Trezentos

O início de uma multidão

A copa do mundo e a prostituição

Texto extraído do site da Marcha Mundial das Mulheres
O processo de preparação para a Copa do Mundo trouxe para a África do Sul o debate da descriminalização e regulamentação da indústria do sexo. O país sede do mundial esperava receber neste período cerca de 40 mil prostitutas dentre meio milhão de visitantes que devem passar pela copa até o final.
Na Alemanha, em 2006, não foi diferente, com a indústria do sexo legalizada desde 2002, o país se preparou para a copa com a construção de estádios, hotéis e luxuosas casas de prostituição, acreditando os investidores que futebol e sexo caminham juntos.

O projeto de lei que previa esta regulamentação da prostituição na África do Sul não foi adiante. Porém, nos argumentos das entidades defensoras desta causa estão a forte discriminação sofrida pelas prostitutas no país, uma vez que, com a ilegalidade da prostituição, esta mulheres não podem contar com o apoio de nenhuma instituição pública, seja a polícia, em caso de violência, ou o serviço de saúde, para prevenção e tratamento de DSTs, por exemplo.

O fato é que criminalizar as mulheres não é mesmo o caminho, muito pelo contrário, elas precisam de todo um suporte do Estado para a garantia de uma vida digna, com distribuição de renda, acesso aos serviços públicos como saúde e educação e políticas públicas para construção de sua autonomia financeira.

Porém, as mulheres não são as verdadeiras beneficiadas com a prostituição. Tais medidas visam claramente a defesa sanitária dos usuários da prostituição, dado os altos índices de HIV na África do Sul.

Além disso, precisamos considerar que a prostituição se torna uma atividade cada vez mais rentável para os capitalistas, esta regulamentação tem como efeito estimular o crescimento da indústria do sexo. Segundo o Parlamento Europeu, a indústria sexual ilegal realiza, por ano, mais dinheiro do que todos os orçamentos militares do mundo juntos (5 a 7 mil milhões de dólares) e cerca de 4 milhões de indivíduos, principalmente jovens mulheres, são anualmente transportadas dentro de um mesmo país e entre países com o objetivo de serem exploradas sexualmente.

Mulheres oriundas de países subdesenvolvidos são as maiores vítimas desta exploração. Vivendo em situação de pobreza absoluta, com baixa escolaridade, empregos precários, elas tornam-se presas fáceis para os aliciadores e acabam encontrando na prostituição uma alternativa para escapar da miséria a que estão submetidas. É a manutenção das pessoas na miséria que garante o fornecimento de meninas para o mercado do sexo. Por este motivo, a prostituição não pode ser encarada como uma opção individual das mulheres, sem considerar as condições de vida que a elas foram oferecidas.

A próxima copa do mundo será no Brasil, o debate da regulamentação da prostituição já é ventilado por algumas entidades da sociedade civil, setores do governo e do parlamento.

O fato é que a Copa do Mundo está diretamente atrelada ao turismo sexual, atividade que tem raízes principalmente na relação entre turismo e populações carentes, já que vivemos em um modelo econômico perverso e injusto que visa exclusivamente o lucro de poucos e não se importa com a vida das mulheres. Por isso, precisamos ficar atentas para não deixarmos que a pressão dos investidores fortaleça uma posição favorável à legalização da indústria do sexo no Brasil.

por Verônica Maia, militante da Marcha Mundial das Mulheres no Ceará.



Post to Twitter Post to Delicious Post to Digg Post to Facebook Post to MySpace Post to Ping.fm Post to StumbleUpon

4 comentários para “A copa do mundo e a prostituição”

  1.   LIA SARTORI disse:

    Acho lamentável toda esta realidade de prostituição, principalmente de meninas pobres. Não que ocorrendo com outras mulheres seja menos lamentável. È a coisificação da pessoa humana. O desprezo pela dignidade da pessoa, como ser com direitos e deveres. Não creio ser a solução a regulamentação por leis da prática da prostituição. O que precisam investir de forma séria é na educação , saúde e dignidade da pessoa humana. Nenhum ser humano deve servir a desejos esdrúxulas e mesquinhos dse outros. nenhum ser humano merece um tratamento tão vil. Penso que é necessário ser sério e ético nestas questões. O Estado como detentor do poder e do dinheiro público deve colaborar de forma eficaz para evitar que meninas/ ou mesmo meninos encontrem na prostituição o seu meio de vida. A vida é algo muito valioso para ser explorado por pessoas inescrupulosas e exploradoras. A vida é uma benção, não uma maldição. deve ser amplamente valorada e defendida. Leis que autorizam a prostituição penso que somente reforçam e estimulam esse mau uso do corpo e mente das pessoas, as quais tem direito à dignidade como qualquer cidadão. Reforcemos a ampliação dos direitos humanos e sua prática. Reforcemos a ampliação e prática dos direitos das pessoas à moradia, ao lazer saudável, à educação, à saúde, ao trabalho. A deterioração da qualidade de vida do ser humano deve ser combatida em todas as suas formas. o Estado, através dos seus poderes não pode camuflar práticas errôneas, imorais, atentadoras à vida das pessoas. Lembremos que a finalidade primordial do Estado è a realização do bem-comum. Do bem !
    Prostituição é exploração, é dominação, é destruição do corpo, da auto-estima, da qualidade de vida das mulheres frágeis numa sociedade egoísta, com sérios problemas de ordem ética.
    Sou contra qualquer regulamentação deste tipo de atividade. desejo que todas as mulheres do mundo tenham vida digna, trabalho, educação, realização pessoal, amor de verdade!
    LIA SARTORI
    SANTA MARIA/RS
    Advogada e Artista Ambiental

  2.   LIA SARTORI disse:

    Acho lamentável toda esta realidade de prostituição, principalmente de meninas pobres. Não que ocorrendo a prostituição, com outras mulheres seja menos lamentável. É a coisificação da pessoa humana, o desprezo pela dignidade da pessoa como ser sujeito a direitos e deveres. Não creio ser a solução a regulamentação por leis da prática da prostituição. O que realmente precisam investir de forma séria é na educação , saúde e dignidade da pessoa humana. Nenhum ser humano deve servir a desejos esdrúxulos e mesquinhos dos outros. Nenhum ser humano merece um tratamento tão vil. Penso que é necessário ser sério e ético nestas questões. O Estado, como detentor do poder e do dinheiro público , deve colaborar de forma eficaz para evitar que meninas e/ou mesmo meninos encontrem na prostituição o seu meio de vida. A vida é algo muito valioso para ser explorado por pessoas inescrupulosas . A vida é uma benção, não uma maldição. A vida deve ser amplamente valorada e defendida. Leis que autorizam a prostituição , penso que somente reforçam e estimulam esse mau uso do corpo e mente das pessoas, as quais tem direito à dignidade , como qualquer cidadão. Reforcemos a ampliação dos direitos humanos e sua prática. Reforcemos a ampliação e prática dos direitos das pessoas à moradia, ao lazer saudável, à educação, à saúde, ao trabalho.
    A deterioração da qualidade de vida do ser humano deve ser combatida em todas as suas formas. Aliás a Constituição Brasileira expressa isso: o direito à vida, à saúde, à dignidade humanas. O Estado, através dos seus poderes não pode camuflar práticas errôneas, imorais, atentadoras à vida das pessoas. Lembremos que a finalidade primordial do Estado é a realização do bem-comum. Do bem -comum !
    Prostituição é exploração, é dominação, é destruição do corpo, da auto-estima, da qualidade de vida das mulheres frágeis numa sociedade egoísta, com sérios problemas de ordem ética. Onde ainda a maioria dos nossos políticos , que fazem as leis à nação , é consituída por homens!
    Mulheres defendam-se! As leis devem defender amplamente a sua dignidade como seres humanos e não explorá-las !
    Sou contra qualquer regulamentação deste tipo de atividade. Desejo a todas as mulheres do mundo que tenham vida digna, trabalho, educação, realização pessoal, amor de verdade e muita dignidade para fazer de nossa sociedade algo bom, bonito, justo e saudável a todos.
    LIA SARTORI
    SANTA MARIA/RS
    Advogada e Artista Ambiental

  3.   Sou eu disse:

    Engraçado como as feministas não querem a legalização da “industria” do sexo. Querendo advogar sobre a decisão alheia que cabe á cada um. Muito engraçado como a sexualidade das mulheres interessam á outras mulheres. Que direitos têm á dizer o que outros devem fazer de seu corpo e sua vida ? absolutamente 0-0+0×0! Nenhum.

    Quando não são os religiosos são as feministas…

    Eu acho q industrias tem que ser reguladas e legalizadas. Somente assim pode-se conseguir um mínimo de controle (por exemplo: contra a prosituição infanto-juvenil, a educação para uso de preservativos, facilitar a denúncia de cafetinagem, etc).

    Eu sou a favor de se discriminalizar qq atividade q seja praticada em larga escala. Facilita o controle e diminui-se a opressão em cima das liberdades individuais de cada um.

  4.   Rodrigo Monteiro disse:

    Estou de pleno acordo, sem hipocresia, o que temos que falar é sobre a regulamentação da Prostituição, deixando bem claro que a prostituição não é crime no pais, e na CBO- Classificação Brasileira de Ocupação a profissão ja é recenhecida pelo Ministerio do trabalho, a regulamnetação apenas descriminaliza os bordeis, casas de masagens e coisa e tal, que na verdade funcionam se utilizando de subterfúgios da lei, é simples, basta banir os artigos 228,229, 230, do codigo civil que são de 1940, rsrsrs, nem existia televisão no brasil, a por favor sem falsos moralismos, a prosttuição sempre vai existir quer regulamente ou não, mas acho que regulamentendo existirão politicas publicas mais humanas e reconhecimento da legal da profissão de seus empregadores, quem quer se prostituir que se prostitua, e quem não quiser assim não o faça…..Sem preconceitos com essa gente que não esta roubando e nem matendo ninguém, e elas dão o que é delas ou deles, e ponto final!!!!!

Deixe um comentário

Spam protection by WP Captcha-Free

URL para trackbackRSS para comentários deste artigo