Trezentos

O início de uma multidão

O que é neutralidade da rede e porque você precisa se preocupar com isso.

Participei na semana passada do I Fórum da Internet do Brasil, e me surpreendi ao ver um representante do SindiTelebrasil ler em uma das salas de debate (Trilha 5, onde Neutralidade era um dos temas), um comunicado do Sindicato defendendo a flexibilização na definição de Neutralidade da rede no Brasil. O conteúdo do texto (ou parte dele) pode ser encontrado no site da instituição aqui.

Basicamente o que eles pedem é que o conceito de neutralidade a ser adotado no Brasil (por regulamentação da ANATEL, brecha já introduzida por eles no projeto de lei do Marco Civil), seja expandido para que permita “…às prestadoras ofertar serviços customizados que atendam a perfis de consumo específicos e adotar medidas para gestão e diferenciação de tráfego, inclusive aquelas que envolvam diferenciação de custos, preços e priorização por tipo de trafego.”

Pode parecer algo simples, mas impacta e muito a vida e o bolso de todos os internautas brasileiros, e vou explicar o motivo.

Em 2009, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), aprovou e publicou uma resolução onde define os  “Princípios para a Governança e uso da Internet no Brasil”. A resolução apresenta 10 pontos que deve ser considerados como base para a governança da Internet em nosso país, e o item 6 do documento fala sobre a Neutralidade da Rede:

6.  Neutralidade da rede
Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou     qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento

Explicando o assunto de forma simplificada, imagine que a Internet seja uma grande estrada por onde passam diversos veículos, cada um deles carregando um pedaço de uma carga entre dois pontos. O que o princípio aprovado pelo CGI diz, é que “critérios técnicos e éticos” devem ser utilizados para se controlar o fluxo deste tráfego, não permitindo que critérios “políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento sejam aplicados.”

Se os princípios do CGI forem seguidos, o tráfego de dados na Internet será regulado de forma muito parecida com o tráfego de veículos pelas estradas, onde critérios técnicos e éticos são usados para “dar preferência” ao tráfego de determinados tipos de veículos (como veículos de emergência). Este é o princípio da isonomia no tratamento de pacotes.

Na Internet, ao invés de termos veículos carregados, temos pacotes de dados transportando os dados das aplicações que utilizamos no dia a dia, como páginas web, imagens, áudio e vídeo, que são necessários para podermos utilizar serviços como VoIP (Skype), vídeos (YouTube, NetFlix e similares), redes P2P (Torrent) e todo o resto que usamos no dia a dia em nossos computadores e celulares.

A proposta do CGI pede simplesmente que o controle de fluxo destes dados sejam feitos por critérios técnicos e éticos, como por exemplo a priorização do tráfego de áudio e vídeo, pois qualquer demora na entrega destes pacotes faz com que a experiência do usuário ao utilizar o serviço seja muito prejudicada.

O que o SindiTelebrasil quer é o oposto disso. Querem que as regras lhes permitam aplicar “outros critérios” para o controle deste fluxo de dados, permitindo que cobrem do consumidor de acordo com o tipo de uso que ele faz da rede. Já imaginou onde isso pode chegar ?

Se não fizermos nada para lutar contra esta proposta apresentada por eles, que têm um poder enorme nas mãos, vamos ver em mais alguns meses a internet sendo fragmentada no Brasil, de acordo com o poder aquisitivo do Internauta. Teremos sim a Internet dos ricos (com áudio, vídeo e redes P2P) e a Internet dos pobres (páginas e no máximo imagens)… Não vou nem mencionar aqui a ‘falta de interesse’ das empresas de telecom em ver serviços como o Skype funcionando bem no Brasil ou das operadoras de TV a Cabo (que também vendem conexões banda larga) em ver serviços como o NetFlix e similares chegando a todo o vapor no Brasil, oferecendo uma alternativa barata aos caríssimos pacotes de TV por Assinatura que temos por aqui.

As teles justificam seu pedido dizendo que sem esta ‘regulamentação’, a Internet brasileira vai entrar em colapso e que se todo mundo resolver usar a banda que lhes é vendida, a Internet brasileira sai do ar… Fico aqui me perguntando se sou o único a achar isso um absurdo sem tamanho. Como disse um amigo meu, mais uma vez eles querem privatizar o lucro e socializar o prejuízo.

Vale a pena dizer que a luta que teríamos que travar no momento é para que as Teles entreguem de verdade a banda de internet que nos vendem, pois pasme você, em muitos contratos de ‘Banda Larga’ no Brasil, a banda ‘garantida’ é 10% da banda contratada. Sim, neste exato momento pode ter gente te fazendo de otário te vendendo uma conexão de 2 Mbps e te entregando apenas 200 Kbps.

Já existem diversos grupos de ativistas na rede se articulando para defender os nossos direitos frente a este ataque à nossa liberdade na rede (sim, eles podem decidir que você não vai mais usar o Skype, ver vídeo ou usar redes P2P e pronto), e por isso eu convido você internauta a procurar mais informações em grupos como o Mega Não e descobrir como você pode colaborar para manter nossa rede como é. Se não for por você, faça pelos seus filhos, para que tenham no futuro uma rede como aquela que você teve e que te trouxe até aqui.

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24 comentários para “O que é neutralidade da rede e porque você precisa se preocupar com isso.”

  1.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    Vc preocupado com neutralidade…

    E o grampo de 3 anos, inconstitucional (ainda sendo discutido pelo legislativo), de nossos provedores de acesso, violando nossos direitos á privacidade, sabe-se lá em que aplitude (não foi esclarecido…) que a Dilma vai assinar este dia 31 de outubro, obrigando a Anatel a cobrar isso das teles, hein ? Isso é BEM PIOR! Se não for pelo grampo em si, e por looooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooongos 3 anos de violações (36 meses – Japão 2 meses, Alemanha 0 dias) que seja UM PRECEDENTE PERIGOSO de uma presidenta que NÃO RESPEITA A DEMOCRACIA, E PASSA POR CIMA dos trabalhos do legislativo em cooperação com a sociedade!

    Que país é esse ? DILMA PARA PRESIDENTE DA UNIÃO SOVIÉTICA DJÁ!

    Agora, pra que temos que nos preocupar com o o AI5 Digital do Azeredo se temos o AI5 Digital da Roussef do PT ?

  2. A Dilma não interfere no que a Anatel determina, esta no site do MInistério das Comunicações: “Conforme a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) – a Lei nº 9.472/1997 – a Anatel é uma autarquia administrativamente independente, financeiramente autônoma, vinculada ao Ministério das Comunicações, e não se subordina hierarquicamente a nenhum órgão do Governo ou aos Poderes políticos. Seu processo decisório caracteriza-se como última instância administrativa e suas decisões só podem ser contestadas judicialmente.”

    Sendo assim o Governo não tem nenhuma ação sobre a ANATEL, no caso tem de entrar na justiça para contestar tal normativa. É importante mapear quem esta na direção da ANATEL e entender o que mudou, isto porque pesquisando documentos de 2008 eles falam fortemente em neutralidade da rede como necessidade imperativa, como:

    ANALISE 130/2008:
    [..]Também a neutralidade de rede, em relação ao tráfego internet consiste no transporte isonômico de tráfego sem qualquer discriminação em termos de qualidade de serviço (QoS), em função da origem, do destino e do conteúdo transportado, sendo um dos pilares que sustentam o sucesso da Internet. Possibilita, com isso, o compartilhamento isonômico por todos os usuários e provedores de serviços.
    Em função disso, proponho que deve ser assegurada, pelas prestadoras pertencentes ao grupo econômico resultante da operação em tela, a neutralidade de suas redes.[..]

    507a REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR DA ANATEL
    [..]3.2.3- Quanto à neutralidade de rede em relação ao tráfego da Internet
    A neutralidade de rede em relação ao tráfego da Internet consiste no transporte isonômico de tráfego sem qualquer discriminação em termos de qualidade de serviço (QoS), em função da origem, do destino ou do conteúdo transportado.
    A neutralidade de rede é um dos pilares que sustentam o sucesso da Internet, possibilitando o seu compartilhamento isonômico por todos usuários e provedores de serviços.
    Em função disso, proponho que deva ser assegurada, pelas prestadoras pertencentes ao grupo econômico resultante da operação em tela, a neutralidade de suas redes.[..]

    Entretanto em 2011 esta posição mudou, e muito, pode-se ver pelos comentários da consulta 46 que ha o interesse em mexer na questão da neutralidade.

  3.   Rubens disse:

    Jomar, você entende ao menos que aquilo que você compra e pelo qual voce PAGA na banda larga é apenas uma disponibilidade COMPARTILHADA de rede (voce divide a mesma banda com dezenas de outros usuarios) para QUANDO VOCE PRECISAR USAR? Em momento algum voce comprou uma conexao dedicada, do tipo onde voce tem garantida a velocidade maxima de sua banda 24h por dia!
    .
    Para encher a boca e falar em “nossos direitos”, voce precisa PAGAR o preco real do produto (ou seja, alugue uma conexao dedicada), e nao pagar apenas o preco de uma conexao compartilhada, onde 30, 40 pessoas diferentes estao dividindo custos e conexao. Esse é um dos motivos (ha outros) do porque as teles lhe garantem apenas 10% da conexao.
    .
    E é mesmo verdade, meu caro: se “todo mundo” resolvesse usar toda sua banda simultaneamente, é obvio e ululante que a internet vai ficar lenta para todos, muito provavelmente entra em colapso e ate mesmo sai do ar. É assim que funciona no mundo inteiro (ninguem monta rede pensando nesse cenario de uso 100%, o custo seria proibitivo), inclusive é assim que funciona a telefonia (se todo mundo resolver telefonar ao mesmo tempo, o sistema entra em colapso, pois ele é estruturado para um uso estatistico medio das pessoas (com alguma folga) e nao para ter todo mundo pendurado ao telefone ao mesmo tempo.
    .
    Portanto, essa questao precisa ser analisada com um minimo de bom senso, nao pode ser na base do 8 e nem na base do 80.

  4.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    “A Dilma não interfere no que a Anatel determina,”

    Governo não cogita adiar data para imposição de metas para banda larga

    http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=28086&sid=4

    “A conselheira da Anatel, Emília Ribeiro, e o secretário de Telecomunicações do ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, garantem que a imposição de regras de qualidade para a banda larga fixa e móvel não será adiada, apesar da posição contrária das teles.”

    “…Mas esse não é o único ponto que atrai discussão. Os regulamentos sobre o Serviço de Comunicação Multimídia também tocam em pontos polêmicos =====> como a guarda de logs a data de 31 de outubro ======> foi fixada em Decreto Presidencial <===== – o mesmo que consolidou o acordo entre operadoras e governo sobre as metas de universalização."

    Para Proteste, regulamento do SCM é inconstitucional

    http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=27728&sid=8

    "A Proteste quer que a Anatel reconheça a inconstitucionalidade do regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia, por entender que antes de estar sujeito ao poder normativo da agência reguladora, o serviço em si precisa ser criado por Lei ou por Decreto Presidencial."

    "Considerando-se que a norma ora em consulta institui um novo serviço – o Serviço de Comunicação Multimídia – SCM, que sequer está estabelecido pela Lei Geral de Telecomunicações ou por Decreto Presidencial, cuja titularidade é da União – art. 21, inc. IX, da Constituição Federal, o certo é que esta norma representa clara invasão da Anatel no poder regulamentar do Poder Executivo."

    PS: Teve outra materia, não sei aonde está o link, perdi, que já falava que o prazo da "guarda de logs" (ah… grampo!) seria de módicos 3 anos. "Tem coisas que só no Brasil mesmo". Não podemos esquecer que no Japão são 2 meses e na Alemanha o dias (pq a Suprema Corte Europeia disse que ela é inconstitucional, pois viola a privacidade e os direitos humanos dos europeus, além de não ajudar assim na alta criminalidade, que usam meios de embaralhar os IPs – isso é mais pra "pegar" pé rapado mesmo, aquele que critica o política ou outro qq ou que dá download autoral, que é pra isso que serve estes logs).

  5.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    “Jomar, você entende ao menos que aquilo que você compra e pelo qual voce PAGA na banda larga é apenas uma disponibilidade COMPARTILHADA de rede (voce divide a mesma banda com dezenas de outros usuarios) para QUANDO VOCE PRECISAR USAR? Em momento algum voce comprou uma conexao dedicada, do tipo onde voce tem garantida a velocidade maxima de sua banda 24h por dia!
    .
    Para encher a boca e falar em “nossos direitos”, voce precisa PAGAR o preco real do produto (ou seja, alugue uma conexao dedicada), e nao pagar apenas o preco de uma conexao compartilhada, onde 30, 40 pessoas diferentes estao dividindo custos e conexao. Esse é um dos motivos (ha outros) do porque as teles lhe garantem apenas 10% da conexao.”

    Rubens, é verdade. A rede é compartilhada, como vc disse. Vc não falou nenhum escalábrio.

    Porém… porém… (o mundo é feito de “poréns”…)

    por que a Oi Telemar (as teles) resolveram encrespar com isso logo agora, quando esse PNBL ridículo da Dilma (que não apenas coloca a odiosa “franquia de dados”, mas de valores ridículos, como 300Mb mensais – valor esse que NEM que vc só usar a internet para acessar páginas, em 1 semana vc transpassa esse valor – basta ir na memoria cache de seu navegar e limpá-lo e ver quanto de memoria foi liberado no seu Hard Disk após a limpeza…. não é pouco não…) surgiu, e esse PNBL apenas afetaria novos assinantes respetivo APENAS ao plano ? Assim, por que aproveitaram para falar de franquia agora, querendo MISTURAR este PNBL (que é somente para novos assinantes e somente respectivos á area urbana que seria agraciada pelo plano, como interior, etc) com os milhões de assinantes que já existem ? 171 ? sim! Mallllandrage “á brasileira” ? sim!

    Até pq, covenhamos, mesmo com a limitação tecnica q vc disse, do compartilhamento de rede, de HOJE EM DIA, a internet banda larga tá aí, funcionando no país! Algumas operadores e áreas podem ser problemáticas (Net Virtua, Telefonica Speedy), mas outras não são tão assim (Oi, GVT, etc).

    Resumindo: com a rede de fibras que dispomos, e de players de intercomunicação (Level 3, da Global Crossing, etc) oferecendo ainda mais banda não usada em suas fibras (ver anuncio da Level 3…), e usando a tecnica de compartilhamento atual dos provedores de acesso (Last Mile, consumidor final) dá pra tranquilamente continuar assim como está hoje, sem franquia institucionalizada geral (apesar q alguns provedores péssimos sempre fizeram franquia, como Net e telefonica). Até pq, a Level 3 Global Crossing sinaliza com banda de sobra em seus cabos de fibra ótica, inclusive para o PNBL. Neste caso, o maior investimento dos provedores de acesso (que reclamam agora da neutralidade imposta em lei, ou seja, contra as malditas franquias imbecis) seria mesmo apenas em roteadores, em maquinários de controle de fluxo e cabeamento até a casa dos clientes e a ligação com novos suprimentos de banda das empresas de intercomunicação, como a Level 3.

    Então, a grosso modo, sem misturar alhos com bugalhos, sem misturar PNBL com os assinantes já estabelecidos, de areas já atendidas (e sem franquias, como no caso da Oi) podem MUITO BEM continuarem com o procedimento atual, de compartilhamento sem franquia instituída. E os novos (dentro da area coberta pelo PNBL), podem, então, sim, terem infelizmente a maldita franquia (ainda que ache 300Mb mensais cômicos de ridículos……..). É MALLLANDRAGEM da Oi, das teles, querer então, MISTURAR o PNBL de pessoas de areas que não são atendidas com os milhões de assinantes atuais das areas já atendidas! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!

    É claro que com a neutralidade da rede em norma, automaticamente a franquia do PNBL cai legalmente por terra. Aliás, não deveria ter, o q poderia ter é eles dividirem a rede com mais gente, o q naturalmente cai a velocidade de qq maneira. E deixar a estrutura atual do compartilhamento de rede com os assinantes em areas já atendidas que NÃO FAZEM PARTE do PNBL do governo federal (q aliás, é ridículo! 35 reais para 1Mb e com franquia e de 300Mb ? kkkkkkkkkkkkkkk!). Na minha opnião as teles se valeram para “passar a perna” no Lula e depois na Dilma (apesar que dela espero QQ COISA ruim de sua administração caótica, pesada e desastrada…) por eles com certeza não entenderem NADA de internet e dos meandros q muitos usuários já entendem e que os afetam. E claro, essas teles, sendo tb empresas q já ajudam nas campanhas eleitorais, com contribuições, é mais outro peso.

    Acho que a neutralidade DEVE continuar, deve ser lei mesmo, imposta. E o PNBL revisto, retirando a norma de franquia de 300Mb mensais, sem franquia. Que neste caso, das areas atendidas pelo PNBL poderia sim mais pessoas serem “penduradas” na mesma rede (acho que de 100Mbits cada, me corrijam se eu estiver errado) o q naturalmente diminuiria a velocidade…. E as que já são atendidas FORA e ANTES do PNBL (nós) deixassem a estrutura atual como está, com a quantidade de pessoas compartilhando a mesma rede na quantidade atual.

    O vejo a malllandragem das teles então não é ter estrutura pra todos, é que eles não querem investir em mais equipamentos e cabeamentos, e comprar muito mais links que estão disponíveis SIM (como a Level 3 Global Crossing vai oferecer…)! Querem diminuir investimentos e PIORAR os que já existem para otimizar recursos, gastos, e com isso terem HIPER LUCROS. Lucrando não só em cima dos novos assinantes das areas q serão cobertas pelo PNBL, como das areas atuais de seus milhões de asisnantes atuais colocando franquia neles TB para OTIMIZAREM LUCROS em cima destes tb! ganhando dos dois lados!

  6.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    “Não vou nem mencionar aqui a ‘falta de interesse’ das empresas de telecom em ver serviços como o Skype funcionando bem no Brasil ou das operadoras de TV a Cabo (que também vendem conexões banda larga) em ver serviços como o NetFlix e similares chegando a todo o vapor no Brasil, oferecendo uma alternativa barata aos caríssimos pacotes de TV por Assinatura que temos por aqui.”

    ***

    Os pacotes das tvs por assinatura no Brasil não são caros, são impossíveis! Deveria se instituir “o dia da net gato” no país. Pq, convenhamos, os preços ABSURDOS que cobram é dificil imaginar a maioria assinando, mesmo querendo! E aqueles pacotes mais baratos, que inundam as tvs com anuncios tentadores (39,90 – 49,90 por aí) são os pacotes mais básicos, inundados de rádios, canais religiosos e políticos, canais abertos e os “fechados” (proprietários) mesmo só uma meia dúzia, e desses se UM prestar é muito! Só empurram as bombas. O Discovery, q era o ÚNICO q se salvava nos pacotes baratos básicos (ou seja, vc só assinava o pacote só pra ver Discovery…. e só, o resto muito ruim) hoje em dia só está nos mais caros (de 100 e tantos, 200 reais)…. A propaganda é ENGANOSA, dizendo que são “centos e tantos canais por 39,90″. Cade o Conar ? rádio é canal ? canal aberto conta ?

    Mas voltando… imagine agora que as teles podem vender serviço de tv por assinatura (SEMPRE fui a favor! pois somente assim poderemos ter mais competição e preços menores, ou então os mesmos preços básicos – 39,90-49,90 – mas colocarem canais fechados realmente dignos e mais quantidade). É ÓBVIO que as teles querem difilcutar a vida dos concorrentes, podendo. Como a Netflix. É obvio que seria a melhor situação elas podem lucrar ainda mais em cima dos assinantes de banda larga (otimizando gastos, oferecendo-lhes pior serviço, como querem, com a franquia de dados). E podendo impedir o acesso ao Netflix e outros. E se tiver acesso que o assinante pague a mais e que a Netflix lhe pague tb.

    Veja o seguinte porém: no caso da máfia autoral sempre tivemos os provedores ao nosso lado (ou seja, a situação é máfia autoral x sociedade internética + provedores). Mas neste caso específico da qualidade da banda larga, da velocidade e da franquia é cada um por si (a configuração seria máfia autoral x sociedade internética x provedores).

  7.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    O “fator netflix”…

    Há um outro problema nisso tb. Os servidores de video stream. Já não bastasse o youtube, agora temos o Netflix, que é ainda pior para consumir banda. Videos melhor qualidade e muito longos (2 hrs). E pior, a pessoa assinando, pagando (apesar dos valores no momento serem bons, 15 reais mensais) “vai querer” “gastar” pelo q pagou e vai ver muitos videos ao mes. Agora, imagine a situação: em 1 mes de anuncio na tv o Netflix já disse que tem 1 milhão de assinantes…… Complicado.

    Porém, é aquele negocio, “e as pessoas que não assinarem Netflix” ? terão que “pagar o pago” pelas pessoas que assinam e ficaram heavy-users de banda ?

    Acredito, piamente, q a estrutura da internet não comporta tantas desventuras (não estou falando dos downloads em massa, estou falando dos streamings pesados e longos de video, dia a dia). O ideal é ter-se uma “internet 2″, somente para streming de videos pagos e tvs por assinatura a la carte. Mas para ter-se essa “internet 2″ precisaria se investir numa NOVA e SEPARADA estrutura, própria para videos HD pagos e tvs por assinatura pagos. Uma estutura completamente comercial, como as tvs por assinatura. Mas será que as majors teriam vontade de invetsir centenas de bilhões numa infra estrutura própria, mundial, para vender seus videos ? Não é impossível pensar. Basta elas criarem seus próprios provedores de acesso (fora da internet), e seu próprio cabeamento oceanico e cabeamento local nos estados dos países e claro, a “ultima milha” na casa do consumidor. Assim poderia vender seus pacotes de canais de videos streaming em alta velocidade em HD, com seus DRM e equipamento próprio, locadora virtual ou “video clube” e seus canais de tv por assinatura “on demand” a la carte (vc só paga o canal que consome e gosta), sem travadas e perdas, alta qualidade e frame rate. Seria o ideal, até pq primeiro deixariam a “internet 1″ em paz e não soterraria ela com tráfego e com suas normas que somente á elas interessam e não á humanidade.

  8.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    “Entretanto em 2011 esta posição mudou, e muito, pode-se ver pelos comentários da consulta 46 que ha o interesse em mexer na questão da neutralidade.”

    Mudou pq mudou o governo. Saiu o Ptista Lula de centro-esquerda e entrou a PMDBista-PSDbista Dilma de ultra direita. Além disso, aquele ministro das comunicações não me inspira confiança nenhuma. Parece um minstro do FHC (aliás, eles já mostrou a que veio quando criminalizou um usuário que compartilhava sua rede wifi com o vizinho… já deu sinais do sol vermelho no horizonte).

    Francamente, passamos por isso tb pq Lula foi apostar, e muito errado, na figura da Roussef para substituí-lo. Dilma foi uma escolha pra lá de confusa, errada, equivocada, da parte de todos (do Lula, do PT, e dos eleitores do PT/Lula).

    De uma direção burocrata e humanista passamos agora para uma retrógrada direção putocrata neoliberal e tecnocrata. Ainda acho que Dilma é BEM pior que o FHC, hein! E olha que sabemos a lastimúria que foram seus 8 anos de desgoverno. Pior é saber que em 2014 isso poderá não ter fim ainda… E somente 1 ano de governo. Não merecíamos isso, judiação. O capital deve estar tendo orgasmos e retinas piscando, de tanto tezão com este governo. O imperialismo e suas multi nacionais estão rindo de tudo, felizes e pimpões, uma aurea que não sentiam desde a adm. Cardoso.

  9.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    Falando de Dilma, isso só corrobora aquela frase “pessoas são pessoas” e “para conhecer uma pessoa de verdade deve-se dar a ela poder”. Pois vamos colocar os pratos a limpo: se não fosse pela proteção e pela promoção do Lula para o substitui-lo e continuar seu governo e conquistas Dilma JAMAIS, nem daqui há 100 anos, se elegeria presidente do Brasil! Aliás, NEM MESMO governadora. Visto sua completa inabilidade política, e sua falta absoluta de carisma. Não há que se imaginar que ela, por conta própria, construiu algo que a diferenciasse dos demais, se não fosse a ajuda do Lula. Na verdade Lula serviu de escada para suas pretensões políticas.

    O problema que Lula e o PT tem essas rinhas de “minorias no poder”, então quiseram uma mulher, para algum “marco histórico”. Mas a pergunta: não existe na política, e mesmo no PT mulher melhor preparada para o cargo e as exigencias e que pudesse levar a bandeira do partido e o legado do Lula adianta e melhorá-lo ? Pq, até agora, só vendo Dilma DESTRUINDO o que Lula construiu! é ou não é ? Tudo nela é destruição. Como é do próprio partido e indicada e protegida por Lula ng fala nada, se fazem de cegos. Se Dilma fosse oficialmente do PSDB (como ela atua) todos estariam caindo em cima criticando a destruição do legado bom do Lula para a sociedade.

    Agora imagine, se a Manuela D’Avilla do PC do B tivesse a tempo ingressado no PT e fosse ELA a protegida do Lula e agora eleita ? Conhecemos o quanto conhecemos dela, e acreditamos, o quanto as coisas poderiam ser diferentes agora ? Será que o Lula, por dentro, não está constrangido com a administração Roussef mas não diz nada para não criar atritos e destruir o sonho de do PT 50 anos no poder ? E tem que engolir as peripécias da Dilma ? Ele engole, mas será q a sociedade tem que engolir ?

  10.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    Enquanto isso…

    O parlamento Europeu votou pela neutralidade da rede (internet):

    http://www.laquadrature.net/node/4820

  11.   Andre Dourado Courado Ipsens JrIII disse:

    Porém analistas alertam sobre riscos á privacidade e proteção de dados se a “neutralidade da rede” tiver algum mecanismo de “filtragem” de qq tipo…

    http://www.laquadrature.net/en/euractiv-eprivacy-watchdog-raises-concerns-over-net-neutrality

  12.   Jomar Silva disse:

    @Rubens:

    Me mostre PELO MENOS UMA propaganda ou peça de Marketing de banda larga no Brasil onde está EXPLICITO que a banda anunciada é compartilhada. Se não encontrar, por favor se cale !

    A questao aqui não é o que eu como engenheiro eletronico entendo do que contrato, mas o que minha mae que é leiga em tecnologia pensa que está comprando ! E sim, ela está sendo enganada (se voce não entendeu, avisa que eu desenho, ok ?)

    No final da década de 90 eu trabalhei em um laboratório que foi fundamental para a proliferação de ADSL e DOCSIS (ou cable modem, para os leigos) no Brasil. Passei alguns bons anos estudando e fazendo inúmeros testes com as duas tecnologias e te garanto: são ‘compartilhadas’ se a operadora assim desejar.

    Gosto ainda a comparacao que voce fez com o sistema telefonico, pois ela além de denunciar a sua idade, denuncia a sua origem e provavelmente profissao, e por isso te falo: é por causa de pessoas como voce que ainda não sairam da era do telefone que pessoas como eu tem que gastar tanto tempo na vida lutando pelo que é óbvio. Não aguento mais ouvir discursos de pseudo-técnicos tentando dar guarida na área técnica para a ganância empresarial e a falta de vergonha na cara.

    Se as teles querem financiamento público para expandir suas redes (sim, este é um joguinho barato para meter a mao no FUST), que tenham o mínimo de decência de oferecer algo em troca !

  13.   Jomar Silva disse:

    @Andre:

    Não caia no discurso fácil do ‘colapso da rede’ e por favor entenda o pano de fundo deste debate todo.

    Também sugiro que voce estude melhor os papeis de cada organismo nacional na regulamentação das teles no Brasil. Cuidado ao fazer ataques pessoais, pois escrever na Internet é fácil, apagar é quase impossivel e daqui a algum tempo voce pode descobrir que esta totalmente enganado e que ‘passou vergonha’.

    No mais, como vi que voce tem muito a dizer sobre o assunto, sugiro que escreva o seu proprio texto sobre o tema, com as suas opinioes, e que publique onde puder. Ai voce entra aqui, coloca o link para ele e pronto !

    Abs,

    Jomar

  14.   Anônimo disse:

    Olha que beleza:
    http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=27723&sid=4

    No final eles sempre conseguem o que querem. Por que será?

  15.   Rubens disse:

    @Jomar Silva:

    > Me mostre PELO MENOS UMA propaganda ou peça de Marketing de banda larga
    > no Brasil onde está EXPLICITO que a banda anunciada é compartilhada. Se
    > não encontrar, por favor se cale !

    Que argumento mais estapafúrdio é esse? Contra-argumentando: em que lugar do planeta Terra as operadoras (qualquer operadora) explicitam em anuncios que a banda anunciada é compartilhada? Ou que as suas redes de telefonia movel (por exemplo) nao sao planejadas para que todos tentem usa-la ao mesmo tempo? Esse é o tipo de coisa que nenhuma empresa jamais vai dizer numa propaganda. A mim parece óbvio.

    > A questao aqui não é o que eu como engenheiro eletronico entendo do que
    > contrato, mas o que minha mae que é leiga em tecnologia pensa que está
    > comprando !

    Sua mãe não precisa entender como funciona, basta a ela ler o contrato e ver que o serviço tem limitacoes, como cota de consumo, por exemplo. Não há necessidade de saber o porque.

    > E sim, ela está sendo enganada (se voce não entendeu, avisa que eu desenho, ok ?)

    Apesar de toda essa sua agressividade e má educação (“se cale!”, “se não entendeu eu desenho”…), eu vou continuar argumentando. A vida é assim, meu caro. Garanto a você que sua mãe, por exemplo, aprendeu bem cedo que aquela roupa maravilhosa no manequim (dummie) da loja nunca que irá ficar igual no corpo dela. E, no entanto, nunca vi mulher alguma sair por aí defendendo que a loja deveria deixar isso claro em suas propagandas. Sabe por que? Elas sabem que é pura questão de bom senso de quem compra. Em toda área de negócios é assim que funciona. Por que apenas em questões como banda larga algumas pessoas parecem querer tudo mastigadinho e explicadinho, quando nenhuma propaganda é?

    > No final da década de 90 eu trabalhei em um laboratório que foi fundamental
    > para a proliferação de ADSL e DOCSIS (ou cable modem, para os leigos) no
    > Brasil. Passei alguns bons anos estudando e fazendo inúmeros testes com as
    > duas tecnologias e te garanto: são ‘compartilhadas’ se a operadora assim
    > desejar.

    Outra que eu não entendi… Você está tentando argumentar com isso que como nao existe restrição tecnologica, que só por causa disso a sua banda larga tem que ser dedicada, irrestrita e não compartilhada? É isso? Ora, o que faz a restrição é o CUSTO financeiro de se ter uma conexao dedicada, e não motivos tecnológicos. Coisa mais óbvia isso!

    Fazendo uma analogia: tecnologia existe para levar o homem ao Espaço, ou mesmo à Lua. Por que você não vai, então, se a tecnologia existe, me responda? Ora, você não vai pelo motivo óbvio que a sua limitação não é tecnológica ou de oferta (oferta existe, qualquer um pode pagar um lugar como turista num foguete soviético, como o g*verno do PT fez com aquele astronauta fajuto brasileiro, que não passou disso, um turista em passeio com passagem comprada, sem qualquer importância ou participacao na missao do foguete russo).

    No foguete ou na banda larga, a sua limitação é de *CUSTO*. Fica caro deixar todo mundo usar a banda que contratou 24×7. Neste caso, para o acesso internet de todos funcionar dessa forma, o preço nunca poderia ser o que a pessoa pagou (o preco atual leva em conta que a conexao é compartilhada). Se você duvida, tente comprar um link dedicado para ver os preços.

    Entenda uma coisa, Jomar: não estou justificando os precos atuais, muito menos afirmando que são justos ou que não são justos. O que eu estou dizendo é que não dá para garantir 100% da banda 24×7 *e* ainda assim manter os precos atuais, porque o modelo e o plano de negocios teria que mudar. Em lugar algum do mundo é assim que as redes sao planejadas e implementadas, e em lugar algum do mundo redes para acesso domestico tem essas garantias que você quer.

    > Gosto ainda a comparacao que voce fez com o sistema telefonico, pois ela
    > além de denunciar a sua idade, denuncia a sua origem e provavelmente
    > profissao, e por isso te falo: é por causa de pessoas como voce que ainda
    > não sairam da era do telefone que pessoas como eu tem que gastar tanto
    > tempo na vida lutando pelo que é óbvio. Não aguento mais ouvir discursos
    > de pseudo-técnicos tentando dar guarida na área técnica para a ganância
    > empresarial e a falta de vergonha na cara.

    Filho, se você se acha a única pessoa certa no mundo, eu te faço um DESAFIO: monte um provedor de acesso, contrate os links (pode ser da Telebrás) e depois venda-os pelos mesmos preços das teles MAS GARANTINDO 100% da velocidade contratada pelas pessoas, em tempo integral. Quero ver você manter o seu negócio nessa base.

    (Mas tem que ser possível, certo? Afinal você parece tão certo que os custos não vão impedir o seu lucro, então para você é fácil!…)

    > Se as teles querem financiamento público para expandir suas redes (sim,
    > este é um joguinho barato para meter a mao no FUST), que tenham o mínimo
    > de decência de oferecer algo em troca !

    Basta apenas que alguem (seja o consumidor, ou o g*verno — ou ambos) assumam esse aumento de custo. Porque a conta tem que fechar no final. Empresas não são casas de caridade.

    PS. E nao sei porque voce parece nao entender (ou não aceitar) que se “TODO MUNDO” tentar usar uma estrada ao mesmo tempo, ou usar o telefone ao mesmo tempo (seja celular ou nao), ou a internet “full” ao mesmo tempo, o sistema NAO VAI FUNCIONAR, porque nao ha capacidade para isso. Seja no Brasil, nos EUA, na Europa, onde for… Ainda mais que se diz engenheiro. Não é dificil entender que sempre vai haver limites fisicos, principalmente por motivos economicos (o investimento para garantir 100% da banda contratada para todos tornaria os precos de acesso proibitivos, não compensa!).

  16.   Rubens disse:

    @ André Dourado

    > É claro que com a neutralidade da rede em norma, automaticamente a franquia
    > do PNBL cai legalmente por terra.

    Andre, “neutralidade da rede” nada tem a ver com o assunto franquia. A neutralidade da rede tem mais a ver com impedir os provedores de fazer o conhecido “traffic shaping”, ou seja, ela serve para tentar impedir que o provedor interfira no tráfego de determinado tipo para favorecer um outro tipo de tráfego.

    Citando um exemplo mais palpável, seria impedir que uma Net possa interferir do tráfego gerado pelo Netflix (como atualmente ela ja faz), em favor do tráfego gerado pelo seu serviço “Net Now” de VoD (Video on Demand).

    Fora isso, com ou sem neutralidade o provedor pode continuar instituindo franquias (ou cotas de consumo) normalmente, como julgar melhor.

  17.   Jomar Silva disse:

    @Rubens:

    Que bom que voltou !

    Vamos por partes:

    Nosso código penal é mais do que claro sobre o tipo de ‘artifício’ de marketing usado nas propagandas de banda larga:
    Artigo 171 – Estelionato
    “obter para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.”

    Quando você assume que as teles anunciam uma coisa e entregam outra ao consumidor, assume um crime de estelionato cometido por todas elas. Não me venha com o ‘Leia ao contrato’ pois ele pode ser até um atenuante do crime cometido, mas não o justifica.

    De qualquer forma, este debate sobre o que é anunciado vs o que é entregue me fez ver que precisamos mesmo ter uma campanha nacional de esclarecimento sobre o que é vendido e ofertado como ‘Banda Larga’ no Brasil. Obrigado por me fazer enxergar isso e não tenha dúvidas que vou me mexer para iniciar logo esta campanha de esclarecimento.

    Sobre as questões de restrição tecnológica vs restrição econômica, vamos lá (aritmética simples, ok ?).

    Uma conexão de 100 MBps pode ser fracionada HONESTAMENTE em 100 conexões de 1 MBps ou 1.000 conexões de 100 kbps. Como pode ver, não existe nenhuma limitação técnica aqui, correto ?

    O que as empresas fazem é vender 100 kbps como sendo 1 Mbps, ou se preferir, vendem o mesmo 1 MBps para 10 usuários, fazendo com que o ‘retorno do investimento’ seja 10 vezes maior. Se isso é legal (tenho minhas dúvidas), certamente não é moral e portanto, sugiro que você alerte aos ‘investidores’ que se querem ganhar dinheiro com um negócio de legalidade incerta e imoralidade certa, que invistam no tráfico de drogas. É lucro garantido.

    Agora vamos analisar o modelo econômico:

    O modelo que deveria ser usado pelas Teles na oferta de serviços de banda larga é o bom e velho compre no atacado e venda no varejo (nenhuma dúvida até aqui, correto ?). O modelo que elas acabam usando é um pouco diferente deste, diferente no sentido da moralidade, pois pode ser resumido em: compre no atacado e venda o mesmo produto para 10 consumidores no varejo (entregando 10% para cada otário, digo, consumidor)…. Novamente nenhum problema econômico, mas um gigantesco dilema moral, não acha ?

    Eu acredito ainda que de fato temos um grande problema econômico sim no mercado de banda larga: Temos um Monopólio (ou um Oligopólio) que não consegue ser quebrado. Isto explica até a ‘pseudo-escasez’ alardeada, que é a forma tradicional que Monopólios e Oligopólios tem de controlar na marra os preços no mercado.

    Não estaríamos aqui discutindo se as teles tivessem a honestidade de anunciar na TV “Conexão de Banda Larga de 100kbps, que pode chegar a 1 MBps se você der sorte !”, mas concordo que seria pedir demais. Por isso mesmo, vou entrar em contato com alguns amigos para que além de esclarecer as pessoas sobre o que é a banda larga que eles compram, precisamos ainda utilizar melhor o CONAR para impedir propaganda enganosa na TV. A vida de todos (nossa e das teles) vai ser bem complicada nos próximos meses, mas quem sabe conseguimos alcançar um novo patamar de moralidade nesta área.

    Há alguns anos, cafetões, traficantes e bicheiros eram vistos como ‘empresários de sucesso’ pela sociedade, que fazia vista grossa a seus ilícitos e expandia a moralidade vigente para que os acomodasse. Os tempos mudaram, a moralidade mudou e hoje os mesmos cidadãos não são assim tão aceitos pela sociedade. É de uma mudança desta que precisamos no mercado de telecomunicações, e não tenho dúvida de que vamos conseguir alcançar este objetivo (goste você ou não). Chega de ver os serviços deste país sendo sempre nivelados por baixo !

  18.   João Sérgio disse:

    A questão é: até que ponto essa escassez é real e a partir de que ponto ela é fabricada para atender interesse A ou B?

  19.   Rubens disse:

    Sérgio, essa sua dúvida expõe a dificuldade que é separar o que é real e justificável (e que faz a gente afirmar que é impossível garantir 100% da banda para todos, full time), do que é fabricado por falta de investimento plausível (repare que eu evitei usar a palavra “necessario”).

    Tudo o que eu tenho dito é real, mas é claro que também existe o exagero das teles… Delimitar onde termina um e começa o outro é complicado…

  20.   Rubens disse:

    > Agora vamos analisar o modelo econômico:
    > O modelo que deveria ser usado pelas Teles na oferta de serviços
    > de banda larga é o bom e velho compre no atacado e venda no varejo
    > (…). O modelo que elas acabam usando é um pouco diferente deste,
    > diferente no sentido da moralidade, pois pode ser resumido em: compre
    > no atacado e venda o mesmo produto para 10 consumidores no varejo
    > (entregando 10% para cada otário, digo, consumidor)…. Novamente
    > nenhum problema econômico, mas um gigantesco dilema moral, não acha ?

    Não, não acho que exista dilema moral algum na metodologia, caso ela seja bem aplicada. Como eu disse, esse (e outros) serviços sao planejados dessa maneira no mundo inteiro. É de praxe que seja assim. É bom que seja assim, pois torna os custos menores e permite que uma banda larga domestica seja vendida mais barata que um link corporativo.

    Isso porque não faz o menor sentido construir uma caríssima infraestrutura para atender a todos os usuarios supostamente usando a internet “full”, quando na verdade pelo menos 90% das pessoas nao usam a internet dessa forma. [exemplo: agora mesmo, neste exato momento, eu estou aqui meramente acessando a web e escrevendo uma mensagem online, para isso ate uma conexao discada serviria; portanto, minha conexao internet de 10 Mb encontra-se totalmente ociosa nesse momento]. Se voce construir para atender a todos, fatalmente vai ter rede super-ultra-ociosa.

    Desta forma, por falta de necessidade, ninguem cria infraestrutura de rede (seja de telefone, internet ou o que for) supondo um improvável uso “full” dessa infra. Existe um modelo matematico/estatistico que voce aplica para determinar a banda REALMENTE necessaria para atender a X clientes. E aí você constrói sua rede baseado nesse modelo. Se a operadora for honesta e promover os investimentos necessarios sempre que eles se apresentarem, esse sistema vai funcionar muito bem.

    A unica dificuldade, como bem registrou o Joao Sergio, é delimitar ate que ponto uma eventual “escassez” de banda nessa rede é justificavel (por uma demanda temporaria localizada, por exemplo), e a partir de que ponto ela se caracteriza como falta de investimento da operadora (do tipo “vendeu mais assinatura do que a capacidade do link”)…

    Vou *tentar* fazer uma analogia… Nao faz sentido voce construir uma rodovia com centenas ou milhares de faixas, gastando uma fortuna em desapropriacoes, terraplanagem do terreno, asfalto e etc., se nao serao todos os carros do seu estado que passarao por essa rodovia ao mesmo tempo. Ninguem planeja a rodovia pensando em poder atender a todos os carros ao mesmo tempo (ate porque essa necessidade nunca vai acontecer). Desta forma, voce cria um modelo estatistico, faz uma previsao de quantos carros efetivamente usarao aquela rodovia em um determinado instante “T”, e a constrói com o numero de pistas e faixas de rolamento suficientes para atender ESSES carros que efetivamente estarao usando a rodovia a cada minuto. Desta forma, no futuro, se mais carros precisarem usar a rodovia ao mesmo tempo, ou teremos engarrafamentos momentaneos, ou, na pior das hipoteses, será necessário duplicar essa rodovia. Mas “dilema moral” porque o construtor nao pensou em atender mais carros desde o inicio, nao existe.

    A mesma coisa é a internet… Nunca você terá todos os usuarios baixando arquivos na velocidade maxima de suas conexoes, ao mesmo tempo. Desta forma, voce cria um modelo estatistico de uso, e implementa apenas a banda suficiente para atender a todos que EFETIVAMENTE estiverem usando a internet para downloads/streaming a cada momento. Depois disso, é só monitorar a rede e, eventualmente, aumentar a infraestrutura sempre que houver aumento expressivo de usuarios ou de consumo.

    Se eu nao me engano, a media internacionalmente aceita (isso antes do surgimento dos servicos de streaming, grandes consumidores de banda) é de colocar 30 usuarios por link (seguindo suas palavras, seria a operadora comprar no atacado e vender o mesmo produto para 30 consumidores no varejo).

    E pra que colocar clausula de 10% nos contratos? Para se resguardar de problemas dos quais você não tem controle (como as redes congestionadas de outros), problemas como os picos de consumo, e durante os periodos que ha aumento expressivo de usuarios/consumo, para lhe dar tempo de fazer os investimentos necessarios e expandir a rede para atender a esse aumento.

    É por aí. Não há nada de amoral nisso, DESDE QUE FEITO DIREITO. É essa forma de planejar e compartilhar a rede que permitiu que as conexoes residencias atingissem os patamares de precos que atingiram (enquanto um cliente-empresa pagava milhares de reais por um link dedicado, um cliente pessoa fisica poderia ter um link compartilhado e pagar apenas 100 reais ou menos para ter a mesma velocidade contratada em casa, ou ate maior).

    Consegui explicar porque o conceito de conexao compartilhada é BOM para o usuario? Ela serve para baixar os custos e, consequentemente, os precos da banda larga, que seriam ainda mais caros caso nao existisse o compartilhamento.

    Então está tudo certo, Rubens? Não. Nada impede uma operadora de, por exemplo, investir menos que o necessario, ou de pendurar mais gente por link do que o recomendavel. Mas perceba que essas são OUTRAS discussoes mais objetivas e realistas, ao invés de meramente achar que se voce contrata X Mbps, tem que ter o direito de usa-los direto, full-time, 24 horas, todos os dias da semana.

    A necessidade aqui não é garantir 100% da banda contratada, e sim garantir que as operadoras estão DE FATO seguindo modelos estatisticos realistas, que não prejudiquem os assinantes de forma permanente. Como eu disse, se BEM UTILIZADO (sem tramóias ou vigarices), o sistema compartilhado funciona muito bem.

  21.   Marco disse:

    Toda escassez na Era Digital é artificial. Um bom exemplo disso é a procrastinação no tocante ao IPv6.

    As teles não têm o menor interesse em descartar um produto escasso e valioso como o IPv4 (que a Net Virtua cobra a mais caso o cliente queira mais de um) por algo que é quase incontável como o IPv6. A escassez de IPv4 valoriza cada IP restante e encarece a entrada de novos “players” no mercado.

    Links corporativos têm como principal atrativo o IPv4 fixo, em que mais um IPv4 pode custar o mesmo que um outro link.

    O DreamHost me cobra $46 anuais por um IPv4 dedicado mas me dá quantos IPv6 eu quiser sem custo algum.

    Outro aspecto “perigoso” para as teles é o Multicast do IPv6, que pode fazer com que qualquer pessoa pegue um desses bilhões de endereços mágicos e transmita para bilhões de espectadores usando a banda suficiente para apenas um. Nada mais de links “terabáiticos” para uma simples streaming. Um péssimo negócio, para as teles, obviamente.

    A Revolução Industrial parece que ainda não chegou às telecomunicações.

  22.   Marco disse:

    @Rubens
    Você trata a Internet como algo finito. É como se o cliente fosse “gastar a Internet” por excesso de uso. Isso não é verdade.
    Não é como a hora do rush, onde todo mundo vai na mesma direção ao mesmo tempo. Da maneira que você fala é como se a estrutura da rede fosse em árvore, em que as folhas secariam o tronco. É uma rede. Uma rede ponto a ponto. O BitTorrent, o Skype e até mesmo Flash fazendo streaming distribuído são provas de que a rede é uma malha.
    O que finito é o link com o backbone. Mesmo isso não é problema porque a operadora pode pedir ao Google um pedacinho da nuvem dele (CDN) e colocar dentro da sua rede, já antes de chegar ao backbone, servindo vídeos do YouTube e economizando horrores de banda.

  23.   Andre Dourado Courado Ipsens Jr.III disse:

    “Rubens disse:

    @ André Dourado

    > É claro que com a neutralidade da rede em norma, automaticamente a franquia
    > do PNBL cai legalmente por terra.

    Andre, “neutralidade da rede” nada tem a ver com o assunto franquia. A neutralidade da rede tem mais a ver com impedir os provedores de fazer o conhecido “traffic shaping”, ou seja, ela serve para tentar impedir que o provedor interfira no tráfego de determinado tipo para favorecer um outro tipo de tráfego.”

    A neutralidade de rede tem TUDO a ver com franquia de dados! TUDO! E não e de graça que ela veio em cima do PNBL do governo da Dilma, que é franquia pura e da mais absurda.

    Pq se vc for ver a pessoa que “extourou” a franquia vai ter sua conecção diminuída, ou seja, interferida. A grosso modo é como se fosse um filtro de banda, um “traffic shapping”, só q ligado para todo tipo de site e serviço.

    A própria Oi é contra a neutralidade da rede no Marco Civil dizendo que, “por causa do PNBL” sua rede ficará sobrecarregada e precisará “colocar franquia” (traffic shapping em todo o serviço enquanto durar o mes) em todos seus assinantes (e não apenas aos que deverão ser atendidos pelo PNBL). E fala tb dos provedores de serviço (yoube, Netflix) que estão e estarão lhes sugando banda demais. Não sejas tecnicista, seja realista, a Oi quer o direito de colocar franquia e no seu ver existe seu parecer jurídico que com os termos de neutralidade da rede do Marco Civil não poderia.

    Não acho que ela tem direito a instituir franquias… Mas uma coisa é “ter direito”, outra coisa é ter instrumentos de fazer e ter leis que não se chocam com essa possível prática.

  24.   Marco disse:

    “O ideal é ter-se uma “internet 2″, somente para streming de videos pagos e tvs por assinatura a la carte.”

    Isso já existe: IPv6 Multicast.
    E aí pergunta-se: “mas eu quero o vídeo na hora que eu quero”. Tudo bem. É muito fácil para a Netflix manter 60 streams (um começando a cada minuto do filme de duas horas) a um milhão de pessoas do que fornecer banda a 1 milhão de streams do mesmo filme.

    Solução técnica existe. O que não existe é interesse.

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