Trezentos

O início de uma multidão

Democracia e Mídias Sociais – Proposta de um novo modelo democrático

Em épocas de eleições, muito se ouve falar sobre a importância de exercermos nosso direito e dever como cidadãos de votar. Mas será que nossa participação política e esse nosso exercício de cidadania se restringe a depositar de dois em dois anos nossos votos na urna, e escolher o candidato “menos pior” entre os disponíveis num cardápio já pronto (e do qual não tivemos participação na elaboração)? Creio que esse cenário de participação política que a democracia representativa possibilita é muito triste e afasta do cidadão a possibilidade de tomada de decisões sobre questões realmente importantes. Afinal, escolher quem vai decidir no nosso lugar não é ter poder de decisão, é o contrário disso; principalmente, se não temos a garantia de que esse representante decidirá o que decidiríamos (e na maioria das vezes não decide).

Portanto, criar o mito que o problema democrático é o de escolher bons políticos (ou o “menos pior”, afinal, em algumas eleições nenhum pode ser considerado bom) é responsabilizar o cidadão-eleitor pelas mazelas sofridas pela sociedade. Ou seja, a sociedade anda mal porque os cidadãos não sabem escolher e elegem maus políticos. De vítima o cidadão vira culpado, o responsável pelas falhas do sistema democrático representativo. Mas o que a maioria de nós não percebe é que é o próprio modelo de democracia representativa que é débil e precisa ser urgentemente substituído. O que precisamos eleger (e exigir) é um novo modelo de democracia, não novos políticos e representantes. Mas qual?

Bem, antes de qualquer coisa, cabe ressaltar que essa discussão que estou puxando já parte do pressuposto que o melhor modelo ou o modelo quase unânime a ser aplicado numa sociedade é a democracia, portanto, caberia escolher qual o modelo democrático mais consistente. Afinal, a democracia é uma proposta heterogênea e existem várias formas de concebê-la, vários modelos em disputa, apesar do modelo representativo ser o que atualmente é mais adotado na maior parte do mundo democrático. É claro que essa hegemonia da democracia representativa não se deu historicamente de forma tão “democrática”, mas foi imposta às sociedades por relações políticas nem sempre pacíficas.

Mas porque o modelo de democracia representativa com todas as suas falhas ainda persiste? Primeiro, a maioria das pessoas nem sabem que possuem o direito de pensar sobre mudar o modelo, acham que isso é impossível e que temos que nos contentar com o que está posto (se isso fosse verdade ainda estaríamos na monarquia); outros tantos acreditam que já chegamos a um modelo político ideal que precisa, apenas, ser fortalecido (principalmente nós latino-americanos que saímos traumatizados das ditaduras militares). Já que outro modelo de democracia não só é possível como necessário, temos que conduzir a discussão além da mera crítica ao modelo representativo de democracia e avançarmos no sentido de propor um modelo democrático substitutivo, que consideramos mais consistente e apropriado aos anseios sociais.

O modelo considerado mais “maduro” atualmente pelos acadêmicos é o modelo de democracia deliberativa, onde cada cidadão teria a oportunidade de participar das discussões públicas envolvidas em processos deliberativos no sentido de expor suas convicções e convencer (ou ser convencido por) seus interlocutores sobre qual melhor tomada de decisão. A democracia seria um jogo discursivo onde vence o melhor argumento, o mais amarrado, convincente, moderado e racional, o que se tornaria consensual. Em primeiro lugar, acho que essa proposta é ingênua ao buscar um consenso impossível e acaba excluindo da democracia a própria política que, segundo Rancière, é o desentendimento e o dissenso, não o consenso e o entendimento mútuo. Ou seja, no modelo de democracia deliberativa temos muita conversa e pouca ação política, já que a maioria da população fica excluída da deliberação, pois seu discurso ou é desqualificado de antemão (por causa da sua posição social ou grau de escolaridade), ou é destoante do discurso consensual (os proponentes desse modelo parecem desconhecer a hipótese da espiral do silêncio) ou mesmo porque nem é compreendido.

Já os mais libertários propõem o modelo de democracia direta, onde no lugar de eleger representantes políticos, cada cidadão teria poder de voto e decisão sobre todas as questões e propostas em litígio. Os mais céticos criticam essa proposta, alegando que vivemos atualmente em sociedades complexas demais para que os cidadãos pudessem acompanhar e votar “conscientemente” sobre todas as questões; já os mais cínicos alegam que não é todo cidadão que tem condição de votar sobre assuntos que só poucos iluminados entendem. Pensando nessas críticas, os adeptos da democracia direta começam a propor modelos de democracia menos “radicais” e mais viáveis.

Uma dessas propostas é o modelo de democracia líquida, um sistema misto entre democracia direta e democracia representativa, no qual os representantes do Povo são designados para votar em cada tema, ao invés de serem eleitos para um mandato amplo, com duração específica. Na democracia líquida as votações se realizam por um mandato específico para uma determinada questão, e é suplementado por uma recomendação de ação (uma análise da questão em debate feita por especialistas na matéria, pró e contra). Em alguns casos, na democracia líquida, o mandato específico pode ser delegado. Um exemplo colocado em prática dessa proposta aconteceu na Suécia, através do Demoex. O Demoex é tanto um partido político sueco quanto uma experiência em democracia líquida, com votações pela internet. Segundo seus fundadores, uma das razões de sua criação, além do desencanto generalizado com os políticos tradicionais, foi o fato de que na democracia representativa a opinião do Povo só é consultada uma vez a cada quatro anos. E após serem eleitos, os políticos tradicionais podem agir praticamente como bem entenderem até a próxima eleição. Essa falha democrática do modelo representativo levou um grupo de estudantes e professores a fundar o Demoex, sem ideologia (nem de direita, nem de esquerda, muito menos de centro), sem plataforma, e sem sede física, e que só tinha uma promessa: a democracia direta. Esse partido concorreu às eleições municipais em setembro de 2002, e obteve um único assento na câmara municipal de Vallentuna. Atualmente o sistema opera de forma que o representante eleito para a câmara vote de acordo com os resultados das votações online feitas pelos membros do partido. A estudante Parisa Molagholi, na época com dezenove anos (isso mesmo, 19 aninhos!), foi eleita em 4 de novembro de 2002 (com 1,7% dos votos) para a câmara municipal da cidade de Vallentuna (um subúrbio de Estocolmo), e tem causado espanto aos políticos tradicionais nos últimos anos. Molagholi, que foi reeleita em 2006 com 2,9% dos votos, como representante do Demoex, criou uma maneira inteiramente nova de participação na política. Ela não vota de acordo com suas convicções, nem de acordo com as instruções de seu partido: seu voto oficial na câmara municipal depende do resultado de uma votação online, que é realizada previamente no website do Demoex. Qualquer residente de Vallentuna que tenha completado 16 anos pode se registrar no site, e participar das votações; e qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, pode participar dos debates e opinar sobre as questões políticas da Suécia e as tomadas de decisão de seus políticos. A ideologia do Demoex fundamenta-se nos princípios enumerados por Karl Popper e Henri Bergson sobre a sociedade aberta; isto é, uma visão da sociedade construída sob os princípios do acesso público às informações oficiais, em outras palavras, na “transparência”. Demoex luta pela maior facilidade de acesso e de compartilhamento na política. Numa entrevista à Rádio Suécia, os membros do Demoex declararam que os partidos políticos tradicionais não apreciam essa experiência, porque ela coloca em questão a própria existência dos partidos representativos.

Outra proposta de modelo democrático pensado para substituir o modelo de democracia representativa é a democracia emergente, um modelo democrático viável numa época de mídia social e web 2.0. A democracia emergente é um possível efeito da blogosfera. A idéia presente é a de que as velhas mídias massivas e comerciais fazem as sociedades serem mais aristocráticas, uma vez que suas discussões são controladas pela esfera midiática criada por um complexo midiático corporativo, enquanto a esfera mediática da blogosfera, onde qualquer um pode não apenas ter acesso às informações, mas também produzí-las e distribuí-las, coloca o controle da discussão política nos dedos de uma maior parcela da população.

Em sintonia com essa proposta surge também a idéia de democracia pessoal. Tal discussão surgiu no contexto da democracia dos EUA, tentando estabelecer uma articulação entre participação política e tecnologia. Trata-se de pensar como a participação pessoal de cada um pode ser revigorada e potencializada pelas ferramentas da media social e da web 2.0, que abrem o processo democrático para o engajamento de mais pessoas em todas as coisas que os cidadãos podem e devem fazer juntos. Segundo os participantes do fórum, a conversação presente nas redes pessoais de cada cidadão (redes de amigos, contatos e familiares) estão revitalizando a conversação cívica. Mais e mais pessoas, hoje em dia, estão descobrindo esse novo poder. Depois de anos sendo tratados como sujeitos passivos do marketing ou/e da manipulação de políticos e profissionais da mídia, os cidadãos estão desejando agora tomar a frente do jogo democrático. A democracia se torna pessoal porque cada cidadão passa a escolher em que discussões e processos de organização e de tomada de decisões eles querem participar, e a compor sua rede pessoal a partir de sua filiação a quantas redes sociais que ele deseja participar.

Como podemos ver, esses modelos de democracia são alternativas ao modelo representativo, mas o que continuam tendo em comum com esse modelo hegemônico é pensar a democracia em um contexto local; ou seja, acreditam que a democracia é um sistema que deve ser estabelecido e uma questão que deve ser enfrentada dentro de cada Estado-nação. Mas a questão que persiste é a seguinte: mesmo que cheguemos a estabelecer um modelo mais democrático de governabilidade, dentro de um contexto nacional, que efetividade política tal conquista teria na tomada de decisões num contexto de globalização e de governança supranacional?

Antonio Negri e Michael Hardt consideram que a democracia atualmente só pode ser realmente uma proposta “democrática” se deixar de ser uma questão ou um sistema pensado num contexto nacional. Por isso eles propõem uma democracia absoluta ou da multidão. Mas como essa democracia seria possível? Para Negri e Hardt o projeto moderno e dominante de democracia não só nunca se realizou, como é irrealizável hoje em dia. A noção moderna de democracia foi baseada em instituições representativas do espaço nacional, limitadas e dependentes da soberania nacional. O que estava representado nas instituições nacionais democráticas era o povo e, assim, a soberania nacional moderna tendia a tomar a forma de soberania popular. A nação só é soberana quando o povo é soberano. O problema é que o povo não é uma entidade natural nem empírica, é apenas mais uma representação que faz da população uma unidade. Para Negri e Hardt, o povo não é uma identidade imediata nem eterna, mas, antes, o resultado de um processo complexo apropriado a uma formação social e a um período histórico específico. E o povo só pode ser soberano enquanto uma identidade e uma unidade. E o elemento fundamental para a construção do povo é a representação; o mecanismo da representação é aquilo que processa a multiplicidade empírica da população e a transforma numa identidade. Esse mecanismo de representação se baseia numa noção de medida: só o que pode ser medido pode ser representado como uma unidade. O imensurável não pode ser representado. A noção de povo passa, então, a estar intimamente ligada ao espaço nacional: aquilo que é medido e limitado.Porém, a passagem para o que Negri e Hardt denominam Império faz com que o espaço nacional perca a sua definição, já que as fronteiras nacionais (embora ainda importantes) se relativizam e o próprio imaginário nacional fica desestabilizado. Os mecanismos institucionais e políticos da representação perdem a sua medida e a representação popular fica minada de uma forma básica e fundamental. A impossibilidade de representação do povo se torna cada vez mais clara e, assim, o próprio conceito de povo tende a se evaporar. Torna-se impossível representar institucionalmente o povo e captá-lo como sujeito político da democracia representativa, já que não contamos mais com uma autoridade nacional soberana que, de fato, represente o povo.

A partir dessa constatação, Negri e Hardt nos fala da necessidade de explorarmos novas formas de democracia, não representativas ou representativas diferentemente. O objetivo seria descobrirmos uma democracia adequada ao contexto imperial. Se o povo é um produto da representação, e essa representação é fundada numa soberania nacional em crise, temos que deslocar o nosso enfoque conceitual do povo para a multidão. Enquanto o povo é fortemente configurado como produto do ato contratual constitutivo da sociedade burguesa, como explica Hobbes, a multidão não pode ser captada em termos de contratualismo. Segundo Negri e Hardt, por ser uma multiplicidade imensurável, a multidão desafia a representação, ou mesmo, não é passível de ser representada. O que tradicionalmente fez a miséria da multidão (não poder se constituir em unidade política representável), hoje constitui a sua riqueza, pois o poder não sabe o que fazer com ela; e a multidão não precisa da relação de soberania, vive em êxodo. Por isso é capaz de criar uma democracia absoluta, de maneira autônoma, que nada tem a ver com a democracia representativa – essa que, junto com a monarquia e a aristocracia, compreende as formas clássicas de governo. A multidão, hoje, para esses autores, é o único sujeito social e político capaz de realizar essa democracia absoluta que é o governo de todos por todos, e não o governo da maioria (democracia representativa do povo). A democracia é a forma pela qual a multidão (por meio da interação das singularidades) expressa vontade comum, (não a “vontade geral”, do povo) que não possui um fora (poder soberano transcendente), que é totalmente autônoma, e que, portanto, Negri e Hardt chamam de “vontade absoluta”.

Pensando em tudo que foi discutido até agora, lanço-me ao desafio de pensar sobre qual modelo de democracia eu considero mais viável, desejável, democrático e mais próximo dessa democracia multitudinária proposta por Negri e Hardt; e mais consistente e eficaz dentro do contexto supranacional e globalizado do Império. O modelo que proponho é um misto de democracia líquida, emergente, deliberativa, pessoal e multitudinária. Pensei nele levando em conta que vivemos em sociedades complexas onde nenhum cidadão tem condições de se interar e participar consciente e ativamente de tudo que precisar ser discutido, proposto e decidido numa democracia. Nele cada cidadão possuiria uma “senha-mestre”, com a qual ele poderia criar uma senha para cada área de governo ou ministério (cultura, comunicações, saúde, transportes, fazenda, justiça, etc.). Uma vez criadas essas senhas, ele daria cada senha dessa a algum amigo ou pessoa de confiança, que ele julga mais capaz, que ele e os outros, de participar das discussões, criar propostas e tomar as melhores decisões sobre as questões em litígio. No lugar de escolher, de quatro em quatro anos, um representante político (que, na maioria das vezes, ele não conhece pessoalmente), que decidirá por ele sobre todas as questões, o cidadão agora escolhe um representante do seu convívio pessoal para cada área de governo e delega a cada um desses representantes o poder de decidir por ele apenas sobre as questões relativas à sua área específica.

Nesse modelo o cidadão só iria acompanhar, propor e votar em questões de suas áreas de interesse, aquelas que ele deseja participar ativamente e nas quais ele se sente qualificado e competente para contribuir realmente. Para as demais áreas ele delegaria o poder de voto para representantes que ele possui acesso direto e íntimo. Por exemplo, eu desejo, tenho tempo e me sinto competente para acompanhar e participar ativamente apenas das áreas de Ciência e Tecnologias, Comunicações, Cidades, Educação e Transportes. Nessas áreas eu mesmo vou participar das discussões, propor projetos e votar; além de buscar angariar senhas e o direito de representar pessoas conhecidas (meus amigos, familiares e contatos) que não desejam, não têm tempo e nem se sentem mais qualificados do que eu para deliberar nessas áreas. Nas demais áreas, vou delegar aos meus representantes “pessoais” o direito de deliberar por mim. Cada representante assume o compromisso de utilizar as potencialidades da media social e da web 2.0 (e-mails, mensagens sms, posts em blogs, twitter, digg, softwares sociais, redes sociais, listas de discussão, etc.) para estabelecer uma discussão direta com seus representados, informando-os de todos seus posicionamentos em discussões, suas propostas elaboradas e seus votos em tomadas de decisões; além de justificar todas suas ações. Se algum cidadão, que delegou a determinado representante de área o poder de votar por ele, considerar que o representante não está agindo conforme o desejado, ele não precisa esperar quatro anos para trocar de representante. Ele pode fazer isso a qualquer momento, basta mudar a senha daquela área específica com sua senha-mestre (que também pode e deve ser mudada com frequência, por motivo de segurança) e passar a nova senha para um novo representante; sem mesmo precisar comunicar ao representante anterior a sua decisão –  ele descobrirá que foi trocado quando for usar a senha antiga para votar em nome do representado e não conseguir.

A meu ver, com esse modelo, obteríamos grandes avanços democráticos, pois, em cada área teríamos um processo de tomada de decisão distribuído, onde em lugar de poucos especialistas propondo e decidindo nosso futuro democrático (como atualmente acontece), teríamos todos eles e mais uma multidão de outros especialistas e cidadãos competentes participando, discutindo, propondo, votando e decidindo sobre o que é melhor para todos. No lugar de vereadores, deputados e senadores (distantes de nós, que só podem ser tirados nas próximas eleições e cuja inteligência, competência e ética são, na maioria das vezes, muito questionáveis em certas áreas) nos representando e decidindo por nós, teríamos representantes “pessoais” (que podemos tirar a qualquer momento), com poderes limitados e que precisariam fazer jus, o tempo todo, à confiança depositada neles. Os únicos representantes que elegeríamos de quatro em quatro anos são os representantes executivos (presidente, governadores, prefeitos, ministros, secretários, técnicos, etc.), mas eles não teriam poder de propor e decidir nada isoladamente, sua função seria apenas executar (como o próprio nome diz) o que foi decidido através desse processo coletivo e distribuído de tomada de decisão, e prestar contas de suas ações.

Assim como advertiu Negri e Hardt, no atual cenário político global, esse modelo de democracia só seria efetivamente “democrático” se fosse aplicado em todo o globo, onde cada cidadão pudesse decidir diretamente, ou através de seus representantes “pessoais” de área, sobre questões políticas, administrativas e econômicas que antes seriam prerrogativas dos Estados-nações, mas que agora teriam sido transferidas para a esfera supranacional, quer seja para órgãos ou instituições supranacionais, tais como as Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), quer seja para os mercados financeiros privados (“Governo Mundial”).

Claro que para um modelo político como esse funcionar todos os cidadãos do mundo precisariam adquirir acesso à Internet e demais tecnologias digitais de comunicação e informação, assim como desenvolver uma capacidade cognitiva para utilizá-las de maneira competente. Mas acredito que esse acesso universal no lugar de ser uma utopia, não demorará muito a se efetivar, pois, como discuti no meu artigo A mobilidade da multidão, a lógica do Império é inclusiva e conexionista, não busca necessariamente a exclusão e a reclusão, embora crie discrepantes diferenciais de mobilidade, acesso e conexão. Outra questão importante também é que a plataforma computacional e informática que servirá de base para esse modelo de democracia deve ser totalmente segura, para se evitar fraudes nas votações, invasão da privacidade e monitoramento dos padrões de tomada de decisão e de delegação de cada cidadão. Isso poderia ser muito bem assegurado através do trabalho colaborativo de milhões de desenvolvedores e hackers espalhados pelo mundo empenhados em detectar falhas de segurança na plataforma, propor correções e desenvolver criptografias mais seguras.

Bem, esse é o modelo democrático alternativo que pensei como uma proposta de substituição ao modelo de democracia representativa. Como toda proposta democrática, ele não está fechado e nem finalizado, mas aberto para a contribuição de todos para críticas e sugestões de melhorias (que serão muito bem vindas como comentários a esse post); a intenção é inaugurar um fórum para debater o assunto. Por isso, nem pensei em um nome para o modelo, pois pra mim os rótulos são o que menos importa, muito menos quem os propõe. O que importa realmente é nosso compromisso em utilizar nossa inteligência coletiva, nossa competência e capacidade para propor um modelo de democracia alternativo e consistente para sairmos do impasse de ter que engolir esse modelo insatisfatório de democracia representativa que nos é oferecido e alardeado como desejado e o único possível.

Uma boa atitude para começarmos a nos mobilizar em prol disso seria colocar a legimidade das eleições em crise ao pararmos de compactuar com esse modelo representativo débil, nos recusando a tentar remendar e fortalecê-lo simplesmente através da eleição de nossos próximos representantes. Para isso, uma primeira estratégia seria nos lançarmos à tarefa proativa de fundar, em cada país, um partido nos moldes do Demoex, que não propõe um novo plano de governo de um determinado candidato ou partido, mas um novo modelo de democracia em escala global e um novo governo da multidão. Uma segunda estratégia seria desenvolver uma plataforma piloto, de código fonte aberto, que sustentaria e viabilizaria na prática esse tipo de governo distribuído, colaborativo e bottom-up.  Mãos à obra? E, então, nas próximas eleições, em qual democracia você vai votar?

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27 comentários para “Democracia e Mídias Sociais – Proposta de um novo modelo democrático”

  1.   Anônimo disse:

    Julio Valentim,
    a experiência jornalistica aliada a visão crítica da politica e o processo “globalizatório” expresso em seu artigo ressoa nas classes menos favorecidas. O NE brasileiro tem muito em talentos, mas muito pouco em recursos desde tecnologia, vontade politica, consciência crítica, espírito ético e desenvolvimento humano. As áreas: social e cultural “vivem de pires na mão”, os incentivos governamentais não conseguem atender a demanda e as grandes empresas se negam a ter uma ação mais consciente e participativa sem que haja um “toma lá dá cá”…

  2. Como tu disseste, é preciso discutir esse modelo para descobrir o que pode ser melhorado e onde estariam as suas brechas.
    Eu não encontrei soluções mas tenho uma crítica pra refletir:
    Quando se tem um representante eleito responsável por determinada área, sempre podemos fiscalizar e reclamar de suas ações, reivindicar mudanças, por mais que ele possa se recusar a nos ouvir. Nessa representação tão plural do povo, quando uma massa responsável por determinada área tomar determinada postura, e uma minoria tiver algum bom motivo para precisar criticar essa atitude e reivindicar mudanças, pra onde poderá se dirigir essa minoria? Como poderá reivindicar mudanças, se a representação é feita por tantos, e desconhecidos? Isso não possibilitaria que as maiorias esmagassem as minorias, sem chance de reação? Há assuntos onde mesmo o interesse sendo de uma minoria ele precisa ser protegido. Nossa capacidade de protesto não seria infima, diante de grandes ondas de opinião formadas pelas maiorias? Como se sabe, as maiorias podem muitas vezes ser erradas.
    Acho muito interessante a possibilidade levantada, só estou tentando contribuir pra descobrirmos quais são ou não são seus pontos fracos. Não tenho certeza se o que eu pensei faz sentido.

  3.   Enderson Maia disse:

    http://nationbuilder.com/

    Existe essa ferramenta, não sei se ela é opensource, ou se será.

    Tem uma versão rodando no site http://whitehouse2.org/

  4.   Enderson Maia disse:

    É OpenSource sim.

    http://github.com/jgilliam/nationbuilder

  5.   Ivana Bentes disse:

    Gostei muito do texto! Democracia DIRETA e participativa é o grande desafio.

  6.   Fanon disse:

    Colega Julio,

    Boa iniciativa sua discutir questões referentes à democracia representativa, criticando-a, trazendo conceitos de alguns teóricos, propondo novos mecanismos, etc. Vamos contribuir, espero.

    Mas, primeiro:
    Você acaba confundindo “Democracia Representativa” (presente hoje na maioria dos países) com “governo da maioria”.
    Erro grave esse, pois nem aqui no Brasil, nem noutro lugar, a tal democracia representativa significa o governo da maioria.
    Democracia significa governo da maioria. Se é representativa, deliberativa, etc, (os “modos”) não muda o o cerne do significado.

    Na verdade a Democracia (que buscamos) é o governo da maioria (trabalhadores, os pobres, desempregados, etc), e esta não existe em nenhum lugar do mundo. Na URSS, no período revolucionário (17-24), se chegou (tentou) mais perto, mas o sonho (como sempre) foi enterrado (por uma série de fatores, stalinismo etc).
    Se no Brasil tivéssemos realmente o governo da maioria (e não da minoria) já era uma revolução.

    Segunda coisa,
    Como acabou tratando do “modo” da democracia, esqueceu também de dizer que essa Democracia que vivemos é uma democracia burguesa, onde uma determinada classe social (burguesia) é que detém o poder e decide as coisas, a seu favor é claro. Em todos os países do mundo, mesmo com a democracia “mais democrática”, quem manda são as corporações, empresas, bancos, industriais, enfim os capitalistas (gdes, médios e peq), o Capital. Ou seja, governo de uma minoria (burguesia mundial).

    Sobre Demoex, Parlamento, votação de projetos, propostas, etc.
    Partido sem idelogia ñ existe. Parlamento (símbolo da “democracia” – burguesa, claro) é uma construção histórica, de uma classe para servir a esta classe. Podemos botar 500 Lulas (ou Jesus) lá e não se muda o sistema, nem se acaba com o governo da minoria (e seus privilégios).
    Portanto, para acabarmos com esta falsa democracia, temos que criar (e lutar muito para isso, junto à maioria – trabalhadores/as, camponeses, pobres, etc) orgãos reais de poder da maioria (multidão, povo, o nome que preferes), pode ser assembléias populares, locais, regionais, por setor de trabalhadores, etc, mas que chegue o mais próximo da maioria e que lá discutam e decidam os rumos e que modo de produção, sistema e sociedade queremos.

    Se não derrubamos a minoria do poder, nem o capitalismo (Império), suas Leis, Estados burgueses, sua estrutura de poder, não adianta substituir parlamentares, vereadores, presidentes, etc. Exemplos disso não faltam na história, e no presente.

    Se as novas tecnologias podem e vão contribuir, pode ser, mas veja que não é o cerne da questão, pois as “elites” e o capital podem se manter ainda durante muito tempo, concedendo inclusive mais acesso digital, mais cadeiras no Parlamento, mais “canais de diálogo” etc.
    Tudo isso não é nada, sem discutirmos o capitalismo, quem manda efetivamente, etc, e lutarmos junto e com a maioria (somos a maioria não somos?) para que tenhamos realmente nossa vida, nosso trabalho, todas as riquezas, nossos rumos, rua, cidade, país e mundo em nossas mãos, e construírmos uma outra sociedade, justa, igualitária, onde o homem e a mulher sejam, senhores de seus destinos.

    Por hora chega.
    Depois desabafo mais!
    Abraço e até.

  7.   Roger Moko Yabiku disse:

    Quando ainda era aluno do mestrado em Filosofia Ética, elaborei algo chamado “Projeto Ágora – a oficina do pensamento”. Apresentei inicialmente a algumas entidades culturais da minha cidade, porém, não recebi sequer resposta. A introdução era mais ou menos isso:

    ” Na sociedade contemporânea, a avalanche de informações causa no indivíduo uma overdose de dados, que, por vezes, se encontra perdido e sem ação, diante de tamanha complexidade. Conceitos como democracia, política, ética, partidos políticos, educação, cultura, saúde, ecologia, cidadania e globalização, entre outros, permeiam os noticiários numa via quase que unilateral, não dando chances, muitas vezes, para que se formule uma opinião, com viés crítico, sobre assuntos que, porventura, possam ser importantes no cotidiano.

    Em Atenas, na antiga Grécia, os cidadãos da “pólis” discutiam suas diferenças e tomavam decisões acerca das coisas públicas num espaço conhecido como “Ágora”. É claro, que havia bem menos pessoas naquela época que nos atuais dias. Hoje, os cidadãos estão dispersos – quase num estado de apatia – e não sabem mais o que é deliberar ou decidir sobre a coisa pública. Está tudo tão perto e tão longe, ao mesmo tempo. Os jornais, as emissoras de rádio e televisão, mais a internet, fornecem uma sensação de onipresença, diminuindo as fronteiras entre os países.

    Por outro lado, porém, na “Ágora” moderna, o circo dos meios de comunicação, existem também os ausentes, seja na forma do leitor (ouvinte ou telespectador) com baixa formação cultural ou mesmo daqueles que não têm acesso aos mass media. A internet, por exemplo, criou uma enorme distância entre o “internauta” e o “não-internauta”.

    Um povo forte é um povo consciente de si. E para isto é necessária uma revitalização crítica da mais vital das suas capacidades: o pensamento. Os partidos políticos doutrinam seus membros, entretanto, em alguns casos, criam seguidores fanáticos, fechados à pluralidade ou qualquer outra forma de diálogo, tal como se fossem membros de uma religião civil. Daí, a importância do “Projeto Ágora – A Oficina do Pensamento”. As pessoas devem pensar por si mesmas para depois, se considerarem necessário ou conveniente, adotarem posições políticas, impostas pelos partidos.

    O povo brasileiro ainda engatinha, mas tem um futuro grandioso, se forem tomadas medidas no tempo certo. As discussões devem retornar ao povo, em vez de serem praticamente monopólio dos meios de comunicação. Portanto, se deve cultivar o amor ao saber e o pensamento crítico numa parcela qualificada que se tornará disseminadora, ou líder de opinião, junto a suas comunidades.”

    Quis dizer, em poucas palavras, que havia necessidade de maior formação educacional e cultural para que houvesse realmente possibilidade de exercício consciente e livre da democracia, algo que seria a liberdade realmente efetiva, emprestando alguns conceitos de Amartya Sen (http://treeofhopes.blogspot.com/2009/07/libertade-realmente-efetiva-para-ser.html).
    Outra coisa que chamo atenção é para a qualidade das notícias ou comentários divulgados na imprensa, principalmente no âmbito na minha região. Como por exemplo, ocorreu com a polêmica dos crimes hediondos (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8273), na qual se foi opinando a torto e a direito, disseminando informações incorretas e reafirmando preconceitos junto à população. Criou-se toda uma celeuma em torno do caso, pois se fez acreditar que, automaticamente, todos os condenados por crimes hediondos sairiam dos seus cárceres imediatamente, sem critério algum, como se fosse “mais uma amostra” de incoerência e irracionalidade por parte das autoridades judiciárias e penitenciárias do País.
    Uma imprensa de qualidade e compromissada com a cidadania e não com o próprio umbigo é importantíssima para a a realização plena da democracia.

    []‘s

    http://treeofhopes.blogspot.com

  8.   Danilo Soares disse:

    Ótima iniciativa, discutir a atual democracia é mais que necessário. Percebo que vivemos em um campo democrático falho, precisamos alterar os mecanismos, muitos expostos por vocês em seu texto.

    Sou a favor de uma democracia mais colaborativa, com utilização das novas ferramentas de informação, porém, escrevo o meu comentário para compactuar com a resposta de “José Antonio Magalhães”. É uma questão fundamental para ser pensada.

    Eu creio que a construção de uma democracia mais justa não será realizada concretamente em uma única ação, mas na atividade diária dos cidadão. Apóio, certamente, a ideia do partido exemplificado pelo “Demoex”. Precisamos inserir novas ações, como demonstrar publicamente via às novas ferramentas como o atual cenário político brasileiro virou um cabide de emprego, não só para os servidores públicos como para os políticos. Campo social não é industria.

  9. Ótima proposta!

    Na democracia 1.1 voto a cada 730 dias.
    Na democracia 2.0, quero votar diariamente.

    Na democracia 1.1, voto em representante.
    Na democracia 2.0, quero poder votar diretamente, sem representante.

    Na Democracia 1.1, tenho que ir à seção eleitoral.
    Na Democracia 2.0, quero votar de casa. Todos devem poder votar de casa, da taba, do galpão.

    Na democracia 1.1, só adultos podem votar.
    Na democracia 2.0, crianças “com noção” também devem votar.

  10.   Jonas Bruno disse:

    Sobre esse asunto, vale a pena dar uma olhada no site “WhiteHouse 2″, em http://whitehouse2.org/.
    O responsável pelo site é Jim Gilliam (http://www.jimgilliam.com/), que está desenvolvendo agora o NationBuilder (http://nationbuilder.com/), definido como um “serviço web para criar e manter uma democracia”.

  11.   Ricardo Poppi disse:

    Muito legal a proposta, estou certo que as ferramentas colaborativas devem ser utilizadas para transformar o exercício da democracia.

    Creio que é preciso estar atento, e nisso faço coro com José Antonio Magalhães, com os perigos da “tirania da maioria”. Uma multidão decidindo sobre todas as questões acaba por diluir a responsabilidade política, que hoje pode ser atribuída a governantes reconhecíveis.

    Enfim, concordo que é só o começo mas o caminho é esse!

  12.   Rafael Reinehr disse:

    Já está sendo feito no Brasil. Se tiver interesse em ajudar/aperfeiçoar de alguma forma, for favor entre em contato através do e-mail fornecido.

  13.   Helder Ribeiro disse:

    Júlio,
    Concordo com a idéia de começarmos a colocar isto em prática. Realmente, não há necessidade de outro nome. Acho que Democracia Líquida é o centro do modelo. O fato de ser nacional ou não, ou como os representantes se comunicam com seus representados, são modos como ela é implementada.

    Eu já comecei a fazer algo nesta direção, então podemos juntar forças. Estou curioso também para saber o que o Rafael Reinehr tem a dizer. Escrevi sobre minha idéia aqui: http://helderribeiro.net/?p=180. Aguardo sua resposta.

  14. Oi Júlio!

    Também estamos nessa empreitada para construção da Democracia Digital efetiva!
    Especialmente no Parlamento Aberto (Wiki – TRAC)
    Somos do Blog VOZ DAS GERAIS:
    http://vozdasgerais.blogspot.com

    Saúde e Paz!
    Giuseppe

  15. Achei a proposta fantástica, principalmente quando o manifesto cita Negri a todo instante para, depois, dizer que não tem ideologia. Shos de bola! O mais engraçado é o tom marxóide, “como advertiu Negri” . FAN-TÁS-TI-CO. Só o Reinaldo de Azevedo ganha de algo assim.

  16.   Anônimo disse:

    O que VS quer dizer com moral judaico-cristã? Que ela é culpada pela situação caótica da informação? Ou ela é culpada pela falta de ética na mídia? Enfim, qual seu propósito?

  17.   Anônimo disse:

    É preciso um novo modelo de democracia, uma vez que a representativa obtém o poder sem o controle de quem o delega, ou seja. os cidadãos. A única maneira da democracia representativa funcionar seria que o eleitor tivesse o poder de tirar o mandato de quem prevarica. Sedo o eleitor que delega o poder, a ele cabe também tirá-lo, e não aos próprios políticos. Como os juristas e políticos jamais iraõ permitir isso, então o remédio é partir para outro modelo a ser deliberado.

  18.   Raul F Iserhard disse:

    O grande e parece insolúvel problema é que toda revolta, para se impor e se defender, acaba por se instituir como revolução e, nesse instante, passa a empregar os mesmos métodos daqueles que antes combatia. Não conheço nenhum movimento político na História que tenha escapado desse dilema ou dessa armadilha. É como se contivesse em si a sua própria destruição.

  19.   ... disse:

    COCO

  20.   hjhgfg disse:

    ,jhbvc gfug

  21.   Eduino de Mattos disse:

    É EU DEFENDO A DEMOCRACIA PARTÍCIPATIVA, A PARTICIPAÇÃO POPULAR “DIRETA” COM A POPULAÇÃO.

    MAS, “O ESTADO BRASILEIRO É BLINDADO” NAS TRÊS INSTÂNCIAS DO PACTO FEDERATIVO NACIONAL, OS POLÍTICOS TEM IMUNIDADE PARLAMENTAR SÃO “INTOCÁVEIS”.

    *QUANDO COBRAMOS DO EXECUTIVO E DO LEGISLATIVO “ESTE DIREITO A PARTICIPAÇÃO”, ELES DIZEM HÁ ISTO É IDEOLÓGICO, É PARTIDÁRIO, É FORA DA LEI NÓS FOMOS ELEITOS DEMOCRÁTICA-MENTE ETC.

    * O CAMINHO NO BRASIL É URGENTE UMA REVISÃO DO PACTO FEDERATIVO NACIONAL !

    * UMA REFORMA POLITÍCA SÉRIA E ABRANGENTE, COM MUDANÇAS EM TODO O PROCESSO ELEITORAL, DAS GESTÕES PÚBLICAS, ETC. NO TERRITÓRIO BRASILEIRO.

    Eduino de Mattos
    porto alegre/rs

  22.   zhang disse:

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  23.   zhang disse:

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  24.   happy disse:

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  25.   Rodrigo Pereira disse:

    Você não acha que esse sistema do demoex não pode cair no problema da espiral do silêncio, como você cita no texto? Mesmo as pessoas decidindo questões pontualmente elas seriam imunes a esse conformismo de buscar se posicionar de acordo com a opinião dominante? Imagine uma questão mais global como a legalização do aborto. Há prós e contras a legalização, nem todas as opiniões contrárias ao aborto são de origem religiosa, mas é claro que as religiosas são opiniões também. Com certeza é difícil um concenso sobre isso. Então eu vejo o seu modelo de democracia funcionando para a questão local, mas quando ele é usado para questões globais ele se torna falho como o nosso modelo de democracia representativa. Nem sempre a melhor opinião é a a da maioria, caso contrario seriamos todos monarquistas, use como exemplo a conjuração mineira, totalmente minoritária na época.

    Outro defeito que eu vejo no seu sistema de democracia é como escolher as prioridades. Eu posso ter a senha da questão x e y mas talvez eu esteja mais interessado por hora em uma nova questão z que não está no escopo de decisões. Teria eu que consultar todos para colocar a minha votação em pauta prioritária?

    São algumas questões ;)

  26.   josé carlos salvagni disse:

    É claro que a Internet oferece possibilidades incríveis. Mal as estamos percebendo ainda. Mas como nos alertaram gente como Aldous Huxley, temos de sonhar – com alguma cautela quanto aos sonhos, que podem revelar-se pesadelos. Achei muito interessante a idéia do DEMOEX, da Suécie. É uma experiência que deve ser acompanhada e pode servir de referência para consultas populares supervisionadas pela Justiça Eleitoral com mecanismos como o da assinatura eletrônica. De certo modo, já estamos exercendo essa experiência quando assinamos listas de petições a um dos Três Poderes. Mas, insisto, um olho no sonho, outro no risco. As tiranias pipocam mesmo quando se vigia…

  27.   Guilherme disse:

    Gostei muito da proposta, só que ainda tenho algumas questões relativas a todo projeto voltado a uma democracia mais direta e que giram em torno da problemática do território e da escala de intervenção política. Numa unidade federada, como o caso do Brasil, forjada sobre um macro nacionalismo, ainda que num certo “ufanismo” regional e local, não consigo vislumbrar êxito em programas que visem atingir esse nível nacional macro. Só acredito em eficiência de uma democracia direta se a unidade política territorial for de outro nível, pra mim, quanto mais local melhor. Afinal, é no e pelo local que temos dimensão dos reais problemas, que conseguimos vislumbrar de modo mais claro as soluções. Se continuarmos com essa ilusão federativa e nacionalista (e isso pra mim vale para o mundo todo), não conseguiremos conduzir uma outra forma de fazer política, ou, aliás, conseguiremos sim, mas tão falível quanto essa que atualmente existe.

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