Questões sobre o ciberativismo ambiental
Há quase 2 semanas atrás fiz um post no Global Voices Online reunindo comentários e algumas informações que apontaram na blogosfera brasileira sobre o Manifesto do Lixo Eletrônico, que foi criado pelo Coletivo Lixo Eletrônico. O post aborda algumas opiniões sobre a questão ambiental e como o Brasil tem encarado essa situação, visto que o lixo tecnológico cada vez mais aumenta, seguindo o ritmo do crescimento econômico e populacional. Decidi então ressuscitar essa pauta como primeiro post no Trezentos, afina de contas, todos nós aqui contribuimos para o consumo de aparelhos eletrônicos no nosso cotidiano. O Danilo César já se encarregou de evidenciar essa pauta aqui, especificamente nesse post, mas será que não estamos seriamente negligenciando a questão ambiental e reciclagem de bens tóxicos?
O brasileiro esquece demais das coisas. Esquece dos escândalos políticos e reelege políticos nojentos que avançam em nosso dinheiro como abutres; esquece de jogar cada tipo de lixo no lugar certo; esquece (ou ignora) a possibilidade de reaproveitar bens eletrônicos fazendo doações ao repassar para outros pessoas; esquece que se não contribuir para mudar o nosso estilo de vida atual somos nós que estamos ameaçados.
O que fazer então para não mais nos esquecermos tanto das coisas? Aposta-se muito na internet para nos tornarmos mais conscientes dos problemas e termos meios de lutar contra ideologias, poderes e conflitos. O ciberativismo é a bola da vez e todo mundo quer fazer parte disso. Mas será que não precisamos parar para pensar se estamos combatendo problemas mais imediatos e que podem nos atingir diretamente? Claro que lutar contra a politicagem brasileira, os processos fraudulenteos no Irã ou a opressão à liberdade de se expressar é imprescindível. Todavia, temos de saber dosar corretamente o nosso foco, para que nada escape dos nossos olhos.
A petição online do Manifesto do Lixo Eletrônico tem pouco mais de 1300 assinaturas em mais de um mês de existência. Não acham muito pouco? O post do Danilo César não teve nenhum comentário em um blog acessado centenas de vezes por dia como o TREZENTOS. É bem verdade que em toda a internet brasileira o ativismo ambiental – ou o ‘ciberativismo ambiental’ parece ser negligenciado quase que categoricamente pelos leitores, se comparado com outros itens. Os conflitos políticos, ideológicos, comunicacionais ainda prevalecem nas discussões.
Não quero apontar o dedo para ninguém, mas será que não estamos ignorando a luta contra a destruição do meio ambiente? Se esse ritmo de degradação aumentar, somente nos causará prejuízo e cedo ou tarde os centros urbanos sofrerão. O problema do lixo nas cidades, eletrônico ou não, continua sendo um dos cânceres que corroem a humanidade, mas agora temos métodos para começar (ou impulsionar) uma discussão séria e severa sobre o destino do ambiente urbano e natural.
Para os interessados a começar desde já a contribuir para esse debate, o Coletivo do Lixo Eletrônico está gerenciando um Grupo de Trabalho sobre o lixo eletrônico no IV Congresso de Cibersociedade. Quem sabe algumas soluções úteis e sólidas não saiam daí?
Abraços.


Opa Diego, concordo plenamente com você, 1300 é muito pouco, mas reflete como nos comportamos. Nós usamos software proprietário, fomentamos DRM, comemos carne (principal cauda do desmatamento na Amazônia), etc. Falta coerência !
Acho que a carne não seria um problema tão grande se houvesse seleção e auditoria de carne certificada. O problema é que conhecemos o teatro entre governo e iniciativa privada. No final das contas, sempre vão burlar esse sistema.
Conscientizar as pessoas me parece o mais plausível a fazer. Quando a maioria souber qual seu destino vão começar a se mover e lutar por direitos.
Acho que a conscientização só vem com a experiência. Se ela não é vivenciada no cotidiano, se não interfere nas emoções das pessoas (a memória é especialmente emotiva), ela não passa de discurso. “Os conflitos políticos, ideológicos, comunicacionais ainda prevalecem nas discussões” em boa medida porque interessa àqueles que se fortalecem com a situção posta, e sempre filtrada. Acredito realmente que as questões ambientais serão pauta frequente quando a fragmentação do pensmaento começar a ruir, em cada um. O ambiente não é uma parte, é o todo, e a muitos não interessa que os muitos outros conscientizem-se disso.
Ronaldo brilha muito em qualquer lugar