Trezentos

O início de uma multidão

A Evolução da Democracia

O Mundo muda sob o impulso de evoluções, revoluções e sacrifícios..

As revoluções se dão quando uma demanda reprimida comum a quase todas as pessoas se torna insuportável e felizmente nem sempre são necessárias.

Infelizmente, quando a evolução encontra a fronteira entre minorias que controlam os dispositivos de poder e maiorias que já não suportam ver seus direitos subtraídos, estão plantadas as sementes de uma revolução.

Enquanto essas sementes da transormação futura são frágeis os dispositivos de poder são usados para pintá-las com as cores da transgreção e da ilegalidade.

Foi assim na Ditadura no Brasil, durante o Macartismo nos EUA e em Esparta quando os oráculos foram comprados para criminalizar a resistência heróica dos Trezentos.

É assim hoje quando pessoas são intimidadas ou processadas por terem criticado uma loja de doces, por liberarem um comentário supostamente difamatório, por afirmarem que não gostaram de uma consulta médica ou de um restaurante (ou mesmo de um peixe), por denunciarem políticos ou convidar os amigos a cancelar a assinatura de um jornal que considera tendencioso.

Por isso os Trezentos devem se colocar novamente na linha de frente ainda que nesse momento ela seja a tênue divisão entre o que era ilegal e passará a ser justo, o que era justo (mas não moral) e passará a ser nosso direito.

Nossos escudos são as nossas vozes coletivas que não devem se calar, nossas lanças o direito a opinar e nosso difícil treinamento deve ser o controle das emoções para jamais nos entregarmos à tentação de contrariar o que é honrado e certo: a clareza dos fatos e o direito ao diálogo evitando os jugamentos da moral ou do caráter alheio.

Essa semana, por coincidência ou fato, uma horda de ações e decisões legais contra blogs se juntaram a outras tantas intimidações levando-nos a perguntar: toda expressão crítica online é crime ou passível de ser criminalizada?

Os casos citados acima deixam claro que a fixação de um Marco Civil definindo quais são nossos direitos online ANTES da fixação de marcos criminais é muito mais do que um ato de bom senso, é uma medida vital para garantir a evolução (e até diminuir as possibilidades de uma revolução) da nossa democracia.

Quando falo em revolução não me refiro à mobilização armada primeiro porque modernamente essas são sempre feitas com o apoio de vasto capital de grupos cujos reais interesses não conhecemos e que, quase sempre, terminam por impor um governo totalitarista. Me refiro à transformação mais rápida do que as nossas estruturas sociais, políticas e econômicas estão preparadas para absorver e consequentemente a um período de árdua transição em vez de uma suave evolução.

Quanto ao marco civil e nossos direitos online, francamente, deveriam ser meramente os mesmos que temos offline: afinal não estamos diante de dois mundos ou realidades, mas de uma única sociedade que tem o direito a opinar e o faz pessoalmente, na rua com amigos, na fila do banco com estranhos, no telefone, na Internet.

E vamos acabar com essa distinção entre blogueiros e não blogueiros: toda pessoa que expressa suas opiniões online deve ser considerada um blogueiro e não apenas quem faz um diário pessoal em um site esquecido (ou popular) em uma esquina da Internet.

Mais ainda, você que lê esse artigo e jamais escreveu na Internet também é um blogueiro, mas é um blogueiro ouvinte que repassa suas opiniões formadas pelo conjunto de coisas que você vê offline (na rua, nos papos com os amigos…) e absorve online na Internet, em revistas, jornais e televisão.

Sim! Online em revistas, jornais e televisão! Porque considerá-las meios offline se são produzidos graças a vastas redes digitais e se propõe a ter o mesmo enfoque consolidador das vozes coletivas que vemos ao vivo online e muitas vezes sem intermediários além da mediocracia do Google?

Por falar nisso compreender a mediocracia do Google é um dos desafios para quem não compreende a cultura de quem não limita mais sua existência às nossas cidades de concreto estendendo-a para as cidades de bits (e alguém ainda pensa em bits em vez de pessoas ao entrar na Internet?), mas é essencial.

Seu nome, sua empresa, sua causa aparecerá nas primeiras páginas das buscas no Google de acordo com a forma como essa rede social chamada Internet as enxerga. Se a média das pessoas que falam em você te consideram uma pessoa legal o Google te mostrará assim, do contrário será sua face desagradável que será mostrada. O crime não é de quem escreveu a opinião eleita para representar você, mas de centenas ou milhares de pessoas que o viram daquela forma e, portanto, quem te difama são suas próprias atitudes! Processe-se, intimide-se e passe a agir corretamente!

O Mundo está mudando e não se trata de uma anarquia que surge onde alguns indivíduos ferem a honra de outros, mas de uma hiperdemocracia onde a voz coletiva é ouvida e a forma justa de defender nossa imagem é, antes de mais nada, construir uma boa imagem ofline e online (aliás esqueça essa história de online e offline). E depois, demonstrando nosso respeito às opiniões coletivas, respondendo às agressões com diálogo e não com repressão, pois nada é mais difamatório em uma hiperdemocracia (e devia ser também em nossa democracia) do que a supressão de uma voz e do seu direito de expressão que não se esconda atrás do anonimato.

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4 comentários para “A Evolução da Democracia”

  1.   Quã disse:

    Importantíssimo o salientar que fez da importância de como priorizamos as informações na rede.

    Mas essa fé no Google implícita ao texto, neste momento, não poderia ser pior colocada…

    http://yro.slashdot.org/story/09/12/08/0127219/Google-CEO-Says-Privacy-Worries-Are-For-Wrongdoers

    Abração,

    ale
    ~~

  2.   Roney Belhassof disse:

    Oi Quã.

    É no Google que as empresas e pessoas vão para saber o que estão falando delas e normalmente não sabem que um resultado está na primeiira página porque provavelmente representa a opinião geral sobre aquela busca. Era isso que eu tentava explicar e vale para os outros buscadores também.

    Creio que eles tem perdido muita importância conforme as redes socias se expandem e ficam mais coesas online, mas eu não lembrei de falar nisso. Devia ter falado…

    Acho que não entendi o problema na afirmação do ceo do Google “Se você estiver fazendo algo que não quer que ninguém saiba talvez não devesse fazê-lo para início de conversa”. Acho que isso é um fato online com ou sem buscadorres, não é?

  3. União

    Não podemos temer o estado porque o estado é nosso, não podemos temer as bombas de efeito moral porque temos moral para manifestar, não podemos temer os corruptos porque suas cadeiras nos pertencem, não podemos temer a policia porque pagamos para eles nos proteger, não podemos temer a nós mesmo porque juntos podemos fazer a diferença.

    Peterson Correa Pimentel
    http://www.terceiromundo.spaceblog.com.br

  4.   Adilson disse:

    Com a devida licença quero fazer menção a outra notícia, que no meu sentir é importantíssima para quem ainda preserva a ética e os bons costumes.

    Essa notícia é fantástica para quem tem uma vírgula de ética e de bons costumes, e péssima para quem imaginava que o Delegado Protógenes estava liquidado.

    Do sítio dos “Amigos do Presidente Lula”

    “O ministro do Esporte Orlando Silva (PCBdoB), requisitou o delegado Protógenes Queiroz (PCdoB/SP) para integrar o governo federal, em seu ministério.

    A função é para atuar como uma espécie de assessor de segurança para grandes eventos esportivos, principalmente a Copa de 2014, no Brasil.

    Protógenes já é membro do comitê de segurança da FIFA, a Federação Internacional de Futebol, e foi indicado ao cargo pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF)”.

    Ou seja, Protógenes comandará as ações de inteligência que envolverão os grandes eventos esportivos do Brasil, a começar pela Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
    Para quem estava pensando em se dar bem por meio do furto na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, agora é melhor pensar mil vezes.

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