seu conteúdo não permite elogios. Só reflexão.
Olha, me identifiquei horrores com esse seu desabafo. Eu mergulhei de cabeça em pautas sobre movimentos sociais, cobri desocupações, mostrei a versão da história dos necessitados, tomei cassetete de policial na cabeça. Consegui essa proeza num jornal de cidade satélite, durou dois anos, até que um dia um vereador da cidad pediu minha cabeça e fui demitida.
Não me arrependo de nada e fico feliz de saber que não era a única a me importar com essas coisas. Ler seu texto me fez muito bem, obrigada.
Será que nossa profissão ainda tem futuro? Gente como a gente consegue se sustentar? Tomara que sim, não quero mais escrever matérias para suprir a cota diária da necessidade de consumir violência dos nossos ávidos leitores, espelhos de seus jornais.
excelente texto, ana. devia ser obrigatório pra qualquer estudante de comunicação, para entender que a gente não tem esse controle do que cobrir e de que forma cobrir e de se questionar sempre porque, afinal, o que é notícia?
Ana, gostei do teu texto. Sabe o que é curioso? Eu faço o que tu recomendou há anos.
Eu não consumo fofocas, nem acidentes ou afins. Se bobear, mal consumo as besteiras (e que bseteiras!), do meu time. Talvez eu esteja errado ou talvez eu esteja simplesmente me protegendo de um maremoto de estupidez.
Quem diria que em plena “era da informação”, as vezes é melhor ficar alienado. Um pouquinho que seja.
Abs!
T§
Ótimo texto, análise precisa e, ao mesmo tempo, emocional dos fatos.
Parabéns.
Um abraço
Sua atitude não me pareceu de fraqueza. Mas sim de força e autenticidade. Realmente, salvou sua alma. Se nos submetermos à pressão da vida e dos outros acabamos por esmorecer. Você não, optou por seguir seu próprio caminho depois de descobrir que a realidade é diferente do que se fala da profissão. Passei por algo semelhante.
Só não acredito que se possa mudar a natureza humana. Os espíritos adiantados já boicotam as notícias em questão naturalmente. Nessa confusão que é a vida, nós é que temos que mudar e nos adaptar, e não esperar que o mundo melhore e se molde ao que somos.
eu acho q o darkgabi esta certo. concordo plenamente, ele disse tudo. soh uma pessoa loka diz q naum eh importante noticiar a queda do aviao. o q eh errado eh sensacionalizar, ficar indo atras de quem quase entrou, mas nao entrou. mas sei lah, as pessoas querem ler sobre isso. obvio que muito mais importante que isso eh denunciar a empresa de aviao que cometeu a tragedia e descobre o porque tudo aconteceu. pessoas precisam viajar de aviao tbm, e eu acho q todo mundo ficou mais inseguro de viajar com akela companhia agora. entao nos precisamos saber afinal o q aconteceu nakele voo. logico q tem as entrevistas com os familiares das vitimas pra vender jornal, mas se vende eh pq as pessoas querem ler sobre isso. e sei lah, eu to dando voltas jah, espero q tenha dado pra entender meu ponto.
Carolina, primeiro parabéns. O texto é inteligente e traz à tona uma questão óbvia, porém não compreendida pela maioria dos leitores que comentaram o texto, mas que você, pelas respostas dadas, percebeu claramente: estamos tratando aqui de lei de mercado (oferta e demanda).
Não adianta ficar indignado com o pauteiro ou o dono do jornal, como você bem disse “O meu empregador ñ é tanto o problema”. As pessoas que consomem o jornal querem isso. E num mercado livre, deve e sempre haverá alguém disposto a suprir esta demanda, para ganhar dinheiro. Eu, se pudesse, investiria em um tablóide. Não leria as notícias pois não gosto. Quando leio, leio como tom humorístico (dei risada com o comentário da notícia de um homem sodomizado pelo cavalo). Mas enxergo como um bom negócio.
O problema que vejo nesta discussão toda é o fato de que hoje os jornalistas sonham com uma carreira e vêem que hoje, sua mão-de-obra é utilizada para escrever histórias bizarras do cotidiano. Ou seja, é um caso de “muito jornalista para pouca gente querendo jornalismo sério”.
Quando alguém se torna jornalista, deve saber que não há mais espaço para que sua mão-de-obra seja aproveitada. Ou que há muito pouco espaço. A grande maioria é contratada para suprir essa demanda dos leitores por bizarrices. Fica claro para mim que é um problema de adequar o nome da profissão, assim como já se faz com o nome dos jornais. Tablóide é um termo hoje utilizado para caracterizar o conteúdo da notícia (apesar de originalmente o termo se referir somente a formato de página). E acho que não existe mal nenhum em eles existirem. Se os jornalistas ficam bravos com o fato de que têm que cobrir notícias bizarras, que mudem de profissão. É preciso entender que o público que quer consumir o jornalismo sério é pequeno. É preciso entender que hoje as universidades formam milhares de jornalistas por ano. Logo, é matemática simples: a conta não fecha.
Se alguém quer ser jornalista sério, saiba que haverá 300 (pra usar o nome do blog) pessoas para cada vaga de emprego sério. E que se você quiser comer, terá que cobrir velórios de chacinas.
Caso você confie em si mesmo, vá em frente e ganhe a vaga dos outros 299. Caso contrário, pare de reclamar e troque de profissão, pois o mundo não quer pagar para você escrever sobre política, economia ou denúncia séria.
O mercado funciona assim. Não é questão de mudar o seu jornal como disse um comentário acima, criticando você por ter saído do jornal.
O mais fácil? Mudar o nome de jornais assim para um novo nome: entretenimento mórbido, ou o nome que você quiser.
Só não acho que vale a pena se revoltar contra as pessoas que devem consumir o que têm vontade. Não existe público para filme de terror? Não existe público para filme pornô? Hoje, os jornais trazem isso. Mudem o nome então. Ou melhor: não existem filmes baseados em fatos reais? (Vivos, Caso OJ Simpson, e muitos outros sobre tragédias? – É a mão inversa).
É preciso se revoltar com as pessoas que consomem isso e depois reclamam. Isso sim. Afinal, pelo que entendi do post original, a reclamação da Carolina é sobre a questão da coerência. Do sujeito que consome sangue no jornal e depois reclama. Nada mais que isso.
O resto é mercado. E sinceramente, quem escreve criticando o que as pessoas devem ou não ter vontade de ler, deveriam procurar um trabalho ou uma terapia, para parar de ficar se preocupando com a vida e vontade dos outros, pois ao sugerirem isso, estão se preocupando com quem gosta de sangue, assim como os que gostam de sangue, se preocupam com o caso Nardoni.
Coerência Já!
PS. Eu não assino nenhum jornal, adoro ver futebol na TV e odeio esportes radicais. E quando a emissora coloca um programa sobre skate, ao invés de mandar um email criticando, eu mudo de canal, pois sei que há milhares de pessoas assistindo ao programa de skate. O mundo não foi feito só para mim. Se todos entendessem isso, simplesmente virariam a página policial do seu jornal.
E aos jornalistas que não gostam de tragédia, não cubram tragédia, assim como o repórter de futebol não cobre o campeonato de skate.
Quem faz as pautas são os leitores, agora, quem faz os letores?
Excelente texto! Parabéns! Você está certa: nós somos os urubus… Nos últimos anos, os noticiários são quase que integralmente ocupados pelos temas que você falou. Às vezes, dá desânimo de ler ou assistir: a gente já sabe o que vai encontrar.
@Popysp
Querida filha,
lindo e verdadeiro texto!
Como sempre, você me levou às lágrimas por expressar com tanto talento o sofrimento humano.
Espero que sua ética continue intacta com tudo o que você ainda vai enfrentar na vida e na profissão.
Parabéns e saudades.
Diva
Ana, excelente texto, ele deixa claro o trinômio Jornal, Jornalista e leitor. Não deixa duvidas de que o Jornal visa sua sobrevivência, e atende às expectativas do leitor que é o verdadeiro urubu. Na pratica não sei quem fez o leitor urubu, não creio que seja uma característica nem social nem regional, pois vemos no mundo todo tal comportamento resultando da midia x leitor.
Poucos veiculos ideologicos conseguem romper esta simbiose, mas o custo é geralmente alto, a perda de leitores, de receita. É um entrave ao mundo ideal que sonhamos e desejamos, ou um ajuste para a realidade de que todos somos perfeitamente imperfeitos, e muitas vezes hipócritas na tentativa de colocar em prática aquilo que determinamos como nosso ideal. Neste ponto, como dizia Raul Seixas, prefiro ser uma metamorfose ambulante. Na verdade um dos meus “esportes prediletos” é o ataque á midia, e deixou claro que não ao jornalista, que na maioria das vezes tem de fazer o “trabalho sujo” em troca da sua sobrevivência financeira. Nem todo jornalista tem a sua CORAGEM, de romper com esta relação predatória como você fez, você não foi covarde e sim corajosa, pois é muito mais dificil, numa sociedade capitalista, abandonar o capital do que o ideal, e esta é uma escolha que aparentemente temos de fazer, pois o ideal e o capital dificilmente andam juntos.
A sua mãe que comentou acima, ressaltou um grande valor, a sua ética, e gostaria de adicionar mais uma qualidade, a sua coragem, quem dera mais jornalistas tivessem coragem de fazer o que você fez…
Belo, belíssimo artigo. Já está linkado entre meus favoritos.
Excelente mesmo!!!`Parabéns!!
Olha em meu blog coloquei como seria a estória do Chapeuzinho Vermelho visto pelos principais meios de comunicação de nosso país, afinal quanto mais senssacionalismo melhor!!! Vende-se mais cremes Naturebas e Implantes dentários, enquanto que a verdadeira noticía passa a ser instrumento de chamada para o Merchandising.
Um Grande abraço a você
Julio Cesar
http://transbrasil.wordpress.com
Por isso que não leio jornais e não vejo televisão. A Internet e os blogs vieram pra preencher essa lacuna, a saber, a das pessoas que querem informações, não circo armado por conta de uma tragédia ou outra.
Quanto a defesa da classe jornalística, creio que você fez seu papel. Talvez você não seja urubu, e acredito nisso, mas infelizemente a profissão está infestada de idiotas que não sabem nem o mínimo para ser jornalista: escrever. Se existe demanda por notícias sórdidas também existe jornalista especializado nisso. Aliás, jornalistas e advogados são os piores tipos de pessoas que uma sociedade imatura e desacostumada com democracia como a nossa pode ter. Mas são males necessários. Claro que nem todos são pessoas descartáveis, quiçá a maioria não o é, mas infelizmente, em um país dominado e habitado por ignorantes, são estes imbecis que se destacam.
Parabéns por sua coragem em abandonar esse “jornalismo” e se dedicar aquilo que realmente importa para você. Se boa parte da classe tivesse sua inteligência e sensibilidade, tenho certeza que seria muito mais agradável ver TV ou comprar um periódico na banca.
CAROL ! NAS MINHAS ANDANÇAS JÁ PASSEI POR COISA PARECIDA, MAS NÂO SABERIA CONTAR MELHOR. JÁ TE DISSE QUE ADORO COMO ESCREVE? AH! PARABENS! EU JÁ TE CUMPRIMENTEI ESTE ANO ?
Ana, ótimo texto.
Parabéns em colocar de maneira direta e emotiva o que nós, dessa categoria que só apanha, sentimos, mas não temos como combater.
Abraços
Emocinante.
nossa que oror !