Trezentos

O início de uma multidão

Bibliotecários

Trecho de uma conversa entre Charlie Stross, escritor vencedor do prêmio Hugo de ficção científica, e Paul Krugman, prêmio Nobel de economia e colunista do New York Times, na Convenção Mundial de Ficção Científica, em Montreal, no último dia 6 de agosto:

PK: Ainda não descobrimos a economia da disseminação fácil de informação. Embora a Internet seja um chapéu velho, ainda não vimos a economia do seu funcionamento. […]

[…]

CS: Ah sim. Por outro lado, com bens físicos, você precisará de massa e energia para montá-los. Enquanto para a propriedade intelectual, não é preciso tanta elaboração. Há muita gente se afligindo sobre pirataria e cópia de coisas na Internet, editores que estão muito, muito preocupados com toda a idéia de pirataria de ebooks. Gosto de ganhar um pouco de perspectiva sobre isso lembrando que antes da Internet surgir, tínhamos um termo muito especial para a pessoa que compra uma única cópia de um livro e daí permite que todos os seus amigos o leiam de graça. Nós os chamávamos de bibliotecários.

Via Hermê.

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10 comentários para “Bibliotecários”

  1.   Paulo Rená disse:

    Eram os compartilhadores do mundo off-line, os precursores da cultura livre! =)

  2.   @fredericocutty disse:

    Paulo, eram e são quem facilita o compartilhamento de conhecimento, idéias, informação a baixo custo através do empréstimo de livros em um ambiente físico, a Biblioteca. Mas vamos trazer para hoje (Internet). As redes p2p compartilham informação, e-books, cultura (filmes, música) etc… Logo o que temos? Uma rede de pessoas que compartilha seus recursos, arquivos, documentos (economia da abundância), que funciona de forma parecida como a biblioteca offline, só que ligadas em rede (nós) oferecendo algo parecido com o empréstimo, o download. Então temos uma #BibliotecaP2P

  3. Concordo.

    Gosto particularmente da descrição do Yochai Benkler:

    Se em 1999 eu lhes dissesse, vamos construir um sistema de armazenamento de dados e recuperação. Ele tem que armazenar terabytes. Ele tem que estar disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele tem que estar disponível de qualquer lugar do mundo. Ele tem que suportar mais de 100.000.000 usuários a qualquer dado momento. Ele tem que ser robusto contra ataques, incluindo fechamento a página principal, injeção de arquivos maliciosos, acesso armado a alguns nós principais. Você diria que isso levaria anos. Poderia levar milhões. Mas é claro, o que estou descrevendo é o compartilhamento de arquivos P2P. (…)

    Lembrem, dinheiro não é sempre o melhor motivador. Se você deixa um cheque de 50 dólares depois de jantar com os amigos, você não aumenta a probabilidade de ser convidado de volta. E se o jantar não for inteiramente óbvio, pense em sexo.

  4. Sugiro grifar, no post, o trecho “antes de a Internet surgir, tínhamos um termo muito especial para a pessoa que compra uma única cópia de um livro e daí permite que todos os seus amigos o leiam de graça. Nós os chamávamos de bibliotecários”.

    E depois, pode apagar esse comentário.

  5.   Cesar Shu disse:

    Sugestão acolhida, Paulo :)

  6.   Barbara disse:

    Interessante. Estou pensando aqui com meus botoes que se o conceito de biblioteca surgisse hoje, ia ter gente tentando proibi-lo. Que triste.

  7.   Cesar Shu disse:

    É verdade, Barbara. Pela mentalidade corporativa sobre “direitos” que tentam nos impingir, bibliotecas seriam proibidas por tratados internacionais.

  8.   @fredericocutty disse:

    Falando nisso, se a biblioteca tradicional empresta livros ou nós trocamos livros com outras pessoas e isso não é crime, porque seria crime compartilhar livros e músicas via rede? #bibliotecap2p

  9.   aiaiai disse:

    caramba,

    Bingo, menina barbara! Peço licença para usar essa sua frase (já imaginando que vc, é claro, concederá).

    GENIAL!

    Acrescento que houve uma época – uma tal de idade média – na qual pessoas muito ruins quiseram mesmo proibir o acesso de todos aos livros.

  10.   Discípulo de J. L. Borges disse:

    Infelizemente hoje o que mais temos visto é a biblioteca ser usada como um acessório.

    Por exemplo: Quantas vezes vocês já viram diversas pessoas até o nosso querido Presidente Lula dar entrevistas tendo como fundo uma biblioteca, bonito né?

    Nas Universidades não é diferente, tem alunos que se formam em 4,5 anos e vão a biblioteca no máximo 2 vezes (e por obrigação).

    O (des)caso do Estado para com as bibliotecas é reflexo da sociedade “virtual” e inculta que vivemos. As pessoas vivem em um videoclipe. (desculpe se vomitei no teu colo)

    Vamos aos fatos, acreditam que a Argentina lê mais livros do que a nossa nação? Porque será? Deve ser o tamanho! Da ignorância.

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