AI5 Digital – A “Reforma” Eleitoral
A atual tentativa do Congresso de Censurar a internet dá o tom do pavor que as elites e os políticos sentem de qualquer ferramenta que lhes escape ao controle.
Se é bem verdade que Rádios e TV’s são concessões públicas, também é uma – triste – verdade que estas concessões são dadas à qualquer político que pague mais, corrompa mais ou influencie mais. Não há um critério honesto e decente e é o mínimo que se imponham regras para evitar – limitar, pelo menos – campanhas descaradas para um ou outro candidato.
No caso Brasileiro em particular o que acontece é que, ao longo do horário eleitoral, um – pequeno, ínfimo – espaço é aberto para os partidos menores enquanto os partidos maiores recebem maior espaço e holofotes. Mas o que realmente interessa é que, todos sabemos, existe campanha descarada da mídia pró candidato A ou B. Basta ler, ouvir ou assistir à programação midiática que descaradamente escolhe lados, por mais que finja ou afirme não fazê-lo. Fazem da maneira mais suja possível, se valendo de brechas, subterfúgio e mensagens nem tanto subliminares.
A guerra entre Globo e Record, por exemplo, foi pautada também por uma guerra de interesses políticos relacionados à concessão da Record News, da Globo propriamente dita e da fraude que foi a compra da Record pelos laranjas da IURD. O que vimos foi a verdade destas redes de Televisão sendo jogadas no ventilador. Ganhamos em termos de conhecimento e reconhecimento da verdade mas ainda falta – faltará para sempre – uma ação real das autoridades (melhor dizendo, “otoridades”) investigando e punindo com efeito e seriedade os abusos mil.
Voltando ao assunto principal, a internet, notemos que esta não é uma concessão pública, é livre por definição, não é cabível a censura e, muito menos, a imposição de regras similares à de outros veículos para seu funcionamento.
Como limitar o número de propagandas de um candidato em uma ferramenta em que o histórico continua lá para qualquer um ler? Não é como na TV ou rádio em que você assista na hora um programa, uma propaganda. Na internet o que já passou continua lá, para ser livremente acessado, a qualquer momento.
Nem vale entrar na total impossibilidade de se, efetivamente, fiscalizar ou controlar milhões de sites, blogs, fotologs, perfis de comunidades sociais e etc. Será que os digníssimos Azeredo e Maciel irão pessoalmente passar as 24h do dia fiscalizando site-a-site? Se bem que nem é má idéia colocar todos os parlamentares na tarefa, ao menos ocupados não poderiam mais nos causar os prejuízos diários que causam.
Pois bem, alguém me explica quem vai analisar e interpretar se um blog, por exemplo, deu “tratamento privilegiado” a um candidato ou outro? Como assim eu serei proibido de, em MEU blog PESSOAL declarar meu apóio a um candidato A ou B? Todos sabem que votarei em Plínio de Arruda Sampaio para presidente, durante as eleições serei, então, proibido de repetir isto? Pior, terei de apagar este post e vários outros do meu histórico porque este pode ser sempre acessado?
Voltando à questão técnica, para além da fiscalização e punição, o que irão fazer com sites hospedados no exterior? Quero só ver!
Como será o “direito de resposta” no twitter? Mas, espera, eu não posso nem falar sobre política e comentar sobre um candidato no Twitter? No Facebook? Vão fechas as comunidades de apóio a um ou outro candidato no Orkut?
Este projeto demonstra a total e completa ignorância dos dinossauros do congresso, pessoas que ainda lêem seus e-mails impressos pelas secretárias, que sequer sabem diferenciar um blog do Facebook, se é que sabem ao menos o que é o Facebook! Assim como os dinossauros, são perigosos pois em sua ignorância podem – tentar – censurar a ferramenta livre que é a internet.
Fica claro ainda que boa parte de toda esta palhaçada se deve à birra entre o TSE e os Deputados e Senadores, o primeiro frustrou os canalhas, ops, parlamentares por ligar o parlamentar ao partido, por exemplo.
Eles brigam, nós, o povo, perdemos.
A tentativa de colar a idéia desta censura à uma suposta moralização é inútil, soa ofensiva quando os políticos corruptos e com ficha suja continuarão a concorrer em total liberdade. Existe liberdade para a bandalha, para o roubo, mas não para a livre expressão! Nós, palhaços, ops, eleitores, para piorar, sequer podemos sabem quem financia nossos candidatos! A piada da doação oculta permanece. OS parlamentares tem medo de dizer a verdade, de mostrar de onde vem o dinheiro de suas campanhas e pra quem irão, efetivamente legislar. Para nós é que não é, disto já sabemos!
Em que país sério os eleitores e até o TSE são impedidos de saber de onde vem o dinheiro que financia os políticos? Se a máfia resolver financiar, sem problemas, se o tráfico resolver financiar, que sejam felizes mas…. É assim que funciona!
A proposta do AI 5 Digital do Senador Azeredo é isto e, junto com a afirmação de práticas absurdas como permitir que fichas-suja concorram e que o eleitor não possa saber de onde vem o dinheiro que financia seu candidato, formam uma piada de mal gosto, prejudicial ao país, a todos.
Não basta sermos governados por uma máfia, temos ainda de ser proibidos de falar, de reclamar, de tentar uma alternativa. Estas propostas demonstram o descaso da classe política, a sua vontade de manter suas mamatas, direitos e privilégios, seu descaramento em se recusar a informar de onde vem o dinheiro que os financia – por consequência, para quem eles legislam, em favor de quem – e, junto a isto, denuncia a veia ditatorial porquerer nos proibir de discutir, reclamar, propor alternativas.
Censura pura e simples, uma vergonha! Falar em “Reforma” é risível, estamos frente a um desmanche ilegal.
1 comentário para “AI5 Digital – A “Reforma” Eleitoral”
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Pianoforte:
Pianoforte…
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--16 de novembro de 2009 @ 18:35

