Os Pré-Cogs estão chegando! Caiu o diploma!
Os Pré-Cogs estão chegando!
Fim da exigência do Diploma de jornalista abre novas formas de lutas pós mídias digitais
(Ivana Bentes para Carta Capital http://tiny.cc/O9pHk)
Finalmente caiu o diploma de jornalista! Em votação histórica no Supremo Tribunal Federal.
O fim da exigência do diploma para se exercer o jornalismo no Brasil (como em tantos paises do mundo inteiro) abre uma série de novas questões e debates sobre o campo da Comunicação pós-midias digitais, bem mais interessantes que o velho muro das lamentações corporativas. Agora, será necessário constituir novos “direitos” para jornalistas e não-jornalistas, free-lancers, blogueiros e midialivristas terão que inventar novas formas de lutas, comuns.
O fim do diploma tira da “invisibilidade” a nova força do capitalismo cognitivo, as centenas e milhares de jovens free-lancers, autônomos, midialivristas, inclusive formados em outras habilitações de Comunicação, que eram impedidos por lei de fazer jornalismo e exercer a profissão e que, ao lado de qualquer jovem formado em Comunicação, constituem hoje os novos produtores simbólicos, a nova força de trabalho “vivo”.
Vamos finalmente sair do piloto automático dos argumentos prontos “de defesa do diploma” que sempre escamotearam alguns pontos decisivos:
1. O fim da exigência de diploma para trabalhar em jornalismo não significa o fim do Ensino Superior em Jornalismo, nem o fim dos Cursos de Comunicação que nunca foram tão valorizados. Outros cursos, extremamente bem sucedidos e disputados no campo da Comunicação (como Publicidade) não tem exigência de diploma para exercer a profissão e são um sucesso com enorme demanda. A qualidade dos cursos e da formação sempre teve a ver diretamente com projetos pedagógicos desengessados, com consistência acadêmica, professores de formação múltipla e aberta, diversidade subjetiva e não com “especificidade” ou exigência corporativa de diploma.
2. As empresas de jornalismo e comunicação são as primeiros a contratarem os jornalistas com formação superior. NA UFRJ, por exemplo, os estudantes de Comunicação e Jornalismo são “caçados” pelas empresas que dão preferência aos formados, com nível superior em Comunicação, por que mudariam?
3. Esse papo de “quem é contra o diploma faz o jogo do patrões”, é uma velha ladainha, repetida no piloto automático da frases feitas. Raciocínio que é bem mais conservador e retrógrado que o próprio discurso das empresas/mercado que precisa empregar quem tem formação de qualidade. Que precisa de profissionais qualificados,capazes de entender os novos ambientes pós-digitais, capazes de fazer redes e de inovar em diferentes campos.
4. Os jornais já burlam a exigência de diploma pagando os MAIORES salários da Redação aos não-jornalistas, cronistas, articulistas, editorialistas, muitos SEM diploma (a exigência de diploma nunca alterou esse quadro!). As Universidades não precisam formar os “peões” diplomados, mas jovens capazes de exercer sua autonomia, liberdade e singularidade, dentro e fora das corporações, não profissionais “para o mercado”, mas capazes de “criar” novos mercados, jornalismo público, pós-corporações.
5. Nada justificava a “excepcionalidade” do diploma para os jornalistas que criou uma “reserva de mercado” para um pequeno grupo e que diminuía a empregabilidade de jovens formados em cinema, rádio e TV, audiovisual, publicidade, produção editorial, etc. proibidos pelo diploma de exercer…..jornalismo.
Até agora, nenhuma entidade corporativa defendeu nem pensou em uma SEGURIDADE NOVA para os free-lancers, os precários, os que não tem e nunca terão carteira assinada. É hora das associações, federações, sindicatos mudarem o discurso do século XIX e entrarem no século XXI buscando uma nova forma de SEGURIDADE PARA OS PRECÁRIOS, OS NÃO DIPLOMADOS, OS MIDIALIVRISTAS, o fim do diploma aponta para essas novas lutas.
O raciocínio corporativo constituiu até hoje uma espécie de “vanguarda da retaguarda”, discurso, fabril, estanque, de defesa da “carteira assinada” e “postos de trabalho “, quando no capitalismo cognitivo, no capitalismo dos fluxos e da informação o que interessa é qualificar não para “postos” ou especialidades (o operário substituível, o salário mais baixo da redação!), mas para CAMPOS DO CONHECIMENTO, para a produção de conhecimento de forma autônoma e livre, não o assujeitamento do assalariado, paradigma do capitalismo fordista.
A idéia de que para ter “direitos” é preciso se ‘assujeitar” a uma relação de patrão/empregado, de “assalariamento”, é uma idéia francamente conservadora!
O precariado cognitivo, os jovens precários das economias criativas estão reinventando as relações de trabalho, os desafios são enormes, a economia pós-Google não é a Globo fordista, não vamos combater as novas assimetrias e desigualdades com discursos e instrumentos da revolução industrial.
Devemos lutar não por cartórios do século XIX, mas pelos novos movimentos sociais de organização e defesa do precariado, lutar pela AUTONOMIA fora das corporações, para novas formas de organização e seguridade do trabalhador livre do PATRÃO E DA CORPORAÇÃO.
A General Motors nos EUA e as fábricas fordistas não vão falir sozinhas, levarão juntos o capitalismo fabril, patronal, corporativo e o arsenal conceitual, os discursos, que não conseguem mais dar conta, nem explicar, as mudanças.
Acabou o diploma de Jornalismo, mas o diploma/formação de Comunicação nunca foi tão importante! Vamos agora pensar o jornalismo público, o jornalismo do comum! E, antes que eu me esqueça: isso não tem nada a ver com “neoliberalismo”, vamos parar de repetir duas ou três frases clichês!
Existem hoje “revoluções do capitalismo” (titulo do belo livro de Mauricio Lazaratto, inspirado em Antonio Negri e Gilles Deleuze).
Não é a toa que a garotada prefere ir para as Lan Houses ao invés de entrarem para as corporações.
A Comunicação e o jornalismo são importantes demais para serem “exclusivas” de um grupo de “profissionais”. A Comunicação e o jornalismo hoje são um “direito” de todos, que será exercido por qualquer brasileiro, com ou sem diploma.
O capitalismo cognitivo está constituindo um novo processo de acumulação globalizado, que tem como base o conhecimento, as redes sociais, a comunicação, o “trabalho vivo” (Negri. Lazaratto. Cocco), existem, claro, novas formas de exploração e assujeitamento, mas também novas formas de luta!
Adeus ao proletariado fabril, diplomado ou não, viva o precariado cognitivo, os Pré-Cogs que estão chegando e são a base da comunicação, base das tecnologias da informação, base da economia do conhecimento, que alimenta a inovação e as novas lutas.
Viva a formação superior em Comunicação, em Jornalismo, viva as Escola Livres de Jornalismo e as novas dinâmicas mundanas de ensino/aprendizado e trabalho “vivo”.
Ivana Bentes é professora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, é formada em Comunicação com habilitação em jornalismo, especialização em Filosofia, autodidata em audiovisual e estuda novas mídas on-line. Twitter @ivanabentes
45 comentários para “Os Pré-Cogs estão chegando! Caiu o diploma!”
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Vejo que isso pode representar um avanço acadêmico, com estudantes que escolhem o curso pelo interesse no estudo e na qualificação e não apenas por um certificado. Se eu fosse professora, teria muito mais estímulo em dar aulas para turmas assim.
Parabéns pelo bom nível das argumentações.
abraços
Opa, grande notícia… um bom passo aqui presse nosso paisinho
~~
ótimas argumentações mesmo, como disse a Sarita Bastos ali acima. tá todo um tema o lance da precarização do trabalho e da vida pelo monopólio das técnicas de informação.. muita gente ainda fica aí babando pra tv e ficando numa miséria de corpo e alma.
só não entendi o que quis dizer com “pré-cogs”, Ivana Bentes. é uma referência àqueles 3 médiuns do filme Minority Report que orientavam a polícia a capturar assassinos natos momentos antes da perpetração do crime?
Claro que o fim do diploma trará novas configurações do campo e novas lutas.
Os Pré-Cogs, Enrique (é uma brincadeira sim com os três personagens de Minority Report, sintonizados com o futuro, o devir, com uma nova sensibilidade), mas também uma abreviação para “precariado cognitivo”, a nova força e a nova “classe” de trabalhadores do capitalismo do conhecimento (segundo os teóricos do Capitalismo Cognitivo).
Não é mais o proletariado clássico, os trabalhadores da fábrica, que conseguiram a carteira assinada, mas o precariado, as forças livres, autônomas e precárias, pagas avulsas, a mercê de ocupações temporárias…mas que podem se organizar de novas formas, inclusive via redes tecnológicas, essa é a nova multidão (Negri, Hardt) que fará diferença…
Muito bom, vamos vulgarizar e banalizar a profissão! O texto está bom, mas não faz da profissão valorizada. O diploma seria um passo para valorização e não para tornar a profissão corporativista! Você provavelmente não deve fazer jornalismo e não deve saber o que é estudar para “nada”.
Ter diploma como exigência não vai impedir que outras pessoas se expressem. O diploma seria mais um incentivo por um jornalismo profissional e também pela disseminação de novas idéias. Ter diploma não significa não ter autonomia, e ai você desvirtuou completamente todos os seus bons argumentos.
Publicitários e radialistas tem suas respectivas áreas de atuação também, eles que lutem pela exigência do diploma deles então.
Clara, sou professora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, formada em Comunicação com habilitação em jornalismo, ninguém mais do que eu tem interesse na valorização do campo da Comunicação e do Jornalismo, e o fim do diploma não vai “desqualificar” os profissionais, ao contrário, vai valorizar ainda mais quem tem formação e pode isso sim acabar com os cursos ruins e “caça níqueis”, que viviam de “vender diploma”.
Talvez sim professora, mas ainda acho que a existência do diploma não impede que exista a melhoria das faculdades, não impede que exista a liberdade de expressão e jamais pode ser associado com algum tipo de censura. Vivemos em um país burocrático, e isso é um fato a ser aceito, certo?! O diploma assegura ao jornalista pelo menos 50% da valorização que é você estudar por quatro anos, fora cursos e mestrados, doutorados, pós… A sensação de que estamos estudando para “nada” é muito ruim, porque qualquer um pode chegar pra você e falar “jornalista? grande coisa” e não é bem assim que funciona. Nós somos preparados para exercer essa função, especificamente para isso, no mínimo temos mais discernimento daqueles que não estudaram, não digo capacidade, porque existem pessoas talentosas, mas me refiro muito mais a técnica. Se existem cursos ruins, então o MEC não está fazendo um bom trabalho. Agora simplesmete facilitar para pessoas que não sabem o que é jornalismo, fazerem jornalismo?! Ai eu não concordo!
Eis meus argumentos:
http://olicruz.wordpress.com/2009/06/17/o-fim-da-exigencia-do-diploma/
É triste ver o descaso que a nossa profissão é tratada no Brasil. Como a Clara disse, aqui acontece muito de falarem “jornalista? grande coisa” e eu sei porque senti na minha própria casa. A vez que eu tive mais orgulho de dizer que sou jornalista foi nos dois meses em que passei fora do Brasil, estudando, por acaso, jornalismo numa escola do Canadá. Era quando eu falava “eu faço jornalismo no Brasil” e as pessoas me olhavam admiradas, como se eu fosse uma pessoa extremamente culta, inteligente e séria. Alguns se espantavam quando eu brincava, porque achavam que jornalistas eram pessoas muito sérias, que lidam com coisas complicadas e perigosas. E ei, somos assim mesmo! Porque na hora de entrevistar alguém importante, uma pessoa perigosa, não tem como mandar alguém sem preparo. Se você parar na frente do Presidente e falar “e então, o que você vai perguntar pra ele?”, um jornalista formado tem dificuldades para pensar em algo forte, imagina um que não tem preparo.
A sensação de estudar, estudar, apresentar trabalhos, projetos e tudo mais para competir com alguém sem diploma pela mesma vaga é muito ruim. É só bonitinho ver que quem continuar, é por amor à profissão… mas valor mesmo, nenhum!
é, agora, qualquer zé mané que acha que sabe escrever pode se conmsiderar um jornalista. nossos jornais serão compostos de matérias com nariz de cera (quem é jornalista sabe muito bem o que é isso), qualquer um, sem conhecido da ética jornalística terá a liberdade de escrever qualquer porcaria. quero saber quem vai responder por informações errôneas? afinal, quem tem diploma tem todo um respaldo, já o zé mané… quero só ver o tanto de luciana gimenez que nosso lindo e democrático jornalismo brasileiro terá.
outra coisa: a liberdade de expressão já existe! vide os blogs, sites pessoais e colaboradores de jornais que existem por aí! o argumento da liberdade de expressão nada tem a ver com o diploma de jornalismo.
gente, estudei 4 anos pra quê? pra concorrer com qualqeur um que acha que sabe escrever? que não sabe porra nenhuma de ética e blá, blá blá… enfim, se preparem, pois seus olhos verão cada cosia absurda.. e o pior. não terão culpados!
por fim, comparar jornalista com um cozinheiro (sem entrar n omérito dessa profissão) foi uma analogia sem qualquer nexo. tá, irei decorar todas as leis e vou advogar, afinal, advogado é isso, não é?? é um decoreba filho da puta das leis e só!
Concordo com o texto. Todos falam em diploma. E esquecem que, na faculdade de jornalismo, tiveram uma formação. E é fato que as empresas dão valor, sim, ao “formado em jornalismo”. Não é necessário se preocupar, portanto, com o diploma. Ele só serve para ser pendurado na parede; a sua competência adquirida na faculdade, essa sim, não deve ficar pendurada. Se colocada em prática, a pessoa será valorizada no mercado, sem dúvida alguma.
Quantos profissionais que tem diploma são incompetentes nesse mundo? E isso vale para QUALQUER PROFISSÃO. Portanto, adquira competência e deixe seu diploma pendurado na parede ou guardado na gaveta. Ele terá o mesmo valor.
Uma vitória, pode ter certeza. Ou estaríamos todos que temos blogs ou emitimos opiniões na rede mundial de computadores desfalecendo… Seria um novo AI-% só que revestido de teor de lei legitimada.
http://viagemaleatoria.wordpress.com/2009/06/17/sobre-diplomas/
http://viagemaleatoria.wordpress.com/2009/06/18/sem-diploma/
Bom, eu sou arquiteta e urbanista e bem que eu gostaria que caísse a exigência do nosso diploma. Acho que com isso os bons profissionais não seriam prejudicados e nos livraríamos sim, dos compradores e principalmente dos vendedores de diploma.
Na verdade, só para constar. Eu trabalho há 13 anos com arquitetura e nunca precisei mostrar meu diploma, nem no Brasil nem fora dele.
Na UFRJ, vc dá aulas de culinária e de costura tb?
oi ivana, fico feliz pela decisão do STF, mas não entendo bem o que é o “capitalismo cognitivo”.
é verdade que existe uma exploração capitalista das informações produzidas e distribuídas hoje, principalmente na Web, mas não acredito que o volume maior, o grosso desse caldo, venha a atender “demandas do mercado”, mas as demandas expressivas dos cidadãos…
ótimo seu texto e pontos, Ivana.
Evaldo, já se dá conta de quão machista e escroto voce é?
“No meio da convulsão social em que a França está mergulhada, os meus colegas do Le Monde arranjaram ânimo para descobrir, a propósito do CPE, que a etimologia de precário, do latim precarius, remete para aquilo que é obtido pela oração (de precari, «orar, pedir através da oração»). Empregos vacilantes como a chama de uma vela, rematam.” http://letratura.blogspot.com/2006/04/etimologia-precrio.html
miséria da filosofia filosofia da miséria?
concordo com quem disse que já há liberdade de expressão; não creio que precisemos de marcos-zero para sua existência. como diria hakim bey, nossa autonomia só pode existir se já nos considerarmos
livres.
isso que falaram sobre o comunicador ser melhor sacado nas ruas e nas empresas se portar diploma selado é foda, mas é real. acho uma pena que ainda existam pessoas que julgam e descartam a partir desses critérios…
+:
concordo: evaldo magalhães tem pavorzinho de mulher.
Na condição de autêntico pré-cog (a expressão vai me deixar traumatizado pelo resto da semana), estou muito contente com a queda da exigência do diploma; na verdade, por outros motivos: jornalismo é o tipo de profissão que só se exerce bem quando agrega diferentes formações, é o que há de mais próximo da interdisciplinaridade no mundo prático. Com isso, a exigência do diploma específico me pareceu sempre como um contra-senso, ops, contrassenso, pra não dizer uma tolice. Nem por isso acho que vá mudar grande coisa na vida dos frilas, midialivristas e outros pré-cogs como eu. A precariedade está instalada em todos os setores na minha geração. O único que parecia a salvo era o mercado financeiro, mas agora que eles também estão com a corda no pescoço, ficamos cá deste lado de braços abertos para recebê-los também na precariedade.
Lamentável que a diretora da Escola de Comunicação da UFRJ pense assim. Vale deixar claro que esta não é a postura dos alunos da faculdade. Se fosse feita qualquer forma de votação, ficaria evidente que os alunos da ECO defendem o diploma não apenas como valorização da profissão, mas como uma maneira de impedir que indivíduos que desconhecem os conceitos da ética no jornalismo assinem como tais!!!
O texto é muito bom, impecável. Mas, no mundo real, as coisas são um pouquinho diferentes deste castelinho bonito e bem construído que você pintou. No mundo mundo real, contemporâneo, trabalhadores-jornalistas são explorados e obrigados a produzir cinco ou seis matérias por dia, num ritmo frenético, e sequer sem direito a pausa para um lanche. Eles viram a madrugada, se necessário, e no final das contas não recebem uma hora-extra. É isso que acontece com a maioria dos jornalistas. Cronistas, articulistas e não-jornalistas já trabalham nas redações pela legislação atual, como colaboradores, e por isso recebem mais do que o repórter, por exemplo, que faz o trabalho de base. Sabe o que é isso? É o mesmo que faz um peão numa obra da construção civil. Agora, já imaginou aumentar infinitamente a oferta de trabalho, sem uma exigência de qualificação mínima e de regulamentação para tal?
No seu batente, jornalistas chegam a dizer e escrever o que não pensam – ou que não vai contribuir para um mundo melhor- porque a “maré não está para peixe”. E só sabe disse quem sente na carne de trabalhador a pressão das corporações (elas vão continuar existindo, e mais, do que nunca, fortalecidas com essa nova face do monopólio da informação ).
É essa a rotina dos “trabalhadores vivos”, da imprensa brasileira atual. Só enxerga a questão como corporativismo quem está de fora deste mercado, e talvez querendo entrar se deixe envaidecer, mas não compreende a sua realidade e importância social.
Todas as profissões são constituídas como campos, e como tal, têm certa autonomia. Uma regulamentação é importante para lidar com as táticas e e estratégias políticas provenientes da autonomia deste campo. Não é uma simples questão de vender a força de trabalho, e de incluir os milhares de precários (aliás me estranha como você comemora este fato!).l
. Os precários não deveriam existir, pois eles representam a desvalorização do trabalhador. “O fim do diploma tira da ‘invisibilidade’ a nova força do capitalismo cognitivo”, mas também institucionaliza a exploração total da mesma. É isso que queremos? Pergunte aos jornalistas veteranos, que chegaram a trabalhar sem diploma na sua juventude. O diploma contribuiu para a melhoria do campo de trabalho, para valorizar, ainda que minimamente, aquele que vende a sua força.
Quem compreende o que é consciência de classe (pelo seu texto, presumo que vai responder que isso é uma coisa do passado e atrasada) mas, quem sabe pelo menos na teoria o que é isto, entende bem a ação do STF . É, na prática, a desmobilização dos trabalhadores-jornalistas, a fragilização da sua sua consciência coletiva. Agora, eles são formalmente vistos como indivíduos, e que vendem o somente trabalho intelectual. Mas estamos falando de um sistema empregrador constituído como uma indústria.
Lembre-se que a atual crise é fruto da falta total de controle das instituições …
Ivana, falar muito não é falar bem.
Tu não tem a noção das consequências e desdobramentos que essa infeliz decisão vai ter.
Verônica
Em matéria de noção, 10 prá você. 0 para a Ivaninha.
Cara professora Ivana,
Sinceramente não creio que o fim da exigibilidade do diploma vá melhorar a qualidade do jornalismo produzido no Brasil. Você tem bons argumentos para defender sua opinião, mas eles não são suficientes para justificar a precarização de uma profissão que ao longo dos anos lutou pela sua regulamentação e reconhecimento neste país. E isso não é mero corporativismo.
O fato da existência do diploma nunca afastou dos jornais os não-diplomados. Eles sempre estiveram e estarão lá. Porém, a partir de agora, os jornalistas com formação caíram na vala comum dos que “para nada estudaram”. Concordo que não basta ter o diploma e se acomodar achando que apenas ele trará segurança profissional. Estudar para saber o que fazer é imprescindível, mas tão mais importante é ter habilidades em diversas áreas do conhecimento, ofício básico de qualquer jornalista que se preze.
Essa decisão do STF, articulada pelo ilustríssimo peessedebista atual “dono” do STF (viva Serra em 2010!) e seguida pelos demais ministros, em nada beneficiará o nosso já precário jornalismo. Precário não apenas pela deficiência e descontrole do ensino brasileiro, mas pelos espúrios interesses dos donos da grande mídia, aliás, autores da ação que culminou com tal decisão.
Se já existiam os antiéticos que escreviam o que queriam os patrões, imaginem agora com as redações tomadas por quem quer apenas o “status” de jornalista.
Pobre Brasil (cada vez mais!).
Viva à liberdade de expressão.
João Paulo Fonseca
Jornalista
Texto lindo, de fato. Mas me soou tão utópico que até me deu preguiça de pensar numa resposta bem fundamentada pra dizer o óbvio: a nossa realidade é bem outra.
Geiza, foi exatamente isso que me ocorreu, a princípio. O texto é original, bem construído, mas soa àquelas utopias comunistas. Por inconsistência argumentativa ou por falta de chão sólido, ruem. Não é novidade saber que quem não é jornalista quer pegar uma caroninha. O interessante é saber que tem jornalista caindo na esparrela. Ora, os argumentos contra o diploma defendidos aqui ou no STF servem contra qualquer profissão.
Estão administrando pela exceção: um matemático ou físico pode ser melhor que um engenheiro; um engenheiro pode ser melhor que um economista; um enfermeiro pode ser melhor que um médico; e, sabendo que no direito conta mais empatia, influência e persuasão do que o próprio conhecimento do ramo, um ator pode lhe servir melhor do que um advogado no tribunal do juri.
Porque escolheram jornalismo? Escolheram o mais fraco da manada. Duvido que fizessem isso contra uma categoria mais coesa, organizada e com poder de fogo político. Vocês estão recebendo a justa medida do que merecem.
Posso ser muito sincero sobre o texto da nobre professora-doutora?
Há muito não leio tanta bobagem e mistificação juntas, embrulhadas em pseudo-intelectualismo vazio, costurado em citações confusas, raciocínios tortos e profunda ignorância sobre o jornalismo e a vida.
A exigência de diploma democratizava a profissão. Com todos os defeitos que as escolas de comunicação tinham e têm, ingressar nelas e cursá-las era parte de uma meritocracia. OK, a sociedade brasileira é desigual, quem entra em faculdade é elite etc; mas quem fizesse o curso poderia exercer a profissão, e isso ninguém lhe tirava. Agora, será jornalista apenas quem as empresas decidirem e, provavelmente, formarem e mantiverem em seus quadros. O acesso ao jornalismo foi restringido, não ampliado. Comparações com outros países não cabem. Pesquisem a história da profissão, conversem com colegas aposentados; as redações eram cheias de jornalistas que não sabiam escrever, que tinham o jornalismo como bico, alguns com inquietantes ligações com a Polícia, o jogo do bicho, com políticos etc. Grassavam a corrupção, as situações estranhas, a entrada no jornalismo feita na base do convite pessoal, da amizade, do pistolão político. Voltar a isso é uma evolução? Onde os tais pensadores do capitalismo cognitivo disseram isso? Acho que perdi essa parte…
Aliás, não é verdade que as empresas infrinjam a lei ao contratar colaboradores não-jornalistas; essa contratação sempre foi parte da lei da regulamentação da profissão, sendo,portanto, mentirosa a argumentação de que a exigência de diploma restringia a liberdade de expressão. Olhem os jornais, estão cheios de acadêmicos, políticos, artistas etc, assinando colunas, exprimindo o que pensam; a exigência do diploma se restringia a quem fosse trabalhar no jornalismo propriamente dito, na produção de informação, não de opinião. E vamos falar sério: a liberdade de expressão, em uma empresa de comunicação, é de seus donos, não de seus jornalistas. Acreditar em algo diferente disso é cair na mistificação liberal, que vê o jornalista como um tribuno do século XIX, coisa que ele obviamente não é.
Em sua miopia cozinhada por leituras mal-digeridas, a nobre professora-doutora não percebe que está comemorando a sua própria irrelevância. Ele foi decretada pelo STF, que revogou 40 anos de direitos de uma categoria inteira – uma expropriação inédita na história brasileira, um “grande salto para trás” em matéria de direitos. Os tais pré-cogs dfa doutora Ivana serão formados nas empresas de comunicação, para tocarem os tais “projetos” (Projeto Folha, Projeto Globo etc) e apenas eles; as escolas generalistas, reais ou em projeto, viraram inúteis peças de museu. Pelo menos esse é o plano dos empresários, cujo próximo passo óbvio é suprimir conquistas como salário mínimo profissional, jornada de cinco horas etc.
Saudar um suposto “novo”, na verdade fantasioso, precariado é desconhecer o dia-a-dia da profissão, já marcada por profunda precarização do trabalho- problema que, agora, com o vale-tudo decretado pelo STF e aplaudido pela professora-doutora, tende a se aprofundar. Aconselho a nobre pesquisadora a… apurar um pouquinho e dar uma olhadinha nas provas de ingresso para os estágios nas grandes empresas de comunicação. O pau come lá, a disputa por vagas é duríssima, e não me parece que a turma esteja atrás de lan house, pré-cog, precarização ou discussões sobre o fim do fordismo já feitas há muito nos países centrais, mas apresentadas aqui no Brasil como a descoberta da pólvora e aplaudidas por pseudo-intelectuais colonizados e bocós. As pessoas querem exercer uma bela profissão, que é o jornalismo, com dignidade, respeito e boas condições de trabalho e salário; não é isso que o fim da regulamentação profissional aponta.
Lamento que diretora da ECO apoie esse estupro, em nome de uma “precarização” supostamente democratizadora (se é que entendi bem essa algaravia que ela escreveu aí em cima). Acho que o próximo passo lógico seria que ela se precarizasse e renunciasse ao cargo, concordam?
Não quero ofender, mas não vou deixar de expressar minha opinião. A impressão que tenho é que a autora do texto é meio idealista, inábil e distante do emaranhado que é a realidade do jogo social.
Ninguém, absolutamente ninguém, respeita o auto-sacrifício inútil. É wild west: você só abaixa o seu canhão quando todos fizerem o mesmo.
É tolice o jornalismo se auto-imolar e prescindir da regulamentação, se as outras categorias não o fizerem também. Enquanto a sua categoria se enfraquece, os cartoriozinhos do Brasil prosperam egoistamente. Os argumentos do ministro são primitivos e ofensivos e eles só passaram para o papel porque ele percebeu a divisão entre a sua categoria.
Vou contar um segredo: uma tropa de choque de dez ou vinte homens é capaz de controlar um multidão de milhares por dois fatores: coesão interna e expectativa de dispersão da multidão. A tropa vai atrás do mais fraco e conta com o pavor dos demais. Se a multidão não se apavora e mantém a coesão, não há exército capaz de controlá-la.
Foi o que aconteceu com vocês: não mantiveram a coesão e se tornaram alvos dóceis demais.
Rubem, assino embaixo de suas palavras. Alvos dóceis demais. E alguém disse que haveria o quarto poder… Aliás, há sim: os donos da mídia, e não quem trabalha nela fora dos escritórios gelados…
Viva. Caiu a obrigatoriedade do diploma para o jornalismo. Não sei das razões do presidente do STF, Gilmar Mendes, sei das razões da Folha de S. Paulo e Rede Globo que sempre lutaram por isso. Não são as minhas razões, com certeza.
Em muitos países o diploma específico não é uma exigência. Bem mais interessantes que o muro das lamentações corporativas são as novas questões que se colocam: sairão da invisibilidade os milhares de blogueiros que despontaram na Internet nessa era de capitalismo cognitivo.
Vamos discutir quais são os direitos para os midialivristas. Não acredito que o fim da exigência do diploma piore o jornalismo, é muito “otimista” quem acha que ainda tem espaço para piorar ainda mais. Nosso jornalismo já é muito ruim com diploma e escolas de comunicação.
Nada justificava a “excepcionalidade” do diploma para os jornalistas que criou uma “reserva de mercado” para um pequeno grupo e que diminuíe a empregabilidade de jovens formados em cinema, rádio e TV, audiovisual, publicidade, produção editorial, etc. proibidos pelo diploma, jogados no gueto da exclusão mais hedionda.
Ivana,
Você, como tantos outros intelectuais, cria (repete) o surgimento de uma uma “nova” classe, “a nova força do capitalismo cognitivo, as centenas e milhares de jovens free-lancers, autônomos, midialivristas, inclusive formados em outras habilitações de Comunicação, que eram impedidos por lei de fazer jornalismo e exercer a profissão e que, ao lado de qualquer jovem formado em Comunicação, constituem hoje os novos produtores simbólicos, a nova força de trabalho “vivo”.”
Mas essa “nova” classe, além de não ser nova, pois cita “as centenas e milhares”, não é outra classe que a trabalhadora. Há muitio tempo, no capitalismo (e antes), tivemos os mais variados “tipos” de trabalhadores e profissões.
Você parece desconhecer essa simples característica da ‘evolução’ no modo de produção, dos setores, atividades, mercadorias. Só porque não se trabalha numa fábrica, como “operário”, não quer dizer que é uma “nova classe”, muito menos que o sistema seja outro, “outro” capitalismo, e que portanto a luta também será outra.
A luta continua sendo da classe trabalhadora, efetivos, terceirizados, precarizados, operários(as), trabalhadores (e profissionais) dos diversos setores (das fábrica, dos serviços, do campo, “mídias novas”, “velhas”, etc).
Você repisa na eterna tese (dos pós-alguma coisa) de que não haveria mais aquela classe trabalhadora… A classe muda, claro, mas não a ponto de mudar suas ou lutas, reivindicações, direitos, não deixou de ser “a” classe trabalhadora, da mesma forma que o capital e os patrões não deixaram de o serem, com os seus métodos, organizações e ataques contra o trabalho.]
E a defender o precarizado (e o terceirizado, desempregado, efetivo?) é mais do que correto, é dever de quem luta e sabe que a unificação sempre foi e continua “na pauta do dia”, é urgente, haja vista que o capital ataca mais e facilmente ainda os trabalhadores justamente por estarem divididos. Por conta também das costumeiras burocracias sindicais e direções políticas enraizadas na maior parte das entidades, oraganizações e sindicatos dos trabalhadores, há muito tempo cooptadas pelo capital.
Devemos lutar contra a terceirização, a precarização, e não contra os terceirizados e/ou precarizados. Devemos defender o precarizado (terceirizado, efetivo, etc) contra a precarização. Essa a luta, e de todos, não só os já precarizados, pois afeta diretamente a todos trabalhadores. Quem não incentiva isso a unidade (lição primeira da classe trabalhadora para poder lutar mais forte) são os meipos de comunicação, a justiça e leis “trabalhistas”, e os próprios intelectuiais e dirigentes sindicais comprometidos (com o sistema) em só enxergar e fazer a luta “por categorias”, “por data-base”, dividida por nomes de profissões, setor, ramo, e atividade. Essa estratégia de luta fracionada, por setor, dividida só tem favorecido o empresariado e o capital.
E não é a característica, ou especificidade, funções, diplomas, “direitos”, inerentes a cada profissão ou categoria, os responsáveis pela divisão e fraqueza da classe trabalhadora “como um todo”, e sim, a falta de uma direção (orientação) independente, realmente nas mãos e controladas pelos trabalhadores, cientes da necessidade da luta unificada e organizada contra a outra classe do sistema, inimiga dela, a capitalista.
Isso também não é novidade, mas muitos tentam achar (e insistem na reprodução desse discurso, uns são pagos para isso, outros…) ou inventar novas táticas, novas estratégias, “novas lutas”, querendo re-criar o que já se sabe. Mas passar ao largo da história, das lições, e desconhecer (será?) a capacidade e os jogos feitos pela bueguesia (termo antigo esse? fora de moda?) para continuar no comando e mantendo sua exploração, e miséria para a grande maioria, a verdadeira e única que existe, a classe que pode mudar tudo isso: trabalhadores(as) e o povo pobre (desempregado, precarizado, efetivo, com ou sem CLT, “direitos”, sem terra, sem educação, saúde, etc).
Todos apoiamos o acesso a informação, a internet (”meios-digitais”, etc), os blogs, etc. Que todos possamos escrever, informar, termos (nós trabalhadores e povo) nossos jornais, nossos “meios” de comunicação. Mas isso não significa deixar de exigir do patrão um salário, direitos, função e jornada de trabalhado definida, reconhecimento, independente da profissão, (ou diploma), o certo é que não poderíamos “dar esse mole”, e nem permitir que o patronato retire nosso salário, ou imponha mais multi-função, mais precarização e divisão da classe nessas diversas “modalidades” (efetivo, terceirizado, professor, metalúrgico, bancário, comerciário, jornalista, blogueiro, operário, trab. agricultor, aprendiz, estagiário, etc), estamentos e divisões dentro da própria categoria e classe. Essa a principal tarefa e lição para a luta da maioria contra a minoria rica e o sistema capitalista.
Devemos ser contra a luta dividida por categorias, mas não a favor da flexibilização das profissões e funções, e dos direitos, rebaixamento salárial (coisas do “fordismo, toyotismo, neliberalismo”…) em nome de uma nova forma de luta de uma nova classe “digital”, sem esclarecer quem, todos os sujeitos reais que fazem parte da classe que pode mudar o sistema. E se lutam contra o sistema e por outro, pois nem isso foi dito acima. Isso é no mínimo um vacilo, pra não falar outra coisa.
Vocẽ Ivana, reduz e se esquiva de falar “toda a classe trabalhadora”, e fala e exemplifica com a “nova classe” dos jovens dos “meios-digitais” de informação. Só isso já é uma tremenda falha. E mais, os jovens que antraram e entram a cada dia no mercado de trabalho, tanto nos “meios digitais” (grandes ou pequenas empresas), como em todos os outros setores, fabris mais ainda, terceirizados, “telemarketings”, estagiários, APRENDIZES, com pouca “experiência”, já perdendo direitos, e estes verdadeiros golpes aplicados só fizeram precarizar as condições e salários.
Mas você parece falar dos autônomos da informação, aumentando e muito seu tamanho, estes não são “a nova classe”, nem uma classe e nem nova. Não representam todos os jovens, é só uma fração pequena, mesmpo dentro do setor “de informação” e “digital’, que seja autônoma e dona do seu trabalho, ou empresa web, site, etc. Daí generalizar as condições, as aspirações, deste pequeno número de jovens, com TODOS OS JOVENS, com todos os trabalhadores, é mais do que forçar a barra, é distorcer tudo.
Não é a juventude toda, nem todos os jovens trabalhadores que estão ganhando dinheiro na internet (com informação mesmo então menos ainda) ou trabalhando com isso. ]
Muitos já são precarizados ou ganham bem pouco, sem direito, etc, justamente por não terem conseguido se organzar, nem enquento categoria, ou com outros trabalhadores, dos meios digitais mesmo. Como os publicitários que vocês citam, são profissões onde é mais fácil falarem “cada um faz o seu salário”, mas isso sim é falso e malicioso, dizer isso para qualquer categoria ou profissão, onde os “melhores ganham mais e se destacam”, mais é pior ainda quando dito e usado este discurso para TODA a classe trabalhadora.
Defendo que todo indivíduo, trabalhador e/ou trabalhadora, tenha acesso á educação, ao(s) conhecimento(s), sobre tudo, que conheçam e saibam fazer diversas coisas e trabalhos que queiram e que seja importante para todos. Mas para o patrão, para o capitalismo não podemos facilitar ou permitir qualquer “sujeição”, nenhuma brecha para pagar menos, nenhum argumento detses tantos que conhecemos. e não é o fato do patrão não exigir dterminado diploma ou certificado que isto é benefício ou aumentará as ofertas de emprego no setor, em nenhum setor isto existiu ou existe. O que existe, e já era pra ser de seu conhecimento, é que a flexibilização, de direitos, de pisos salariais, de função determinada, não levou nem à diminuição do desemprego, não criou vagas, como repetido pela imprensa e mídias-digitais, nem melhorou o acesso ou condições de trabalho e ganhos dos que foram contratados nestas condições. Pelo contrário.
Já ouvi muito por aí, e você Ivana repete sem pensar (?), que “o estágio é a melhor porta de entrada no mercado de trabalho para os milhares de jovens desempregados deste país”.
Só se for bom para os patrões, empresários, banqueiros, donos dos meios de produção, por que para (nós) os jovens é o maior golpe, velhaco golpe, este do “estagiário”. Pois todos sabemos que este discurso (falso claro) filantrópico do patronato e governos, que querem “ajudar os jovens desempregados”, criam estes mecanismos só para maximizar os lucros. Todos que já foram ou são estagiários sabem exatamente do que falo (intelectuais não sabem?), e todos sentimos na pele, no bolso, na cara, toda a forma de pagar menos, de desrespeitar o jovem trabalhador, que com menos direitos, menos “respeito” (?), salário, fazemos a mesma coisa, e até mais, pois não temos função específica, temos que fazer de tudo para dar mais lucro, e ganhar quase nada. e o patrão dispensa, é obvio, “aquele” trabalhador “tradicional”, “com carteria” e CLT, e o subdtitui pelo aprendiz e/ou estagiário. Quem ganha com tudo isso? Quem perde? 1. Capital. 2. O trabalhador e a classe toda, claro.
fazem a mesma coisa com a mulher, imigrante, o “sem profissão em cateira”, sem “senai”, sem faculdade, mas não por que querem ajudar estes, mas fazê-los trabalhar e executar as mesmas tarefas (eles ensinam de várias formas – senai, EàD, na fábrica mesmo, universidade empresarial, e nas pagas “baratas” e “rápidas”) mas ganhando e tendo bem menos em troca;
Não podemos abrir mão de direitos, salários, etc, por sermos contra a relação patrão/ empregado; pelo contrário, é a partir da luta pelo mais essencial, contra a fome, ou por direitos, salários, terra, que começamos e podemos organizar a unificação de todos os trabalhadores contra o sistema capitalista e a sua miséria que nos aplica.
Pode tentar criar “novas” formas de atrair as pessoas, os trabalhadores(as), e de fazer essa nossa luta dar início, frutificar e dar certo, mas acredito que as revindicações, direitos a educação, comida, salário digno, terra, reconhecimento, liberdade, democracia e controle dos meios e tudo o mais, não há invenção ou novidade, continuam sendo peliteados, não podemos seres humanos (trabalhadores/as de todo o mundo, de uns países mais, outros menos, mas em todos os povos) deixar de termos estes nossos anseios e lutas.
Po hora já chega, até.
Abraço a todos lutadores da classe trabalhadora.
Só não vê quem não quer. Essa é mais uma jogada da 6 dúzia de famílias que compõe a oligarquia da comunicação nesse país. Impressionante! Se fosse a discussão da obrigatoriedade do diploma de direito para defender-se, direito mais básico do que comunicar-se, teria sido um escarcel, amplamente coberto pela mídia. Os poucos que ainda discutiam as concessões de rádio e TV eram os estudantes de jornalismo. PELO AMOR DE DEUS! Não dá pra acreditar que essa mulher é especialista em Glauber Rocha com essa mentalidade.
bem. sou advogada. conheço pessoas q nao fazem direito (ou q n fizeram!) que sao bem melhores- no que tange ao conhecimento juridico- que muitas outras devidamente formadas que ja cruzaram o meu caminho. No entanto, retirar o diploma não significaria APENAS dar a estes (aos bons advogados sem formaçao) novas chances no mercado. Muito mais que isso, a retirada do mesmo representaria a redução consideravel na valorização de profissionais, como eu, que respiram direito e passam a maior parte do tempo buscando dominar todas as novidades juridicas que surgem diariamente. Em termos praticos, retirar o diploma representa a derrocada de uma remuneração justa e digna. AFINAL, QUEM DISCORDA DO FATO DE ESTARMOS NUM PAIS EM QUE, DE CADA 100 EMPRESAS JORNALISTICAS, 1 apenas prima pela qualidade??? ou seja galera, as outras 99 obviamente vao adorar pagar a metade do q se pagava, ja que n precisam dos melhores, a mediocridade ja lhes servem(ou vcs acham que vai haver por parte destes preocupação em selecionar os melhores!?. infelizmente NAO)
Quanto ao texto da professora. MUITO BOM. EXCELENTE. e qto aos babacas que aqui, ao discordarem, foram deselegantes: NAO SE SINTAM MAL PELA “RETIRADA” DO DIPLOMA JA QUE DE JORNALISTAS VOCES NAO TEM ABSOLUTAMENTE NADA, alguns falaram de ética, quando na verdade nao sabem nem o que significa EDUCAÇAO!
se temos algo a lamentar aqui, é a postura de alguns pseudo-jornalistas arrogantes e pretensiosos que nao aprenderam o MINIMO na faculdadezinha que fizeram, qual seja: DISCORDAR dentro de um Estado Democratico de Direito.
Novamente, PARABENS PROFESSORA!
Como vocês são sem noção, não? Falei de culinária e costura porque o ministro Gilmar comparou jornalistas a cozinheiros e costureiros. Informem-se primeiro. Angela, escroto é seu pai, provavelmente.
qual o problema com a profissão de cozinheiro e costureiro? está aquém de alguma outra profissão?
não sei não, mas parece q há algum pré-juízo no teu comentário, dom evaldo…
O fato é QUEM FOR BOM COM DIPLOMA OU NÃO sempre terá espaço … não sei pq essa discursão … FAÇA UM BOM TRABALHO E SERÁS BEM VISTO … essa de que os patrões vão mandar não cola … ou o empresário que quer controlar um jornalista vai mudar pq ele não tem diploma ?? ou vc obedeçe e ganha seu salário ou não e cai fora sem importar se tem diploma ou não … se os ZÉ NINGUÉM vão ter espaço, é pq quem ta lendo está gostando ou não ??? eu leio blogs, 99,99% não são formados (quem escreve) e gosto e daí ??? abraços !!
DIPLOMAS PARA OS PESCADORES
Ruy Fernando Barboza
Para fazer um pouco de demagogia com os jornalistas, um dia, os militares no poder baixaram autoritariamente, num pacote de atos ditatoriais, a regulamentação da profissão de jornalista. Deram a todos os jornalistas em exercício o status de profissionais de nível universitário, e obrigaram quem quisesse ser jornalista, a partir de então, a fazer uma faculdade. O jovem tem de passar dos 18 aos 22 anos num curso superior, para só depois ir ao mercado de trabalho ver se consegue ser jornalista. Dureza. Mesmo porque, sendo poucas as vagas e muitos os cursos, a disputa é braba. E a maioria dos cursos, como tem público certo – os que vão atrás do diploma -, não se preocupa em ensinar coisa alguma.
Digamos que, por qualquer razão, de repente os políticos (graças ao bom Deus e à repulsa da nação, hoje os poderosos não são os militares) resolvessem agradar os pescadores, e transformassem a pesca numa atividade de nível universitário. Quem pescou até agora ganharia o registro de pescador profissional, mas os próximos teriam de cursar a Faculdade de Pescaria. Rapidamente, nossas trocentas universidades criariam seus cursos de pesca. Não teriam, certamente, maior dificuldade em cumprir a carga horária e o curriculum mínimo a ser estabelecido pelo Conselho Nacional de Educação. Um ciclo básico de dois anos, introdutório, teórico, no Centro de Ciências Agrárias, de um ano e meio a dois anos, ensinaria Filosofia da Pesca, História da Pesca e Histórias de Pescadores, Sociologia da Pesca, Direitos do Mar, Geografia da Plataforma Continental, Meteorologia, Língua Portuguesa com especial atenção para o Vocabulário Específico da Pesca etc. etc.. Do terceiro para o quarto ano, teríamos matérias mais especializadas e vibrantes, nas quais os alunos poderiam ver filmes sobre pesca, realizar seminários a respeito e estudariam equipamentos de pesca, visitariam lojas de produtos de pesca, enfim, uma parte mais prática, e ainda teriam a chance de, no Laboratório de Pesca da Universidade, utilizar um caniço com uma isca de plástico, num tanque com peixes também de plástico – um estágio supervisionado, de 30 horas, que seria o ponto culminante do curso. Sem esquecer do indefectível TCC, Trabalho de Conclusão de Curso, no qual discorreriam sobre, por exemplo, O Velho e o Mar, ou A Expedição Kon Tiki, a série Tubarão. Alunos mais aplicados entrevistariam um ou dois pescadores do Pântano do Sul. Haveria uma bela festa de formatura, a vovó orgulhosíssima com mais um neto doutor. O resultado não é difícil de prever. Bons pescadores, por não terem diploma, seriam impedidos de pescar – um Sindicato e uma Federação atentos, filiados na maioria desempregados mas com diplomas na mão, se encarregariam de defender o interesse do público consumidor de peixe e a qualidade da atividade pesqueira, afastando do mercado esses arrivistas que ousam saber fisgar um peixe sem ter feito a Faculdade. Quem gosta de frutos do mar teria dificuldade para encontrar um peixe de qualidade no mercado – se aparecesse algum. Só os donos de Universidades particulares é que não teriam do que se queixar. Continuariam recebendo bons cardumes de alunos, que despejariam no mercado, bem embrulhadinhos. Em papel de jornal.
RUY FERNANDO BARBOZA, 66 anos, aposentado, mora no Campeche, é jornalista profissional, foi Professor Titular, chefe do Departamento de Comunicação e Diretor da Editora da Universidade Estadual de Londrina, cujo Curso de Comunicação Social projetou e implantou, em 1974.
Concordo completamente com Ivana Bentes. Acredito que essa reserva de mercado gerada pela obrigatoriedade do diploma dá uma falsa segurança e é retrógrada. E na boa, porque vocês se consideram tão melhores do que cozinheiros ou costureiras? Também tenho curso superior, mestrado, especialização e sou professora universitária. Me formei em uma ótima universidade, com concorrência enorme tanto para ingressar na pós quanto na graduação e não me considero profundamente mais preparada parar exercer a profissão do que muitos que não passaram por isso. Eu escolhi esse caminho por que podia fazer isso e porque queria VIVER essa experiência, e não por causa de um diploma ao até do exercício da profissão. Todas as profissões exigem um nível de responsabilidade e preparo. Todas!!! Inclusive moda, cinema ou culinária!! E comparar jornalistas com cozinheiros deveria ser um elogio e não gerar essas atitudes preconceituosas. E o diploma não dá esse preparo, mas a vivencia em um ambiente universitário prepara a todos para coisas que vão além dessa luta por um fim, como se o caminho não desse um preparo para a vida e o exercício da profissão que, na boa, vai ser levado em conta se tiver sido realmente significativo. Eu até agora tenho visto os diplomas em comunicação serem mais úteis para telemarketings do que para o exercício da profissão. Qual é o medo agora? O mercado já é terrível e competitivo, ou criamos novas formas ou vamos ficar sempre nos agredinto e lutanto por causa perdidas na atual configuração mundial. E essa é para a menina que disse que era respeitada por ser jornalista no Canadá: você foi respeitada lá porque no Canadá e em muitos países do mundo fazer uma faculdade é uma coisa séria. No Brasil, o diploma está virando uma forma de competição entre vizinhos. O diploma se tornou mais importante do que o conhecimento advindo dos anos passados na faculdade. A configuração é essa, e a venda de diplomas está aí, se tornou uma prática comum. O que amedronta tanto a todos?
ALELUIA!
Ufa! Finalmente, uma pessoa (dentre várias outras) diploma e, acima de tudo, iluminada!
Esses debates medievais e manifestações (regados a la ditadura militar) promovidos por um grupinho de sindicalistas, empresários da “educação” e gráficas é, simplesmente, horrível!
Qualquer “cidadão comum” sabe que o STF é a mais alta corte do país. Baseado na Constitutição Federal (A Constituição Cidadã), em Tratados e Convenções Internacionais de Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação, derrubou mais um entulho autoritário: A obrigatoriedade do diploma (não o diploma) para o exercício livre do jornalismo.
Moçada…eu não sou jornalista. Quem o é, trabalhe! Não se permita ser manipulado pelo terrorismo fenajiano (e de sua cia.) que o mundo acabou! Gente que pensa assim, francamente, não aprendeu nada com o seu canudo!
Bye bye!
ALELUIA!
Ufa! Finalmente, uma pessoa (dentre várias outras) diplomada e, acima de tudo, iluminada!
Esses debates medievais e manifestações (regados a la ditadura militar) promovidos por um grupinho de sindicalistas, empresários da “educação” e gráficas é, simplesmente, horrível!
Qualquer “cidadão comum” sabe que o STF é a mais alta corte do país. Baseado na Constitutição Federal (A Constituição Cidadã), em Tratados e Convenções Internacionais de Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação, derrubou mais um entulho autoritário: A obrigatoriedade do diploma (não o diploma) para o exercício livre do jornalismo.
Moçada…eu não sou jornalista. Quem o é, trabalhe! Não se permita ser manipulado pelo terrorismo fenajiano (e de sua cia.) que o mundo acabou! Gente que pensa assim, francamente, não aprendeu nada com o seu canudo!
A propósito, PARABÉNS Profª Ivana Bentes pelo seu artigo e pela sua VISÃO!
Bye bye!
O controle do e pelo discurso
Não vou começar elogiando porque parece puxasaquismo, não vou falar começar falando a favor do texto, pois, para isso, precisaria argumentar. Logo, deixo aqui minha visão (tenho liberdade de expressão?). Falou-se muito aqui em capacidade de escrever, (des)valorização da carreira, informações torpes, ética, ética, ética…Não sou jornalista, no sentido filosófico da profissão, nem tenho pretensões, embora desde criança sonhasse muito em sê-lo até entrar na faculdade: letras na pública, jornalismo numa particular. Depois de um ano nos dois cursos, tive a certeza de que ambos andavam defasados – aquele por conta da desvalorização da carreira do magistério, falta de interesse da turma em ler muito dentre outros problemas; este por conta da fraco corpo docente, falta de infraestrutura, ausência de oportunidade de pesquisas etc. Acabei abandonando o curso de jornalismo e seguindo nas letras. Com o tempo, descobrir que, nos dois cursos, formam-se profissionais picaretas, e é a competência que salva os verdadeiros profissionais e os destaca da multidão de iguais.
Quantas mentiras jornalistas “diplomados” ou não divulgam em nome da liberdade de expressão quando não por pura corrida sensacionalista de mostrar uma “verdade” manipulada? Quanta falta de ética se nota quando estes vivem a serviço de chefes globistas (e de outros tipos) e do mercado que os manipula em função da venda de informações? Lutou-se muito pela liberdade de expressão, e o brasileiro dos anos de chumbo sabe o quanto é custoso pagar pelo que foi dito ou querer dizer e não poder. Mas não se deve esquecer que toda manifestação de poder e controle, por menor que seja, começa-se na e pela palavra e termina através dela.
Hoje sou linguista, minha função é pensar as lutas, os embates, a política dos homens, os saberes, o poder, o mundo através da palavra, dos discursos, referencio Foucault, Bakhtin, Eco, Orlandi, Santaella dentre tantos. O que estamos vendo, neste momento, com essa discussão nada mais é que uma luta pelo domínio da palavra, do discurso (portando, das linguagens). Seria uma nova forma de colonização. A colonização pela palavra ao lado da colonização pelo saber. Mas a palavra é do povo, dela faz uso quem melhor souber afirmar seu pertencimento, sempre foi assim, e não é com essa “queda diplomática” que será diferente. Cai-se o diploma, levantem-se cursos anti-medievalescos, expulsemos, pois, os jornalistas que acreditam que existe imparcialidade, objetividade e outras “-dades” mitológicas e nos bombardeiam com falácias.
Para concluir – agora sim – bato palmas para a profa. Ivana Bentes pelo belo texto e, nele revelado, sua maneira de pensar. Acredito que o profissional será mais valorizado, a partir de agora, não pelo canudo, não pelas marcas acadêmicas, não pelo nome de emissora que expõe no microfone, mas pela competência, responsabilidade e seriedade frente às informações, denunciando as injustiças e cumprindo seu papel de modo eticamente sério.